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Relatos Ardientes

Confissão: eu espionava minha mãe do armário

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Vivíamos só minha mãe e eu desde que eu tinha dez anos, em um apartamento de três quartos que ela havia comprado com as próprias economias e do qual se orgulhava imensamente. Era o tipo de mulher que preenchia um ambiente sem nem tentar: alta, morena, com o cabelo comprido e aquele jeito de se mover que faz os homens virarem a cabeça quando passam ao seu lado. Ela tinha trinta e sete anos quando começou a história que vou contar. Eu tinha dezessete e já era uma espiã experiente da vida alheia.

A curiosidade tinha começado antes de Mateo, mas foi Mateo quem a transformou em algo que eu já não conseguia controlar. Minha mãe me apresentou a ele em um jantar de sexta-feira de outubro: ele chegou com uma garrafa de vinho tinto e aquela segurança tranquila de quem não precisa provar nada para ocupar espaço. Era uns dez anos mais velho que ela, com mãos grandes e uma voz baixa que eu só ouvia quando ele falava com minha mãe. Naquela noite ela evitou olhá-lo por tempo demais seguido, o que me disse exatamente o que eu precisava saber.

Quando Mateo dormiu lá pela primeira vez, eu não consegui ficar no meu quarto. Levantei às duas da madrugada, fui descalça pelo corredor e encostei o ouvido na parede. Ouvi as vozes deles misturadas primeiro, depois o rangido ritmado da cama, depois só a dela: um som contínuo e baixo que eu nunca tinha ouvido, um gemido entrecortado que subia e descia num ritmo que não deixava dúvidas do que ele estava fazendo com ela. Ouvi ela dizer «assim, mais fundo, não para» com uma voz rouca que me fez ficar ali parada por vários minutos sem me mexer. Voltei para o meu quarto com o coração acelerado demais e com a calcinha mais molhada do que eu estava disposta a admitir.

Descobri as câmeras por acaso, enquanto arrumava o escritório do meu avô. Era um sistema antigo, dos anos 1990, ligado ao apartamento do andar de baixo que alugávamos por temporada. Levei duas tardes para entender como funcionava. A primeira vez que liguei com Mateo hospedado lá embaixo, fiquei diante da tela sem saber exatamente o que esperava ver.

Minha mãe estava de pé junto à janela, olhando para fora, com o cabelo solto e um robe de seda que ia até o meio da coxa. Mateo se aproximou por trás, afastou o cabelo do pescoço com os dedos e começou a beijá-la devagar, descendo pela nuca, pelo ombro. Ela fechou os olhos e jogou a cabeça para trás. Quando ele desatou o cinto do robe e o tecido caiu no chão, ela não fez nenhum movimento para pegá-lo.

Ela ficou nua contra o vidro, e eu vi pela primeira vez o corpo da minha mãe como ele o via: os seios grandes e firmes com os mamilos já duros, o ventre liso, a bunda redonda que ele apertou com as duas mãos antes de lhe dar uma palmada seca. Ela soltou um gemido que saiu limpo pelo microfone. Mateo a virou e mordeu um mamilo, enquanto enfiava dois dedos entre as coxas dela. Vi o arqueio das costas dela, o modo como enfiou a mão no cabelo dele para que ele não parasse. «Você está encharcada», ele disse com aquela voz baixa, e ela respondeu, sem abrir os olhos, «foi pra isso que eu vim, pra você me comer logo».

Mateo não se fez de rogado. Baixou as calças sem parar de beijá-la, e eu vi o pau dele sair duro, grosso, muito maior do que eu imaginava que uma rola pudesse ser. Minha mãe se abaixou diante dele, ali mesmo, junto à janela, e o enfiou inteiro na boca. Chupou com uma calma obscena, deslizando os lábios da ponta até a base, cuspindo em cima, olhando para ele enquanto mamava. Ouvi os barulhos úmidos com uma nitidez que me arrepiou a pele: a baba, a batida da ponta contra a garganta dela, os gemidos abafados dele cada vez que ela engolia tudo. Ela lambeu os ovos com a língua achatada, colocou-os na boca um por um, e depois voltou para o pau e chupou até Mateo precisar afastar o rosto dela com as duas mãos para não gozar ali.

