O encontro da minha esposa e a chave que ela guardava
Pintei as unhas dela de vermelho para o encontro com outro homem. Ela tinha a única chave do que me mantinha trancado, e naquela noite tudo mudou.
Pintei as unhas dela de vermelho para o encontro com outro homem. Ela tinha a única chave do que me mantinha trancado, e naquela noite tudo mudou.
Não acendi a luz. Só senti suas mãos puxando minha roupa e sua boca me procurando na penumbra, sem uma única palavra, como se ela soubesse de cor o que vinha fazer.
Passamos metade da vida nos medindo em silêncio. Até que a mulher que ele perseguia bateu à minha porta numa madrugada de agosto e escolheu ficar.
Apaguei a luz convencida de que ele não viria. Então a campainha tocou duas vezes, e soube que naquela noite não dormiria nada.
Há anos eu queria ir a uma praia de nudismo, mas nenhuma das minhas parceiras quis me acompanhar. Naquela manhã decidi ir sozinho, sem imaginar como terminaria.
Naquela manhã, acordei com uma ideia fixa na cabeça e, pela primeira vez, não a afastei. O que fiz sozinho ainda é difícil confessar em voz alta.
Cruzamos o parque no escuro e, antes que eu percebesse, ela já estava de joelhos à minha frente com um sorriso que eu ainda não consegui apagar da cabeça.
Estava há cinco anos transando com homens e, de joelhos outra vez, fiz as contas exatas de quantos tinham passado pela minha boca. Naquela noite entendi que algo tinha quebrado.
Encontrei uma taça de vinho, uma máscara preta e um texto incendiário na tela. Li devagar e entendi que naquela noite meu marido tinha decidido realizar seu maior desejo.
Tirei o biquíni na jacuzzi sabendo que ele me observava de soslaio do telhado. O que vim esquecer se tornou a única coisa de que me lembro da viagem.
Saí molhado do banho pensando que era minha mãe quem tocava a campainha. Mas, ao abrir a porta, estava ela: a única mulher que nunca consegui tirar da cabeça.
Ele veio revisar a caldeira e, entre goles de café, fez uma proposta que nenhum dos dois ousava dizer em voz alta.
—Preciso que você transe com a minha noiva —ele me disse, tão calmo como se pedisse as horas. E eu ainda não sabia que a viagem mudaria mais a mim do que a eles.
Eu traía meu marido havia anos sem culpa, mas nunca imaginei que uma viagem de trabalho a uma fazenda perdida acabaria comigo de joelhos diante de um desconhecido.
Nunca conheci meu avô, mas a última vontade dele me amarrou a uma mulher que eu não esperava e a uma casa onde tudo acabou mudando.
Nunca tinha entrado num sex shop, ela me disse. Entramos juntos numa cabine e, entre gemidos na tela, ela me pediu algo que eu jamais imaginei ouvir da sua boca.
Havia passado um ano desde a última vez. Virei uma esquina no centro e esbarrei nela: o mesmo perfume, o mesmo olhar, o mesmo desejo que eu julgava esquecido.
Me chamavam de solteirona dos gatos, mas ninguém do bairro imaginava o que acontecia na minha casa toda manhã, toda tarde e toda noite desde aquela terça de verão.
Esta noite durmo no chão e a culpa é minha. A paradoxa de pedir ao seu Dom que te dê uma ordem e descobrir que não há volta.
Achei que ela estava dormindo na noite em que trouxe aqueles dois homens. Eu me enganei: ela viu tudo. E, semanas depois, entrou no banheiro, se sentou diante de mim e exigiu saber de tudo.