Me entreguei a um desconhecido e deixei de me reconhecer
Trabalhávamos no mesmo prédio e bastou um roçar no elevador para eu entender que estava prestes a perder algo que julgava intocável: a minha vontade.
Trabalhávamos no mesmo prédio e bastou um roçar no elevador para eu entender que estava prestes a perder algo que julgava intocável: a minha vontade.
Quando os quatro caras entraram no apartamento às cinco da manhã, eu soube que viveria algo que nunca contei a ninguém.
Ela passava anos sovando pão com os olhos no chão, até que numa tarde de verão ficou a sós com o homem que a olhava de outro jeito.
Jamais havia visto uma mulher nua até aquela tarde junto à cascata. O que ele não sabia era que esse desejo acabaria o levando de navio ao fim do mundo.
Nunca pensei que um comentário sobre como sua cadela era obediente pudesse acender algo assim entre dois velhos conhecidos no sofá da casa dela.
Dancei colada a um desconhecido de máscara até que sua voz me perguntou ao ouvido se eu ainda o lembrava. E meu corpo respondeu antes de mim.
«Só existe uma forma de descobrir», disse ele, aproximando-se do cavalete. Eu tinha ido para ele me tirar a cenoura, não para gozar na frente de um desconhecido de jaleco.
Minha amiga achou que a gente tinha ido só tomar ar. Eu já tinha escolhido minha presa: o moreno que brincava com o filho a dez metros de nós.
Antes eu escondia tudo. Naquela noite entrei na sala sem calcinha, com a saia curta e a certeza de que alguém olaria. E eu queria que olhasse.
Naquela noite, ela cumpriria pela primeira vez o ritual: nua, amarrada ao potro, com um guerreiro veterano pronto para arrancar dela o prazer pertencente à deusa.
Sempre disse a mim mesma que meus deslizes eram culpa do álcool. Nessa manhã, sóbria e em plena luz, soube que eu estava me enganando.
Vi o nome dele na tela e soube que não devia atender. Mas atendi, e assim que ouvi a voz dele voltei a ser a mulher que jurei nunca mais ser.
Caminho entre os armários com a toalha no ombro e sinto todos os olhares. Eles fingem que não olham, mas seus corpos respondem antes das palavras.
Não conto isso para aliviar a consciência, mas para confessar até onde fui capaz de chegar naquela tarde, com ele dormindo na maca e ela a poucos metros.
Deixei cair o garfo dela e, ao me abaixar sob a mesa, descobri algo que nenhum dos adultos suspeitava. Naquela noite, tudo mudou.
Eu tinha jurado que a virgindade dela era inegociável. Naquela manhã, no apartamento emprestado por um amigo, ela me mostrou até onde estava disposta a ir.
Nunca imaginei que um domingo qualquer no rio acabaria comigo de joelhos na grama, entregue a ele e implorando para que não parasse nunca.
Quando o número dela apareceu na tela como uma chamada perdida, soube que aquela noite na montanha iria quebrar algo nela que nunca mais se reconstruiria.
Fechei a porta e liguei o notebook para deixar a imaginação terminar o que um desconhecido tinha começado no meio da multidão da plataforma.
Liguei o vibrador, abri um jogo de bingo e me prometi uma regra para cada bolinha. O que aconteceu depois levou semanas para eu contar a alguém.