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Relatos Ardientes

O que aconteceu atrás do balcão da minha loja

Minha vida transcorria entre as prateleiras da minha pequena loja de bairro, um lugar modesto, mas acolhedor, com guloseimas, bebidas, dois computadores velhos e uma máquina de videogame que zumbia no canto. Não era um negócio que fosse me deixar rico, mas me permitia viver tranquilo e conhecer metade da vizinhança. Entre os clientes de sempre estava Daniela, uma mulher que frequentava o lugar havia anos, quase sempre acompanhada da amiga Rocío. Durante muito tempo, eu a vi como mais uma, alguém a quem cumprimentar e cobrar. Até que, sem perceber exatamente quando, comecei a enxergá-la de outra maneira.

Daniela tinha a pele morena e quente, e olhos grandes e escuros que pareciam rir antes da boca. Devia ter por volta de trinta e cinco anos, com aquela segurança de mulher que sabe perfeitamente o efeito que causa e escolhe quando usá-lo. Tinha os lábios carnudos, o corpo firme e um jeito de se apoiar no balcão que me obrigava a olhar duas vezes. Seu cabelo preto e ondulado caía sobre os ombros, e toda vez que ria, a loja inteira parecia ficar um pouco mais quente.

Eram tempos estranhos, de máscaras e distanciamento, e mesmo com metade do rosto coberta Daniela exalava algo que eu tinha dificuldade de ignorar. Cada vez que entrava, eu mal conseguia me concentrar no caixa, no estoque, em qualquer coisa que não fosse ela. Passávamos longos períodos conversando sobre bobagens enquanto Rocío matava o tempo no computador do fundo. Eu dizia a mim mesmo que não era nada, que era apenas simpatia de cliente. Eu mentia muito mal.

A loja era comprida: as prateleiras ficavam na frente e, no fundo, havia um móvel alto que me escondia da vista quando eu me sentava atrás do caixa registrador. Era meu pequeno esconderijo, o lugar onde descansava as costas entre um cliente e outro. Daniela tinha adquirido o hábito de empurrar uma caixa grande que eu usava como uma porta improvisada e se esgueirar até ali, para o meu lado, a fim de me mostrar vídeos no celular enquanto Rocío ficava do lado de fora, distraída.

—Olha isso —ela dizia, aproximando a tela de mim, e seu ombro ficava colado ao meu.

—Não vejo graça nenhuma —eu respondia, e nós dois ríamos mesmo assim.

Eu não precisava de graça nenhuma. O calor do braço dela contra o meu já bastava.

Certa tarde, quando já estavam indo embora, aconteceu o que mudou tudo. Rocío caminhava na frente, em direção à saída; Daniela vinha atrás, e eu atrás dela, acompanhando-as até a porta. No espaço exato entre duas prateleiras, Daniela parou de repente, fingindo procurar alguma coisa no bolso, e ficou a um passo de mim. Virou um pouco a cabeça, o suficiente para me olhar por cima do ombro, e deixou a mão apoiada na minha cintura por um segundo a mais. Não disse nada. Eu também não. Mas naquela noite soube que, da próxima vez, não conseguiria fingir.

***

Naquela mesma noite, recebi uma mensagem dela pelo WhatsApp: «Você acha que eu não percebi o jeito como me olha?». Ri sozinho, na escuridão da loja já fechada. Respondi algo desajeitado, meio brincadeira, meio confissão, e ela respondeu com um emoji e um «amanhã eu passo». Não houve cobranças nem rodeios. Apenas aquela frase que, para mim, foi um convite claríssimo.

Os dias seguintes foram uma negociação silenciosa feita de roçar de corpos. Uma mão que demorava mais do que o necessário ao me dar o troco. Um encontro próximo demais atrás do móvel. O joelho dela contra a minha perna quando se sentava ao meu lado. Cada gesto era uma pergunta, e toda vez que nenhum dos dois se afastava, era uma resposta. Tudo escondido de Rocío, que continuava alheia do outro lado do móvel alto, presa à tela.

Até que, certa tarde, o tom subiu. Rocío estava do lado de fora, na porta, falando ao telefone com alguém, de costas para nós. Daniela tinha empurrado a caixa e se sentado ao meu lado, no chão, com um braço apoiado na minha coxa, como tantas vezes. Mas, dessa vez, quando baixei a mão até a nuca dela, Daniela inclinou a cabeça para recebê-la em vez de se afastar.

—Aqui não —murmurou, embora não tivesse se movido nem um centímetro.

—Diz para eu parar —respondi, baixinho.

Ela não disse. Encostou a bochecha na minha palma e fechou os olhos por um instante.

Fiz carinho no pescoço dela, devagar, sentindo sua pele se arrepiar sob meus dedos. Ela respirava mais fundo, e cada expiração chegava até mim como uma ordem. Deslizei a mão até seu ombro, por baixo do decote folgado da blusa, sem pressa, dando a ela mil oportunidades de me deter. Ela não aproveitou nenhuma. Pelo contrário, virou o torso para se aproximar mais, até o peito ficar contra o meu braço e eu sentir seu coração batendo tão forte quanto o meu.

