A mulher que me ensinou a viver sob seus saltos
Durante anos persegui uma ideia que eu não sabia como nomear. Não procurava qualquer mulher. Procurava uma que gostasse de mandar, que fizesse isso com naturalidade, tanto em uma mesa de bar com amigos quanto no escuro do seu quarto. Uma mulher que gostasse de ter um homem aos seus pés e que não precisasse se desculpar por isso.
As pessoas que me conheciam teriam jurado o contrário. No trabalho, eu dava ordens, assinava decisões, conduzia reuniões em que ninguém me contestava. Talvez por isso, quando eu fechava a porta da minha casa, a única coisa que eu desejava era parar de decidir. Entregar o controle a alguém que soubesse usá-lo melhor do que eu.
Encontrei-a numa noite de outubro, quase por acidente, na inauguração de uma galeria a que fui só porque um cliente tinha insistido.
***
Renata estava de pé ao lado de uma fotografia enorme, taça na mão, cercada por três homens que a ouviam como alunos. Não era a mais chamativa da sala. Era a mais segura. Falava devagar, deixava silêncios longos, e quando alguém tentava interrompê-la, levantava só dois dedos e o outro se calava. Usava um vestido preto até o joelho e um salto alto, de tiras finas, que a obrigava a se mover com uma lentidão deliberada.
Não sei quanto tempo fiquei olhando para ela. O suficiente para que ela percebesse. Seus olhos cruzaram a sala e se cravaram nos meus sem pressa, como quem reconhece algo que já esperava encontrar.
Me aproximei porque me pareceu que seria pior não fazer isso.
— Você está me observando faz um tempo — disse, sem cumprimentar —. Gosta do que vê ou está só juntando coragem?
— As duas coisas — admiti.
Ela sorriu de leve, como se aquela resposta tivesse passado num teste.
— Isso me agrada. A maioria mente na primeira frase.
Conversamos por quase uma hora. Ou melhor, ela perguntava e eu respondia. Tinha a habilidade de fazer com que cada coisa que eu dizia parecesse uma pequena confissão. Em algum momento, sem que eu me lembrasse de ter mencionado, ela soube que eu tinha dificuldade de soltar o controle, que no fundo eu o detestava, que pagaria para deixar de carregá-lo nem que fosse por uma noite.
— Sabe o que eu acho? — disse, deixando a taça vazia numa bandeja que passava —. Acho que você passou a vida inteira procurando alguém que te desse permissão para obedecer. Alguém que te use, que te esvazie, que te ponha de joelhos e te faça chupar até você esquecer o seu próprio nome.
Senti a rola endurecer dentro da calça com uma violência que eu não esperava. Ela percebeu. Baixou os olhos por um segundo, sorriu de leve e voltou a encará-los.
— Tenho um táxi em dez minutos — acrescentou —. Você pode vir comigo e descobrir, ou ficar aqui e continuar imaginando isso pelos próximos dez anos.
***
O apartamento dela ficava num andar alto, com janelas imensas dando para a cidade acesa. Tudo era organizado, frio, elegante. Nada estava fora do lugar, e eu entendi na hora que eu também não estaria: que naquela casa havia um lugar para mim e que ela decidiria qual seria.
— Tire os sapatos — disse, enquanto largava a bolsa sobre uma mesa —. Na minha casa o chão é meu. Você ainda não merece pisar nele.
Fiz isso sem pensar. E, ao fazer, senti um alívio absurdo, como se estivesse me tirando muito mais do que o calçado.
Ela se sentou numa poltrona ampla, de couro escuro, e cruzou as pernas. Os saltos continuavam calçados. Olhou-me de cima a baixo, com a calma de quem avalia uma compra.
— Se aproxime. Devagar. E se ajoelhe.
O chão estava frio sob os meus joelhos. Ela estendeu uma perna e apoiou a ponta do salto no meu peito, sem pressão, apenas marcando uma distância.
— É isso que você queria, não é? — perguntou —. Que uma mulher te coloque no seu lugar e não peça desculpas por isso.
