Minha amiga me confessou seu desejo na porta da escola
Há meses tomávamos café juntas depois de deixar as crianças. Naquela manhã, ela pareceu diferente, e o que me escreveu no celular mudou tudo entre nós.
Há meses tomávamos café juntas depois de deixar as crianças. Naquela manhã, ela pareceu diferente, e o que me escreveu no celular mudou tudo entre nós.
Marcamos as três na última quinta-feira de dezembro, com a desculpa de despedir o ano. Nenhuma disse em voz alta o que realmente íamos fazer.
Ela marcou uma depilação de rotina antes das férias. O que não esperava era a forma como aquela mulher a olharia ao fechar a porta do privativo.
Renata passava a loção bronzeadora nos meus seios quando me perguntou se eu já tinha tido uma amante. Corei como uma menina. Disse que não.
Cada vez que ela passava pela minha mesa, eu perdia o fio do que estava fazendo. Não imaginava que um simples descuido revelaria tudo o que eu sentia por ela.
A luz mal entrava pela persiana, ela ainda dormia e eu só pensava em uma coisa: me perder entre suas pernas antes que ela abrisse os olhos.
Eu repetia que era só parte da terapia, que não tinha nada de pessoal. Mas, com o esperma de outro homem escorrendo pelas minhas coxas, eu já não acreditava numa palavra.
Nunca imaginei que seria eu quem empurraria minha mulher para outro homem, mas lá estava eu, lendo cada e-mail com o pulso acelerado e a boca seca.
Bastou uma fotografia pendurada na parede do ateliê para o professor entender que nunca mais conseguiria olhar para ela apenas como uma aluna.
Cheguei de vestido preto e grampos no cabelo. Ela me esperava em seda vermelha, com um colar de brilhantes e uma pergunta: o que você espera que eu te ofereça?
Quando me sentei ao lado dela naquela oficina, não imaginei que aquela mulher triste e discreta acabaria sussurrando, nua na cama, que jamais tinha sentido algo parecido.
Mariana me perguntou se eu nunca tinha sentido curiosidade de beijar outra mulher. Eu respondi com um impulso que mudou para sempre o que éramos.
Eu já vinha sentindo uns olhos cravados na nuca enquanto tocava. Naquela sexta, tranquei as portas e desci do palco decidida a descobrir quem era.
Bastou uma fração de segundo — uma toalha escorregando, a pele dela molhada sob a luz da varanda — para eu entender que nunca mais conseguiria olhá-la como antes.
O espelho do banheiro ficava exatamente diante das beliches. Naquela madrugada, descobri por que minha colega o havia movido sem avisar.
Conheci-a num app de leitura. Cabelo preto, alta, intimidadora. Aceitei ser sua submissa porque jamais imaginei que uma mulher assim olharia para mim duas vezes.
Na adolescência, eu me trancava para imaginar seus seios e seu cabelo negro-azeviche. Trinta anos depois, sua voz ao telefone me acendeu igualzinho.
A persiana estava meio abaixada e a chave girou duas vezes atrás de mim. Vim sem a aliança e com doze anos de silêncio na língua.
Ela disse que chegaria tarde, mas, ao abrir a porta do banheiro, a luz das velas revelou sua mentira favorita: estava nua à minha espera.
O que aconteceu naquela noite entre Lorena e mim nunca deveria ter sido descoberto. Mas o grito do outro lado da parede confirmou que era tarde demais.