O uniforme que me transformou no que ele queria
O relógio da cozinha marcava quase meia-noite quando terminei de recolher a última xícara. Diego tinha saído para a sacada para tomar ar, aquele gesto dele de quando precisava pensar, e minha irmã Lorena continuava no banheiro. A água do chuveiro já tinha parado de correr havia muito tempo, mas ela não saía. O apartamento estava mergulhado num silêncio denso, como se o próprio ar prendesse a respiração, esperando que alguém quebrasse a tensão que vinha se acumulando desde o café da manhã.
Sentei no sofá com o celular na mão. A tela continuava apagada, mas eu sabia exatamente que mensagem me aguardava ali. Eu a tinha lido três vezes, e a cada vez o nó no estômago apertava um pouco mais.
Oi, vadia. Ontem à noite te dei uma ordem clara: uma prova de lealdade. Não recebi nada. Sei que você esteve ocupada com seu namorado e sua irmãzinha. Mas o tempo está correndo. Quero ver o que você fez. Não me faça esperar. Me envie antes do fim da manhã, ou vou ter que te lembrar quem decide aqui.
Esteban cobrava aquilo com uma calma que me deixava à beira do descontrole. Eu não sabia o que fazer. Uma parte de mim queria apagar tudo: o arquivo, as mensagens, a própria memória daquela noite. Voltar à rotina conhecida, fingir que nada havia acontecido. Mas outra parte — a que se contraía só de reler as palavras dele — ansiava por ceder. Queria provar a ele que, embora imperfeita e vacilante, eu tinha tentado obedecer. Queria voltar a sentir aquela entrega absoluta que me apavorava e me atraía com uma força que eu já não podia ignorar.
Diego voltou da sacada. Sentou-se ao meu lado e passou um braço pelos meus ombros.
— Você está bem? — perguntou em voz baixa —. Está muito calada.
Balancei a cabeça sem olhá-lo.
— Sim. Só pensando no novo trabalho. Hoje eu começo no bar.
Ele franziu a testa.
— Hoje? Pensei que fosse semana que vem.
— Hoje — respondi, embora já não estivesse segura de nada —. Só vou assinar o contrato e ver como funciona.
— Quer que eu vá com você?
— Não precisa — disse rápido demais —. Não é nada importante.
Mentira. Tudo era importante. Mas eu não podia dizer por quê.
Lorena apareceu então na sala, já vestida: jeans justos, regata branca colada na pele úmida, sem sutiã. Jogou-se no sofá da frente e cruzou as pernas.
— Já vai pro trampo novo, maninha? — sorriu —. Tomara que te tratem bem. Ou que te tratem como você merece.
Diego soltou uma risadinha curta, achando que era brincadeira. Eu não ri. Me levantei.
— Vou me arrumar.
***
Entrei no quarto e fechei a porta. Apoiei-me na madeira e respirei fundo. A mulher que me devolvia o olhar no espelho do guarda-roupa tinha os olhos brilhantes, as bochechas coradas, os lábios entreabertos. Parecia assustada. Parecia perdida. Parecia, acima de tudo, excitada.
Peguei um vestido preto, simples, com decote discreto, mas justo. Vesti sem sutiã, exatamente como ele tinha mandado da primeira vez. O tecido fino grudou na minha pele e roçou meus mamilos, que endureceram na mesma hora. Senti um arrepio descer pela coluna, um calor familiar entre as pernas que me fez apertar as coxas. O atrito do tecido contra minha pele nua me lembrava a cada segundo a ordem de Esteban, e isso me provocava uma umidade crescente, um pulsar baixo no ventre que eu mal conseguia ignorar.
Pensei em Lorena. No que ela tinha feito durante o café da manhã: se esticar para que a camiseta deixasse aparecer mais do que devia, se inclinar na direção de Diego roçando o peito nele de forma “acidental”, lamber o dedo manchado de geleia com os olhos cravados nele. Aquilo me irritava. Me excitava. Eu tinha inveja da ousadia dela, de como brincava com o fogo sem nunca se queimar. “O que ela quer?”, pensei. “Provocá-lo? Me provocar?”. Lembrei da piscadela no corredor, do sorriso ao dizer que era divertido vê-lo ficar nervoso. Como se soubesse de algo que eu ainda não sabia. Como se estivesse me empurrando para um limite que eu não queria cruzar e que, ainda assim, me atraía de forma irresistível. Meus mamilos endureceram ainda mais só de pensar. Era minha irmã. E mesmo assim, naquela manhã, eu tinha sentido o calor subir pelo corpo enquanto fingia que nada estava acontecendo.
Lorena foi embora pouco depois, dizendo que passaria na casa dos nossos pais e depois veria umas amigas. Despediu-se de Diego com um beijo rápido e de mim com outro mais longo do que o necessário, me percorrendo de cima a baixo com o olhar antes de sair. A porta bateu no corredor e o apartamento ficou em outro tipo de silêncio: não mais opressivo, mas expectante, como se finalmente pudéssemos respirar sem testemunhas.
