A terceira vez me vesti como a mulher que sou
Diante do espelho, com os lábios pintados e os saltos calçados, não vi ninguém fantasiado: vi a mulher que sempre quis ser quando me deixo levar.
Diante do espelho, com os lábios pintados e os saltos calçados, não vi ninguém fantasiado: vi a mulher que sempre quis ser quando me deixo levar.
Tinha vinte e sete anos, uma namorada e uma vida regrada. Então aquele vizinho o olhou no ônibus como se soubesse algo que Tobías ainda não ousava nomear.
Faziam quase dois meses que eu não tinha notícias dele. Então chegou a mensagem: «Amanhã venha ao trabalho com roupa íntima de mulher». E eu soube que não conseguiria negar.
Meio milhão de euros por passar cinco dias no Caribe com um desconhecido. Bruno não era gay, mas as dívidas não entendem de rótulos e o jato particular já o esperava.
Ele usava o terno impecável e, por baixo, a renda que só ele podia ver. Quando a tranca do escritório fazia clique, Noa deixava de ser o assistente perfeito.
Vesti o avental branco e a touquinha, me maquiei como uma safada e o chamei para avisar que o quarto já estava pronto. O resto nós sabíamos de cor.
Eu guardava aquele vestido no fundo do armário para ninguém. Nessa madrugada, quando ele tocou a campainha encharcado, soube que enfim ia estreá-lo para alguém.
Eu guardava a roupa de mulher trancada, certa de que ninguém a veria. Até que aquele homem encontrou a mala e me pediu que eu a vestisse para ele.
Tranquei a porta e me transformei em outra pessoa diante do espelho. Não contei com que ele tivesse uma cópia da chave.
Quando desci para tomar um café na cafeteria vazia do hotel, não imaginava que ele abandonaria a festa para me seguir com uma garrafa e uma intenção clara.
Nós o convidamos achando que ele arregaria ao nos ver ao vivo. Não contávamos com esse cara baixinho, quase da nossa idade, tomando o controle assim que entrou.
Eram onze da manhã, o local estava vazio e meu colega dormia. Quando o vi entrar pela porta, soube que aquele domingo não seria como nenhum outro.
Quando o apartamento ficava vazio, eu abria a gaveta da minha mãe e me transformava em outra. Naquela tarde, uma sombra na janela mudou tudo.
Meus pais diziam que aquela vizinha não era confiável. Eu só sabia que, cada vez que a cruzava no elevador, eu tinha dificuldade para respirar e não entendia por quê.
Llevábamos siglos odiándonos y queriendo matarnos. Lo que no esperaba era acabar con su polla hasta el fondo mientras el coche se caía a pedazos debajo de nosotros.
Morávamos juntos e transávamos há meses, com a regra de que ele era hétero. Naquela noite, com meu plano em pausa, ele me olhou em silêncio e senti que algo ia se romper.
Achei que ninguém tinha me visto naquela tarde na casa do meu avô. Eu estava errada: havia dois olhos atrás da porta, e eles levaram quinze anos para falar.
Dirigia à noite transformada em outra mulher e ninguém sabia. Bastou um descuido numa parada para que ele descobrisse quem eu era de verdade.
Começamos com stickers bobos no fim do turno. Depois veio o apelido. Depois a fantasia. Nessa noite ele me escreveu que a minha casa ficava mais perto e eu não soube dizer não.
Eu vinha preparando aquele dia havia meses: a peruca, o vestido, o lubrificante. Achava que estava sozinha no mirante abandonado. O guarda tinha outra ideia.