— Sim — eu disse, e a voz saiu mais rouca do que eu esperava.
— Então você vai começar pelo mais simples. Vai tirar meus sapatos. Um de cada vez. E vai deixá-los como se fossem de cristal.
Peguei o pé direito dela entre as mãos. A tira do salto cedeu devagar. Quando deslizei o sapato, ela suspirou, não de prazer, mas do cansaço de uma noite inteira em pé, e aquele suspiro me afetou mais do que qualquer gemido fingido.
— Estou com isso há horas — murmurou, jogando a cabeça para trás —. E você, que dizia estar me procurando, vai me provar para que serve.
***
Comecei pelo peito do pé, pressionando com os polegares a linha tensa deixada pelas tiras. Ela ia me guiando com monossílabos: aí, mais forte, mais devagar. Não havia nada de romântico em suas ordens, e justamente por isso eu me entreguei por inteiro. Ela não me pedia para fingir. Me pedia para servir.
— Você tem boas mãos — concedeu, depois de um tempo —. É o mínimo. Agora a sola. E não se contente em tocar.
Desci os polegares até o calcanhar e subi devagar por toda a sola, procurando os pontos em que a tensão se acumulava. Toda vez que encontrava um deles, ela soltava um som curto, quase de incômodo, como se a irritasse reconhecer que aquilo a aliviava.
— Aprende rápido — disse, abrindo um olho para me olhar —. Isso é perigoso. Quem aprende rápido acha que manda. Você não vai cometer esse erro, vai?
— Não — respondi.
— Repita olhando para mim.
Ergui a cabeça e repeti. Ela sustentou meu olhar por alguns segundos, me medindo, e então tornou a fechar os olhos, satisfeita.
Baixei a cabeça. Beijei o arco do pé dela, primeiro com cuidado, depois com uma devoção que eu não me lembrava de ter sentido por ninguém. Ela me observava de cima, uma mão sustentando a bochecha, avaliando cada gesto.
— Olhe para mim enquanto faz isso — ordenou —. Quero ver o seu rosto. Quero saber se isso é teatro ou se você realmente precisa.
Levantei os olhos sem parar de beijar. Passei a língua entre os dedos, um por um, chupando-os como se fossem outra coisa, e ela soltou uma risada baixa ao notar a umidade.
— Assim — murmurou —. Chupe bem. Aprenda a fazer isso com os dedos e depois veremos se você merece algo mais grosso na boca.
A rola pulsava dentro da calça, apertada, molhando o tecido na ponta. Ela me olhava lamber sem parar de sorrir, com a satisfação fria de quem vê funcionar uma máquina que acabou de ligar.
— Isso — disse em voz baixa —. Muito bem.
Aquela palavra, dita daquele jeito, valia mais do que qualquer elogio que me tivessem feito em anos.
***
Ela me fez continuar até decidir que havia terminado, e não antes. Quando enfim retirou o pé, apoiou-o por um instante no meu rosto, sem peso, marcando de novo o lugar que eu ocupava.
— Sabe o que eu mais gosto nisso? — disse, levantando-se —. Não é o pé. É a cabeça. É ver um homem que dá ordens o dia todo ficar em silêncio assim que encontra alguém que sabe dá-las melhor.
Ela caminhou descalça até o quarto. Não me convidou: deixou a porta aberta, que era a maneira dela de fazer isso.
— Venha — disse de dentro —. E traga os sapatos. Você vai deixá-los ao lado da cama, onde eu possa vê-los.
Eu a segui com os saltos na mão, como um objeto que ela me tivesse confiado. O quarto era amplo, em penumbra, com uma cama enorme e lençóis de um cinza perolado. Renata se sentou na beirada e me apontou o chão, aos seus pés.
— Ali. Esse é o seu lugar esta noite. Você não sobe até eu mandar.
Obedeci. Sentei-me no tapete, as costas apoiadas na madeira da cama, e ela apoiou de novo os pés sobre minhas coxas, desta vez sem saltos, a pele nua e morna.
