O mecânico sabia demais sobre mim
Quando peguei o telefone dele e vi minha própria imagem na tela, entendi que não tinha escapatoria. Ou foi o que disse a mim mesma.
Quando peguei o telefone dele e vi minha própria imagem na tela, entendi que não tinha escapatoria. Ou foi o que disse a mim mesma.
Eu só queria algo passageiro enquanto estudava. Mas naquela noite, quando ele deixou o avatar e me chamou com a câmera ligada, eu soube que não havia volta.
Eram os amigos do meu filho. Tinham vinte anos e me olhavam como se eu fosse a única coisa que queriam no mundo. Eu devia ter subido sozinha para o meu quarto. Não subi.
Ela não sabe que, quando saio “para ver um amigo”, volto cheirando a outro. Estou assim há três meses e não sei quanto tempo mais consigo aguentar.
Deixei o botão de pânico sobre o travesseiro do beliche. As grades marcavam minhas costas quando a língua dele desceu e eu soube que já não era sua advogada.
Assim que saiu do estacionamento, ela enfiou a mão e fechou os olhos. Eu procurei um caminho sem saída. Já fazíamos uma semana inteira sem poder nos tocar.
Rodrigo não sabe tudo o que aconteceu naquela viagem. Só a versão que escolhi contar a ele. A verdade é mais escura, mais deliciosa.
Duas mulheres separadas, um apartamento arrumado demais e um baralho que ninguém deveria ter encontrado naquela noite.
Ele me pediu uma rapidinha enquanto eu escrevia. Saiu do banho cheirando a ele e eu vesti as meias de renda. O resto eu ainda saboreio.