A tarde de verão em que meu primo me surpreendeu
Naquela tarde, com o ventilador roncando e a casa vazia, meu primo me olhou de um jeito diferente e disse que tinha algo a me provar. Eu não imaginei até onde ele iria.
Naquela tarde, com o ventilador roncando e a casa vazia, meu primo me olhou de um jeito diferente e disse que tinha algo a me provar. Eu não imaginei até onde ele iria.
Ele tinha namorada e pagava de durão, mas naquela noite, trancados no cubículo do banheiro, foi ele quem me agarrou pela nuca e pediu que eu chupasse direito.
Subi as escadas atrás dele sentindo seu perfume, sem saber que os colegas voltariam duas horas antes do previsto.
Eram três da manhã quando senti sua boca me buscando na escuridão, e soube que desta vez seria eu quem o guiaria até o fim.
Eu estava bêbado no metrô quando abri o app por tédio. Não imaginava que aquela mensagem de um desconhecido terminaria comigo de joelhos num depósito escuro.
Durante anos eu me disse que era o típico cara hétero. Menti. Minhas punhetas eram dedicadas aos colegas do vestiário, e demorei demais para admitir.
Quando três batidas soaram na porta do banheiro, achei que fosse Carla. Mas quem entrou foi ele, sem esperar resposta, descalço e de peito nu.
Cheguei à sua porta carregando a depressão e cervejas a mais. Não queria sexo. Queria alguém que entendesse por que eu já não conseguia me olhar no espelho.
Passei cinco vezes em frente à cabine antes de me atrever a olhar para dentro. O homem de cabelo grisalho ergueu os olhos e me fez um gesto sem dizer nada.
Conheci-o numa entrega de prêmios onde nenhum dos dois queria estar. Dei fogo no corredor dos fundos e, sem saber, dei também todo o resto.
Minha mãe tinha me mandado pedir uns ovos emprestados. Dona Marisol abriu a porta de robe, com o cabelo ainda molhado, e me olhou de um jeito que eu nunca esqueceria.
Quando eu disse que era a minha primeira vez, ele se deteve um instante e me olhou. Não com dúvida, mas com algo parecido demais com satisfação.
Entrei naquela área restrita de propósito. Havia algo naqueles homens fardados que me atraía desde que chegamos, e eu sabia exatamente o que estava procurando.
Ele chegou recém-separado, com uma mala e tempo livre demais. Desde a manhã na piscina, eu soube que aquela semana não ia ser nada entediante.
Quando abri a porta, o primeiro detalhe que notei foram os lábios dele. O segundo, o jeito como me olhou antes de entrar. Eu já sabia como a tarde ia terminar.
Quando toda a cidade soube, não havia mais volta. Eu me apaixonei por ele sabendo que teria de deixá-lo ir. E aquela noite foi a última que tivemos juntos.