Subi na frente com o motorista e não me arrependi
Sentei no banco do copiloto só por curiosidade, mas naquela noite entendi que algumas decisões se tomam sem pensar demais.
Sentei no banco do copiloto só por curiosidade, mas naquela noite entendi que algumas decisões se tomam sem pensar demais.
Quando ele ficou para praticar algumas posturas, notei o jeito como me olhava. Eu estava há meses sem um parceiro e meu corpo decidiu por mim muito antes da minha cabeça.
Meu coração disparava e minhas pernas estavam tensas. Eu não queria olhar, não queria pensar; só queria que ele continuasse e descobrir, enfim, o que tantas vezes tinha imaginado.
Durante éons só conheci o silêncio do vazio. Até que fisguei um sinal em um mundo azul e, sem pedir permissão, me infiltrei no corpo de uma mulher em chamas.
Minha irmã estava no exterior e coube a mim ir à formatura. Quando meu sobrinho cobrou o presente na frente dos amigos, eu soube que aquela noite não terminaria como começou.
Todo mundo na faculdade sabia como eu era, e o vigilante da entrada bastou uma sorrida para entender que naquela tarde, depois da faxina, eu não iria embora tão cedo.
Eu digitava o nome dela de vez em quando para ver se a encontrava. Nunca aparecia. Até aquela madrugada, quando o primeiro resultado foi ela, exata, sem dúvidas.
Trocamos centenas de fotos, mas nunca tinha acontecido nada pessoalmente. Até aquela tarde de março em que fui buscá-la e ela já tinha um plano.
Minha mulher saiu com as “amigas” e eu fui para a casa de Mauricio. Uma câmera, dois casais, e a pergunta de quem seria a melhor puta naquela noite.
Martín me ouviu em silêncio enquanto eu contava o que havia acontecido com o marido da minha mãe. Naquela noite, não dormi pensando em contar.
Havia algo nos olhos dela quando se virou que deveria ter me preocupado. Não era a raiva de uma vizinha irritada. Era uma promessa.
Eu não tinha sono. Ele chegou por trás, beijou meu pescoço e pôs as mãos onde eu não podia me permitir gemer. A porta do quarto seguia fechada.
Ela saiu do banheiro com um blazer branco sem nada por baixo e uma chupeta vermelha entre os lábios. Naquela noite eu soube que Camila não tinha vindo para me agradar: tinha vindo para se divertir.
Era só um exercício de reabilitação, mas quando Sofía apoiou os quadris nas minhas pernas e puxou meus braços, eu soube que algo ia dar errado.
Caminhei descalça pelo corredor e encostei a testa na porta do quarto. Sabia que ele viria atrás. E sabia exatamente o que ele faria comigo ali.