O santuário que escondo da minha própria Deusa
Eu o vigiei antes de sua falta. Disse que eu era bonita demais para andar entre a lama, sem saber que essa frase o condenava a nunca sair dela.
Eu o vigiei antes de sua falta. Disse que eu era bonita demais para andar entre a lama, sem saber que essa frase o condenava a nunca sair dela.
Ela nadou até mim sem deixar de me olhar e, na água morna do entardecer, entendi que aquilo que sentimos quando crianças nunca tinha ido embora de verdade.
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Ela não buscava amor nem companhia. Buscava ser olhada, desejada, imaginada nua sob o vestido. Naquela noite, decidiu ser puro fogo.
Dei dois beijos nele na frente da mãe dele e, sem que ninguém percebesse, decidi entrar no jogo até onde nenhum de nós imaginava chegar naquela manhã.
Ela me tomou pelo braço no meio da rua e sussurrou que, se eu a soltasse, talvez desaparecesse. Eu não imaginava até onde aquela noite iria me levar nem o preço que pagaria por segui-la.
Achei que estava sozinho em casa. Deixei a porta do banheiro aberta, fechei os olhos e disse o nome dela em voz alta sem imaginar que ela já tinha voltado.
Ele estava a milhares de quilômetros e eu acordei pegando fogo. Abri o notebook, li o que meus leitores fantasiavam comigo e deixei minhas mãos fazerem o resto.
Os saltos me matavam e a peruca me coçava, mas quando aquele homem me olhou do outro lado do salão, entendi que a noite estava só começando.
Quando me inclinei para a janela para descansar um momento, eu os vi na piscina. Nus, se beijando, totalmente alheios ao mundo. Entendi que aquele ano seria muito diferente.