Me vesti de travesti e o guarda me encontrou
Tinha guardado cada coisa com antecedência. Primeiro o vestido, azul-marinho escuro, com saia rodada. Depois a peruca, castanha e comprida até os ombros. Em seguida a maquiagem, pouca, o suficiente para me dar cor. E por fim o batom, vermelho intenso, guardado para o momento exato. O conjunto de lingerie estava no fundo da mochila, dobrado com cuidado, preto e de renda fina.
Naquela quinta-feira saí de casa com o coração acelerado e uma desculpa que ninguém tinha me pedido. Peguei o ônibus até a reserva natural da costa, a uma hora da cidade. Era baixa temporada. Na entrada, uma guarita pequena com um guarda fardado que cobrou meu ingresso sem quase me olhar. Entreguei o dinheiro com um sorriso e segui andando.
A trilha contornava os penhascos por quase três quilômetros. Caminhei devagar, olhando o mar à esquerda e os pinheiros baixos à direita. Ao fundo, depois do último mirante liberado, ficavam as ruínas de um mirante que nunca foi concluído: laje de concreto, paredes pela metade, mato crescendo entre as fendas. Eu tinha visto fotos dele na internet. Era exatamente o que eu procurava.
Sentei na borda de uma parede com vista para a água e abri a primeira cerveja.
O vento vinha fresco do mar. Ao longe, o barulho de algumas gaivotas. Nada mais. Ninguém.
Bebi três cervejas devagar, deixando os nervos irem se dissolvendo no álcool e na brisa. Na quarta, minhas mãos já não tremiam.
Me despi depressa, antes que os nervos voltassem. Primeiro a lingerie: a textura da renda na pele me surpreendeu, algo macio e estranhamente calmante. Depois o vestido, justo em cima e com saia rodada. A peruca demorou um pouco mais para ficar bem posicionada. A maquiagem foi desajeitada, eu nunca tinha praticado o suficiente. O batom passei por último, me olhando no espelhinho de bolsa que tinha trazido.
A pessoa que me olhava daquele espelho sorria.
Caminhei sobre a laje de concreto com o vestido se movendo ao redor das minhas coxas e o vento entrando por baixo do tecido, roçando no meu pau preso contra a renda da tanga. Havia uma única palavra para descrever o que eu sentia: livre. Livre e, pela primeira vez em muito tempo, reconhecível. Como se o corpo e o que havia dentro dele tivessem chegado, finalmente, a um acordo.
Então ouvi passos.
Virei.
O guarda da entrada estava ali, a uns quinze metros, com a lanterna apagada na mão embora fosse pleno dia. Ele me olhava com uma expressão que não era hostilidade, nem nojo, nem alarme. Era a expressão de alguém que acabou de ver algo inesperado e está processando o que tem diante de si.
O pânico subiu do estômago para a garganta. Calculei distâncias, saídas, desculpas. Nada do que me ocorreu fazia sentido.
Mas ele não fez nada do que eu esperava.
—Com licença —disse com voz tranquila, quase informal—. Estou fazendo a ronda. Nesta área não pode acampar nem fazer fogo.
—Eu não ia fazer nenhuma das duas coisas —respondi. Me surpreendeu o quão firme saiu minha voz.
Ele assentiu lentamente. Os olhos dele percorreram o vestido, a peruca, as pernas. Sem desprezo. Com algo que eu não soube nomear direito naquele momento.
—Tudo bem —disse—. Aproveite o passeio.
Deu meia-volta e começou a se afastar.
—Espere —eu disse, sem ter planejado.
Ele parou.
Não sei o que me levou a dizer aquilo. Talvez fosse o álcool. Talvez fosse que eu vinha esperando aquele dia havia meses e não queria que terminasse com medo.
—É a primeira vez que faço isso —eu disse a ele—. Queria que alguém soubesse.
Ele me olhou por um instante. Depois voltou devagar e se encostou na parede, a alguns metros de mim.
—E como está indo? —perguntou.
—Bem —respondi—. Até você chegar.
Ele sorriu. Um sorriso pequeno, sem deboche.
—Eu continuo aqui e nada de ruim aconteceu —observou.