— Continue — disse, fechando os olhos —. Devagar. Temos a noite inteira e eu não vou desperdiçá-la.
***
Massageei seus pés por um tempo que me pareceu ao mesmo tempo eterno e curto demais. Subi pelos tornozelos, pelas panturrilhas, e cada centímetro que eu ganhava era um que ela me concedia com um gesto mínimo de aprovação. Quando tentei subir mais sem permissão, ela fechou as pernas de supetão.
— Isso eu decido — disse, sem abrir os olhos —. O seu papel é esperar. Você acha que merece mais?
— Não — respondi, e era verdade.
— Boa resposta.
Ela abriu as pernas de novo, desta vez por completo, e o vestido preto subiu até o quadril. Não usava nada por baixo. A boceta, depilada e já brilhante, ficou na altura do meu rosto, tão perto que senti o cheiro de mulher excitada me atingir como mais uma ordem.
— Veja o que tem aí — disse, com uma calma quase didática —. É isso que você vai merecer, pedacinho por pedacinho. E a única forma de merecer é com a língua. Nada de mãos até eu mandar. Nada de rola até eu decidir se você merece enfiá-la.
Assenti. Aproximei-me devagar. Ela segurou minha nuca com uma mão, sem força mas sem dúvida, e me guiou nos primeiros centímetros, como quem ensina um cachorro a beber no lugar certo.
— Mostre a língua — ordenou —. Toda. Quero ver. Comece pelos lábios, sem tocar no clitóris. Ainda não.
Coloquei a língua para fora e a passei pelos seus grandes lábios, de cima a baixo, muito devagar. Ela sibou entre os dentes e abriu um pouco mais as pernas.
— Assim, seu porco. Me chupa devagar. A noite inteira, se for preciso.
A palavra me atravessou como uma descarga. A rola pulsava tão forte que doía, presa dentro da calça, marcando uma mancha escura no tecido. Ela percebeu e sorriu olhando para baixo.
— E nem pense em se tocar — acrescentou —. Essa rola não é sua esta noite. É minha. E sou eu quem vai decidir o que fazer com ela.
Continuei lambendo. Percorri seus lábios um por um, abri-os com a ponta da língua, entrei devagar para buscar o gosto mais fundo. Ela estava encharcada, e toda vez que eu roçava a entrada da sua boceta, um fio espesso caía no meu queixo. Ela contraía os dedos dos pés contra as minhas costelas, apertando, soltando, marcando o ritmo melhor do que qualquer voz.
— Agora sim — murmurou depois de um tempo —. Agora o clitóris. Com a ponta. Devagar, filho da puta. Como se sua vida dependesse disso.
Obedeci. Encontrei o pequeno botão inchado, brilhante, e o rocei com a língua. Ela gemeu pela primeira vez naquela noite, um gemido curto, irritado, como se a incomodasse reconhecer que precisava daquilo. Agarrou meu cabelo com as duas mãos e me puxou para ela.
— Mais. Mais. Não pare.
Chupei, lambi, girei a língua ao redor, a esmaguei contra o clitóris com o rosto inteiro entre suas coxas. Ela começou a se mover sobre a minha boca, cavalgando-me devagar, fodendo meu rosto com uma tranquilidade que só ela podia ter naquele momento. Os saltos já não estavam, mas os pés dela apertavam minhas costelas como se cravasse os calcanhares num cavalo.
— Um dedo — ofegou —. Só um. E bem devagar.
Enfiei o dedo médio na sua boceta, até o fundo. Estava quente, apertada, escorrendo. Ela arqueou as costas e puxou meu cabelo com tanta força que meus olhos se encheram de lágrimas.
— Outro — ordenou —. E mexa-os. Me procure por dentro. Lá em cima. Ali. ALI.
Quando encontrei o ponto, ela parou de dar ordens e começou a soltar palavras soltas, roucas, quase ininteligíveis. Apertou minha cabeça contra a sua boceta até eu ficar sem ar, e assim, me afogando nela, senti o primeiro tremor. Ela gozou com um grito baixo, longo, mordendo o próprio punho. Os músculos internos apertaram meus dedos com uma força que eu não esperava. Um jato morno encharcou meu queixo e meu pescoço.
