O segredo que meu tio guardava na fazenda
Minha tia havia secado com os anos. Quando meu corpo começou a mudar naquela fazenda perdida, meu tio me olhou como se enfim tivesse encontrado uma substituta.
Minha tia havia secado com os anos. Quando meu corpo começou a mudar naquela fazenda perdida, meu tio me olhou como se enfim tivesse encontrado uma substituta.
Convidei-o para me ensinar a me defender. Quando meu pai voltasse, meu tio já teria aprendido que bastava um gesto meu para pô-lo de joelhos.
Voltei para o meu quarto tremendo, me coloquei nua diante do espelho e deixei que a lembrança dele guiasse cada um dos meus dedos. Não consegui parar até o fim.
O rangido do colchão no quarto dos pais não era de sexo: era de roubo. Sabina avançou descalça pelo corredor até encostar o olho na fresta da porta.
Bastou uma bebida a mais e um apartamento vazio para que a filha da minha cunhada deixasse de ser a menina que eu lembrava. O que aconteceu naquela noite não deveria ser contado.
Quando entrei no banheiro, não imaginei que a mãe dela me esperava, nem que minha sobrinha apareceria na porta com um sorriso que mudaria tudo.
Haviam se passado oito anos desde a última vez que a vi. Ela voltou feita mulher e com uma única ideia na cabeça: me provocar até eu ceder.
Eu disse que sim, mas ele teria que pagar minha saída da cantina e me dar alguma coisa. E lá fui eu, caminhando na frente do meu tio rumo ao hotel.
Desci a uma vila perdida nos Andes para fechar um negócio. Naquela noite descobri por que ali ninguém perguntava pelos parentescos.
Na primeira noite eu só quis olhar. Na terceira já não conseguia deter minha mão. Quando ela virou o rosto na penumbra e sorriu para mim, eu soube que estava perdida.
Eu vinha fingindo há semanas que não o olhava. Naquela noite, com duas doses a mais e a casa vazia, parei de fingir e desci as escadas procurando por ele.
Desde que fiquei viúvo, minhas sobrinhas se dedicaram a cuidar de mim. Naquela tarde, ficamos sozinhos na piscina e eu soube que nada voltaria a ser como antes entre nós.
Ninguém na firma imaginava o que Lorena fazia no intervalo do almoço, dois andares abaixo, atrás de uma porta que sempre trancava com chave.
Desci descalça até o banheiro e a porta entreaberta me deixou vê-lo no chuveiro. O que aconteceu naquela madrugada no colchão da sala foi minha primeira vez com outro homem.
A chave girou na fechadura no pior momento possível. Ou no melhor. Papai nem parou quando meu tio apareceu na soleira e nos viu.
Deitados, nus, ainda cheirando ao que tínhamos acabado de fazer, Sofia me disse que precisava me contar algo. Algo sobre Elena. Algo que mudaria para sempre a forma como eu a via.
Lá fora chovia e ela me olhava como nunca ninguém da minha família havia me olhado. Eu sabia o que ela ia me pedir, e sabia que não ia conseguir negar.
Encontrei-o na minha cama com uma das minhas calcinhas na mão e um maço de notas sobre a colcha. O que veio depois não foi pelo dinheiro.
Subi para conhecer o apartamento novo e brindar com espumante. Só desci na manhã seguinte, com o perfume dela ainda grudado na pele e um segredo impossível de contar.
Quando abri a porta para meu tio naquela tarde, não havia mais ninguém em casa. O que confessei depois, no sofá dele, eu nunca tinha dito a ninguém.