***
Fui de novo para o quarto e me sentei na beirada da cama. Peguei o celular e abri a pasta privada. Lá estava: o vídeo da noite anterior. A gravação que eu tinha feito quase sem pensar, primeiro enquadrando Diego entre minhas pernas, depois a penetração, e por fim o instante em que desviei a câmera para a porta entreaberta e capturei Lorena nos espiando em silêncio, com a mão dentro da calça. A imagem era nítida. Minha voz dando ordens. O gemido de rendição dele. O momento em que terminamos quase ao mesmo tempo. Tudo estava ali, imortalizado.
O pulso entre minhas pernas acelerou até virar uma batida quase dolorosa. A ideia de mandar aquilo para Esteban me apavorava e me excitava na mesma medida. A última mensagem dele continuava sem resposta. O prazo tinha vencido havia mais de uma hora, mas ele não tinha voltado a escrever. Não precisava. Seu silêncio era mais eloquente que qualquer insistência.
Fechei os olhos. Respirei fundo. Toquei em anexar, selecionei o vídeo e enviei.
“Enviado”. E, com essa palavra, senti que uma parte de mim se partia de forma irreversível.
Fiquei olhando para a tela como se esperasse que ela explodisse. Nada aconteceu. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação. Só o silêncio.
— Mari? — chamou Diego da sala —. Você está bem?
Saí. Ele estava no sofá com uma xícara de café, me olhando com preocupação genuína.
— Vem. Senta aqui um pouco.
Sentei ao seu lado. O vestido subiu e deixou à mostra mais coxa do que eu pretendia. Não puxei para baixo.
— Sobre ontem à noite — comecei, com a voz mais rouca do que eu esperava —. Quero falar com você. O que você sentiu quando eu te amei? Quando eu mandei você aguentar?
Ele baixou o olhar por um instante e depois o ergueu. Seus olhos eram sinceros, vulneráveis.
— Senti libertação. Nunca tinha conseguido me entregar desse jeito com você. Quando você me mandou não gozar, foi como se eu finalmente pudesse ser eu mesmo sem medo. Me excitou pra caralho. Mais do que eu esperava.
Engoli em seco. O calor entre minhas pernas se intensificou.
— E antes? — perguntei —. Teve alguém que te fez sentir isso?
Ele hesitou. Depois assentiu.
— Uma vez. Eu tinha vinte e quatro anos. Um homem mais velho, conhecido da família, devia estar na casa dos cinquenta. Me convidou para a casa dele uma tarde. Disse que eu precisava aprender a obedecer. Me humilhou verbalmente, com calma, sem pressa. Disse que dava para ver que eu tinha nascido para aquilo. Quando terminou, disse para eu voltar quando quisesse mais. Nunca voltei. Mas nunca esqueci como me senti: usado, pequeno, excitado até doer. Foi a primeira vez que entendi que eu gostava de ser humilhado.
A voz dele tremia no final. Eu o ouvia em silêncio, com o coração na garganta e a boceta pulsando.
— E também — continuou, baixando ainda mais a voz — me excita a ideia de te ver com outro. De me dizerem que eu não sou suficiente. Me envergonha admitir, mas é assim.
O silêncio que se seguiu era elétrico. Meus mamilos estavam tão duros que doíam.
— E você? — perguntou ele —. O que sentiu ontem me mandando?
— Me senti fora do lugar — confessei —. Tentei ser dominante, mas não saiu natural. Me excitou ver você obedecer, sim. Mas percebi que eu não sou a que manda. Sou a que obedece.
Ele assentiu devagar.
— Então, o que a gente faz?
Não respondi. O celular vibrou no bolso. Tirei sem pensar. Uma nova mensagem de Esteban: Boa garota. Agora vá ao bar.
O pulso entre minhas pernas virou uma batida funda.
— Tenho que ir — disse com a voz rouca.
— Vai — respondeu ele.
Saí de casa sem olhar para trás. Sabia que, ao atravessar a porta do bar, tudo mudaria.
***
O trajeto de carro aconteceu num estado de alerta difuso. Cada freada esticava o tecido contra minha pele e a umidade entre as coxas era constante, um lembrete pegajoso da excitação que eu não conseguia conter. Estacionei na ruazinha de sempre. Desci com as pernas trêmulas, empurrei a porta e entrei.
O local estava vazio. O cheiro de madeira velha e cerveja me envolveu. Renata estava atrás do balcão arrumando garrafas. Usava uma coleira de couro com uma argola metálica, uma camiseta preta justa e uma saia curta que mal cobria a metade das coxas. Ela me olhou e sorriu daquele jeito dela, lento e perigoso.
— Pontual — disse —. Esteban não está. Vai chegar mais tarde. Mas deixou instruções. — Me entregou uma sacola de papel preta —. Seu uniforme.
