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Relatos Ardientes

A confissão que nos levou do chat ao aeroporto

Tudo começou como começam as coisas que acabam entrando debaixo da pele: com mensagens que não pareciam perigosas até ser tarde demais. No início eram brincadeiras, áudios longos no fim do dia, fotos inocentes do café da manhã ou do engarrafamento na volta para casa. Depois vieram as noites. E, nas noites, veio a fome.

Meu nome é Vera, e durante semanas vivi obcecada por um homem que eu ainda não tinha tocado. Ele se chamava Gael. Nunca uma tela me fez tanto mal nem tanto bem ao mesmo tempo. Eu trabalhava, saía, levava uma vida normal, sorria para as pessoas, respondia e-mails, fingia calma. Mas, por dentro, andava molhada de antecipação.

Ele tinha um jeito de escrever que me desmontava. Não fazia aquele jogo de se fingir de misterioso. Ia direto ao ponto, com aquela mistura de ternura e atrevimento que faz você baixar a guarda sem perceber. Uma noite, ele me escreveu: — A vontade que eu tenho de você já não cabe no meu corpo.

Respondi sem pensar demais: — Então imagina como eu estou.

A resposta dele demorou apenas alguns segundos. — Quero você perto. Quero ouvir você quando já não conseguir respirar direito. Quero saber se você geme como eu imagino.

Li aquilo com as pernas cruzadas sobre a cama, usando apenas uma camiseta larga, e tive de apertar as coxas. Não era só tesão. Era aquela sensação de que alguém estava olhando dentro de você, encontrando o ponto exato onde você mais arde. Com Gael, eu não me sentia observada: sentia-me lida.

Muitas das nossas conversas começavam com uma frase que virou costume entre nós. — Imagine que minhas mãos são suas mãos.

E eu obedecia.

Apagava a luz, colocava os fones de ouvido e me deitava de costas, com o celular apoiado no peito ou ao lado do travesseiro. Às vezes conversávamos por áudio. Outras vezes, apenas escrevíamos, como se o ritmo dos dedos sobre a tela pudesse marcar o compasso do desejo. Ele me pedia que respirasse fundo, que afastasse as pernas, que não tivesse pressa.

— Devagar — escreveu numa madrugada. — Quero que você se toque como se eu estivesse vendo.

Senti um puxão no ventre. Enfiei a mão por baixo do short e me encontrei realmente quente, não por imaginação, mas por pura necessidade. Primeiro me acariciei por fora, roçando o clitóris com a ponta dos dedos enquanto lhe mandava um áudio curto, quase um suspiro. Ele respondeu com outro, a voz grave e contida.

— Não me mande ar, Vera. Quero ouvir como você molha os dedos.

Uma risada nervosa escapou de mim, mas fiz o que ele pediu. Afastei mais as pernas, enfiei dois dedos entre os lábios e gemi ao perceber o quanto estava encharcada. O ruído úmido da minha própria mão me deixou envergonhada por dois segundos. No terceiro, eu já estava me esfregando com mais força.

— Assim — disse o áudio dele. — Quero que você enfie um dedo e me diga como é.

Fiz isso devagar, arqueando as costas. O dedo entrou facilmente, quente, coberto pela minha própria umidade. Fechei os olhos e descrevi tudo com a voz quebrada. — É como se estivesse faltando algo maior.

A resposta dele me fez cerrar a mandíbula. — Meu pau.

Gozei naquela noite pronunciando o nome dele em voz baixa, com dois dedos dentro de mim e o polegar esfregando meu clitóris num ritmo cada vez mais desajeitado. Ele foi me conduzindo, marcando o passo, dizendo quando acelerar, quando parar, quando voltar a enfiar os dedos. Quando terminei, minhas pernas tremiam de verdade. Não foi uma fantasia suave. Foi uma masturbação guiada, suja, intensa, daquelas que deixam a boceta latejando.

E, depois de gozarmos assim, à distância, o normal teria sido se assustar. Parar. Lembrar que tudo aquilo cabia melhor dentro de uma brincadeira. Nós fizemos o contrário. Voltamos a escrever um para o outro no dia seguinte como dois viciados educados.

***

Com o tempo, paramos de fingir que aquilo era apenas uma distração. Começamos a dizer coisas maiores. Mais perigosas. Gael me pedia fotos, e eu as mandava quando queria fazê-lo esperar. Nunca por insegurança; pelo contrário. Eu ficava excitada sabendo que podia deixá-lo tenso com alguns minutos de atraso.