— Não pare — disse, ainda tremendo —. Eu ainda não terminei com você.
Continuei chupando enquanto ela gozava, engolindo tudo o que ela soltava, até que me afastou com um puxão de cabelo, ofegante, com uma risada rouca.
— Agora você pode subir — disse depois, recuperando o fôlego —. Mas lembre onde começou. E onde vai voltar.
***
Ela me colocou na cama puxando pela gola da camisa. Foi ela quem me despiu, botão por botão, sem me deixar colaborar. Quando enfim libertou a rola da calça, olhou para ela como quem inspeciona uma ferramenta.
— Não está mal — concedeu, fechando a mão ao redor. Apertou uma vez, avaliou a grossura, deslizou o polegar pela ponta úmida de líquido pré-ejaculatório e sorriu ao ver o gemido que me escapou —. Serve.
Ela me empurrou de costas contra o colchão. Montou-me de frente, ainda com o vestido preto vestido, levantado até a cintura, e agarrou a rola com uma mão. Esfregou-a devagar contra sua boceta encharcada, molhando toda a ponta, sem me deixar entrar.
— Olhe para mim — ordenou —. Você vai me olhar enquanto eu uso você. E não vai gozar até eu mandar. Se gozar antes, não volta mais a esta casa. Entendeu?
— Sim — ofeguei.
Ela se deixou cair devagar. Senti a boceta se abrindo ao redor da rola, apertando-me, me engolindo centímetro por centímetro até se sentar por completo. Estava quente, apertada, molhada. Ficou imóvel por um segundo, mordendo o lábio, me encarando com aqueles olhos que já não avaliavam: exigiam.
— Fique quieto — sussurrou —. Não mexa o quadril. A foda quem marca sou eu.
Ela começou a se mover. Lenta demais no começo, subindo só um pouco para depois descer de novo, afundando toda a rola até o fundo. Os seios, ainda vestidos, subiam e desciam com ela. Cravou as unhas no meu peito, arrastou-as para baixo deixando quatro linhas vermelhas, e acelerou o ritmo.
— É isso que você procurava, não é? — ofegava entre um movimento e outro —. Uma mulher que te foda. Que use sua rola como bem entender. Que não peça permissão.
— Sim — gemi —. Sim, senhora.
— Senhora — repetiu, sorrindo —. Gosto de como isso sai da sua boca.
Ela se inclinou para a frente, apoiou as mãos no meu pescoço e começou a apertar enquanto continuava cavalgando. Não forte. O bastante para me lembrar quem decidia. Eu sentia o barulho do meu próprio pulso enchendo os ouvidos, e mesmo assim a rola ficava ainda mais dura dentro dela, mais grossa, como se a falta de ar a alimentasse.
— Aguente — sibilou —. Não goze. Ainda não.
Ela me montou assim por um tempo comprido, apertando meu pescoço em intervalos, afrouxando quando notava que eu estava chegando perto, me deixando respirar só para começar de novo. Toda vez que eu estava prestes a gozar, ela parava de repente, ficava imóvel com a rola dentro até o fundo, e me olhava com um sorriso lento.
— Ia gozar sem permissão? — perguntava, movendo apenas o quadril em círculos —. Muito mal. Muito mal.
Quando enfim decidiu que já tinha esperado bastante, se levantou, virou-se e se pôs de quatro sobre a cama, me olhando por cima do ombro. Ergueu o vestido até as costas. O cu, branco e redondo, ficou exposto, com a boceta encharcada brilhando entre as coxas.
— Agora você — disse —. Mete até o fundo. Forte. Como a sua chefe filha da puta pede quando chega em casa. Mas não goze até eu gritar.
Ajoelhei-me atrás dela. Agarrei-lhe os quadris e afundei a rola de uma vez. Ela gemeu alto, sem se conter pela primeira vez naquela noite, e arqueou as costas para me receber melhor. Comecei a fodê-la com toda a força, com as mãos cravadas na carne do cu, vendo a rola entrar e sair coberta pelo suco espesso da boceta dela.
