O fim de semana em que minha mulher e eu fomos seus submissos
Cruzamos essa porta sabendo que, ao fazê-lo, deixávamos de ter vontade própria até segunda-feira. Nenhum de nós quis voltar atrás.
Cruzamos essa porta sabendo que, ao fazê-lo, deixávamos de ter vontade própria até segunda-feira. Nenhum de nós quis voltar atrás.
Eu o descobri se masturbando sozinho e devia ter saído envergonhada. Em vez disso, fiquei, descalça diante dele, esperando que me dissesse o que fazer com o meu corpo.
Baixei a sunga achando que ninguém me via. Quando tropecei e caí na areia, dois pares de olhos já me observavam com um sorriso que não prometia nada de bom.
Ela caminhava entre as salas vazias com a pasta sob o braço e a régua de aço na mão, sem imaginar que naquela noite três abusadores aprenderiam a temer o som do metal.
Voltei da cozinha nu, com o pano na mão, e soube que naquela noite não sobraria nada do meu orgulho sobre o mármore preto da sala dele.
O braço que descansava sobre seu abdômen não era o da namorada. Era pesado, quente, masculino. E Bruno não se lembrava de absolutamente nada da noite anterior.
Quatro meses sozinho na montanha tinham deixado nele uma fome que nenhum uísque acalmava. Naquela noite, atrás da cortina vermelha da estalagem, três rapazes sabiam exatamente como recebê-lo.
Eu o vi sozinho no balcão da cozinha, alheio ao grupo, grudado no celular. Só de olhar eu soube que aquela tarde não ia ser tão macho quanto ele imaginava.
Eles se diziam irmãos, machos, intocáveis. Mas cada desculpa — creatina, cansaço, técnica — escondia a mesma verdade que nenhum dos dois ousava nomear.
Entrou achando que os chuveiros estavam vazios, mas o vapor escondia outra pessoa. Seu companheiro de equipe não o tinha ouvido chegar, e ele já não conseguia desviar os olhos do que via.
Ela chegou do treino ainda com o uniforme, me olhou de cima e eu entendi que aquela tarde mudaria tudo entre nós para sempre.
Quando atravessei a porta e a vi de pé no meio da sala, soube que ela jamais esqueceria a lição daquela noite: ela voltara, e isso mudava tudo.
Ela me mandou ficar de quatro nos fundos e, enquanto seus dedos me exploravam, entendi que acabava de descobrir algo que eu escondia havia anos.
Estava com o cinturão há meses e ela prometeu tirá-lo naquela noite. Não me disse o que eu teria de fazer antes para merecê-lo.
Desci do ônibus com meu vestido florido e a cabeça baixa; nenhuma daquelas mulheres tatuadas imaginava no que me transformariam antes do fim do primeiro mês.
Eu era o cara sério do terno e do utilitário. Bastava uma mulher me desafiar com o olhar para o animal despertar, e aquela feira de interior o soltou de vez.
Eu a vi na beira da piscina comendo meu namorado com os olhos na minha frente. Naquela noite, ensinei, de joelhos e amarrada no meu quarto, qual era o seu lugar.
Saí sozinha para explorar a área norte e um golpe na nuca mudou tudo. Acordei cercada por estranhos, sem roupa e sem nenhuma chance de escapar.
Cada manhã coloco as algemas antes de sair para o campo. Ninguém me obriga: faço isso porque o peso da corrente nos tornozelos é a única coisa que me faz sentir viva.
Eu sabia que ele viria se arrastando. O que ele não sabia era o quanto eu pensava em fazê-lo esperar antes de deixá-lo roçar sequer a ponta do meu pé.