Ele tinha razão. Eu ainda estava ali, com o vestido e a peruca e o batom vermelho, e o mundo não tinha desabado. Havia apenas um guarda encostado numa parede me olhando com uma curiosidade que, quanto mais eu observava, menos parecia simples curiosidade. Os olhos dele iam para as coxas, para o tecido levantado só um pouco pela brisa, e voltavam para meu rosto.
—Posso ficar um instante? —perguntou—. Se não te incomodar.
Eu não deveria ter dito que sim. Mesmo assim, disse.
***
Sentamos na borda da laje com vista para o mar, separados por meio metro. Ele devia ter quarenta e tantos, rosto curtido de alguém que trabalha ao ar livre há anos. Falou um pouco da reserva, dos turistas estranhos que encontrava de vez em quando. Eu escutava, terminando a última cerveja, sentindo o vestido se mover com o vento e a renda me arranhando ali embaixo a cada respiração.
Em algum momento a conversa foi se apagando sozinha.
—Você gosta que te vejam assim? —perguntou em voz baixa, sem me olhar.
A pergunta caiu direto no meu peito, e também mais embaixo. Senti o pau despertar contra a renda da tanga.
—Sim —respondi, depois de um momento—. Gosto que alguém me veja. Que alguém queira o que vê.
Silêncio.
—Eu estou vendo você —disse—. E gosto do que vejo.
Não foi uma frase pretensiosa. Ele disse como quem constata um fato, simples e sem enfeite. E essa simplicidade me fez sentir algo que eu não esperava: não excitação, ainda não, mas algo mais parecido com alívio. A excitação veio depois, um segundo mais tarde, subindo pelas minhas pernas.
Virei-me para ele. Ele também se virou para mim. De perto, os olhos dele eram mais claros do que pareciam de longe, e desciam sem disfarce pelo meu decote falso, pelas minhas coxas apertadas, pelo volume que já começava a marcar a saia.
—Tem areia na saia —disse ele.
—Eu sei.
—Quer que eu tire?
Assenti.
Ele se levantou, e eu também. Com uma mão segurou o tecido pela bainha e com a outra começou a sacudir, primeiro pela parte de trás. Quando chegou à parte de baixo do vestido, a palmada foi mais deliberada, sobre o tecido, sobre o que havia por baixo. A mão parou no meu bumbum, pressionando, medindo a forma sob a renda. Fiquei quieta. Um dedo entrou pela borda da saia e subiu devagar pela parte de trás da coxa até prender na tanga. As mãos dele pousaram nas minhas ancas por trás e me puxaram contra ele. Senti a rola dura contra meu cu, grossa através da calça do uniforme.
—Tudo bem? —perguntou, com a boca colada ao meu pescoço.
—Sim —disse, e empurrei o cu para trás para senti-lo melhor.
Ele riu baixinho contra minha orelha. Uma mão subiu pelo vestido e apertou uma teta falsa acolchoada, rindo de novo quando entendeu o truque. A outra desceu pela frente até encontrar meu pau duro, comprimido contra a renda da tanga.
—Olha o que temos aqui —murmurou, apertando-me por cima do tecido.
Um gemido escapou de mim. Ele me masturbou devagar por cima da renda, medindo meu pau com a palma, enquanto continuava se roçando no meu cu por trás.
—Vamos para dentro —disse—. Aqui qualquer um pode passar.
***
A guarita era pequena: uma cadeira, uma mesa com uma garrafa térmica, uma janela sem vidro por onde entrava a brisa do mar. Ele acendeu uma vela de emergência que havia na gaveta —“para os apagões”, explicou— e aquela luz amarela mudou tudo. O espaço parecia mais apertado, mais íntimo, mais separado do resto do mundo.
Eu estava em pé diante dele, com o vestido e a peruca e o batom já borrado de tanto morder os lábios nervosamente, e ele me olhava sentado na cadeira como quem examina algo que não consegue acreditar. Com a mão direita apertava a rola por cima da calça, sem disfarçar.
—Vira —disse.
Virei.
Ouvi ele se levantar. As mãos dele pousaram nos meus ombros por trás e me fizeram dar meia-volta até ficar de frente para ele. Os olhos dele estavam muito perto dos meus.
—Primeira vez de verdade? —perguntou.
—De verdade.
