O sonho com a minha mãe que não ousei contar
O coração disparado e o lençol encharcado aos sete graus da madrugada. O problema não era o frio: era com quem ele havia sonhado.
O coração disparado e o lençol encharcado aos sete graus da madrugada. O problema não era o frio: era com quem ele havia sonhado.
Ele estava na cadeira, alheio a tudo, com os fones no ouvido. E eu, na cama dele, com uma ideia boba que naquela tarde finalmente criei coragem de realizar.
Coloquei a minissaia mais curta só para ver se conseguia deixá-lo nervoso. Não imaginei que, naquela mesma noite, ele voltaria a aparecer, desta vez dentro da minha cabeça.
A amiga da mulher abriu as pernas diante dele, sorrindo, só para mostrar aquilo que naquela noite ele jamais iria tocar.
Ela se levantou da mesa, virou-se e me olhou de um jeito que não deixava dúvidas. Fui atrás sem pensar, com o coração batendo forte no peito.
Passamos anos roçando as mãos sem dizer nada. Naquela madrugada, na minha sala em meia-luz, os olhares deixaram de bastar e ninguém quis fingir mais.
Nunca contei isso ao meu parceiro. Mas quando fecho os olhos, não sou eu quem decide: alguém entra, me segura e meu corpo para de me obedecer.
Bati na porta uma e mil vezes e ninguém abriu. Quando a recepção me deixou entrar, encontrei malas que não eram minhas debaixo da cama e um cheiro inconfundível.
Eu estava há semanas deitada na minha rede, me besuntando de óleo e fechando os olhos, até que uma tarde senti que alguém me observava através dos ciprestes.
Marina deixou a lista aberta na letra C. Eu só ia falar do meu bloqueio na cama, mas aquela primeira consulta não terminou como qualquer um imaginaria.
Guardei-o na bolsa às pressas, mas naquela tarde tirei-o por outro motivo: estava sozinha, entediada e excitada demais para me segurar.
Pensou nele o dia todo. Agora, sob os lençóis e com a chuva batendo no vidro, sua mão começa a percorrer o que a imaginação já tinha prometido.
Nunca tinha me atrevido a me ver enquanto me tocava. Naquela tarde, coloquei o celular em frente à cama, respirei fundo e aprendi algo novo sobre meu desejo.
Nunca fui exibicionista, mas naquela tarde abri a cortina, coloquei uma cadeira em frente ao vidro e me despi sem saber quem observava.
Eram onze e meia da noite quando Daniela apareceu no corredor e me pediu ajuda com o fogo. Eu passara a tarde inteira pensando no que suas malas escondiam.
Às quatro da madrugada, enquanto me fazia amor, meu marido sussurrou o nome do meu colega de trabalho. E eu, no escuro, sorri.
Eu o vi dançando com outra e algo se rompeu em mim. Não busquei vingança, busquei alguém que me fizesse sentir o que ele já não me dava.
Quando Camila fechou a porta com as malas, não imaginei que meia hora depois um estranho me ofereceria companhia e soubesse tanto sobre minha mulher.
Há um instante, logo quando a porta se fecha e ouço o carro se afastar, em que deixo de ser o marido dela e me torno outra coisa bem diferente.
Naquela tarde, sentada à minha frente, Mariela parou de falar dos seus problemas e começou a desabotoar a blusa com uma calma que me gelou a respiração.