Como me deixou sem palavras naquela tarde em casa
Estava concentrada em frente à tela quando ouvi os passos dele no corredor. Eu já estava há mais de duas horas tentando terminar um artigo que simplesmente não fechava. O cursor piscava com aquela paciência muda que os cursores têm quando a gente passa tempo demais olhando sem escrever.
—Quer uma rapidinha? —perguntou do umbral.
Não levantou a voz. Nunca faz isso quando pergunta esse tipo de coisa. Disse como quem pergunta se você quer mais café, com aquela naturalidade que só existe em casais que já estão juntos há bastante tempo. Eu adoro isso nele.
—Tá —respondi sem me virar.
—Vou tomar banho primeiro.
Ouvi a água correr enquanto eu salvava o documento. Não me mexi da cadeira de imediato. Fiquei um instante com as mãos sobre o teclado, pensando no que viria, e isso já foi suficiente para algo se mover no meu ventre.
Quando saiu do banheiro, o quarto cheirava a ele. Aquele sabonete dele, aquele calor particular que a pele recém-banhada dele exala. O cabelo estava úmido e havia uma toalha enrolada na cintura, e ele me olhava da porta do mesmo jeito que sempre me olha: como se fosse a primeira vez.
—Pronta? —perguntou.
—Ainda não. Me deixa trocar de roupa.
Me levantei e o beijei devagar na boca antes de dizer qualquer outra coisa. Um beijo curto, de antecipação, do tipo que já anuncia o que vem depois.
—Quer que eu vista alguma coisa em especial?
—Quero —disse ele—. A meia com a cinta-liga.
—A preta, com renda na coxa?
—Essas mesmas.
—E a calcinha fio-dental também?
—Sim.
—Então eu tiro o sutiã e coloco o robe de seda —disse com um sorriso maroto, e entrei no banheiro.
Me despi devagar. Tirei o suéter, depois a camiseta, depois a calça. Tirei o conjunto de lingerie cor de vinho que eu estava usando e o deixei dobrado na borda da banheira. Quando vesti o robe de seda fininha que chega até a metade da coxa, meus mamilos endureceram contra o tecido quase de imediato. Subi a calcinha preta, aquela com o laço minúsculo atrás, que sempre foi uma das favoritas dele. Depois as meias, uma por uma, ajustando com cuidado a cinta-liga de renda em volta da coxa direita, depois da esquerda.
Olhei-me no espelho por um instante. Não por vaidade. Para ver o que ele veria.
Saí para o quarto.
Ele tinha deixado um travesseiro no chão ao lado da cama, e estava sentado na beirada do colchão me esperando. Aquela imagem —ele ali, me olhando chegar— sempre me provoca a mesma coisa: uma mistura de poder e entrega que eu nunca sei nomear totalmente. Aproximei-me devagar. Não porque eu quisesse fazer charme. Mas porque gosto desse momento anterior, desse segundo antes de o toque acontecer.
Me ajoelhei sobre o travesseiro.
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele se inclinou na minha direção. As mãos dele encontraram minha pele, quentes como sempre, aquelas mãos que sabem exatamente aonde ir. Ele beijou minha testa primeiro, depois buscou minha boca. A língua entrou devagar, sem pressa, enquanto os dedos dele desciam o decote do robe e libertavam um dos meus seios. Ele o apertou com a palma e beliscou o mamilo com delicadeza. Gemei contra a boca dele.
Depois o outro. Sempre o outro também.
A boca dele deixou a minha e desceu. Os lábios contornaram meu mamilo e o chuparam com uma pressão exata, nem forte demais nem leve demais. A pressão que faz o prazer se concentrar num ponto e, dali, irradiar por todo o corpo. Uma das mãos dele desceu pelo meu abdômen, enfiou os dedos sob a calcinha e encontrou meu clitóris.
Ele me tinha de joelhos, com as pernas abertas, as mãos agarradas aos ombros dele, ele chupando meus seios e esfregando minha boceta até eu sentir que estava derretendo. A excitação se acumulava rápido. Comigo sempre é assim quando começa desse jeito.
—Deixa eu chupar você —eu pedi. A voz saiu mais rouca do que eu esperava—. Mete na minha boca.
Ele se levantou. Tirou a roupa com aquela calma dele que às vezes me desespera, e quando eu o tive na minha frente, duro e perto, eu o tomei na boca sem mais cerimônia. Eu o queria inteiro, eu o queria já, eu o queria contra o fundo da minha garganta.