Ele me beijou devagar, com cuidado, como se tivesse medo de quebrar alguma coisa. Eu não quebrei. Retribuí o beijo e senti as mãos dele me segurando pela cintura com uma firmeza tranquila. Depois o beijo ficou mais fundo, a língua entrando e procurando a minha, enquanto uma mão descia por trás e agarrava meu bumbum inteiro por cima do vestido, apertando, medindo.
Ficamos assim um tempo, em pé naquela guarita que cheirava a protetor solar e café frio, com a vela faiscando e o mar soando ao longe. A rola dura dele pressionava minha barriga através da calça, marcando todo o formato.
—O que você quer? —perguntou, quando se afastou.
A pergunta era simples e ao mesmo tempo enorme. Ninguém nunca tinha me perguntado isso, não assim, não me olhando nos olhos, não com a mão enfiada por baixo do vestido apertando meu bumbum por cima da renda.
—Quero que você me veja —respondi—. Quero me sentir desejado. Quero que você me meta.
Falei sem pensar. Me surpreendi mais do que ele. Ele sorriu devagar.
—Tudo isso eu vou te dar —disse—. Mas aos poucos. Mostra primeiro.
Deu um passo atrás e se sentou na cadeira de novo, e eu entendi o gesto: ele estava me pedindo para me mostrar.
Caminhei pelo espaço reduzido da guarita. O vestido se movia. Ele olhava, com a mão apertando o volume da calça por cima do tecido. Senti algo em mim se soltar, alguma tensão que eu vinha carregando havia tanto tempo que já nem notava o peso.
Parei diante dele.
—Posso? —perguntei, com a mão na bainha do vestido.
—Sim —disse, sem hesitar—. Tudo. Tira tudo.
Levantei o vestido devagar. A renda da lingerie ficou exposta sob a luz da vela, e com ela o volume duro do meu pau marcado contra o tecido preto. Vi a expressão dele mudar.
—Meu Deus —disse em voz baixa. Não era exclamação. Era confirmação de algo—. Você está duríssimo.
Ele abriu o zíper da calça sem tirar os olhos de mim e tirou a rola. Era grossa, mais grossa do que eu esperava, com a ponta já brilhando de pré-gozo. Ele a segurou com uma mão e começou a se masturbar devagar, me olhando.
—Continua —disse—. Tira o vestido.
Eu passei o vestido pela cabeça e o deixei cair no chão. Fiquei diante dele em uma tanga preta de renda, sutiã com enchimento também preto, a peruca castanha, o batom borrado. Meu pau aparecia na borda da tanga, inchado, molhando a renda.
Ele se levantou e se ajoelhou diante de mim com uma naturalidade que eu não esperava. As mãos dele percorreram minhas pernas dos joelhos para cima, com uma lentidão deliberada. Quando chegou à cintura da lingerie, parou e me olhou.
—Tudo bem?
—Sim.
Ele abaixou a tanga com cuidado, até a metade das coxas, e meu pau saltou livre diante do rosto dele. Ele ficou olhando por um segundo com um meio-sorriso, como quem mede aquilo. Depois agarrou com a mão e lambuzou meu pau de baixo para cima, dos ovos até a ponta, numa única passada longa e úmida.
Minhas pernas dobraram. Apoiei as palmas na parede de trás.
Ele voltou a me chupar, desta vez com mais fome, chupando meus ovos primeiro, um de cada vez, levando-os inteiros para a boca. Depois subiu pelo tronco com a língua achatada, me encharcando, e quando chegou à ponta enfiou tudo de uma vez na garganta.
—Puta que pariu —gemia, jogando a cabeça para trás contra a parede.
Ele começou a me chupar com fome, como se tivesse esperado muito tempo por aquele pau. As mãos dele agarravam meu cu, apertando, me guiando para que eu empurrasse o quadril contra o rosto dele. Eu perdi o respeito por ele depressa: agarrei a peruca —não, a cabeça, o cabelo curto e crespo— e comecei a foder a boca dele devagar, olhando de cima.
Ele me olhava sem parar de chupar, os olhos marejados e a baba escorrendo pelo queixo. Toda vez que eu empurrava mais fundo ele fazia um som gutural que me subia pela rola como uma descarga.
