Confesso o que aconteceu naquela noite contra a porta
Conto isso porque, quase um mês depois, ainda me custa acreditar que tenha acontecido. Se você já teve que abafar um grito com a porta dos seus filhos a um metro da sua boca, vai me entender. Se não, leia mesmo assim. Talvez você aprenda alguma coisa. Eu sempre pensei que essas coisas acontecessem nos relatos de outras pessoas, não no meu corredor, não na minha idade, não depois de tantos anos de um casamento confortável e de rotinas herdadas.
Era tarde, quase uma da manhã. Tínhamos passado mais de uma hora no sofá, mexendo nos celulares, sem trocar uma palavra, naquele silêncio que se instala quando os dois estão cansados demais para conversar. Eu não tinha sono, mas já era hora de ir para a cama. O problema era que as crianças tinham adormecido na nossa cama e nenhum de nós tinha querido movê-las. A pequena estava com um pouco de febre desde a hora do lanche, o mais velho abraçado a ela como se pudesse arrancá-la de perto dele.
Isso significava que naquela noite dormiríamos no quarto de hóspedes, no fim do corredor. Cheguei primeiro à porta do quarto principal, onde eles estavam. Apoiei-me na madeira e fechei os olhos por um segundo, respirando devagar. Só um minuto. Só um minuto antes de continuar andando.
Ouvi ele vir do outro extremo do corredor. Reconheço os passos dele sem precisar olhar. Ele me abraçou por trás antes que eu pudesse reagir e, de imediato, a boca dele procurou a parte mais sensível do meu pescoço, bem embaixo da orelha. Levantei os braços acima da cabeça e entrelacei as mãos atrás da nuca dele, deixando o pescoço inteiro para ele. Não disse nada. Não precisava.
Os lábios dele foram descendo devagar. Cada beijo era um pouco mais longo que o anterior, um pouco mais molhado, um pouco mais intencional. Eu respirava mais rápido sem perceber. Arranhei a nuca dele com as unhas enquanto ele ia traçando aquele caminho lento e quente que conheço bem e que, a essa altura, já não é só um beijo. É uma promessa.
Quando as mãos dele subiram até os meus seios, meu ar travou por um segundo. Eu usava uma camiseta fina de algodão, sem sutiã, e sentia cada dedo dele através do tecido. Ele começou de leve, cobrindo meus seios inteiros com as palmas, e pouco a pouco foi apertando com mais força. Isso. Isso mesmo, não para. Meus mamilos endureceram na hora e ele percebeu.
Ele pegou meus seios por baixo, levantando-os um pouco, pesando-os nas mãos. Depois foi para os mamilos. Primeiro com cuidado, beliscando só de leve. Depois com mais intenção. Puxou um deles para baixo, devagar, e aí eu já tive de me apoiar na porta. Encostei a testa na madeira. Sentia a umidade descendo entre as pernas, uma umidade que se percebe até por cima da calça do pijama.
Baixei a mão direita por baixo da minha camiseta e, sem pensar, projetei o bumbum para trás, procurando a ereção dele. Queria senti-la. Queria saber que ele estava tão excitado quanto eu. Encontrei-a exatamente onde deveria estar: pressionando-se contra mim, ainda contida pelo tecido da calça. A mão dele subiu pelo meu ventre, já por dentro da roupa, até chegar outra vez aos meus seios, desta vez sobre a pele nua.
Ele passou as pontas dos dedos pelo contorno da aréola sem tocar no mamilo, girando, brincando, me fazendo esperar. Eu estava prestes a pedir em voz alta quando ele finalmente resolveu apertá-lo. Cerrei os dentes para não soltar nenhum som. As crianças ficavam a três metros dali, do outro lado da mesma porta. Qualquer suspiro mais alto e tudo acabava.
Minha outra mão desceu por instinto entre as pernas. Comecei a me esfregar por cima do pijama, sem enfiar os dedos por dentro, só pressionando com a palma. Ele percebeu na hora. Baixou minha calça até as coxas, o suficiente para deixar minha calcinha à mostra. Depois segurou o tecido por trás e puxou para cima, enfiando minha calcinha entre as nádegas. Eu ri em silêncio, uma risada presa no peito.
Eu estava depilada, macia, sem um único pelo, como ele gosta. Comecei a me esfregar por cima do tecido molhado enquanto ele amassava um seio com uma mão e apertava uma nádega com a outra. A dupla carícia estava me deixando louca. Apoiei a testa com mais força na porta e fechei os olhos.
Afastei o tecido da calcinha com dois dedos. Estava encharcada, muito mais do que eu esperava. Passei a ponta do dedo da entrada até o clitóris, devagar, lubrificando todo o caminho. Meu Deus, meu Deus. Eu mal acreditava no quanto estava excitada com tão pouco. Estávamos casados há anos e, no entanto, há noites — noites como aquela — em que volto a me sentir como na primeira vez em que ele me tocou.