Uma noite, depois de me enviar uma foto sua diante do espelho do banheiro do hotel onde estava a trabalho, ele escreveu: — Vou pedir que você me obedeça, mesmo de longe.

Senti um arrepio límpido percorrer minhas costas. Não soou cruel. Não soou forçado. Soou natural, como se já tivéssemos passado dias praticando uma forma de entrega que nenhum dos dois ousara nomear por completo. Eu disse que ele falasse claramente.

— Tire a roupa.

Olhei para a porta do meu quarto, trancada. Levantei-me da cama e me despi aos poucos, mais por prazer do que por obediência. Enviei uma foto das minhas pernas nuas diante do espelho. Ele respondeu na mesma hora. — Não me provoque por partes. Quero ver você inteira.

Apoiei-me na cômoda e tirei outra, desta vez com a camiseta levantada e a calcinha abaixada, apenas o suficiente para mostrar a penugem aparada e a curva molhada entre minhas pernas. Ele levou dez segundos para responder. — Porra. Você está exatamente como imaginei. Molhada e sabendo que me deixa louco.

Comecei a me acariciar enquanto lia. Ele percebeu pelo ritmo das minhas respostas, pelos erros de digitação, pelas reticências cada vez mais longas. — Não goze ainda — escreveu. — Quero que você me mande um áudio chupando os dedos depois de se tocar.

Meu coração bateu forte, mas a vergonha já estava muito longe. Enfiei a mão entre as pernas, esfreguei-me sem delicadeza e depois levei dois dedos à boca. Chupei-os devagar, saboreando a mim mesma, e gravei o som. Enviei para ele. Não demorou nada para me ligar.

Atendi sem vídeo. Apenas voz. A respiração dele soou do outro lado, mais rápida que o normal.

— Agora escute — disse. — Quero que você fique de joelhos ao lado da cama e apoie os cotovelos no colchão.

Fiquei como ele pediu, nua, com a bunda empinada, sentindo-me obscena mesmo estando sozinha. Aquela posição me abria mais e me deixava consciente da minha respiração. Enfiei uma mão por baixo do ventre e a outra entre as coxas.

— Toque o clitóris suavemente, só com dois dedos — ordenou. — E, com a outra mão, abra-se para mim. Quero que me diga o quanto está molhada.

— Muito — sussurrei. — Estou escorrendo.

— Era isso que eu queria ouvir. Agora enfie um dedo. Depois dois. E não pare de falar comigo.

Gemi ao obedecer. Dois dedos entraram sem resistência. Comecei a foder minha mão com pequenas investidas do quadril, buscando fricção, profundidade, algo que se parecesse com tê-lo dentro de mim. Ele falava sem parar. Dizia onde eu devia imaginar sua boca, como abriria minhas pernas, como seguraria minha nuca se estivesse me chupando por trás. Sujo, sim. Mas não vazio. Tudo o que dizia tinha peso.

— Quero ouvir você pedir por ele — murmurou.

— Quero seu pau — disse, com o rosto ardendo.

— Mais claro.

— Quero que você enfie até o fundo.

Do outro lado, ouviu-se um gemido masculino, curto, abafado, como se ele estivesse se masturbando enquanto me escutava. Aquilo me fez perder o resto do controle. Comecei a mover os dedos mais rápido dentro de mim, curvando-os, esfregando o clitóris com a palma. O som molhado no quarto era descarado. Ele ouviu.

— Não pare. Quero que você goze para mim e diga meu nome quando acontecer.

Fiz isso. Gozei com força, as coxas tremendo e a garganta apertada, dizendo — Gael — várias vezes, quase como uma súplica. Quando o primeiro espasmo diminuiu, continuei me esfregando, hipersensível, porque ele não me deixou parar.

— Mais uma — disse, com a voz rouca. — Quero deixar você vazia.

O segundo orgasmo foi menos delicado e mais brutal. Dei por mim ofegante sobre a cama, com saliva no canto da boca e a boceta pulsando em ondas curtas. Também o ouvi gozar, grunhindo meu nome. Depois ficamos em silêncio por um momento. Apenas respirando.

Foi naquela noite que entendi que a distância já não nos protegia de nada.

***

Dias depois, Gael disse sem rodeios. — Não sei quanto mais vou aguentar assim. Preciso ver você.

Eu estava na cozinha, descalça, com uma xícara de café frio entre as mãos. Li a mensagem duas vezes. Depois escrevi: — Quando?

A resposta chegou quase imediatamente. — Daqui a alguns dias. Já comprei a passagem.

