Como descobri o que meu corpo calava
Meu nome é Rodrigo, tenho trinta e quatro anos, e conto isso porque acredito que há mais gente que passou por algo parecido, embora ninguém diga em voz alta. Escrevo como terapia, como confissão e, talvez, como convite para que outros se reconheçam em alguma destas linhas.
Eu estava casado com Elena havia vários anos quando o casamento começou a parecer um contrato de aluguel: era cumprido, mas sem entusiasmo. O trabalho, as rotinas e o cansaço cotidiano tinham ido apagando o que um dia foi uma chama viva entre nós. Lembro que no começo não conseguíamos tirar as mãos um do outro, que todo fim de semana era uma desculpa para ficarmos na cama até o meio-dia. Daquilo já não restava nada. Na cama era pior: semanas sem nos tocarmos e, quando acontecia alguma coisa, era mecânico, rápido, sem nenhuma das duas pessoas realmente presente.
Comecei a compensar da única maneira que encontrei disponível: pornografia. No começo bastava para descarregar a frustração acumulada, mas com o tempo deixou de bastar. Acostumei-me a buscar mais e mais, coisas que eu não tinha visto antes, cenas que me sacudissem de algum jeito. Não era tanto a imagem que eu procurava: era a sensação de ser desejado, de que alguém te quisesse com urgência, de sentir que o seu corpo importava. Tudo isso tinha desaparecido da minha vida real.
Num terça-feira chuvosa, decidi que algo tinha que mudar. Planejei um passeio para nós dois, sozinhos, sem desculpas: reservei um restaurante de que Elena gostava muito, comprei flores, combinei horários com semanas de antecedência e até pensei em que roupa vestir. Ela aceitou com um sorriso que me pareceu promissor. O primeiro em muito tempo que chegava aos seus olhos.
Na tarde do plano, o irmão de Elena teve uma crise e tivemos que cancelar tudo para levá-lo à emergência. São as coisas como são: o mundo não lê os seus planos. Mas naquela noite, enquanto esperávamos no hospital, notei que ela segurou minha mão sem que eu pedisse. Foi um gesto pequeno, quase despercebido, mas eu guardei.
Na sexta-feira seguinte cheguei em casa e encontrei as persianas na metade e a cama desfeita. Elena estava deitada, coisa estranha porque ela sempre chegava depois de mim. Pensei que estivesse doente. Cheguei perto para beijá-la na testa e ela virou o rosto, procurou meus lábios e me beijou com uma intensidade que eu não lembrava há meses. Não disse nada. Deitei ao seu lado.
***
O que veio depois foi mais desajeito do que paixão, pelo menos no começo. Nós dois tínhamos consciência de que fazia muito tempo que não estávamos sincronizados, e isso pesava sobre a cama como algo físico. Brincamos um pouco, rimos, nos debatemos entre os lençóis com aquela mistura de cumplicidade e ridículo que só existe entre pessoas que se conhecem bem e sabem que não vão se julgar. Num momento eu a tinha imobilizada debaixo de mim, com os pulsos cruzados sobre o travesseiro, e ela, sem perder a calma nem o sorriso, aproximou-se do meu ouvido.
—Se você me soltar, eu te dou o que você quiser —murmurou.
Me distraí o tempo suficiente para ela escapar, sentar em cima de mim e erguer os braços como se tivesse vencido um campeonato. Rimos. E então voltou o silêncio constrangedor, aquele que aparece quando os dois sabem que querem alguma coisa, mas nenhum sabe como pedir nem por onde começar.
