Aos quarenta, Marina voltou a se sentir desejada
Marina aprendeu tarde que o desejo não se apaga: muda de forma e espera.
Aos quarenta e um, ela ainda se colocava diante do espelho do quarto com uma mistura de assombro e atrevimento. Tinha novas linhas no canto dos olhos, sim, mas também uma certeza que não lembrava de ter aos trinta. Seu corpo já não era o da garota que se casou com Rubén dezoito anos atrás. E, ainda assim, quando se despia devagar sob a luz morna da lâmpada, sentia algo que antes lhe era alheio: consciência. Sabia como sua pele se movia, como seu peito subia e descia ao respirar, como os olhos lhe brilhavam quando imaginava algo que ainda não tinha acontecido. Se olhava para os seios ainda firmes, os mamilos que enrijeciam só de pensar, a buceta depilada e úmida quando se acariciava sozinha à noite enquanto Rubén dormia.
Rubén era oito anos mais velho. Sereno, prático, constante. Durante muito tempo, essa calma foi o lugar onde Marina descansava de todo o resto. O sexo entre eles funcionava. Funcionava bem, inclusive. Havia confiança, conheciam os tempos, sabiam onde e como tocar para que o prazer chegasse como uma coreografia ensaiada. Mas aí estava a armadilha: era uma coreografia. Linda, exata, previsível. Ele a penetrava sempre do mesmo jeito, sempre na mesma posição, sempre com a mesma cadência, e ela gozava sempre com o mesmo suspiro abafado.
As obrigações tinham ido ocupando os espaços vazios. O trabalho, a casa, os horários, as compras de sexta-feira, as ligações que sempre ficavam pendentes. O desejo se acomodou num canto confortável do casamento: saía quando convinha, fazia sua parte e voltava a se guardar. Marina começou a notar que algo dentro dela respirava apertado.
Ela disse isso a Rubén muitas vezes. Falou de jogos, de demorar mais, de experimentar coisas que nunca tinham experimentado. De ele lamber sua buceta até fazê-la gritar, de ele a foder por trás, de ele puxar seu cabelo, de dizer safadezas em seu ouvido enquanto a enfiava nela. Ele a ouvia, concordava, até tentava. Mas sempre voltavam ao mesmo lugar. Não era falta de carinho. Era falta de fome.
Marina entendeu que ninguém pode ser obrigado a desejar de outro jeito. Tampouco queria quebrar nada. Amava o marido. Só que, se não fizesse algo por si mesma, acabaria se traindo por dentro, que é a pior das traições porque não se vê por fora.
E assim, quase sem decidir, começou a se permitir olhar de outro jeito.
Aquela noite ela tinha saído para jantar com as amigas. Risadas, vinho, confidências que já não tinham a urgência dos vinte, mas a profundidade de quem já viveu o bastante. Elas sabiam, ao menos em parte, o que Marina estava atravessando. Não a julgavam. Observavam-na com uma mistura de cumplicidade e curiosidade, como quem reconhece o começo de alguma coisa.
Depois do jantar foram para uma casa noturna no centro, daquelas em que a música latina se mistura com luzes quentes e corpos que se movem sem muito pudor. Marina soltou o cabelo, literal e figuradamente. Dançava bem. Sempre tinha dançado. Seu corpo tinha memória de ritmo, uma memória que o casamento não conseguira apagar.
Foi na pista que o viu.
Ainda não sabia o nome dele, mas percebeu o olhar antes mesmo de fixar o rosto. Um olhar sustentado, limpo, sem atrevimento e sem timidez. Ele não desviava os olhos. Marina também não.
Trocaram sorrisos breves, quase protocolares, como se ambos soubessem que aquilo era um jogo que mal começava. Marina continuou dançando com as amigas, mas se movia consciente daquela presença às suas costas. Sentia a eletricidade de saber-se observada, uma corrente que subia pelos lados do corpo e lhe apertava os mamilos sob o vestido.
Num momento bem calculado, fez de tudo para coincidir no bar. Não foi por acaso, embora parecesse. Ele já estava ali quando ela chegou. Olharam-se de novo, desta vez de perto.
—Te ofereço alguma coisa? — perguntou ele, com uma voz grave que soava mais tranquila do que o olhar prometia.
—Depende do que você pedir — respondeu ela, divertida.
Chamava-se Adrián.
Não demorou a chamá-la para dançar. Bachata. Marina aceitou sem pensar muito. Quando ele apoiou uma mão firme em suas costas e segurou a dela com a outra, Marina sentiu aquele primeiro ajuste de distâncias que muda tudo. O corpo fala antes da boca, e o de Adrián já estava dizendo coisas.