Não senti medo. Nem um pouco. O que senti foi uma reviravolta quente, uma vertigem deliciosa. Depois de tanto tocarmos um ao outro com palavras, finalmente íamos descobrir se o corpo estava à altura de todo o resto. — Eu busco você — disse.

Os dias anteriores foram uma tortura excitante. Conversamos sobre o hotel, sobre o pouco que dormiríamos, sobre se sequer chegaríamos inteiros ao quarto. Ele dizia que não. Eu dizia que também não. Todas as noites eu me deitava pensando no primeiro beijo, no cheiro dele, na mão apertando minha nuca. Todas as manhãs acordava quente.

No dia do voo, vesti o vestido vermelho que tantas vezes havia descrito para ele. Justo na cintura, com a saia suave e um decote suficiente para causar estrago sem parecer fantasia. Por baixo, escolhi lingerie da mesma cor, meias altas com renda e uma calcinha mínima que me fazia sentir exposta, embora ninguém mais soubesse. No banheiro do aeroporto, retoquei a maquiagem, passei perfume entre os seios, atrás das orelhas e nas coxas. Queria recebê-lo já pronta para o que viesse depois.

Cheguei com tempo de sobra e, ainda assim, a espera pareceu eterna. Olhava a tela de chegadas a cada trinta segundos e sentia o pulso na garganta. Quando ele me escreveu — Estou saindo do avião, a poucos passos de você — precisei umedecer os lábios porque minha boca secou.

Eu havia prometido uma bobagem: esperá-lo com o nome dele num aplicativo do celular, como se fosse sua motorista particular. Quando o vi surgir pelo terminal com a mochila no ombro, a camiseta branca colada ao peito e aquele sorriso contido que reconheci na hora, fiquei imóvel apenas para aproveitar o impacto. Era ele. Real. Alto, sereno, com os olhos me procurando no meio da multidão.

Quando leu o próprio nome na minha tela, sorriu de lado. Aquele sorriso atravessou meu ventre.

Ele se aproximou sem correr. Eu também. Havia algo quase solene naqueles últimos passos, como se nós dois soubéssemos que, ao atravessar aquela distância mínima, tudo iria se romper. Seu primeiro carinho foi na minha bochecha. Apenas o dorso dos dedos. Mesmo assim, estremeci.

— Oi — sussurrou.

Não me deu tempo de responder. Beijou-me.

Foi um beijo longo, com a fome acumulada, daqueles que não pedem permissão porque já a receberam muitas vezes antes. Seus lábios abriram minha boca imediatamente e sua língua entrou como se me conhecesse desde sempre. Segurei sua camiseta com as duas mãos. Senti seu cheiro de viagem, de pele limpa, de homem nervoso. Gemi contra sua boca sem perceber.

Separamo-nos apenas o suficiente para respirar. — Você está tremendo — disse.

— Passei semanas querendo fazer isso.

— Passei semanas querendo fazer mais do que isso.

Segurei sua mão e o levei até o estacionamento. O trajeto foi uma pequena tortura: caminhar ao lado dele sem poder tocá-lo como queria, com o corpo inteiro aceso. Assim que chegamos ao carro, ele deixou a mochila no chão e me empurrou suavemente contra a porta traseira.

Beijou-me outra vez. Desta vez, enfiou um joelho entre minhas pernas. A pressão direta contra a boceta arrancou um gemido de mim. Senti sua mão descer pela minha cintura, pelo quadril, pela coxa nua sob o vestido. Quando seus dedos roçaram a renda da meia, ele soltou uma risada baixa e satisfeita.

— Você veio preparada.

— Para você.

Levantei um pouco a saia, sem interromper o beijo, e guiei a mão dele até o alto da coxa. Ele não perdeu tempo. Enfiou os dedos por baixo do tecido da calcinha e me tocou de frente. Molhada. Muito. Tão molhada que ele deixou escapar um — Porra — diretamente sobre meus lábios.

— Você me deixa assim há dias — falei.

Ele esfregou meu clitóris com dois dedos, em círculos lentos e precisos, como se já soubesse me fazer dobrar os joelhos. E, de alguma forma, sabia. Talvez porque tivesse me ouvido gozar tantas vezes. Talvez porque o desejo também ensine. Afastei mais as pernas e apoiei uma mão no teto do carro para me sustentar.

— Diga que você não veio sem camisinhas — murmurei.

Gael sorriu com aquela calma obscena de quem chega pronto para pecar. — Na mochila. Mas primeiro quero saborear você.

Olhei ao redor. O estacionamento não estava vazio, mas era afastado o bastante. A ideia de que alguém pudesse nos ver me deixou ainda mais excitada. Ele percebeu pelos meus olhos.

