O conselho das minhas amigas que mudou tudo naquela noite
Havia semanas que eu ouvia minhas amigas dizerem que precisava me soltar. Naquele sábado, depois do segundo vinho, decidi que seria eu quem ditaria o ritmo.
Havia semanas que eu ouvia minhas amigas dizerem que precisava me soltar. Naquele sábado, depois do segundo vinho, decidi que seria eu quem ditaria o ritmo.
Acabei de sair do banho, me olhei no espelho e entendi que não podia continuar esperando. Peguei um papel e comecei a anotar tudo o que eu desejava havia anos e nunca tive coragem de fazer.
Era meu melhor amigo, meu confidente. Naquela noite de feira, entre vinho e risadas, a mão dele na minha cintura acendeu algo que eu jamais tinha sentido por ele.
Quando nos levou ao palco e começaram as apostas sobre o que usávamos por baixo do vestido, entendi que a festa de luxo tinha saído do normal.
Ela era a única do clube que cobrava para dominar os homens. Até que um cliente rico se sentou ao seu lado e, em vez de despí-la, só quis escutá-la até o amanhecer.
A mensagem veio de um número desconhecido: tarifa tripla para acompanhá-lo na véspera de Natal. Vesti o vestido vermelho, os saltos impossíveis e atravessei a cidade sem saber o que me esperava.
Ela me vestiu igual a ela: corset preto, meias arrastão e a mesma peruca. Nessa noite íamos trabalhar juntas pela primeira vez, e eu não sabia até onde aquilo chegaria.
Adrián entrou naquele escritório como analista sênior e soube, pelo sorriso da diretora, que sairia de lá sendo outra coisa: algo bonito, dócil e sem nome próprio.
Há semanas eu escolhia o vestido, o perfume, a lingerie. Nessa noite ele cruzaria a porta e enfim me veria como sempre sonhei que me visse.
Quando o telefone fixo tocou naquela tarde, eu jamais imaginei que aquela ligação me levaria a um hotel no centro, a dois homens me desejando e a uma versão de mim que eu não conhecia.
Minha vida sexual tinha virado previsível, então naquela noite escrevi para meu amigo com benefícios uma proposta que nenhum de nós imaginou até onde nos levaria.
Ele levava um mês sabendo que a queria mais do que um amigo deveria. Quando ela abriu a porta do apartamento, entendeu que não dava mais para fingir.
Ele nunca enfeitou o amor com frases bonitas. Me provou escolhendo estar ali, me olhando como quem estuda uma obra de arte, e dizendo a verdade sem rodeios.
Às quatro da tarde eu estava linda, recém-maquiada diante do espelho. Às dez da noite não restava nada daquela menina perfeita, e eu adorava.
Desci para a pista achando que controlava a situação. Três horas depois eu era só um observador de algo que já não me pertencia.
Subi a escada com o coração batendo como o de um adolescente. Ela me esperava lá em cima, e eu ainda não sabia que aquela seria a noite que me deixaria sem nada.
Na primeira noite sob o poste, com o frio cortando meu rosto, entendi que minha androginia podia ser uma arma. Só precisava aguentar até ter o corpo que sempre quis.
Eu usava sua calcinha preta por baixo da calça justa, caminhando pela avenida mais escura da cidade, esperando que alguém tivesse coragem de parar ao meu lado.
Fui atrás do meu marido com ciúmes e o homem com quem eu dançava me parou: «Deixa, eu lhe dei permissão». Não entendi nada até o corpo dele colar no meu.
Senti a mão dela ao cumprimentar e foi como uma descarga. Ofereci carona e, naquela estrada de terra, descobri algo que neguei por anos.