A desconhecida do bar despertou o que eu calava
Passei anos imaginando isso em silêncio, sem contar a ninguém. Naquela noite, no bar de um hotel estranho, uma desconhecida decidiu por mim.
Passei anos imaginando isso em silêncio, sem contar a ninguém. Naquela noite, no bar de um hotel estranho, uma desconhecida decidiu por mim.
Sentei entre um homem mais velho e um rapaz que era de comer. Então o trem freou de repente, as luzes se apagaram e uma mão procurou a minha.
Ninguém acreditou que a besta existia. Por isso ele voltou ao monte para procurá-la, mesmo que isso significasse se perder para sempre na neve e nas garras dela.
Passei horas buscando uma faísca em olhares alheios e não encontrei nada. Até decidir cruzar o salão e colocar o jogo inteiro em suas mãos.
Quando entrei no café e o reconheci, soube que aquela sessão de fotos não ficaria apenas nas fotos. O olhar dele já havia me despido antes que eu dissesse uma palavra.
Cheguei quarenta minutos adiantada, desliguei o motor no estacionamento subterrâneo e então o cheiro daquela madrugada voltou a mim como uma corrente.
Ninguém sabe o que eu faço no escuro, com a porta fechada e a gaveta de baixo aberta. Nessa noite, decidi, pela primeira vez, deixar uma prova de tudo.
Demorou quarenta e oito horas para chegar. Quarenta e oito horas em que cada roçar do tecido na minha pele me lembrava do que vinha a caminho.
Nadia levava anos sozinha, treinando para não pensar. O sobrinho era o único que a via como mulher, e naquela tarde de ressaca os dois pararam de fingir.
Vi a silhueta dele recortada contra a luz da geladeira, descalça sobre o piso frio, e soube que aquela noite eu não tinha descido por um copo de leite.
Ela senta duas cadeiras à minha esquerda e, enquanto a família conversa, minha cabeça já a coloca de pernas abertas sobre minhas coxas. Ninguém sabe. Nem ela. Ainda.
São onze da noite, eu volto a estar sozinha e tua última mensagem ainda brilha na tela. Apago a luz, e então minha mente — e minhas mãos — decidem por mim.
Aquela mancha morna no meu vestido mudou tudo: pela primeira vez entendi o que era desejar e ser desejada, e não quis mais voltar atrás.
Ele me mandou a foto enquanto meu marido dirigia ao lado. Eu não respondi, mas aquela imagem não saiu da minha cabeça o dia inteiro.
Na primeira tarde em que fui ajudá-lo, achei que faria apenas os exercícios dele. Não imaginei que acabaria descobrindo com ele tudo o que me negavam em casa.
Ele achou que era só uma vizinha curiosa, até ela completar 18 anos e dizer, sem rodeios, que queria ser desvirginada por ele.
Comecei o diário porque nada acontecia na minha vida e o fechei porque tudo começou a acontecer. Entre plantões assinados e um garoto que sabia esperar, deixei de ser a mesma.
Quando atravessei o corredor, ouvi ranger sob meus pés cada um dos meus tabus. Cheguei à porta dele sem roupa, só com o cabelo sobre os ombros.
Entrei no quarto dele e o encontrei com os olhos marejados. Ele ia cancelar a visita da namorada por medo da primeira vez. Não pude deixá-lo assim.
Quando voltei do banheiro, meus dois irmãos a tinham encurralada no centro da sala, e no olhar dela não havia surpresa: havia um sorriso que esperava aquele momento havia meses.