— Entre atrás — disse.

Abri a porta traseira com as mãos desajeitadas e entrei. Ele veio atrás de mim, fechou a porta e baixou um pouco o vidro para que não embaçasse tanto. Eu já estava com o vestido puxado até a cintura. Não havia mais volta, e nós não a queríamos.

Ele se ajoelhou no assoalho do carro, entre minhas pernas, e puxou minha calcinha para o lado. Seu olhar caiu sobre minha boceta aberta e molhada. Sustentou meu olhar por um segundo antes de baixar a cabeça. Aquele instante me afetou mais do que qualquer palavra.

Sua língua me tocou de baixo para cima, longa, firme. Soltei o ar de uma vez e joguei a cabeça para trás. Ele repetiu o movimento, desta vez abrindo-me com os dedos para entrar melhor entre as dobras, procurando o clitóris com uma precisão que me fez morder o punho. Gael não chupava com pressa. Lambia, sugava, alternava a ponta da língua com a boca inteira sobre o clitóris enquanto seus dedos me abriam e me mantinham exposta.

— Porra, sim — choraminguei. — Não pare.

Enterrei uma mão no cabelo dele quando enfiou dois dedos dentro de mim. Entraram facilmente, deslizando na minha própria umidade. Ele os moveu devagar no início, curvando-os para cima, e depois começou a me foder com a mão enquanto comia minha boceta como se estivesse faminto havia semanas. O carro rangia de leve com meus solavancos. Eu estava com as pernas abertas, uma apoiada no banco e a outra meio dobrada, completamente entregue à boca dele.

— Olhe para mim — disse ao erguer a cabeça por um segundo, com a barba molhada de mim.

Olhei. Aquela visão quase me fez gozar antes da hora. Ele sorriu. — Era assim que eu queria encontrar você.

Voltou a baixar a cabeça e, dessa vez, chupou meu clitóris com mais força enquanto aumentava o ritmo dos dedos. Senti o orgasmo chegar rápido, subindo pelo ventre como uma descarga. Minhas coxas começaram a se fechar por reflexo, mas ele as segurou abertas com firmeza.

— Não se esconda. Goze na minha boca.

Fiz isso. Gozei gemendo o nome dele, o corpo inteiro sacudido por espasmos curtos e molhados. Senti que ele continuava lambendo enquanto eu tremia, prolongando a sensibilidade até o limite. Precisei empurrar um pouco a cabeça dele para conseguir respirar.

Gael se levantou e me beijou. Senti meu gosto na língua dele. O tesão de provar a mim mesma na boca dele me deixou ainda mais quente. Levei a mão à braguilha da calça dele e a abri com ansiedade. Por baixo da cueca, havia uma ereção dura, marcada, pesada. Eu a tirei para fora. Seu pau estava completamente rígido.

— Eu queria vê-lo desde a primeira ligação — disse.

Passei a mão pelo tronco e senti como ele se retesava. Havia líquido pré-ejaculatório na ponta. Acariciei-o algumas vezes, lentamente, consciente do poder daquele gesto depois de tanta espera. Então me inclinei e o chupei. Primeiro apenas a ponta, lambendo a gota e olhando para ele de baixo. Ele apoiou uma mão no encosto e soltou um grunhido.

Enfiei-o mais fundo na boca, engolindo-o devagar, deixando-me preencher pela grossura, respirando pelo nariz. Gael acariciou meu cabelo sem empurrar, deixando que eu marcasse o ritmo. Eu alternava sucções profundas com lambidas por baixo, onde um homem mais treme quando você acerta. A respiração dele já estava descompassada.

— Se continuar assim, vou gozar — avisou.

Tirei a boca e sorri. — Então é melhor me foder logo.

Ele ficou imóvel por meio segundo, como se tivesse esperado ouvir exatamente aquilo. Enfiou a mão na mochila, tirou uma camisinha e abriu-a com os dentes. Gostei da violência contida do gesto. Colocou-a sem tirar os olhos de mim.

Eu me acomodei no banco traseiro, recostando-me um pouco, com o vestido ainda levantado e a calcinha torcida para o lado. Estava com as pernas abertas e a boceta ainda inchada do orgasmo anterior. Ele segurou uma das minhas coxas, levantou-a sobre sua cintura e roçou a entrada com o pau protegido pela camisinha.

— Diga que você quer.

— Enfia de uma vez.

