Quatro desconhecidos e minha banheira de hidromassagem
Eles entraram no meu carro achando que só tomariam um banho e comeriam algo quente. Eu já tinha decidido que aquela tarde não terminaria com eles vestidos.
Eles entraram no meu carro achando que só tomariam um banho e comeriam algo quente. Eu já tinha decidido que aquela tarde não terminaria com eles vestidos.
Ele estava obcecado por uma única ideia, e eu brincava com fogo sempre que escapava para encontrá-lo longe dos olhares de todos.
De dia, ela conferia quartos e horários com um sorriso gentil. À noite, aquele mesmo sorriso significava algo muito diferente para quem lhe abrisse a porta.
Fazia uma eternidade que um homem não a tocava. Bastaram dois desconhecidos e um vagão lotado para que seu corpo a traísse sem pedir permissão.
Acordei com a pele pintada de urucum e lábios desconhecidos no pescoço, sem saber que a selva me daria um corpo que jamais imaginei possível.
Na maior parte do tempo sou o homem que nasci. Mas algumas noites eu coloco a peruca, me olho no espelho e deixo Sabrina sair para buscar o que realmente quer.
Abri as cortinas meio dormindo e não percebi que ele estava do outro lado do vidro, me observando. E havia algo naquele olhar que me fez querer deixá-lo continuar.
Quando o caso me obrigou a me vestir de mulher pela primeira vez, eu não imaginava que a mulher no espelho, Lía, acabaria me arrastando para uma noite que mudou tudo.
O banco do carona era desconfortável para ele, então eu lhe ofereci dividir a cama. Não imaginei o que aconteceria quando ele achou que eu já tinha dormido.
Não saberia dizer se eu gostava de tudo naquela criatura ou de nada; só sei que, naquela tarde de calor, diante do espelho, um estranho deixou de me penetrar e começou a nascer outro eu.
Eu tinha quarenta e um anos e passava meses fingindo que nada acontecia sempre que ele me olhava. Naquela madrugada, parei de fingir.
Entrei naquela sala cinzenta disposta a implorar por um documento. Saí sabendo que, naquela noite, quem imploraria seria ele, de joelhos e na própria casa.
«Vem às cinco. Temos que falar do sábado. Sozinha.» Eu mandei isso pela manhã e, desde então, só pensei em ouvi-la descer a escada.
Cruzei a porta do bar de saltos novos e o coração na garganta. Eu não imaginava que naquela noite alguém do meu passado entraria.
Coloquei o vestido vinho que ele tinha escolhido, respirei fundo e entendi que aquela noite seria o verdadeiro presente: sentir-me, enfim, a mulher que sempre fui.
Abri a porta com apenas um vestido de botões e nada por baixo. Se ele entendesse o convite, ótimo; se não, eu mesma saberia como deixar claro.
Quando me ajoelhei na frente dele enquanto ele dirigia, soube que aqueles últimos quilômetros de estrada iam ficar comigo muito mais do que eu admiti.
Todas as tardes eu atravessava o jardim para ajudá-lo com as videiras, mas os dois sabíamos que eu ia por outro motivo: pela forma como aquele homem enorme me olhava.
Aos 49 anos, minha mãe continuava sendo a mulher que todos olhavam na rua. Eu, por outro lado, aprendi cedo demais o que era me sentir invisível ao lado dela.
Eu cobrava caro e escolhia com quem. O convite para o iate parecia mais um trabalho, até que na praia apareceu o único homem que me tratou diferente.