Na cabine do cyber, finalmente fui Antonella
Entrei como um estudante assustado e saí sendo ela. Atrás da cortina preta, sem nomes nem rostos, descobri o quanto desejava ser usada por um desconhecido.
Entrei como um estudante assustado e saí sendo ela. Atrás da cortina preta, sem nomes nem rostos, descobri o quanto desejava ser usada por um desconhecido.
Quando Sofia me sussurrou ao ouvido que naquela noite não estaríamos sozinhas, senti um arrepio que não soube se era medo ou tesão. O desconhecido já subia as escadas.
Eu me arrumava mil vezes em frente ao espelho do meu quarto, mas naquela noite, pela primeira vez, não era para mim só. Alguém me esperava do outro lado da porta.
Uma semana depois daquela primeira noite, meus pés me levaram sozinhos de volta ao cabaré. Verónica me esperava com uma caixa de veludo e uma sentença.
Troquei de roupa, passei perfume de coco e voltei ao bar com um único plano na cabeça: descobrir se aquele sorriso era sério.
Eu vinha imaginando isso há meses: um vestido preto, saltos brilhando sob as luzes e eu parada numa esquina, à vista de todos que passassem.
Não fui buscar prazer. Fui lembrar um desejo enterrado: pele macia, curvas, me sentir desejado. E ela, com um sussurro em francês, me deu permissão.
Todas as noites ela se tocava às escondidas e chorava de culpa. Naquela madrugada, caminhou rumo às dunas sem saber que o deserto guardava um templo e, dentro dele, uma figura que mudaria tudo.
Ela abriu a porta esperando a garrafa de sempre. Em vez disso, ele lhe estendeu um avental de renda e um sorriso que não aceitava um não.
Desci até a piscina achando que só queria academia e sol. Não sabia que elas já tinham decidido o que fariam comigo quando os maridos fechassem os olhos.
Um post-it amarelo sobre a caixinha dizia uma única palavra: «Ponme». Eram duas da madrugada e a curiosidade venceu o cansaço acumulado da noite.
— Hoje só vamos cuidar de você — sussurrou, e entendi que depois de ser sua puta a noite toda, agora me tocava voltar a ser sua menina.
Surgia bebendo seu gin tônica quando dois homens se sentaram ao seu lado e falaram de um filme. Quando terminou a bebida, ela já tinha assinado.
Ela me deixou a calcinha na mesinha de cabeceira como todas as noites. Mas dessa vez entrei no quarto dela sem avisar e encontrei algo que mudou tudo entre nós.
Cruzei a porta da suíte esperando encontrar uma mulher assustada. Não imaginei o que ela escondia sob aquela saia longa, nem a vontade com que pensava me mostrar.
Eu poderia ter me trocado em trinta segundos. Em vez disso, caminhei até a porta de salto, sabendo exatamente o que ele veria.
Só me visto quando tenho um encontro, sempre num quarto de hotel, e naquela noite o desconhecido que me esperava não fazia ideia do que encontraria sob meu vestido.
Quando desci até a biblioteca naquela tarde, não sabia que minha madrasta e sua sócia imponente já tinham decidido que tipo de homem fariam de mim.
A mão dela subiu pela minha coxa e entrou na minha lingerie. Eu esperava encontrar o que tantas vezes havia imaginado, mas o que toquei me deixou sem ar.
Eu já levava metade da vida com a mesma mulher quando aquela desconhecida de estampa de leopardo sentou ao meu lado e me olhou como ninguém me olhava havia anos.