Ele a ergueu pelos cabelos, virou-a e a dobrou sobre o encosto do sofá. Abriu as pernas dela com um chute leve e enterrou a língua entre as nádegas dela. Vi como ele comia ela por trás, como passava a língua do cu até o clitóris, como minha mãe se agarrava ao encosto com os nós dos dedos brancos enquanto gritava palavras que eu nunca tinha ouvido sair da boca dela. «Come pra mim, come minha boceta, não para». Mateo a lambeu até ela começar a tremer, e justo quando estava prestes a gozar enfiou a rola nela de uma só vez. Minha mãe soltou um berro que se cortou no meio e voltou a descer num gemido longo.

Ele a fodeu ali, contra o sofá, com as mãos afundadas nos quadris dela, puxando-a para trás a cada investida. Eu via os seios da minha mãe balançando, o vai e vem da bunda batendo contra a virilha dele, a pele avermelhada pelas palmadas que Mateo ia dando a cada três ou quatro estocadas. «Mais forte», ela pedia, «mais forte, me fode mais forte», e ele obedecia. Mudaram de posição sem sair: ele a colocou de barriga para cima no sofá, ergueu as pernas dela até apoiá-las no peito dele e a penetrou de cima, olhando para o rosto dela. Minha mãe, que sempre tinha o controle de tudo, que era a pessoa mais serena que eu conhecia, se entregou diante daquele homem sem oferecer resistência nenhuma. Pedia, com a boca aberta e os olhos fechados, que ele a enchesse até o fundo, que não a deixasse vazia, que gozasse dentro.

Ouvi pelo áudio, na voz dela, algo que de início nem reconheci como sendo dela: um gemido longo e contínuo que mudava de tom toda vez que ele mudava de posição. Ele a montou, a pôs de quatro no tapete, a ergueu de novo e a encostou na parede com uma perna no ar. Cada posição fazia ela gritar de um jeito. Quando ele finalmente acelerou, com aquela respiração cortada que anuncia o fim, minha mãe cravou as unhas nas costas dele e pediu aos gritos que ele gozasse dentro. Vi as contrações das costas de Mateo, o tremor das coxas dele, a forma como ele se enterrou até o fundo e ficou ali, esvaziando-se. Quando ele a tirou, um fio espesso de sêmen escorreu pela coxa da minha mãe. Ela o recolheu com dois dedos e levou à boca. Fiquei olhando por mais tempo do que deveria.

Quando terminaram, minha mãe soltou uma risada baixa e Mateo disse alguma coisa que eu não consegui ouvir. Ela riu de novo. Desliguei o monitor. Fui lavar o rosto com água fria e demorei para me olhar no espelho.

***

Nas semanas seguintes, desenvolvi uma rotina. Aprendi os sinais da minha mãe: quando ela deixava a loção de baunilha no banheiro de visitas, isso significava que Mateo viria naquela noite. Quando deixava o telefone virado para baixo na mesa da cozinha, Rodrigo tinha ligado e a conversa tinha sido desagradável. Rodrigo era músico, morava a oito horas dali e aparecia a cada três semanas com presentes e aquela ternura excessiva que os homens têm quando se sentem culpados por alguma coisa sem nomeá-la. Minha mãe o recebia com a dose exata de afeto necessária para mantê-lo tranquilo.

Eu construía um mapa mental da vida secreta dela sem que ela soubesse. Aprendi a ler o humor dela como se fosse um idioma que ninguém mais falava: quando estava contente por algo relacionado a Mateo, quando estava inquieta porque Rodrigo viria antes do previsto, quando se encontrava naquele estado particular de tensão que sempre precedia uma noite no apartamento de baixo.

Às vezes eu me perguntava se ela sabia que eu a observava.

Mateo foi embora em meados de novembro. Minha mãe passou uma semana mais silenciosa que o normal, arrumando gavetas que já estavam arrumadas. Depois retomou o ritmo habitual, como se aqueles dois meses pertencessem a outra pessoa e não a ela.

***

Rodrigo chegou numa sexta-feira sem avisar. Eu estava terminando um trabalho da faculdade quando ouvi a campainha e depois a voz da minha mãe no corredor, surpresa de um jeito que ela não conseguia disfarçar por completo. Espiei do corredor em penumbra.

