O vizinho que reconheceu Salomé atrás da câmera
Bastava fechar a porta, vestir a renda e acender a luz para deixar de ser Damián. O que ele não sabia era quem o observava do outro lado.
Bastava fechar a porta, vestir a renda e acender a luz para deixar de ser Damián. O que ele não sabia era quem o observava do outro lado.
Encontrei uma taça de vinho, uma máscara preta e um texto incendiário na tela. Li devagar e entendi que naquela noite meu marido tinha decidido realizar seu maior desejo.
Antes de cada tomada, ele colocava a máscara e deixava de ser ele. Sabia que ela não ia fingir nenhum dos golpes, e era exatamente isso que ele pagava.
Nunca tinha confessado essa atração. Até vê-la encostada no balcão, envolta em pelo sintético, olhando-me como uma predadora escolhe sua presa.
Ele se colocou com as pernas abertas e as mãos nas costas, tremendo. Havia meses sonhando com aquele instante, e ela ainda nem o tinha olhado.
Despertei amarrada, amordaçada e vendada, sem saber onde estava nem quanto tempo havia passado. Só tinha uma certeza: a mulher que eu fui já não existia.
Eu era casada e estava entediada havia anos quando aqueles quatro caras me cercaram na pista. Nenhum imaginava que, sob a fantasia, eu estava mais do que disposta a entrar na deles.
Eu vinha remoendo a ideia havia semanas, mas nada me preparou para o que senti quando as primeiras mãos desconhecidas roçaram minha pele na escuridão.
Ela aceitou o convite para pagar o namorado traidor na mesma moeda e escolheu o zumbi de traços finos, sem imaginar o que descobriria ao tirar a fantasia.
Acordei nua ao lado de um homem que não era meu marido e, pela primeira vez em anos, me senti completamente desejada. Ele ainda não tinha terminado comigo.
Não sabíamos como sair da água sem denunciar o que tínhamos acabado de fazer. O que não imaginávamos era que a noite mal tinha começado, e que a festa dos vizinhos mudaria tudo.
O plano era perfeito: com a fantasia do meu amigo, minha esposa jamais saberia que o desconhecido que a tirava para dançar entre as máscaras era eu.
«Venha às onze à zona norte do estacionamento. Nada de palavras.» Uma nota anônima, uma máscara de freira e uma mulher que talvez não fosse a dele esperando junto ao carro.
Cada e-mail trazia uma foto nova e uma frase mais cruel. Eu bebia uísque diante da tela, sem saber se a mulher amarrada era mesmo a minha.
Cada insulto gritado por aquela desconhecida mascarada era dirigido a uma única pessoa: o homem que dormia ao meu lado e me julgava sua.
Ele achou que aquela noite seria só uma saída com os amigos. Não imaginava que a mulher mascarada do palco vinha planejando sua queda havia semanas.
Recebi o bilhete sem assinatura diante de todos. Naquela mesma noite, atrás de uma máscara, as mãos de um homem me ensinaram o que eu tanto calara.
Centella me segurou contra a parede da cabine, seus seios contra meu rosto, e sussurrou para eu aprender a ficar quieta e obedecer cada ordem.
Eu a odiava com todas as minhas forças e, ainda assim, com o corpo dela amarrado sobre o meu e a mordaça abafando seus insultos, meu corpo me traiu da pior forma.
Por trás de cada máscara havia um convite que ninguém ousava dizer em voz alta, e naquela noite você resolveu aceitá-lo sem me pedir permissão.