—Vou gozar se você continuar assim —avisei.
Ele tirou o pau da boca com um som úmido e o segurou com a mão, apertando-me na base.
—Ainda não —disse, com a voz rouca—. Ainda falta o melhor.
Ficou de pé. Virou-me sem soltar meu pau e me fez apoiar na mesa. O vestido ficou no chão. A tanga pendurada na altura dos joelhos. Ele atrás, respirando forte, com a rola dura cravada entre minhas nádegas por cima da calça aberta.
—Desce mais isso —disse.
Baixei a tanga até os tornozelos e a chutei para o lado. Fiquei completamente pelado da cintura para baixo, com as pernas afastadas, as palmas na mesa, o cu levantado e oferecido. Senti ele me separar com as duas mãos e ficar olhando ali, em silêncio.
—Que cu bonito você tem —disse, quase para si mesmo.
Ajoelhou-se de novo, desta vez atrás de mim, e abriu minhas nádegas com os polegares. A língua dele chegou ao meu buraco sem aviso, plana, me encharcando. Arqueei sobre a mesa e gemi mais alto do que queria.
Ele me chupou o cu devagar, primeiro com a língua plana lambendo tudo, depois com a ponta empurrando para dentro, entrando aos poucos, me abrindo. Uma mão foi para o meu pau na frente e começou a me masturbar no mesmo ritmo da língua lá dentro. Eu apertava as mãos contra a mesa até os nós dos dedos ficarem brancos.
—Nunca tinham feito isso comigo —eu disse, com a voz quebrada.
—Eu sei —respondeu, e enfiou a língua de novo.
Ele me trabalhou com a boca até eu sentir que ia gozar só com aquilo. Depois enfiou um dedo, lubrificado com a própria saliva, e me abriu devagar, procurando dentro. Quando encontrou o que queria —um ponto que me sacudiu inteiro— começou a massageá-lo com a ponta do dedo enquanto continuava chupando meu pau na frente.
Ficamos assim até meu corpo inteiro tremer.
—Vou gozar —avisei.
Ele tirou o dedo e se afastou.
—Não —disse—. Ainda não.
***
Quando me recuperei o suficiente, fui eu quem se ajoelhou diante dele.
Era a primeira vez que eu fazia aquilo. Baixei a calça dele até os joelhos e fiquei um segundo olhando a rola de perto: grossa, dura, com as veias marcadas, a ponta inchada e vermelha. Me dava medo e me dava fome ao mesmo tempo. Passei a língua por baixo, primeiro nos ovos, testando como ele reagia, e depois subi devagar por todo o tronco.
—Enfia tudo —murmurou—. Sem pressa.
Abri a boca e o coloquei dentro. No começo ele quase me engasgou. Recuo, respiro, tento de novo. Na segunda vez fui mais fundo. Comecei a chupar devagar, me guiando pela respiração e pelas reações dele, aprendendo na hora o ritmo e a pressão de que gostava. Salivei bastante, deixei a boca se encher, e quando levantei os olhos para olhá-lo, ele me olhava com uma intensidade que me fez fechar os olhos.
Em algum momento ele pousou as mãos na minha cabeça, não para pressionar, só para estar ali. Depois começou a empurrar devagar o quadril, fodendo minha boca com cuidado. Ele fazia sons de prazer, “assim, assim, assim”, e eu fui pegando o ritmo, deixando entrar mais fundo a cada vez, apertando-lhe os ovos com uma mão e a base da rola com a outra.
O batom vermelho terminou de borrar por completo. O tronco todo da rola dele ficou manchado de vermelho. A vela fazia brilhar a saliva que escorria do meu queixo e caía sobre os ovos dele.
Quando senti que ele estava perto, ele me olhou de cima e disse:
—Para se quiser.
Não parei. Acelerei. Apertei os ovos mais forte, massageei-os com a mão, e cravei nele um olhar de baixo que era uma resposta clara: eu queria tudo.
Ele gozou com um som baixo e contido, agarrando minha cabeça com as duas mãos. Senti o primeiro jato bater no fundo da garganta, depois outro, e outro. Quente, espesso, salgado. Eu aceitei tudo, engolindo o que consegui, sentindo algo parecido com a satisfação de fazer bem uma coisa difícil pela primeira vez. Um pouco escapou pela comissura e escorreu pelo meu queixo.