Eu tomei a iniciativa. Abracei-a, ficamos assim por um momento, quietos, e aos poucos a tensão foi cedendo. Nos beijamos devagar, sem pressa, como se de repente houvesse tempo de sobra. As mãos começaram a se mover sozinhas. Arranquei a camiseta por cima da cabeça dela e fiquei olhando para os peitos, esses peitos que eu fazia meses que não olhava de verdade, com os mamilos já duros apontando para mim. Passei a língua em um, depois no outro, mordiscando devagar, e ela arqueou as costas e soltou um gemido baixo que deixou meu pau duro de uma vez contra o tecido da calça. Desci a calcinha dela com os dentes, devagar, e quando cheguei lá embaixo abri-lhe as pernas e fiquei olhando para a buceta que eu não via assim havia semanas, aberta, molhada, brilhante. Passei a língua de baixo para cima numa lambida longa, e ela fechou as coxas contra as minhas orelhas e sussurrou algo que eu não entendi. Eu disse para esperar, que eu queria tomar banho.
Saí da cama e a ouvi mexendo em alguma coisa na gaveta, abrindo sacolas. Não dei importância. Entrei no banho e deixei a água quente limpar a minha cabeça.
***
Quando saí do banheiro com a toalha na cintura, Elena estava de pé ao lado da cama com um conjunto de lingerie que eu nunca tinha visto: renda preta, muito simples, muito precisa, que contrastava exatamente bem com sua pele clara e seu cabelo escuro. Ela me olhou com aquela expressão de quem sabe exatamente o efeito que está causando. Não disse nada. Não precisava. Meu pau se marcou debaixo da toalha em questão de segundos, e ela notou, baixou os olhos até ali e sorriu de lado.
—Vem —disse—. Solta a toalha.
Obedeci. A toalha caiu no chão e fiquei nu, com a rola dura apontando para ela. Ela mordeu o lábio.
Deitei. Ela começou a se mover devagar ao lado da cama, me dando tempo de olhar como desfilava com aquele conjunto, como se virava para me mostrar a bunda emoldurada pela renda, como passava a mão por dentro da coxa. Depois se deitou ao meu lado e passou os dedos pelo meu peito, desceu pelo abdômen, chegou até a minha ereção e parou. Fechou a mão em volta do tronco e começou a movê-lo com suavidade, para cima e para baixo, sem pressa, apertando um pouco mais ao descer até a base, enquanto se aproximava do meu ouvido.
—Você já está duro na hora —murmurou—. Que vontade você estava, hein?
—Cala a boca —eu disse, e ela riu baixinho e apertou um pouco mais forte.
—Olha como já está escorrendo —continuou, passando o polegar pela ponta e espalhando o líquido pré-ejaculatório por toda a glande—. Dá para ver que você anda se masturbando sozinho há muito tempo, Rodri. Dá para ver muito.
As palavras dela eram simples e diretas e tinham um efeito imediato. Meus músculos das coxas se tensionaram, meu estômago se contraiu, e ela continuou me provocando com aquela cadência precisa de mulher que conhece a rola que tem na mão e sabe quanto dar e quanto tirar.
Queria me jogar em cima dela, mas me forcei a ficar quieto. Deixei que ela conduzisse o ritmo.
Depois ela desceu. Sabia o que ia acontecer e isso me deixava mais nervoso do que qualquer outra coisa: não o ato em si, mas a expectativa de que fosse tão bom quanto eu lembrava. Começou com a língua, devagar, de cima a baixo, sem pressa nenhuma, lambendo o tronco do meu pau dos ovos até a ponta como se fosse um sorvete. Chupou meus testículos um por um, primeiro um inteiro dentro da boca, depois o outro, enquanto com a mão continuava me masturbando bem devagar. Depois voltou a subir pelo tronco e parou na ponta, com os lábios entreabertos bem em cima, respirando ali, me fazendo esperar.
—Pede —disse.
—Chupa pra mim —respondi, com a voz rouca—. Enfia na boca, porra.
E ela fez. Enfiou inteira, até o fundo, até eu sentir batendo no fundo da garganta e ela tossir um pouco, mas sem tirá-la. Começou a subir e descer com aquela sucção que sempre teve, a bochecha afundando cada vez que ela retirava, a mão acompanhando na base. Era exatamente como no começo, quando tudo era novo e queríamos explorar tudo sem que o relógio pesasse. Ela me olhava enquanto me chupava, com os olhos brilhando, e aquele olhar era metade do prazer.