Ele sabia conduzir. Não era brusco, mas também não hesitava. A aproximou com suavidade, respeitando um espaço que foi diminuindo sozinho. Os quadris marcaram o compasso. As respirações começaram a se procurar. Marina notou, num giro, o volume duro dele encostando em sua cintura, e sentiu uma descarga entre as pernas que quase a fez tropeçar.
Sua pele reagia ao menor roçar, ao calor contido entre os dois. Não havia nada explícito naquele baile e, ainda assim, tudo era uma promessa. A música impunha pausas, giros, aproximações que pareciam feitas para tensionar o ar que restava entre eles. Marina sentia a calcinha se molhar a cada volta, a cada aperto da mão de Adrián em sua cintura.
As amigas os observavam de longe sem se surpreender. Marina sempre dançava com desconhecidos quando saíam. Nada demais. Só que, naquela vez, não era só dança, e ela sabia disso melhor do que ninguém.
Voltaram para o bar. Beberam devagar. Conversaram com mais calma. Adrián era direto sem ser invasivo. Perguntou sobre o trabalho dela, sobre o que gostava. Marina não fingiu ser outra pessoa. Também não contou tudo. Mas deixou claro que não era uma mulher improvisada nem disposta a se improvisar.
Trocaram números.
Nessa noite não aconteceu mais nada. Marina voltou para casa com a sensação de ter aberto uma porta, não de tê-la atravessado. Às vezes isso basta para não dormir. Entrou no chuveiro com a desculpa de tirar o cheiro de fumaça do cabelo e acabou com dois dedos enterrados na buceta, mordendo o lábio para não gemer, imaginando a mão de Adrián onde estava a sua.
***
A mensagem chegou três dias depois.
Ainda estou pensando naquela bachata.
Simples. Provocadora justamente por ser curta.
Marina leu várias vezes antes de responder. Sorriu para a tela como uma menina. Respondeu algo leve, sem entregar demais. Mas dali em diante começaram a falar todos os dias. Primeiro mensagens soltas. Depois áudios. Pequenas confissões que iam ficando cada vez mais pessoais.
Falaram de desejos, de momentos constrangedores, do que alguém espera de outra pessoa quando mal a conhece. Marina foi sincera. Explicou sua situação. Sem drama, com honestidade. Disse que não buscava promessas, que não estava fugindo de nada, que só precisava se sentir viva de outro jeito, ainda que por um instante. Confessou, numa noite, em um áudio gravado quase sussurrando, que fazia anos que não gozava com um homem como gozava sozinha. Adrián respondeu que gostaria de ver isso. Que gostaria de ouvi-la gozando em cima do pau dele.
Adrián não se assustou. Isso, por si só, já lhe pareceu estranho e atraente.
Propôs saírem para almoçar.
E o que surgir, acrescentou.
Marina decidiu não deixar ao acaso. No dia do encontro, colocou numa bolsa roupas para trocar antes de sair do trabalho. Olhou-se no banheiro do escritório antes de ir embora. Trocou os sapatos, retocou a maquiagem, soltou o cabelo. Vestiu um conjunto de renda preta por baixo do vestido, fio-dental fino e sutiã que mal cobria os mamilos. Não queria se fantasiar de outra pessoa. Só queria se sentir poderosa, que não é a mesma coisa.
O almoço foi longo.
Riram. Compartilharam histórias que iam além da superfície. O flerte era constante, mas nunca vulgar. Era aquele vai-e-vem que mantém os sentidos acordados. Uma frase que roça o limite. Um olhar que se sustenta meio segundo a mais.
Cada vez que Adrián roçava a mão nela ao lhe passar o pão ou se inclinava para escutá-la melhor, Marina sentia uma leve descarga no estômago. Não era impaciência. Era expectativa, que é muito pior.
Saíram do restaurante com a tarde inteira pela frente.
—Quer dar uma volta de moto? — propôs ele.
Marina hesitou por apenas um instante. Concordou com a cabeça.
Subir atrás dele foi, por si só, um gesto íntimo. Os braços dela envolveram o torso de Adrián com uma naturalidade que a surpreendeu. O vento lhe clareava a cabeça, mas o contato a mantinha completamente presente. Sentia a firmeza do corpo dele, o calor atravessando o tecido, e a vibração do motor entre as pernas, que a deixava cada vez mais quente.
O passeio terminou perto da casa dele.
A moto parou. O silêncio que seguiu ao motor foi espesso, quase físico.
—Posso te levar de volta — disse Adrián — ou podemos subir um momento.
A decisão ficou suspensa no ar, entre os dois.
Marina o encarou com clareza. Tinha sido honesta desde o começo. Ele sabia qual era sua situação. Sabia que ela não buscava um romance nem uma mentira. Sabia que, se cruzassem aquela porta, seria pelo desejo dos dois e por mais nada. O almoço e a conversa só haviam sublinhado o óbvio: a atração era inegável.
—Vamos subir — respondeu ela, tranquila.