— Assim — ela ofegava contra o travesseiro —. Assim, seu porco. Foda-me. Foda-me como se sua vida dependesse disso. Mais forte. MAIS FORTE.
O som dos meus quadris contra o cu dela enchia o quarto. Sentia os ovos apertados, prestes a explodir, pulsando entre as coxas. Dei uma palmada na bunda dela. Ela soltou um gemido de surpresa e me olhou por cima do ombro, os olhos brilhando.
— Eu mandei você fazer isso?
— Não, senhora.
— Então faça de novo. E de novo. Até eu mandar.
Bati na bunda dela enquanto continuava a fodê-la. A pele ficou vermelha sob minhas mãos, e cada tapa fazia a boceta apertar mais a rola. Enfiei um polegar molhado do próprio suco dela no buraco do cu, bem devagar, buscando permissão sem pedir com palavras. Ela soltou um longo suspiro.
— Porco — murmurou —. Continue enfiando. Mas só o polegar. O resto você vai ter que merecer noutra noite.
Fodi a boceta com a rola e o cu com o polegar ao mesmo tempo, e ela começou a tremer debaixo de mim. Os braços falharam, ela caiu de bruços sobre o travesseiro e continuou empurrando o cu para trás para me receber.
— Agora — ofegou —. Agora, filho da puta. Goze dentro. Me encha. ME ENCHA.
A ordem me atravessou como um chicote. Soltei tudo o que vinha segurando havia horas, jato atrás de jato, afundado até o fundo, sentindo a boceta dela se fechar em espasmos ao redor da rola enquanto ela gozava ao mesmo tempo, mordendo o travesseiro, com um grito abafado que me arrepiou a pele. Fiquei imóvel dentro dela, puxando ar, sentindo o sêmen escorrer pela junção dos nossos corpos.
Ela demorou a me deixar sair. Quando enfim o fez, a rola saiu acompanhada de um fio espesso e branco que caiu pela coxa dela. Ela me olhou por cima do ombro, exausta e triunfante ao mesmo tempo.
— Me limpe — ordenou —. Com a língua. Tudo o que você acabou de me meter.
Baixei a cabeça sem pensar. Lambi a coxa dela primeiro, depois a boceta, engolindo meu próprio sêmen misturado ao suco dela, enquanto ela me segurava pela nuca com uma mão, me guiando.
— Bom garoto — murmurou —. Muito bom garoto.
***
O que aconteceu depois foi diferente de tudo o que eu tinha vivido. Ela continuava marcando o ritmo, decidindo cada coisa, mas já não como um jogo de teste: como um hábito que os dois aceitávamos. Fez-me dormir aos pés da cama nas primeiras horas, com uma mão dela pendendo pela borda para que eu a beijasse se acordasse. Mais tarde, quando decidiu que eu já tinha cumprido, me levou para o lado dela e me abraçou como quem abraça algo que lhe pertence.
Ao amanhecer, enquanto a luz cinza entrava pelas janelas imensas, ela me olhou do travesseiro com um meio sorriso.
— Você estava me procurando há muito tempo — disse —. Dá para perceber.
— Comecei a achar que você não existia — admiti.
— Eu existo. O problema é que quase ninguém aguenta de verdade o que diz que procura. — Esticou um pé e o apoiou no meu peito, como tinha feito horas antes —. Você aguentou. Vamos ver por quanto tempo.
Não foi uma promessa de amor. Foi algo melhor: um convite para voltar, com as condições dela à frente. E eu, que tinha passado anos me perguntando onde estava a mulher capaz de me pôr aos seus pés sem pedir desculpas, soube que finalmente tinha parado de procurar.
Encontrei-a. E, a partir daquela noite, o meu lugar deixou de ser uma fantasia para se tornar um lugar concreto: o chão, aos pés dela, esperando a próxima ordem.