—Já que você tanto gosta de fazer sozinho, eu te ajudo —disse com um sorriso sem erguer os olhos, tirando-me um segundo para falar antes de voltar a engoli-lo.
Ri. Ela me pedia para relaxar, para me deixar levar como antes. E eu me deixei. Passei uma mão na nuca dela, sem apertar, só acompanhando, e ela me chupou mais rápido, mais fundo, com um barulho molhado que enchia o quarto inteiro. Meus ovos incharam, senti-a me lamber por baixo também, chupar a pele do períneo com a língua plana, e algo se acendeu dentro de mim que eu não soube nomear naquele momento.
***
O que aconteceu depois é o que mais me custa descrever, não porque tenha sido ruim, mas porque foi completamente inesperado para mim mesmo.
Elena estuda massoterapia e conhece o corpo humano com uma familiaridade que às vezes me deixava sem argumentos. Naquela noite, enquanto continuava com o que fazia, começou a trabalhar uma zona que eu nunca tinha considerado erógena: primeiro o interior das coxas, depois mais acima, no períneo. Eu me contraí por instinto.
—Relaxa —disse ela em voz baixa, com meu pau ainda na mão—. Me diz o que você sente. Abre as pernas, Rodri, abre para mim.
Abri. Ela se acomodou entre minhas coxas, colocou a rola de novo na boca sem parar de me masturbar na base e, com a outra mão, começou a pressionar devagar aquela faixa de pele entre os ovos e o cu, com a polpa do polegar, círculos lentos e firmes. O que senti foi o prazer se multiplicar. Não sei explicar com mais precisão: era como se houvesse um cabo que sempre esteve ali, enterrado e desligado, e de repente alguém o ligasse. Fechei os olhos. Tentei dizer algo e não consegui.
Ela foi avançando com calma, sem apressar, perguntando em cada ponto o que eu preferia, onde era melhor. Os dedos dela desenhavam círculos lentos que se aproximavam cada vez mais do centro. Quando chegou à borda do ânus e começou a massagear aquela área, com a ponta do dedo untada de saliva, algo em mim se rendeu por completo. Ela soprava sobre o meu pau enquanto fazia isso, e, ao mesmo tempo que traçava círculos na borda do cu, o recolocava na boca, chupando até a garganta.
Eu não esperava. Me ouvi gemer. Foi um som involuntário, honesto, sem nenhum tipo de filtro.
—Aqui está —disse ela com uma voz suave e um pouco satisfeita, tirando o pau da boca por um momento—. Aqui é que você gosta. Olha só como você fica.
Não respondi. Tinha os dentes cerrados e as mãos agarradas aos lençóis. Ela continuou pressionando o polegar na borda do ânus, sem entrar ainda, só ali, massageando em círculos, enquanto com a boca voltava a engolir meu pau inteiro. A língua dela trabalhava a ponta cada vez que subia, enrolando-se ao redor da glande, e o dedo no cu começava a afundar bem pouco, só a polpa, entrando e saindo.
***
Naquela noite eu gozei de um jeito que nunca tinha experimentado antes: com as mãos dela trabalhando aquela zona e eu incapaz de controlar qualquer coisa, nem o som, nem o movimento, nem o momento exato. Senti a porra vindo de muito fundo, de um lugar mais profundo que o habitual, como se ela estivesse sendo arrancada de mim da próstata para cima. Ela tirou a boca no último segundo e continuou me masturbando com a mão e pressionando com o polegar lá embaixo, e eu gozei em jatos, em ondas longas, salpicando o rosto dela, o pescoço, os peitos ainda emoldurados pela renda preta. Foram cinco, seis, sete jatos seguidos, algo que eu não sentia havia anos, e com cada um deles eu soltava um gemido que eu não sabia que tinha dentro. Foi um dos orgasmos mais intensos de que eu me lembrava em anos. Ela ficou salpicada de sêmen do queixo ao umbigo, e não pareceu se importar nem um pouco. Passou dois dedos pela bochecha, levou-os à boca e os chupou me olhando.