Era ele, com uma mala pequena e aquele sorriso que tinha quando bebia: um pouco torto, um pouco mais largo do que o de costume. Minha mãe demorou um segundo inteiro para reagir, e nesse segundo eu vi tudo: a surpresa, o cálculo rápido, a decisão que ela tomou antes de abrir a porta por completo.

— Ainda faltavam duas semanas — disse ela.

— Eu sei — respondeu ele, e já estava dentro, já a tinha nos braços.

Rodrigo era um daqueles homens que ocupam o espaço: ombros largos, mãos grandes, uma presença física que se sentia mesmo quando ele não fazia nada. Naquela noite toda essa energia estava concentrada na minha mãe. Ele a puxou para si com uma força que não lhe deu muita margem de escolha, e ela, depois de um momento que durou apenas dois segundos, se deixou puxar. Eu os vi no corredor antes de ele levá-la para dentro: a mão de Rodrigo já tinha subido por baixo da saia dela, e minha mãe, contra a parede, com a boca aberta, já devolvia o beijo mordendo o lábio dele.

Corri para o quarto da minha mãe pelo corredor lateral e me enfiei no armário do fundo, atrás dos casacos de inverno. Era o esconderijo que eu usava desde criança: um vão lá no fundo onde eu cabia dobrada sobre mim mesma, com os joelhos contra o peito. Me instalei ali em silêncio e esperei.

O que ouvi durou quase uma hora. Rodrigo não tinha a paciência de Mateo: era mais urgente, mais direto, daqueles que vão logo ao que querem sem muita volta. Entraram no quarto com a roupa pela metade, e pela fresta do armário vi como ele a jogou na cama de bruços, como arrancou a calcinha dela com um puxão e enfiou o rosto entre as pernas dela sem preliminares. Minha mãe gritou contra o travesseiro. Ele a comeu por trás, com as mãos abrindo as nádegas dela, e eu ouvi os estalos da língua dele contra a boceta molhada dela com uma nitidez que me fez apertar as coxas no vão do armário.

«Me dá, me dá logo», ouvi ela pedir, com aquela voz que eu só conhecia dos esconderijos. Rodrigo desabotoou o cinto, e pelo reflexo do espelho da penteadeira vi a sombra do pau dele apontando para cima, grossa, com a ponta brilhante. Ele a enfiou de uma vez. Minha mãe soltou um grito abafado e ele tapou a boca dela com a mão. Fodeu-a sem piedade, a cama batendo contra a parede num ritmo brutal, ela de bruços com a bunda no ar recebendo tudo. Ouvi a voz dele pela primeira vez naquela noite, rouca no ouvido dela: «é assim que você gosta, puta, é assim que você gosta quando eu chego sem avisar?». E minha mãe respondendo que sim entre gemidos, pedindo mais, pedindo que ele entrasse com mais força, que a comesse até partir.

Ele a virou de barriga para cima e ergueu as pernas dela sobre os ombros. Do meu ângulo vi o vai e vem da bunda dele, os músculos se contraindo a cada investida, e minha mãe por baixo, com os seios balançando e os olhos semicerrados. Rodrigo chupou os mamilos dela sem parar de foder, mordeu-os, passou a língua pelo pescoço dela enquanto ela enfiava as unhas nas costas dele. Em um momento ele a virou e a pôs de cavalinho sobre ele. Minha mãe começou a montá-lo com aquela lentidão que era sua marca, subindo e descendo o quadril, girando-o em círculos, apertando a boceta ao redor do pau de Rodrigo até fazê-lo gemer como se doesse.

— Vou gozar — avisou ele, e minha mãe acelerou. Mexeu-se mais rápido, mais forte, apoiando as duas mãos no peito dele, jogando a cabeça para trás. Ouvi ela gozar primeiro: um gemido que saiu trêmulo, longo, com o corpo inteiro se contraindo sobre ele. Rodrigo a agarrou pelos quadris e a cravou para baixo, entrando até o fundo, e gozou rosnando contra o ombro dela. Quando ela se afastou, devagar, vi o fio branco escorrendo pela coxa. Rodrigo dormiu quase de imediato. Minha mãe demorou mais.