***
Ao entrar no apartamento de Adrián, Marina respirou fundo. Não eram nervos. Era consciência. Virou-se para ele.
—Deixa eu marcar o ritmo.
Adrián assentiu sem vacilar, e essa obediência a acendeu mais do que qualquer avanço.
Marina tirou os sapatos primeiro. Depois, bem devagar, começou a se despir de baixo para cima. Sem pressa. Cada gesto era deliberado. O tecido do vestido deslizando pelas pernas, pelos quadris, pela cintura, enquanto ela não tirava os olhos dele. Ficou de calcinha e sutiã de renda preta e se virou um pouco para que ele visse a bunda redonda, apenas coberta pelo fio.
Observava em seu rosto a reação provocada pela nudez dela. A tensão no maxilar. A forma como o peito se expandia ao respirar. O volume que se marcava no jeans, impossível de disfarçar. Marina sentiu uma onda de poder sereno. Não era exibicionismo. Era afirmação, uma forma de dizer a si mesma que ainda estava ali.
Levou as mãos às costas e desabotoou o sutiã. Deixou-o cair. Os seios ficaram à mostra, os mamilos já duros, apontando para ele. Adrián soltou um gemido baixo, quase involuntário. Marina sorriu. Prendeu os polegares na calcinha e foi baixando-a bem devagar, dobrando levemente os joelhos, até a peça cair no chão e ela sair dela com um passo.
Estava completamente nua diante dele, a buceta depilada brilhando sob a luz quente da sala. Fez uma pausa. Respirou fundo. Sentiu a própria pele arrepiada sob o olhar dele.
Se aproximou.
—Agora você — disse, com a voz um tom mais baixa do que o habitual.
Desabotoou a camisa botão por botão, deixando um beijo úmido em cada pedaço de pele que ia aparecendo. O peito, o esterno, o ventre. Ajoelhou-se diante dele para abrir o cinto. O jeans caiu. O pau de Adrián marcava-se, inchado, contra a boxer. Marina apoiou a boca ali, sobre o tecido, e respirou quente. Sentiu o pênis pulsar sob seus lábios.
Baixou a boxer com uma só mão. O pau saltou, duro, grosso, com a cabeça brilhante e uma gota transparente surgindo na ponta. Marina o envolveu com a mão, sentiu o peso, o calor, a veia que o percorria por baixo. Sem tirar os olhos dos dele, pôs a língua para fora e lambeu a ponta devagar, colhendo aquela gota. Adrián soltou um gemido grave que a fez apertar as coxas.
Ela o colocou inteiro na boca, o mais fundo que pôde, e começou a chupá-lo com uma fome acumulada de anos. A mão subia e descia na base enquanto a língua trabalhava a glande, a boca se enchia e esvaziava com um ritmo que só ela ditava. Ouvia os gemidos dele, sentia os dedos de Adrián se embaraçarem em seu cabelo, os quadris começarem a se mover sozinhos, buscando sua boca.
—Porra, Marina — murmurou ele —. Não para.
Mas ela parou. Se afastou um instante, os lábios brilhando de saliva, e sorriu de baixo para cima. Lambu os testículos, um e outro, e voltou a subir por todo o comprimento com a língua achatada. Esse contraste, a fome e a pausa, o deixava à beira cedo demais.
Marina se pôs de pé. Beijou-o na boca, longo e fundo, para que ele provasse a si mesmo em sua língua. Depois o empurrou, com uma mão no peito, em direção ao sofá.
—Deita — disse ela.
Adrián obedeceu. Marina subiu em cima. Mas, antes de deixar que ele fizesse qualquer coisa, ajoelhou-se de costas para ele, de quatro, com a bunda apontada para seu rosto e a boca de novo no pau. A posição de sessenta e nove, crua, sem enfeite. Sentiu a língua de Adrián abrir seus lábios da buceta por baixo e gemeu com o pau na boca. Ele lambia como se tivesse sede. Enfiava a língua entre os lábios dela, contornava o clitóris, subia até o anel do cu e voltava a descer. Marina se estremecia inteira. Gozou pela primeira vez ali, com a boca cheia de pau e o rosto de Adrián encharcado entre suas coxas, mordendo a glande sem querer quando o orgasmo sacudiu seus quadris.
Separou-se ofegante. Virou-se, sentou-se de frente para ele, com o pau apoiado contra o ventre.
—Me olha — pediu.
Ergueu-se um pouco. Com a mão, guiou a cabeça do pênis até a entrada da buceta e deixou-se cair devagar, muito devagar, sentindo como ele a abria centímetro por centímetro. O pau de Adrián era grosso e a preenchia de um jeito que há anos ela não sentia. Quando o teve até a base, fechou os olhos e ficou parada por um instante, respirando, deixando o corpo se acostumar.