—Delicioso —disse.
Depois rimos, como sempre fazíamos quando alguma coisa nos surpreendia. Tomamos banho juntos —o que aconteceu no chuveiro naquela noite merece seu próprio relato— e deitamos exaustos e mais conectados do que em muitos meses. O silêncio daquela madrugada era diferente do anterior: já não era um silêncio constrangedor, mas um cheio de alguma coisa.
Repetimos aquilo várias vezes naquela semana. A cada vez Elena ia um pouco mais longe, com paciência e sem me fazer sentir observado nem julgado. Na sessão seguinte usou lubrificante e entrou com um dedo. Eu esperava desconforto ou rejeição instintiva. Encontrei exatamente o contrário. Senti o dedo abrir caminho muito devagar, com paciência, empurrando até a articulação, e depois um pouco mais, até o fundo, e dali começou a curvá-lo para dentro, para cima, procurando um ponto muito específico que encontrou logo. Quando tocou ali, meu pau se sacudiu sozinho contra a barriga sem que ninguém o tocasse, cuspindo um fio de líquido pré-ejaculatório.
—Você está com fome —me disse no ouvido com uma risada baixa e deliberada—. Olha como seu pau está escorrendo sozinho, Rodri. E eu nem estou mexendo nele.
Não respondi. Fechei os olhos e deixei ela continuar.
Com dois dedos a sensação era diferente, mais intensa, com uma profundidade que eu custava a processar enquanto acontecia. Senti-os se abrirem dentro de mim em tesoura, me esticando, e com a outra mão ela me pegava pela rola e a movimentava bem devagar, coordenando o ritmo de dentro com o ritmo de fora. Cada empurrão dos dedos para cima arrancava um gemido novo, mais agudo que o anterior. Com três era algo para o qual eu não tinha palavras. Eu me sentia cheio, aberto, e ao mesmo tempo com ainda mais vontade, empurrando o cu para trás para engoli-los mais fundo. Ela falava enquanto fazia isso, ficava mais atrevida no vocabulário, mais direta.
—Olha você, Rodri, olha como mexe a bunda procurando meus dedos. Quem te viu e quem te vê. Fala. Diz o que você quer.
—Mais —disse, e minha voz soou completamente diferente da minha—. Enfia mais fundo. Mais forte.
—Assim, assim você gosta?
—Assim, porra, assim.
Eu respondia no mesmo registro porque era o que aquele momento entre nós pedia, aquele território sem nome ao qual tínhamos chegado juntos sem planejar.
Com quatro eu só conseguia pensar nisso. Na sensação. Nela. Em como a mão dela trabalhava dentro do meu cu, entrando e saindo, com a outra mão me masturbando cada vez mais rápido, até eu gozar de novo sem quase nenhum aviso, com espasmos longos que me sacudiram inteiro, e ela deixou os dedos dentro enquanto eu me esvaziava, sentindo o quanto tudo se contraía ao redor. No que eu estava descobrindo sobre mim mesmo aos trinta e quatro anos, na minha própria cama, com a mulher com quem eu era casado havia anos.
***
A pergunta chegou alguns dias depois, numa manhã tranquila de domingo com café e a luz do inverno entrando pelas persianas.
—Você realmente gostaria de tentar algo mais? —perguntou. Sem drama. Sem peso. Como quem pergunta se você quer mais açúcar.
Não respondi. Levantei, me vesti e fui trabalhar embora fosse domingo e eu não tivesse nada concreto para fazer lá. Passei o dia inteiro com aquilo na cabeça, girando em círculos. Não era a pergunta em si que me incomodava. O que me incomodava era que a resposta honesta fosse sim, e que essa honestidade ainda me custasse alguma coisa. Isso era o difícil: saber algo sobre si mesmo que não se encaixava na imagem que você construiu de si ao longo da vida inteira.