Minhas mãos nas coxas dele, depois nas nádegas, puxando-o para mim. Eu adoro assim: de joelhos, com ele de pé na minha frente, sentindo-o deslizar entre meus lábios. A saliva cobrindo-o. A mão dele descendo e enfiando os dedos no meu cabelo sem puxar, só apoiada ali, acompanhando o movimento.
—Hoje eu quero que você termine na minha boca —eu disse, me afastando um instante—. Quero sentir e engolir tudo.
—Primeiro eu quero meter em você um pouco —respondeu—. Sobe.
Ele se deitou na cama. Eu montei sobre ele, afastei a calcinha de lado com os dedos, posicionei-o na minha entrada e me sentei bem devagar. Aquela sensação de preenchimento quando ele entra, sempre tão intensa, sempre igual de nova. A boca dele voltou aos meus seios enquanto eu começava a me mover sobre ele.
Ele me segurou pelas ancas. Eu balançava o corpo sobre ele, com as mãos apoiadas no peito dele, olhando no rosto dele. Existe algo no sexo de frente com alguém que você conhece bem que tem uma intimidade diferente de qualquer outra coisa. Não é só o corpo. É que vocês se veem, e você vê ele, e os dois sabem exatamente o que estão fazendo e por quê.
Ele me beijou com força quando não estava chupando meus mamilos. Agarrou minhas nádegas com força e empurrou para cima, se enterrando com força. Quando tirou o vibrador da gaveta da mesinha e o colocou por baixo da calcinha, sobre meu clitóris, eu soube que não aguentaria muito mais.
O vibrador pressionava exatamente no ponto certo. O movimento dos meus quadris o mantinha no lugar. Cada vez que eu me mexia, o prazer subia mais um nível. Me movi mais rápido.
—Você vai me fazer gozar.
—Quero te ver —disse ele—. Eu adoro quando você goza.
O orgasmo veio de dentro, forte e expansivo, e quando chegou no auge eu não consegui me mexer. Me agarrei a ele, enterrei o rosto no pescoço dele, e ele continuou se movendo pelos dois. Me deixou completamente esvaziada, trêmula, me sustentando nele para não cair.
***
Quando recuperei a fala, repeti o que havia pedido antes.
—Hoje eu quero que você termine na minha boca. Quero engolir tudo.
—Chupa mais um pouco —disse ele—. Mas antes eu quero te comer por trás.
Desci de cima dele. A prova do meu próprio orgasmo se acumulava na base do pau dele, e quando o peguei na boca de novo, provei ele e a mim mesma misturados. Tem algo nisso que eu não sei descrever sem parecer exagerada, então nem tento. Só vou dizer que me excitei de novo na mesma hora.
—Agora de quatro —disse ele.
Chupei-o mais uma vez, devagar, e depois me posicionei. Joelhos na beirada do colchão, braços estendidos sobre a cama, a bunda no ar. Completamente entregue.
Senti a mão dele deslizar de cima a baixo na minha boceta antes da entrada. A cabeça do pau dele separou minhas dobras e entrou de um único movimento suave. Fechei os olhos e soltei o ar.
—Meu Deus, que delícia! —escapou dos meus lábios sem eu conseguir controlar.
Ele me comeu devagar primeiro. Entrando e saindo com uma lentidão que era quase cruel, me deixando sentir cada movimento, sem pressa. Depois ficou parado.
—Agora se mexe você —disse ele.
Empurrei a bunda para trás. Cravei nele uma vez, depois outra, depois outra. Minhas nádegas batiam contra o corpo dele naquele ritmo que eu mesma ditava. Quando ele agarrava minhas ancas e empurrava para frente justo quando eu empurrava para trás, o impacto era profundo, tão profundo que eu tinha de abafar os gemidos contra o colchão.
—Vou encher sua boca de tudo —disse ele—. E você vai engolir.
—Sim —respondi—. Sim, sim, faz isso.
Ele saiu de mim e eu me virei para ele. Ele agarrou meu cabelo, não com força, só o suficiente para manter meu rosto onde ele queria. Abri a boca. Olhei para ele se masturbar com a mão. Vi aquela contração que já reconheço bem e, então, senti o sêmen quente e grosso cair sobre minha língua. Uma vez, duas, mais. Ele colocou o pau na minha boca para se esvaziar por completo, e eu o mantive ali, sem engolir, saboreando-o.
Abri os lábios e mostrei para ele. Sempre gostei desse momento. Não exatamente pelo lado obsceno, mas pelo que ele tem de confiança, de intimidade compartilhada. A prova do que tinha acabado de acontecer entre nós, na minha boca, visível.
Engoli devagar.
—Eu adoro —disse—. Me dá um tesão enorme engolir assim.
