Entrei na academia como ele e saí sendo ela
Sempre fui o garoto bonitinho, magrinho, de olhos verdes. Até atravessar a porta de uma academia e alguém me olhar como ninguém nunca tinha olhado.
Sempre fui o garoto bonitinho, magrinho, de olhos verdes. Até atravessar a porta de uma academia e alguém me olhar como ninguém nunca tinha olhado.
Quando a assistente do diretor me entregou a sacola com a lingerie, soube que não havia volta: aquela noite pertencia a todos os homens daquela sala.
Quando o zíper do vestido se abriu, entendi que aquela noite no camarim mudaria tudo entre nós — e que eu não queria que parasse.
Pedi uma massagem no pé quase de brincadeira. Não imaginava que naquela noite, diante da fogueira e com vinho na cabeça, meu pai e meu primo deixariam de se conter.
Bastou uma bebida a mais e um apartamento vazio para que a filha da minha cunhada deixasse de ser a menina que eu lembrava. O que aconteceu naquela noite não deveria ser contado.
Achei que seria uma bronca de quinze minutos. Não contei com a bolsa que Bárbara trouxe, nem com a mulher em que aquela mãe furiosa se tornaria.
Ficava imóvel contra o espelho, respirando pelo nariz, deixando eu fazer em silêncio enquanto o resto do prédio subia sem perceber nada.
Quando minha tia perguntou se eu já tinha namorada, todos riram. Minha prima Camila não. Debaixo da toalha, o pé descalço dela subiu pela minha perna e eu entendi que a noite estava só começando.
Marisol achou que o filho só olhava para a prima. Mas naquela noite, com o mesmo vestido e as mesmas curvas, ela entendeu que a verdadeira tentação era ela.
Eu a vi passar de menino tímido a mulher deslumbrante. Naquela tarde de calor, com a pizza esfriando na mesa, foi ela quem se inclinou para me beijar primeiro.
Eu a observava de soslaio havia semanas na escada. Na tarde em que cheguei em casa e a encontrei no meu sofá, descobri que o desejo não entende de rótulos.
Ela subiu ao palco com um vestido vermelho e uma voz impossível. Não imaginava que cantar tão bem seria a armadilha com que seu produtor a prenderia para sempre.
Deixei o chalé do meu pai pela casa dos meus avós na aldeia. Não imaginava que minha tia, a mais rezadeira do povoado, acabaria nua na minha cama por causa de um envelope cheio de notas.
Quando me pediu que eu arrumasse homens para ela durante o verão, eu soube que a viagem à costa ia nos mudar para sempre.
Minha prima tinha ido à praia com as amigas. Quando toquei a campainha, minha tia abriu a porta com o avental no corpo e um sorriso que eu nunca tinha visto antes.
Bruno levaria meus pais para a cidade e eu ficaria sozinha. O que ninguém esperava era que a sobremesa de domingo terminasse assim.
Ela desceu as escadas com aquela calça de couro e eu soube que a noite seria complicada. Quando a tive colada às minhas costas na moto, esqueci que era a mulher do meu pai.
Quando saí do quarto dele convertida em Valentina, o som dos meus saltos no corredor me disse que não havia mais volta.