Eu estava tão excitado que mal conseguia pensar. Meu corpo reagia sozinho, tenso e quente, e eu sentia a pressão incômoda contra o tecido da calça. Olhei para Daniela, que continuava com a tela do celular acesa na outra mão, como uma desculpa caso Rocío aparecesse. Mas sua atenção estava inteira em mim.

—Juro que vou explodir —disse no ouvido dela.

—Então deixa eu te ajudar —ela respondeu, e sua voz tremeu de pura adrenalina.

***

O que aconteceu depois eu me lembro em câmera lenta, cada segundo esticado pelo medo de sermos descobertos e pela vontade de que aquilo nunca acabasse. Daniela se ajeitou de joelhos ao meu lado, naquele espaço mínimo entre a cadeira e o móvel, completamente escondida da loja. Olhou para mim de baixo, com um sorriso cúmplice que me deixou sem ar, e abaixou a máscara.

—Se alguém entrar, eu me abaixo para procurar alguma coisa —sussurrou, prática até para isso.

Assenti, incapaz de articular uma palavra.

Seus dedos tremiam levemente quando ela abriu minha calça, o suficiente para enfiar a mão e me agarrar primeiro por cima da cueca, tateando a dureza que já me mantinha cravado no corpo. O roçar arrancou de mim um gemido abafado que me obriguei a engolir. Daniela sorriu de lado, satisfeita, e baixou os olhos para vê-lo por conta própria: a tensão marcada, o tecido esticado, o pulso me denunciando por inteiro. Depois me libertou um pouco mais e me tomou na mão com decisão, envolvendo-me com uma firmeza quente que me fez fechar os olhos.

A palma dela subia e descia devagar no começo, medindo minha respiração, calculando quanto eu conseguia suportar sem fazer barulho. Com a outra mão, agarrou minha coxa para se apoiar, cravando os dedos na minha carne como se também precisasse se firmar em alguma coisa. Eu me segurei na borda da cadeira com uma mão e, com a outra, afastei uma mecha do rosto dela para enxergá-la melhor. Ela estava com a boca entreaberta, os olhos escuros fixos em mim, e aquele olhar estava me desarmando mais do que sua mão.

—É assim que você gosta? —murmurou, quase sem mover os lábios.

Não consegui responder com palavras; apenas assenti, engolindo em seco.

Então ela acelerou um pouco. Não de repente, mas com a paciência cruel de quem sabe exatamente onde está o limite. Esfregava meu pau com a mão nua, a ponta do polegar roçando a cabeça toda vez que subia, e o contato me deixava louco. Eu a ouvi respirar mais fundo, como se ela também estivesse ficando excitada com cada reação minha. Inclinou-se para a frente e passou a língua pela base, num gesto breve e úmido que me sacudiu inteiro. Depois abriu a boca e começou a chupá-lo com cuidado, primeiro a ponta, depois um pouco mais, fazendo a cabeça passar entre os lábios com uma suavidade que contrastava com o despudor da cena.

A sensação foi tão intensa que precisei apoiar a cabeça no encosto para não me denunciar. Daniela percebeu e, sem parar de mover a mão, afastou-se apenas o suficiente para me olhar.

—Não vai bancar o valente comigo —sussurrou—. Estou segurando você, não vem bancar o durão.

—Você está me deixando louco —disse, num fio de voz.

—Era isso que eu queria.

Ela voltou a colocá-lo na boca, agora com mais vontade, a língua contornando a borda da cabeça enquanto a mão continuava trabalhando a base. Cada passada arrancava de mim um espasmo contido. Eu segurava sua nuca com cuidado, sem apertar, mas sentindo sob os dedos o cabelo preto, liso pela umidade do ambiente e pela proximidade. Daniela se deixava guiar e, ao mesmo tempo, ditava o ritmo, alternando sucções curtas com movimentos do pulso, até me fazer perder qualquer noção da loja, das prateleiras, de Rocío do outro lado, do mundo inteiro.

Em certo momento, do lado de fora, Rocío perguntou alguma coisa em voz baixa, ainda com o telefone encostado à orelha:

—Você tem moedas para o café da esquina?

Levei alguns segundos de tortura para recuperar ar suficiente para responder.

—No pote do caixa —disse, surpreso por minha voz ter saído quase normal.

Daniela ficou imóvel por um segundo, ainda com a boca roçando em mim, e precisou se afastar um pouco para não rir e estragar tudo. Olhou para mim com os olhos brilhantes, contendo a gargalhada, e voltou ao que estava fazendo assim que Rocío se distraiu de novo. Aquela pausa, aquele roçar do desastre, foi o que terminou de me quebrar.

