Quando ficamos os quatro sozinhos em casa
Saí do banheiro enrolado numa toalha e travei na porta: eles já tinham começado sem mim, e naquela noite não sobrou uma única linha para cruzar.
Saí do banheiro enrolado numa toalha e travei na porta: eles já tinham começado sem mim, e naquela noite não sobrou uma única linha para cruzar.
Cheguei com duas garrafas de champanhe para quebrar o gelo, mas foi Marina quem assumiu o controle desde o primeiro beijo e deixou claro que, naquela noite, mandava ela.
Marina achava que seria um ménage clássico, ela no centro. Até ver seus dois amigos héteros se olhando de um jeito que mudou tudo.
Avisei no chat que sairia vestida de homem, mas entraria no motel feita uma mulher. O que não contei foi o quanto eu desejava aquela noite.
Tinham se passado duas semanas desde o terraço. Nesta noite ninguém pensava em frear, e o primeiro «verdade ou desafio» mudou tudo.
Chegamos ao motel como sempre, mas dessa vez ela tinha algo diferente no olhar e uma promessa guardada que eu nem imaginava que estivesse disposta a cumprir naquela tarde.
Naquela tarde, eu só queria corrigir uns esboços num terraço. Acabei bebendo com eles e, semanas depois, muito mais que conversando.
Três gin-tônicas, dois colegas que eu mal conhecia e um sofá. O que começou como uma conversa de escritório virou a noite mais inesperada da minha vida.
Conheciam-no como o velho bonachão da esquina, o que cumprimentava todo mundo e nunca levantava a voz. Bastou uma tarde a portas fechadas para descobrir o homem que ele realmente era.
Dirigi até o barranco decidido a acabar com tudo. O que encontrei na água gelada da lagoa me devolveu a vontade de viver — e algo que jamais imaginei.
Acordei ao amanhecer com o barulho vindo do quarto deles. A porta estava entreaberta, e o que vi me deixou paralisado no corredor, nu e sem poder me mover.
Ela saiu no meio da manhã e o apartamento ficou em silêncio. Ficamos só eu e ele, e o que a noite anterior tinha despertado já não dava para ignorar.
Era julho e nós dois suávamos. Eu estava nessa havia pouco tempo e ainda tinha muito a aprender, mas naquela noite a mulher me observava da cadeira como se eu fosse o prato principal.
Ela estava tão nervosa que mal sustentava meu olhar. Ele queria me provar pela primeira vez. Eu só precisava cuidar dos dois até o medo passar.
Achavam que tinham tudo sob controle até que algo quebrava. Eu estava lá, olhando e participando, aprendendo onde ficava a linha que eu não queria cruzar.
Naquela noite à beira da piscina, achei que me esperava só uma dança. Não imaginei que Marina guardava havia dez anos uma promessa que nos arrastaria aos dois.
Sempre dormíamos na mesma cama e contávamos tudo uma à outra. Naquela noite, com um copo a mais, Renata segurou meu rosto e me beijou como nunca antes.
Entrei no carro esperando uma tarde com ele, mas no banco de trás havia mais alguém, e entendi na hora para onde aquilo estava indo.
Quando ele sussurrou «vai, encosta nele», eu soube que naquela noite não voltaríamos sozinhos para casa. E uma parte de mim desejava isso havia semanas.
Subi as escadas ainda com o cheiro do hospital na pele. A porta entreaberta, a luz quente, a camisola de seda. Não precisaram de palavras: eu já sabia como a noite terminaria.