Ele se abaixou, me levantou do chão e me deu um beijo longo na boca. Não ligou para nada do que tinha acontecido um momento antes. Sugou sua própria porra dos meus lábios e do meu queixo, rindo baixinho. Aquilo me disse mais do que qualquer palavra.
***
Fui eu quem pediu.
Não com palavras: virei-me, pus as palmas sobre a mesa, levantei o vestido —que eu já não estava usando, mas o gesto saiu igual— e arqueei as costas para levantar o cu. Olhei por cima do ombro.
Ele entendeu.
Demorou um momento para tirar um preservativo da carteira —“sempre levo”, disse com um gesto que me fez rir apesar dos nervos— e eu tirei da mochila o pequeno frasco de lubrificante que tinha colocado quase por instinto, como se uma parte de mim soubesse desde o começo como o dia terminaria.
Entreguei a ele.
Ele colocou o preservativo devagar, me olhando, e depois passou lubrificante na mão e me besuntou primeiro, lambuzando bem meu buraco com dois dedos, enfiando-os até o fundo para me abrir por dentro. Moveu-os em círculos, tirava, enfiava de novo, agora com três. Apoiei a testa na mesa e gemi.
—Você está pronto —murmurou.
Depois se besuntou, cobrindo bem toda a rola ensacada com lubrificante brilhando sob a luz da vela.
Quando a ponta tocou meu buraco, a respiração me faltou. Ele passou uma mão pela minha cintura, me segurando, e com a outra se guiou.
—Respira —disse.
Quando entrou, foi devagar, parando toda vez que eu dizia para esperar, avançando quando eu assentia. Senti primeiro a cabeça me abrindo, uma ardência pontual, e me tensionei.
—Relaxa —sussurrou, com os lábios colados ao meu ombro—. Empurra contra mim.
Empurrei. A rola entrou um pouco mais. Ele foi me penetrando centímetro por centímetro, esperando entre um e outro. A dor foi breve. Quando senti os ovos dele batendo nos meus, soube que ele estava todo dentro.
O que veio depois foi outra coisa: uma plenitude estranha, a sensação de estar completamente presente no meu corpo pela primeira vez em muito tempo. Aqui. Isso. Agora. Eu sentia cada veia da rola dentro de mim, pulsando.
—Se mexe —pedi—. Por favor.
Ele começou a se mover.
Primeiro devagar, tirando quase tudo e voltando a entrar com paciência. Cada estocada me fazia gemer sem querer. Ele agarrou minhas ancas com as duas mãos e começou a acelerar, medindo pelo meu fôlego.
—Assim? —perguntava.
—Mais —pedi—. Mais forte.
Ele começou a me comer de verdade. A mesa se sacudia sob mim, rangendo contra o chão. A vela tremeluzia a cada investida. Eu apertava as palmas contra a madeira, arqueado, com o cu no ar, me deixando foder numa guarita de três metros quadrados por um homem que eu tinha conhecido há duas horas.
Fechei os olhos e me deixei levar pelo ritmo. As palavras saíram sozinhas, em voz baixa, sem filtro, coisas que eu nunca tinha me ouvido dizer.
—Me come —eu disse, com a voz quebrada—. Me arrebenta. Mete até o fundo.
—Vadia —respondeu ele, sem insulto, quase com carinho, apertando mais minhas coxas—. Que vadia saiu essa sua primeira vez. Dá para ver que você passou anos querendo isso.
—Sim —gemia—. Anos.
Ele respondia com a mesma honestidade, sem atuar, e era isso que fazia tudo parecer real: não era fantasia, não era uma cena ensaiada, eram duas pessoas dando uma à outra algo verdadeiro numa guarita de três metros quadrados, com uma vela acesa e o mar soando do lado de fora.
Ele puxou a peruca para trás, me arqueando ainda mais. Com a outra mão procurou meu pau na frente e começou a masturbá-lo no ritmo das investidas dele. Cada empurrão me cravava mais contra a mesa; cada retirada me deixava vazio por um segundo antes de me preencher de novo.
—Tá gostando? —perguntou em voz baixa, se inclinando para meu ouvido.
