A leitora dos meus contos quis me conhecer pessoalmente
Estávamos há um mês e meio nos escrevendo todas as manhãs e noites. Quando enfim a vi sentada naquela mesa, soube que nenhuma de nós dormiria sozinha.
Estávamos há um mês e meio nos escrevendo todas as manhãs e noites. Quando enfim a vi sentada naquela mesa, soube que nenhuma de nós dormiria sozinha.
Senti uma mão no quadril e uma boca no ouvido: «Você cheira incrível». Quando me virei, era ela, a garota com quem minha amiga tinha vindo flertar.
A regra era simples: quando as portas do elevador se fechavam, eu deixava de ser uma pessoa e virava parte da mobília dele.
Há semanas eu fingia que não notava os olhares dele, as pernas abertas no sofá, os volumes que marcava de propósito. Nessa noite voltei cedo demais e parei de fingir.
A primeira vez que o vi sem camiseta na praia, fiquei sem ar. Ele era o namorado da minha mãe, mas eu já não podia olhá-lo como um filho olha para o pai.
Aos cinquenta e três anos, solteiro e entediado, Ramiro descobriu que oferta e demanda também funcionam às três da tarde, no sofá da sala.
Aquele porão de pedra sob a casa dele foi minha escola secreta: ali aprendi o que nem ousava nomear, primeiro com Tomás e depois com o irmão dele.
Aos trinta e três anos, com um corpo de atleta e um segredo que vinha sufocando havia metade da vida. Até que um rapaz cruzou a porta da loja e o encarou sem medo.
Voltei para casa às seis da manhã com o perfume dela grudado no corpo e as nádegas ainda vermelhas. Minha esposa me esperava acordada, sorrindo, sem desconfiar de nada.
Eu estava nu na cama, dolorido, e ele se ofereceu para me examinar. Eu não sabia até onde ele estava disposto a ir para passar a dor.
Ouvi a voz dela no chuveiro naquela primeira manhã e, sem saber por quê, fiquei pregada na porta. Quando ela se virou e me olhou, eu não desviei os olhos.
Servi-lhe o café das quatro como sempre. Só que, desta vez, eu tinha acrescentado algo que não constava em nenhuma agenda.
Entrei com a chave que ele deixou no vaso. O que eu não esperava era encontrá-la me esperando, de braços cruzados e a mandíbula travada.
A sala estava quase vazia e o filme era uma desculpa: o que importava era a mão dela subindo pela minha coxa no escuro da última fila.
Começamos falando por mensagens. Acabamos nos vendo nuas sob a mesma lua vermelha, cada uma em sua cidade, cada uma com a respiração do outro lado da tela.
Nunca pensei que uma cena do jogo acendesse algo entre nós, nem que naquela mesma tarde eu teria o gosto dele na boca e o nome dele repetindo na minha cabeça.
Quando tirei o sutiã do biquíni na frente de Carolina, o rosto dela mudou. E então eu soube que aquela tarde eu não sairia da praia sendo só a amiga dela.
Entreguei a ela uma blusa um tamanho menor sem dizer por quê. Quando ouvi seu grito abafado vindo do provador, soube que ia entrar e não sairia igual.
Começou como um e-mail de admiração pelos meus relatos. Terminou comigo olhando suas fotos às escondidas, querendo cruzar um oceano para tocá-la uma única vez.
Minha tia baixou a voz ao me contar, naquela tarde na casa de Pilar: a porta ficou aberta de propósito, e ela não conseguiu desviar os olhos do que acontecia lá dentro.