A desconhecida da livraria que me levou ao seu apartamento
Ela me pegou olhando para ela enquanto folheava um Cortázar. Sustentou o olhar por três segundos, sorriu de lado e eu soube que aquela tarde na livraria não terminaria entre livros.
Ela me pegou olhando para ela enquanto folheava um Cortázar. Sustentou o olhar por três segundos, sorriu de lado e eu soube que aquela tarde na livraria não terminaria entre livros.
Passar por trás do meu filho com ele colado às minhas costas, prendendo a respiração. Eu sabia que estava errado, e justamente por isso não conseguia parar.
O pedido vinha de um garoto tímido, amigo do meu sobrinho. Levei semanas para responder e um mês para admitir que queria ele na minha cama.
Passei meio ano agarrada a uma lembrança e às minhas noites sozinha. Na sexta-feira tirei a calcinha numa área de descanso e dirigi o resto do caminho tremendo.
Quando ela disse «indo», Tino entendeu que essa palavra pesava o mesmo que a dele: anos de lençóis frios. E, no meio da rua, decidiram resolver isso.
Nunca imaginei que a mulher elegante e serena que me criou escondesse, às duas da manhã, outra completamente diferente sobre o sofá da sala.
Na primeira vez em que entrei no seu apartamento, encontrei uma tanguinha pendurada no chuveiro e soube que aquele acordo de comida por água quente ia me custar bem mais que empanadas.
Me vesti com a roupa mais sem graça que tinha para não dar pistas. O que eu não calculei foi que naquele apê eu não ia encontrar só meu ex — e que eu ainda era a mesma de antes.
Três mulheres, uma casa enorme e uma piscina ao sol. Bastou um olhar entre elas para a tarde deixar de ser inocente e virar outra coisa.
Eu mesmo a incentivei a aceitar a proposta do amante. Jamais imaginei que aquela madrugada ela voltaria cercada pela lembrança de desconhecidos.
Quando abriu os olhos e a cama de Damián estava vazia, soube que a noite ainda não tinha terminado para ninguém naquela casa.
Um único olhar no supermercado bastou para que eu largasse as sacolas e fosse atrás dela pela escada rolante. Eu não sabia seu nome, mas já a desejava.
Quando ela me disse que estava menstruada há três dias, eu não afastei a mão: puxei-a ainda mais para perto, porque sua sinceridade foi o começo de tudo o que veio depois.
Nos esquentamos na aula e não aguentamos até chegar em casa. O terreno baldio atrás da faculdade foi o primeiro de muitos lugares onde não devíamos nos tocar.
Renata me chamou para pedir um favor, mas quem me deixou sem fôlego naquela tarde foi a mulher que estava terminando de limpar e me esperou junto ao elevador.
Estivemos a noite inteira nos roçando sem dizer nada e, quando vi a saída para o bosque, soube que nenhuma das duas ia aguentar até em casa.
Ela disse entre risos que adorava dormir de conchinha, colou o corpo ao meu e, no escuro daquele quarto emprestado, entendi que não era brincadeira.
Ela aceitou a sessão buscando fotos elegantes para o perfil. Não esperava que aquela câmera antiga acabasse despindo muito mais do que o corpo.
O pai dela falava no meu ouvido pelo telefone enquanto ela, em silêncio, me baixava a calcinha. Sabíamos que um único gemido podia nos denunciar, e isso tornava tudo melhor.
Quando entrei no carro dela naquela sexta-feira, eu soube que não falaríamos mais sobre meu futuro. Havia outra coisa entre nós, e as duas fingíamos há semanas que não.
Passei dez anos resignada ao sexo morno do meu casamento. Então Lorena fechou a porta do chuveiro por dentro e me beijou sem pedir permissão.
Abri o baú sem saber que dentro me esperava o segredo de outra mulher: sua lingerie, seu diário e a prova de que ela também amou quem não devia.
Ouvi-a fechar as malas do outro lado da parede e soube que ela partiria ao amanhecer. Descalça e trêmula, atravessei o corredor até a porta entreaberta do quarto dela.
Tive as mãos geladas na sala de embarque, mas não era por causa do frio: em poucas horas eu a veria de novo e não sabia se correria para abraçá-la ou me esconder.
Eu já contava as horas para o meu casamento quando a vi sair da cafeteria. Não a via há anos, mas meu corpo a reconheceu antes de mim.
A luz mal entrava pela persiana, ela ainda dormia e eu só pensava em uma coisa: me perder entre suas pernas antes que ela abrisse os olhos.
Escrevo isto sabendo que você vai ler, embora finja que não. E sabendo também a forma exata como seu corpo respondia quando achava que ninguém estava olhando.
Quando ela me confessou o favor que queria me pedir, achei que estava brincando. A melhor amiga dela estava destruída, e Lorena decidiu que eu era a cura.
Eram quase onze quando ela entrou pela porta com aquele sorriso que eu conhecia bem demais, o mesmo que fazia quando algo proibido acabava de acontecer entre as pernas dela.
Bruno me carregava no ar, cravada ao corpo dele como se eu não pesasse nada, e eu me deixava levar. O que eu não imaginei é que alguém nos observava da janela da frente, câmera na mão.
Há um ano eu só a ouvia contar quem a tocava enquanto eu apenas observava. Numa noite de Réveillon, ela me sussurrou que, desta vez, eu não ficaria de fora.
A porta estava entreaberta e, enquanto espionava minha amiga com dois desconhecidos, uma mão me virou pela cintura. Era ele. E sorriu como se os dois já soubéssemos.
Eu fantasiava com dogging havia anos, mas nunca imaginei que seria ela quem me arrastaria até o fim daquele distrito, com uma surpresa me esperando entre os arbustos.