—Sim —respondi, com a voz cortada—. Não para. Nunca para.
Trocamos de posição sem parar de fazer aquilo. Ele tirou o pau de mim por um segundo, sentou na cadeira e me fez montá-lo de costas para ele. Desci devagar, empalando a mim mesmo, sentindo-o me abrir de outro ângulo, mais fundo. Ele agarrou minhas ancas com as duas mãos e começou a me erguer e abaixar sobre ele como se eu não pesasse nada.
Cada investida era uma revelação. Eu me arqueava um pouco mais, pedindo sem palavras que fosse mais fundo, e ele entendia. As mãos dele nas minhas ancas eram firmes e quentes. Ele procurava dentro de mim um ponto exato, e quando encontrava eu fazia questão de mostrar gemendo mais alto.
—Aí —implorei—. Bem aí. Não sai daí.
Ele ficou ali. Empurrou de baixo, curtinho, martelando o mesmo ponto várias e várias vezes. Pegou minha própria rola com a mão e me obrigou a me masturbar enquanto ele me fodia.
Gozei assim, empalado na rola dele, com a mão dele guiando a minha sobre meu pau, sem aviso. Escorri em seus dedos, no ventre, na calça abaixada até a metade. O cu se contraiu em espasmos ao redor da rola dele, e senti ele soltar um rosnado gutural atrás de mim.
—Puta que pariu —disse ele—. Agora sim.
Ele me ergueu de um tranco, me apoiou de novo contra a mesa, de bruços, e me penetrou outra vez de uma só estocada. Agora sem cuidado. A foda virou brutal: golpes secos, o quadril dele batendo contra meu bumbum, o som da carne contra a carne enchendo toda a guarita.
Quando chegou ao limite desta vez, ele não segurou. Entrou até o fundo, ficou ali, e senti ele se descarregar completamente dentro do preservativo, pulsando dentro de mim. Eu gemi, arqueado, deixando-o terminar, sentindo cada pulsação como uma assinatura.
Ficamos quietos por um momento, respirando. Ele por cima, eu por baixo, com a rola dele ainda dentro de mim, amolecendo devagar.
Ele saiu com cuidado. Tirou o preservativo, amarrou, deixou num canto. Depois me abraçou por trás, ainda pelado da cintura para baixo, e beijou meu ombro.
—Você está bem? —perguntou.
—Estou mais do que bem —respondi.
***
Nos vestimos sem atrapalho, compartilhando o silêncio sem que pesasse. Ele me ajudou a recolocar a peruca, que tinha saído do lugar. Me olhei no espelhinho de bolsa, vi o batom completamente borrado, o rímel escorrido, a marca de uma mordida no pescoço que eu não lembrava quando tinha feito, e nós dois rimos.
Ele me acompanhou até o início da trilha principal.
—Vai ficar bem para voltar sozinha? —perguntou.
—Sim.
—Vai voltar por aqui algum dia?
Olhei para ele. Tinha a lanterna apagada na mão, os olhos claros, o mesmo jeito tranquilo de a tarde inteira.
—Não sei —respondi, com honestidade.
Ele assentiu, sem pressionar.
—Se voltar, estarei aqui —disse.
Comecei a caminhar pela trilha. O sol estava baixo, tingindo os penhascos de laranja. O vestido se movia com o vento do entardecer e a peruca roçava meus ombros. Atrás de mim, a guarita ficou pequena entre os pinheiros. Eu ainda sentia a ardência entre as nádegas, a umidade do lubrificante, o peso agradável de ter sido fodida pela primeira vez.
Andei por bastante tempo sem pensar em nada específico. Só prestando atenção nisso: o corpo em movimento, a roupa, a tarde ficando azul aos poucos. Em algum momento percebi que o peso que tinha carregado a manhã toda já não estava mais ali. Nem o peso do medo, nem o peso da antecipação. Nada.
Eu ainda não sabia muito bem como nomear aquilo. Mas sentia na respiração, nos pés que continuavam avançando, na estranha leveza de ser exatamente quem você é num corpo que, por uma tarde, tinha deixado de resistir.
O que eu era já não cabia nos limites de antes.
E isso, eu descobri, não era um problema.
Era o começo.