Abri. Dentro havia uma coleira idêntica à dela: couro preto, fecho metálico, uma argola prateada no centro. Embaixo, uma saia plissada tão curta que não cobriria nem metade das minhas nádegas se eu me curvasse. E uma regata branca, fina, quase transparente.
— Não — disse, fechando a sacola —. Ninguém me falou de uniforme.
Renata se apoiou no balcão e cruzou os braços sob o peito.
— Esteban gosta que a surpresa faça parte do aprendizado. Mas ele é claro quando dá uma ordem: se quer trabalhar aqui, você se veste como ele quer. E ele quer que apareça o que você é.
Fiquei em silêncio. O coração batia na garganta. A umidade entre minhas pernas se intensificou ao ouvi-la.
— Não quero que me vejam assim — murmurei.
Renata deu um passo na minha direção, baixando a voz até um sussurro.
— Vão ver mesmo assim, Marina. De vestido ou sem ele. A diferença é que, com o uniforme, você faz isso por ele. E é isso que te excita, não é? Eu noto. Você está molhada só de pensar. — Ela apontou para o vestiário —. Cinco minutos. Se não sair com o uniforme, a porta se fecha para você.
Entrei, tirei o vestido e o ar fresco me arrepiou a pele. Coloquei a coleira: o couro macio contra o pescoço, a argola metálica fria contra a clavícula. Depois a saia, que ao me mover subia sozinha. A camiseta deixava meus mamilos escuros à mostra com absoluta clareza. Olhei-me no espelho pequeno. Parecia outra mulher. E, ainda assim, minha boceta pulsava com força, encharcada, enquanto cada respiração fazia o tecido roçar meus mamilos e enviar ondas diretas ao clitóris. Eu me sentia degradada e, ao mesmo tempo, mais viva do que nunca.
Saí. Renata me passou o olhar de cima a baixo e assentiu.
— Perfeita. Agora você parece uma das nossas.
***
Os primeiros clientes entraram pouco depois. Homens de meia-idade que cumprimentaram Renata com familiaridade e me percorreram com os olhos sem disfarce. Me apresentaram como “a nova”. Senti os olhares deles como carícias físicas nos seios, nas pernas, na bunda mal coberta. Toda vez que eu me inclinava para servir, a saia subia o suficiente para mostrar a curva das minhas nádegas. Eu sabia que eles viam tudo. E, em vez de me cobrir, sentia um calor traiçoeiro se espalhar pelo ventre.
A tarde avançou devagar. Sirvi drinks, escapei de comentários pesados com respostas curtas. Minha boceta não parava de escorrer, a umidade se acumulando, escorregadia, na parte interna das coxas.
Então ele chegou. Um homem de uns sessenta e cinco anos, alto, magro, com os cabelos grisalhos perfeitamente penteados e um terno escuro impecável que contrastava com o ambiente do bar. Ele se movia com uma calma deliberada, como se o espaço se ajustasse ao seu passo. Pediu um vinho tinto e se sentou na área mais escura do local.
Renata levou a taça até ele. Conversaram em voz baixa. Vi-a me apontar com um gesto discreto. O homem ergueu os olhos e me encarou diretamente. Não sorriu. Apenas me observou com uma intensidade serena que me fez sentir nua sem precisar de palavras. Seus olhos percorreram meu corpo sem pressa, como se avaliassem algo que ele já sabia que lhe pertencia. Depois assentiu levemente para Renata.
— Eu disse que você era a nova — murmurou ela quando voltou —. Ele gostou de você. Muito.
Não respondi. Só senti o pulso entre minhas pernas se intensificar, uma batida funda que fazia meu clitóris inchar contra o nada.
Seu Ramiro ficou mais um tempo, bebendo em silêncio, me observando de vez em quando com a mesma calma imperturbável. Quando terminou, deixou uma nota generosa sobre a mesa e foi em direção à saída. Antes de cruzar a porta, virou-se para Renata e disse, em voz baixa, mas audível o suficiente:
— Cuide bem dela. Ela tem potencial.
A porta se fechou atrás dele.
***
Renata esperou o bar esvaziar um pouco e me levou até o vestiário.
— Seu Ramiro não é um cliente qualquer — disse em voz baixa —. Ele é o mentor de Esteban. Quase como um pai para ele. Foi ele que ensinou tudo o que sabe: como tratar as garotas, como fazê-las obedecer sem precisar gritar, como transformar humilhação em desejo. O que ele aprova fica.
Engoli em seco. A coleira apertava levemente meu pescoço. Entre minhas pernas, a umidade tinha virado um fluxo contínuo e quente que encharcava a parte interna das coxas.
— Esteban vai chegar logo — continuou Renata, olhando nos meus olhos —. Se prepare. Porque, se seu Ramiro te deu o aval, as coisas vão mudar para você. E muito rápido.
Não respondi. Só senti o pulso entre minhas pernas ressoando pelo corpo todo. O turno continuava, e eu já não sabia onde terminava a humilhação e onde começava o desejo.