—Você também me dá tesão —respondeu ele, acariciando meu cabelo.
Sentei ao lado dele na beirada da cama. Os dois em silêncio por um momento, aquele silêncio confortável que só existe depois.
***
Voltei à minha escrivaninha exatamente como estava: com o robe de seda, as meias, a calcinha. O gosto dele ainda na minha boca. O artigo continuava aberto na tela, com o cursor piscando exatamente no mesmo lugar onde eu o tinha deixado, como se nada tivesse acontecido.
Não terminei.
Em vez disso escrevi isso. Escrevi de uma vez, sem pensar demais, sem corrigir, sem reler. Quando terminei, copiei e mandei para ele por e-mail. Não sei exatamente por quê. Acho que existem experiências que só existem por inteiro quando viram palavras, e essa precisava existir fora de mim.
Depois me troquei. Tirei o robe, coloquei o sutiã de novo, a camiseta, a calça. Deixei a calcinha. Desci para a cozinha e fiz um café que tomei de pé, olhando pela janela, ainda com aquela sensação de depois flutuando no corpo.
Quando subi para o quarto, ele estava de pé com o celular na mão. Supus que tivesse acabado de ler o que eu tinha enviado. Ele se aproximou sem dizer nada. O peito dele pressionou meus seios através da roupa, as mãos dele encontraram minha cintura, e a boca dele buscou a minha num beijo que começou tranquilo e não demorou a virar outra coisa.
—Fica de quatro de novo —disse ele contra meus lábios.
Eu só tirei a calça.
Fiquei de quatro sobre o colchão. Senti a mão aberta dele sobre minha nádega, apertando-a com aquela fome possessiva que eu reconheço. Ele parou ao lado do meu rosto e, quando o vi ereto de novo, algo dentro de mim se contraiu de antecipação. Eu o tomei na boca antes que ele pedisse. Estava tão faminta por ele quanto da primeira vez, talvez mais.
—Se toca enquanto me chupa —disse ele.
Levei a mão entre as pernas. Estava molhada. Obviamente estava molhada. Meus dedos encontraram meu clitóris e eu o esfreguei devagar enquanto continuava com a boca. Depois ouvi o zumbido familiar. Ele tirou o vibrador e o colocou sob a calcinha, apoiado no meu clitóris com aquela precisão que já não me surpreende, mas pela qual sempre agradeço.
Com aquele estímulo por cima, eu o chupei com mais desespero. Meus quadris se moviam sozinhos. Eu me retorcia sobre o colchão, completamente tomada pelo que sentia.
Sem aviso, ele saiu da minha boca e se posicionou atrás de mim. Afastou a calcinha e entrou de uma vez.
—Ai, isso! Assim! —não consegui conter o grito abafado.
Fiquei imóvel e me enterrei nele sozinha, empurrando a bunda para trás, uma e outra e outra vez. As mãos dele nas minhas ancas, as estocadas dele encontrando as minhas. O vibrador continuava no lugar e o orgasmo veio sem aviso, sem me dar tempo de me preparar para a intensidade dele.
Não o desliguei. Deixei-o ali enquanto o orgasmo se transformava em outro e esse em outro mais. Meu corpo tremia. Eu me agarrava ao colchão com os dedos. Perdi a conta de quantos foram.
Desliguei o vibrador quando não aguentei mais. A hipersensibilidade me fazia estremecer a cada centímetro que ele percorria dentro de mim. Eu podia sentir a forma exata da cabeça do pau dele conforme ele deslizava para dentro e para fora.
—Me enche —disse, e soou mais como um pedido desesperado do que qualquer outra coisa—. Quero sentir dentro.
Senti o orgasmo dele antes de ouvi-lo. Aquela contração característica que eu já conheço bem. Ele se enterrou até o fundo e se esvaziou dentro de mim. Fiquei completamente imóvel, absorvendo tudo, sentindo o calor.
Depois peguei minha calça do chão.
—Agora sim você me deixou encharcada —disse enquanto abotoava a calça, com um sorriso que eu não conseguia controlar.
—Você tinha dito que desta vez eu ia te deixar limpa porque terminei na sua boca. Não dava para deixar assim.
Desci as escadas com aquele sorriso que não conseguia sair do meu rosto. Sabia que em algum momento do dia, talvez a caminho de volta para a escrivaninha, sentiria o calor dele escorrer, aquele lembrete morno que me acompanharia pelo resto da tarde.
Voltei a sentar em frente à tela. O artigo continuava sem terminar. O cursor seguia piscando no mesmo lugar.
Fechei e abri um documento novo.