Depois começou a cavalgar nele. No início devagar, com as mãos apoiadas em seu peito, subindo e descendo por todo o comprimento, vendo o pau sair brilhante e voltar a afundar. Adrián agarrou seus seios, apertou-os, beliscou seus mamilos. Ela gemeu alto, sem se conter.
—Isso, assim, me toca — sussurrou.
O ritmo acelerou. Marina cavalgava com os quadris, indo e voltando, esfregando o clitóris no púbis dele a cada descida. Os seios quicavam. O suor corria entre os peitos. Adrián começou a arremeter por baixo, encontrando o ritmo com o dela, e o sofá rangia a cada choque.
—Fica de quatro — pediu ele, com a voz partida.
Marina obedeceu. Saiu de cima dele e se pôs de quatro sobre o sofá, apoiada nos cotovelos, com a bunda alta e as pernas abertas. Adrián se acomodou atrás. Passou a mão pela bunda dela, pelas costas, e segurou-lhe os quadris. Penetrou-a numa só investida, até o fundo, e Marina soltou um gemido longo que lhe escapou entre os dentes.
Começou a fodê-la com força. Cada investida fazia as coxas dele baterem contra as nádegas dela, com um som úmido e seco que enchia a sala. Marina se agarrava ao braço do sofá, o rosto colado na almofada, mordendo-a para não gritar demais. Sentia o pau batendo no fundo, abrindo caminho, apertando cada ponto sensível da buceta.
—Mais forte — arquejou ela —. Não para, não para.
Adrián agarrou um punhado do cabelo dela com uma mão e com a outra apertou-lhe uma nádega. Fodia-a sem trégua, com aquela cadência que ela mesma lhe pedira com o olhar. O estalo de pele contra pele, os gemidos dos dois, o cheiro de sexo enchendo o ar. Marina sentia o orgasmo subindo de novo, mais fundo, mais denso.
Ele enfiou o polegar entre as nádegas dela, molhado pelo próprio fluxo, pressionando de leve contra o anel do cu sem chegar a entrar. Essa pressão mínima, somada às investidas, foi o que a fez explodir. Marina gozou com um grito abafado contra a almofada, a buceta se contraindo em espasmos ao redor do pau, o corpo todo tremendo.
Mas Adrián não parou. Deixou-a recuperar o fôlego por apenas alguns segundos e voltou a se mover. Pediu que ela deitasse de lado. Marina o fez, e ele levantou uma perna dela sobre o ombro, penetrando-a naquela posição de colher aberta que a expunha por completo. Ele a observava enquanto a penetrava, vendo o pau entrar e sair brilhante, vendo a buceta se abrir para recebê-lo.
—Você está tão molhada — murmurou —. Porra.
—É por sua causa — respondeu ela, mordendo o lábio —. Me fode mais.
Adrián a ergueu de novo. Sentou-a na beirada do sofá, ajoelhou-se entre suas pernas e se afundou outra vez. Nessa posição, ele a olhava nos olhos enquanto a fodía, e Marina não desviou o olhar nem uma vez. Agarrou o rosto dele com as duas mãos e o beijou, a língua buscando a dele, enquanto os quadris continuavam se chocando.
Percebia que ele já estava perto. O pau ficava ainda mais duro, os movimentos mais erráticos, a respiração mais curta.
—Goza comigo — sussurrou ela em seu ouvido —. Goza dentro, eu quero sentir.
Essa frase o desarmou. Adrián deu três, quatro investidas profundas, e explodiu dentro dela com um gemido gutural que vibrou contra seu pescoço. Marina sentiu os jatos quentes da porra enchendo sua buceta, e esse mesmo pulsar a empurrou para um segundo orgasmo que a deixou sem voz, arqueada contra ele, cravando as unhas nas costas dele.
Durante alguns segundos, não houve nada além de respirações ofegantes e o pulsar ensurdecedor nos ouvidos de Marina. O pau de Adrián ainda estava dentro, ainda duro, ainda pulsando. Ela sentiu o sêmen começar a escorrer pelas coxas quando ele se retirou apenas um pouco.
Quando ele a abraçou, o rosto enterrado em seu pescoço, Marina sentiu uma estranha calma. Não era vazio. Era expansão. Sua pele continuava sensível, cada toque posterior parecia amplificado. A buceta ainda latejava, inchada e satisfeita.
Apoiou a testa na dele e fechou os olhos.
Não era só sexo.
Era a confirmação física de que seu corpo ainda respondia, desejava, ardia.
E, acima de tudo, de que aquele corpo era seu.
Ela não sabia por quanto tempo Adrián faria parte de sua vida. Talvez pouco. Talvez o suficiente. Talvez houvesse outro encontro, ou talvez aquele fosse o único. E, pela primeira vez em muito tempo, essa incerteza não lhe deu medo: lhe deu vontade.