O primeiro homem que me fez sentir mulher
Quando ele me disse que não havia pressa, eu soube que aquela noite mudaria tudo. Mauricio me olhava como um leão olha para uma gazela que já parou de correr.
Quando ele me disse que não havia pressa, eu soube que aquela noite mudaria tudo. Mauricio me olhava como um leão olha para uma gazela que já parou de correr.
Quarenta minutos antes minhas mãos tremiam. Agora eu seguro o arnês e, pela primeira vez em dezoito anos, sou eu quem decide o que acontece neste quarto.
Minha família estava um andar abaixo e eu, sozinha no meu quarto, com o telefone colado à orelha e a voz dele me mandando fazer coisas que eu nunca tinha ousado fazer.
Pedi a campainha com as mãos tremendo. Vinte anos mais velho, sádico assumido, sem piedade. E eu, virgem, implorando para ele começar assim que fechasse a porta.
Eu o cruzava no elevador havia meses, sabendo que era impossível. Numa noite, encontrei um cartaz amarelo com um número e a promessa de uma amarração.
Sozinho em casa pela primeira vez em meses, liguei a tela com a vaga intenção de matar o tempo. Ninguém imaginava o que eu estava prestes a descobrir sobre mim mesmo.
Fechamos a porta, ligamos o videogame e meu irmão se deitou sobre minhas pernas com aquele sorriso nervoso que só aparece quando ele guarda algo morrendo de vontade de contar.
Sete da manhã e o desejo já estava ali. Ao longo do dia ele se infiltrou no banho, no supermercado, no sofá com ele. Um fogo que eu tentava apagar e que sempre voltava.