Ele entrou numa única investida. O ar me faltou. Eu estava tão molhada que ele deslizou facilmente, mas o tamanho e a força do momento arrancaram de mim um grito abafado. Gael ficou enterrado até o fundo, a testa colada à minha, respirando com força.

— Porra, Vera.

— Mexa-se.

Começou devagar, saindo quase por completo e voltando a entrar com investidas longas e pesadas. Cada estocada fazia o carro vibrar e me atingia exatamente onde eu mais precisava. Passei um braço pelas costas dele e, com a outra mão, agarrei o apoio de cabeça. Eu o sentia inteiro dentro de mim, duro, constante, exatamente como havia fantasiado enquanto enfiava os dedos sozinha na cama.

Logo a lentidão foi para o inferno. Gael começou a me foder com mais fome, mais depressa, cravando o quadril entre minhas pernas enquanto eu abria mais os joelhos para recebê-lo melhor. O som molhado de cada golpe encheu o espaço fechado do carro. Não era romântico. Era animal. Era real.

— Assim — ofeguei. — Assim, não pare.

Ele segurou minha nuca e me beijou enquanto continuava investindo. Seus beijos eram quase tão sujos quanto a maneira como me fodia: língua, mordidas no lábio, respiração compartilhada, frases interrompidas entre uma estocada e outra. — Olhe para você... Toda aberta para mim... Porra, como você me aperta.

Levei a mão ao clitóris e comecei a esfregá-lo no ritmo das investidas dele. Ele baixou os olhos e abriu um sorriso torto. — Isso. Quero ver você gozar enquanto enfio meu pau em você.

As palavras dele dispararam algo dentro de mim. Começou a bater mais fundo, encontrando um ponto no meu interior que me fez arquear as costas. Gemi alto, sem me importar mais com quem pudesse passar por perto. O estacionamento, o aeroporto, as pessoas, tudo desapareceu. Só existia a pressão do pau dele entrando e saindo, minha mão entre as pernas e aquela expressão de puro vício com que ele me olhava.

Ele percebeu que eu estava chegando e mudou o ângulo, segurando minhas duas pernas para me abrir mais sobre o banco. Agora cada investida me partia melhor. Eu não conseguia parar de me tocar. O orgasmo subia como um tremor imparável.

— Gael...

— Goze. Vamos, goze no meu pau.

Gozei com um gemido longo, sacudindo-me contra ele e apertando-o dentro de mim enquanto minha mão continuava esfregando o clitóris desesperadamente. Gael soltou um grunhido rouco ao me sentir contraindo e perdeu o ritmo por um segundo. Depois retomou com mais brutalidade, usando meu orgasmo como combustível.

— Não me faça parar — disse entre os dentes.

— Não pare. Quero sentir você gozar.

Ele me virou como pôde naquele espaço estreito, empurrando-me até me deixar meio de lado, com uma perna levantada e a outra dobrada, numa posição incômoda e obscena que me deixou ainda mais aberta. Entrou outra vez sem sair completamente, com estocadas curtas e duras que me fizeram agarrar seu antebraço. O carro se mexia de verdade. Minha respiração já era puro ofego.

— Pensei nisso todas as malditas noites — disse.

— Eu também.

— Imaginei você assim, tão molhada.

— E eu imaginei seu pau dentro de mim.

A frase o empurrou de vez até a borda. Ele aumentou o ritmo com três, quatro, cinco estocadas violentas e secas, então ficou enterrado até o fundo enquanto gozava dentro da camisinha, tremendo sobre mim. Senti os espasmos no corpo dele, nas coxas, no modo como apertou meu quadril. Beijou minha testa, depois minha boca, ainda respirando como se tivesse acabado de cruzar uma linha de chegada correndo.

Ficamos imóveis por um momento, colados, suados, com o vestido amassado e o vidro um pouco embaçado. Meu rosto ardia e eu tinha um sorriso bobo. Ele apoiou a testa no meu ombro e riu baixinho.

— Nem saímos do aeroporto.

Acariciei sua nuca. — E ainda temos dois dias.

Gael ergueu a cabeça e me olhou com aquela mistura de fome e incredulidade que me capturara desde a primeira mensagem. Depois me beijou outra vez, agora sem urgência, mas com a promessa clara de que aquilo estava apenas começando.

Eu havia passado semanas me tocando por causa de uma voz, de uma tela, de ordens murmuradas no meio da noite. Agora o tinha sobre mim, entre minhas pernas, com o gosto da minha boceta ainda na boca e a respiração ainda quebrada. O mais perigoso não foi descobrir que tudo era real. O pior foi descobrir que, pessoalmente, nós queríamos ainda mais.

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