Nessa noite, quando voltei para casa, Elena não mencionou o assunto. Eu a agradeci sem dizer.
No sábado seguinte estávamos os dois na cama e eu já tinha ficado tenso antes de começar, como se antecipasse algo que não queria admitir que queria. Ela percebeu na hora: me conhecia bem demais para não perceber.
—Se você não quiser, não fazemos nada —disse—. Sério, Rodrigo.
Fiquei em silêncio por um momento, olhando para o teto.
—Eu quero, sim —disse por fim—. Só não sei como dizer sem parecer esquisito.
—Você não precisa dizer nada —respondeu—. Fecha os olhos.
Obedeci.
Senti que ela colocava alguma coisa nas minhas mãos. Abri os olhos. Era um brinquedo de silicone, realista, de tamanho considerável, que pesava mais do que eu esperava. Olhei para ele por um momento. Olhei para ela. Elena sustentou meu olhar sem deboche, sem julgamento, com aquela expressão de quando me conhece melhor do que eu me conheço.
—Brincamos? —perguntou.
Assenti.
O que veio naquela noite foi diferente de tudo o anterior: mais lento, mais deliberado, com mais atenção a cada detalhe e a cada reação. Ela usou lubrificante generosamente e com paciência, besuntando o brinquedo inteiro e depois me passando em mim, com dois dedos primeiro para me preparar, entrando e saindo com calma até o cu se abrir sozinho ao redor deles. Me colocou de bruços, com um travesseiro sob o quadril para levantar minha bunda, e senti a ponta do brinquedo apoiada ali, pressionando muito devagar, milímetro por milímetro, até o anel ceder e a cabeça entrar. Soltei um grunhido longo contra o travesseiro.
—Respira —me disse—. Devagar. Isso. Aguenta.
E eu aguentei. Ela foi introduzindo devagar, muito devagar, me dando tempo para me acostumar com cada centímetro novo. Quando o teve inteiro dentro, ficou quieta por um instante, com uma mão apoiada na parte baixa das minhas costas, esperando eu respirar. Depois começou a movê-lo, primeiro com investidas curtas e suaves, testando, e depois mais longas, mais profundas, ganhando ritmo pouco a pouco. Eu apertava os lençóis com as duas mãos e gemia contra o travesseiro, com o pau esmagado sob mim, empurrando o cu para trás cada vez que ela empurrava para dentro. Com a outra mão ela me alcançou por baixo e pegou minha rola, movendo-a no mesmo compasso das investidas do brinquedo. A combinação era demais. Senti a próstata sendo trabalhada por dentro, o pau sendo trabalhado por fora, e em algum momento perdi a noção do tempo, do corpo, de quase tudo que não fosse aquela dupla pressão avançando em ondas cada vez mais próximas.
—Goza quando quiser —sussurrou, com a boca colada ao meu ouvido, sem parar de me bombear nem de me masturbar—. Goza pra mim, Rodri. Quero te ouvir.
E eu gozei. Gozei sujando o travesseiro, a mão dela, o lençol, com a boca aberta contra o tecido e um gemido longo que eu não reconheci como meu. Ela deixou o brinquedo dentro por mais um tempo, imóvel, enquanto minhas pernas tremiam e meu cu se contraía em ondas ao redor do silicone. E não houve nenhum momento em que eu quisesse que ela parasse. Muito pelo contrário.
E, enquanto isso acontecia, em algum ponto entre a tensão e o abandono, percebi algo que deveria ter sido óbvio para mim muito antes: o problema nunca tinha sido o desejo. O problema tinha sido a vergonha de tê-lo. A vergonha de querer algo que não se encaixava no roteiro que eu mesmo tinha escrito sem que ninguém me pedisse.
Isso também aprendi naquela noite.
E assim tudo começou.