O que senti em seguida foi o ar frio. Ele havia baixado minha calcinha até as coxas sem que eu percebesse. E depois, o calor da respiração dele bem perto da parte baixa das minhas costas. Ele tinha se ajoelhado. Segurou meus quadris com as duas mãos e me empurrou suavemente para que eu empinasse mais o bumbum. Eu obedeci.
Ele abriu minhas nádegas com os polegares, devagar, e depois abriu os lábios do meu sexo com os dedos. Eu estava empinada contra a porta, com a testa apoiada, sem ver nada. Só podia sentir. E o que senti em seguida foi um dedo entrando até o fundo, sem esforço, porque eu estava completamente molhada. Ele o meteu até o fim, tirou, roçou meu clitóris por um segundo e voltou a entrar, desta vez com dois dedos.
Abri mais as pernas. Eram só dois dedos, mas eu tinha a sensação de que cada centímetro do meu corpo estava ligado a essa mão. Ele os movia devagar dentro de mim enquanto, com a outra mão, segurava uma nádega e a mordiscava. Quando senti os dentes na pele, um gemido me escapou. Engoli a tempo.
Desci a mão outra vez até o clitóris. Eu precisava dele. Comecei a friccioná-lo com dois dedos, primeiro de leve para lubrificá-lo bem, depois com mais insistência, mas me contendo. Não goze ainda. Aguenta. Aguenta mais um pouco. Eu queria que aquilo durasse.
Meus dedos roçaram os dele sem querer. Ele parou por um instante, pegou minha mão e me guiou, enfiando meus próprios dedos junto com os dele dentro de mim. Quatro dedos ao mesmo tempo. Dois dele, dois meus. Ficamos assim por alguns segundos, movendo-os devagar, com aquela sincronia estranha que só se consegue quando se conhece alguém há muito tempo. Foi um dos momentos mais íntimos que vivi com ele, e isso que passamos a vida inteira juntos.
Quando os tiramos, eu voltei para o clitóris. Mas ele não entrou de novo. Senti ele abrir minhas nádegas com as duas mãos e, depois, algo quente e suave: a língua. Ele lambeu meu ânus sem avisar. Eu me arrepiei inteira, meus joelhos tremeram, e tive de apertar a mandíbula para não deixar escapar um gemido.
Ele voltou a enfiar os dedos no meu sexo enquanto continuava com a língua lá em cima, e a combinação estava me desmontando. Dois dedos dentro, língua por cima. Eu não sabia no que prestar atenção. Agarrei-me com as duas mãos à moldura da porta e empurrei o bumbum para trás, contra ele, pedindo mais sem abrir a boca.
E então ele se meteu entre as minhas pernas. Senti a respiração dele bem no meu sexo, uma golfada quente que arrepiou toda a minha pele. Ele começou a me lamber inteira, da entrada ao clitóris, uma passada longa, lenta, deliberada. Depois outra. E mais uma. Quando entendeu que eu já não conseguia suportar, focou no clitóris e voltou a me penetrar com dois dedos.
Segurei a cabeça dele com as duas mãos e a pressionei contra mim. Ele entendeu. Começou a sugar, acelerou o ritmo, e meus quadris se moveram sozinhos contra a boca dele. Soltei uma mão e apertei um mamilo, com força, com força demais. Não faça barulho. Não faça barulho. Não faça barulho.
Minhas pernas começaram a falhar. Senti o orgasmo subir de algum lugar profundo, um lugar que eu nem sabia que existia. Levantei a cabeça, joguei o pescoço para trás e abri a boca para gritar. Não saiu nada. Só um gemido quebrado, mudo, que ficou preso na garganta como um segredo. Gozei contra a boca dele, contra a porta, contra a noite inteira.
Demorei um pouco para voltar à realidade. Eu estava com as duas mãos grudadas no batente como se precisasse delas para ficar em pé, e com a testa suada contra a madeira fria. Quando abaixei a cabeça e abri os olhos, ele já estava de pé e sorria para mim com aquela cara boba de quem sabe exatamente o que acabou de fazer. Virei-me, abracei-o e lhe dei um beijo longo, profundo, com o meu gosto ainda na boca dele. Que noite, que homem.
— Obrigada — sussurrei no ouvido dele.
— Da próxima vez é a minha vez — respondeu ele, também em um sussurro.
Prometi que sim. E, enquanto entrávamos de fininho no quarto de hóspedes, tentando não fazer o piso ranger, pensei que tomara que as crianças dormissem na nossa cama por muitas noites mais. Conto isso aqui, sem nomes, sem datas, porque as melhores confissões são escritas assim: em silêncio, contra a porta, com medo de alguém ouvir.