Ouvi ela se mover devagar pelo quarto, abrir gavetas sem acender as luzes. Demorei um instante para entender o que estava fazendo: tirava as coisas de Mateo. As camisas que tinham ficado no armário, o nécessaire do banheiro, o livro de bolso com o marcador no meio. Tudo foi para uma bolsa que ouvi encher no silêncio da madrugada. Ela saiu do quarto sem fazer barulho.

Esperei cinco minutos antes de sair também. Voltei para o meu quarto em silêncio. Naquela noite eu não dormi.

***

O relacionamento da minha mãe com Rodrigo continuou por mais alguns meses. Ele vinha, ia embora, mandava mensagens. Ela respondia com a medida exata de afeto que a situação exigia. Mateo deixou de aparecer no prédio, embora minha mãe às vezes sumisse por duas ou três horas à tarde sem dar explicações. Eu já não ligava o monitor do escritório do meu avô. Não sei se foi por um respeito tardio ou simplesmente porque eu já tinha visto o suficiente.

Quando Rodrigo propôs que ela fosse morar com ele, minha mãe disse que pensaria. Nunca deu uma resposta definitiva. Essa falta de resposta foi mais eloquente do que qualquer coisa que ela pudesse ter dito, e acho que os dois sabiam disso.

***

Adrián apareceu quase um ano depois, quando eu já estava no primeiro ano da faculdade e passava metade do tempo no meu próprio mundo. Minha mãe me apresentou a ele num jantar de terça-feira como um amigo: chegou com uma garrafa de vinho branco e aquela tranquilidade particular dos homens que não têm nada a provar.

Ele era diferente dos anteriores de um jeito que eu demorei a definir. Não tinha a intensidade calculada de Mateo nem a urgência física de Rodrigo. Escutava de verdade quando minha mãe falava, sem já estar pensando no que ia responder. Fazia perguntas sobre coisas que ela tinha mencionado semanas antes, o que significava que prestava atenção de verdade. Minha mãe ficou nervosa com ele de um jeito que eu nunca tinha visto antes: não a tensão do desejo contido, mas algo mais parecido com exposição, com medo de alguém te ver por inteiro.

Dessa vez eu não usei as câmeras. Não tenho certeza absoluta do porquê. Acho que algo no jeito como minha mãe olhava para Adrián me disse que aquela história não era minha para observar. Eu os ajudei de outras formas: em algumas ocasiões, deixei o apartamento livre para eles sem que me pedissem, mudei meus planos sem avisá-los para que pudessem ficar sozinhos à noite. Coisas pequenas que, naquele momento, eu não considerei determinantes.

O que eu não calculei foram as consequências.

Cinco meses depois de aquela história começar, minha mãe me chamou para a sala de jantar num domingo de manhã. Ela tinha uma expressão que eu não conhecia: algo entre alegria e vertigem, como quem acabou de abrir uma porta e ainda não sabe o que há do outro lado.

— Estou grávida — me disse, sem rodeios.

Fiquei em silêncio. Depois perguntei se Adrián sabia.

— Foi ele quem insistiu em fazer o teste — respondeu.

Não sei o que eu esperava sentir. O que senti foi algo parecido com alívio, embora eu não soubesse dizer exatamente por quê. Talvez porque, em toda aquela história de portas entreabertas e armários e monitores ligados às escondidas, alguma coisa tinha chegado a um fim que não precisava que eu observasse. Um domingo de manhã, um teste de gravidez, duas pessoas na mesma cozinha decidindo juntas o que fazer com o que vinha pela frente.

Eles têm planos de se casar na primavera. Adrián já sabe como minha mãe gosta do café e quais séries ela assiste quando não consegue dormir. Eu passo mais tempo no meu próprio apartamento agora, o que é o que deveria ter acontecido muito antes.

O que aprendi espionando durante todos aqueles anos não encontrei em nenhum livro nem em nenhuma conversa com amigas. Aprendi em armários e corredores escuros e monitores ligados à meia-noite: que o desejo não segue lógicas organizadas, que as pessoas que mais amamos também são as mais capazes de nos surpreender, e que às vezes a vida mais interessante de alguém acontece nos espaços que a gente tem o decoro de não invadir. Levei tempo demais para aprender essa última parte.

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