Deslizei uma mão pelas costas dela, por baixo da blusa, encontrando a pele quente da cintura. Ela não usava sutiã, ou pelo menos não um que me impedisse: a carne se marcava suavemente sob o tecido, e meus dedos sentiram o tremor que corria por seu abdômen. Daniela soltou meu pau com um estalo úmido e, sem perder o equilíbrio, sentou-se mais perto, abrindo um pouco as pernas para roçar em mim com o joelho e deixar claro que ela também estava ardendo. Levantou o quadril e se esfregou contra minha mão, guiando-a para baixo da saia ou da calça que estivesse usando naquela tarde; o detalhe já não me importava; importavam o calor, a respiração entrecortada, o jeito como ela me olhava como se estivesse prestes a pedir mais.

—Me toca —ordenou baixinho, quase sem voz.

Eu a obedeci. Enfiei a mão onde ela quis, sentindo primeiro a umidade escorregadia de sua boceta através do tecido e depois diretamente, quando ela mesma afastou o necessário para que não houvesse nada no caminho. Estava quente, encharcada, aberta para mim, e o contato me fez cerrar o maxilar. Afundei dois dedos com cuidado, e ela arqueou as costas, encostando a testa no meu ombro para abafar o gemido. O movimento foi lento no começo, uma entrada e uma saída medidas, mas, assim que percebeu que eu a estava procurando no lugar certo, empurrou minha mão mais para dentro, exigindo mais profundidade, mais pressão, mais ritmo.

Continuei tocando-a com insistência, procurando aquele ponto que a fazia estremecer. Ela se agarrou à minha perna com uma mão e, com a outra, voltou a cuidar do meu pau, lambendo a ponta descaradamente entre uma carícia e outra. O ar entre nós ficou espesso, úmido, carregado daquele cheiro de desejo que não precisava de palavras. Eu estava prestes a perder o controle. Sentia isso no estômago, no pescoço, nos ombros tensos, no modo como meus quadris se moviam sozinhos em direção à mão dela.

—Vamos, não se faça de rogado —murmurou ela, cravando em mim um olhar safado e divertido—. Quero sentir você gozar em mim e ficar bem vazio.

Aquilo terminou de me quebrar. Afundei os dedos com um empurrão mais firme, e ela apertou as coxas, tremendo. Segurou meu rosto com as duas mãos, puxou-me para si e me beijou com a boca cheia da minha própria umidade, sem um grama de pudor, enquanto eu continuava tocando sua boceta às cegas, guiado pelos espasmos de seu corpo. Beijei-a de volta, engolindo sua respiração, sentindo o sabor salgado da excitação e o calor da língua dela misturado ao meu.

O fim me atingiu como uma corrente que percorreu meu corpo inteiro. Cerrei o maxilar para não fazer barulho, roçando seu ombro como aviso, dando a ela a opção de se afastar. Ela não aceitou. Ficou comigo até o último tremor e só então, devagar, ergueu a cabeça com uma calma que me pareceu incrível.

Naquele exato instante, Rocío anunciou da porta que já era hora de ir embora. Daniela levou alguns segundos para se recompor: ajeitou a blusa, passou o dorso da mão pela boca, tornou a subir a máscara e levantou-se do chão como se tivesse apenas procurado um carregador caído.

—Pronto, já vou —respondeu à amiga, com uma naturalidade que me deixou admirado.

Ela me olhou uma última vez antes de sair de trás do móvel. Não foi preciso dizer nada. Naquele olhar estava tudo: a cumplicidade, o risco compartilhado, a promessa de que aquilo não ficaria restrito a uma única tarde.

***

Elas foram embora como se nada tivesse acontecido. Rocío comentando sobre o clima, Daniela assentindo, as duas desaparecendo pela calçada enquanto eu permanecia atrás do balcão, ainda com o pulso descontrolado. Por fora, a loja continuava tão modesta e tranquila quanto sempre, com suas prateleiras de guloseimas e sua máquina de videogame zumbindo no canto. Por dentro, alguma coisa tinha se quebrado para sempre, e eu não queria consertá-la.

Naquela noite, ela voltou a me escrever. Uma única linha: «Amanhã passo cedo, antes de a Rocío chegar.»

Li a mensagem três vezes antes de responder. Depois apaguei as luzes, baixei a porta de enrolar e fiquei algum tempo no escuro, pensando em como tinha sido fácil cruzar aquela fronteira, em como eu me arrependia pouco, em como conseguiria suportar as horas que faltavam até a porta se abrir outra vez. Daniela já não era, para mim, apenas mais uma cliente. E eu, sem dúvida, mal podia esperar para que ela voltasse a se esgueirar atrás do meu balcão.

Conto isso porque foi real, porque aconteceu exatamente assim e porque ainda tenho dificuldade para acreditar que aquele canto estreito, entre caixas de doces e uma máquina velha, tenha se tornado o lugar mais íntimo que conheci em muito tempo. Não foi a única tarde. Mas aquela, a primeira, é a que volto a lembrar toda vez que ouço a caixa que serve de porta sendo empurrada.

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