A cerimônia de seda que me tornou mulher
Quando o obi apertou sua cintura, soube que não havia mais volta: cada prega o apagava um pouco mais, e jamais desejara algo com tanta vergonha.
Quando o obi apertou sua cintura, soube que não havia mais volta: cada prega o apagava um pouco mais, e jamais desejara algo com tanta vergonha.
Naquela noite, eu queria o segurança que me despira com o olhar a tarde inteira, sem que ele soubesse o que eu escondia.
Cheguei ao templo meio morta, convencida de que meu corpo era uma maldição. Naquela mesma noite, o sacerdote sussurrou que eu era, na verdade, uma escolhida.
Quando abri a porta, esperava encontrá-la sozinha no sofá, como sempre. Não contava com a segunda silhueta que me observava na penumbra da sala.
Paguei uma fortuna para encontrar a esposa perfeita. O app me entregou um único perfil: Daniela. O que descobri no hotel não estava em nenhuma foto.
Cheirava a café recém-feito e eu soube que a noite anterior não tinha sido um sonho. Yamila ainda estava ali, na minha cozinha, com a pele quente de desejo.
Cruzei a porta daquele apartamento com minha bolsa cheia de lingerie e saí convertida em outra coisa: na cachorrinha obediente de dois homens.
Eu estava com a boca e o corpo prontos, o coração martelando no peito. Só faltava ele atravessar a porta e me olhar como eu precisava ser olhada.
Tinha cabelo vermelho, batom e um corpo de parar o trânsito. O que eu não imaginava era o que encontraria quando enfiei a mão debaixo do vestido.
Quando abri a porta com o vestido no corpo e o cabelo recém-penteado, ele ficou sem palavras. Nessa noite parei de me esconder e me entreguei por inteiro.
Avisei no chat que sairia vestida de homem, mas entraria no motel feita uma mulher. O que não contei foi o quanto eu desejava aquela noite.
Ela não me chamou pelo meu nome da primeira vez. Me olhou por inteiro, sem morbidez e sem pena, como se meu corpo não fosse um problema que ela tivesse de resolver.
Tenho cara de tarada e todos percebem. No último vagão, apertada contra corpos desconhecidos, deixo minhas mãos fazerem o que minha cabeça já decidiu.
Apertei a campainha com os dedos trêmulos. Sabia que do outro lado daquela porta me esperava alguém capaz de me transformar no que eu sempre sonhei ser.
Há anos eu era a fera na cama. Os homens me temiam ou me agradavam. Ninguém tinha me amarrado. Ninguém até eu dar meu e-mail àquele desconhecido do chat.