O favor que o melhor amigo do filho cobrou dela
Quando ele agarrou o ombro do sujeito que a assediava, Mariela sentiu algo proibido: a certeza de que aquele rapaz podia fazer com ela o que quisesse.
Quando ele agarrou o ombro do sujeito que a assediava, Mariela sentiu algo proibido: a certeza de que aquele rapaz podia fazer com ela o que quisesse.
Quatro mãos a ergueram sobre a areia enquanto o círculo inteiro prendia a respiração, esperando ver até onde ela ousaria ir naquela tarde.
Ajoelhei-me diante da janela sem imaginar que um deles já tinha contornado a casa e me observava em silêncio pela porta dos fundos.
Ele me deixou sentada no sofá com uma venda e as mãos suando. Quando uma mão subiu pela minha perna e a música começou, eu soube que não esqueceria aquela noite.
Ela me mandou tirar a roupa na sala e começar a varrer. Naquela tarde eu era só o brinquedo dela, e cada palmada na bunda me lembrava quem mandava.
Saí de casa com um suéter que deixava tudo transparente e sem nada por baixo. Meu namorado caminhava atrás de mim, olhando, enquanto os olhos dos outros percorriam meu corpo inteiro.
Se pedíssemos cerveja, iríamos embora. Se pedíssemos vinho, ficaríamos. Nunca imaginei até onde nos levaria a taça que ela escolheu sem hesitar.
Aos sessenta e quatro eu achava que essa parte de mim estava apagada para sempre. Bastou uma ligação e uma cenoura para provar o quanto eu estava enganada.
Pedi a um amigo que me acompanhasse para realizar uma fantasia que alimentava havia anos: deixar desconhecidos me olharem. Eu não esperava gostar tanto.
Passei o dia inteiro com a calcinha úmida só de pensar no que me esperava em casa. A caixa continuava fechada sobre a cama, e eu já não aguentava mais.
Achei que ela não viria. Mas a campainha tocou, olhei pela janela e lá estava ela, com o rosto inocente que tirava meu sono havia anos.
Fechei os olhos sob a água quente sem imaginar que, naquela tarde, sozinha no banheiro, descobriria algo sobre mim que não conseguiria mais deixar de buscar.
Quando entrei na sala e vi 198 pessoas nuas esperando meu sinal, entendi que havia cruzado um limite ao qual não queria voltar.
Três meses trocando mensagens. Um passo só para cruzar a porta dele. O que veio depois não foi o prometido: foi tudo o que meu corpo pedia em silêncio havia meses.
Fazia três anos que eu lia cada palavra dele sem dar like, sem comentar, sem me atrever a nada. Até a madrugada em que tudo mudou quando a mensagem dele apareceu.
Olhei-me no espelho e o rosto que vi não era o meu. Era o dela. E, dentro daquele corpo alheio, algo começou a despertar que não deveria ter despertado.
Sei que estou sonhando, mas o calor das mãos dele na minha pele é real demais para ignorar. E eu não quero acordar ainda.
Nunca lhe dei like. Nunca escrevi para ele. Mas os relatos dele me perseguiam até a cama, e uma noite percebi que já não podia ignorar o que sentia.
Levantei no meio da madrugada com o corpo em chamas e saí para o parque de camisola, sem nada por baixo. Cada brisa era uma carícia. Cada poste, uma testemunha silenciosa.