Dois homens e eu naquela viagem à costa
Ofereci a janela à senhora do ônibus e ela nem me olhou. Eu não imaginava que a verdadeira viagem começaria no refeitório do hotel, diante de dois desconhecidos.
Ofereci a janela à senhora do ônibus e ela nem me olhou. Eu não imaginava que a verdadeira viagem começaria no refeitório do hotel, diante de dois desconhecidos.
Ele me desafiou a nadar o último sprint com uma condição que nenhum dos dois pensava cumprir. Mas naquela noite a piscina estava vazia e ninguém nos via.
Gosto que me olhem, que me desejem, que o olhar deles se perca quando eu me viro. E ao longo dos anos aprendi a fazer disso uma arte.
Prenderam-no roubando comida no meio da noite; quando o obrigaram a erguer o rosto sob a juba embaraçada, o patrício reconheceu olhos que julgava perdidos para sempre.
Senti o corpo grande dele se apertando contra minhas costas a cada freada, e quando ele sussurrou «a gente desce na próxima» eu soube que não conseguiria dizer não.
Quando aquele homem pousou as mãos nas minhas costas, soube que já não era sobre a febre nem o cansaço da viagem, mas sobre algo que eu evitava havia anos.
Eram quase onze quando o elevador me deixou diante do estacionamento vazio. Eu não imaginava que aquelas chaves me custariam tão caro — e tão barato ao mesmo tempo.
Tinha vinte e um anos, um ano desastroso nas costas e uma vontade louca de que alguém me fizesse esquecer. Numa tarde de junho, uma mensagem diferente mudou tudo.
Marcos me deixou passar primeiro, como um cavalheiro com o sorriso torto. Lá dentro, sobre uns caibros, dois desconhecidos me olhavam com a mão já no zíper.