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Relatos Ardientes

O que descobri ao acordar na cama dele

Naquela madrugada, eu não tinha planejado dormir ali. Tinha acontecido coisa demais, daquelas que poucas vezes se repetem numa vida, e quando Valeria me pediu para não ir embora, olhei para Marcos em busca de algum sinal de incômodo ou de limite. Não encontrei nenhum. Ele assentiu com aquela calma dele, tranquilo como alguém que já tomou a decisão faz tempo e o único que lhe falta é executá-la. Os três estávamos exaustos. Já passava das três da manhã, o apartamento cheirava a vinho tinto, suor e sêmen, e a cama era grande o bastante para que aquilo não ficasse desconfortável.

Adormeci encostado na parede, pensando em Marcos. Não com desejo, mas com aquela intriga que alguém te provoca quando você não termina de entendê-lo por inteiro. Durante a noite, ele tivera uma atenção particular que me custou decifrar. Era observador demais para ser simplesmente um marido disposto a compartilhar. Concentrado demais para ser alguém que só olhava. Havia algo naquele homem que não estava totalmente resolvido. Algo que ele procurava, embora ainda não soubesse muito bem como chamar.

Não sei quanto tempo dormi. Talvez uma hora, talvez duas. O que me trouxe de volta à consciência não foi nenhum som, mas uma sensação: alguém estava chupando minha rola devagar, com uma lentidão deliberada que não tinha nada de urgente. Era uma boca morna, úmida, metódica, com esse tipo de paciência que só tem quem gosta do processo tanto quanto do resultado. Uma língua que subia pelo pau, contornava a glande, descia outra vez até a base. Fiquei quieto. Mantive os olhos fechados. Sentia a rola endurecer dentro daquela boca, a saliva escorrendo até os meus ovos, os dedos me massageando com cuidado enquanto a garganta me engolia inteiro. O prazer era real demais para eu interromper com perguntas.

Foi a voz de Valeria que me trouxe de volta ao mundo. Vinha do lado esquerdo, baixa e tranquila:

—Tá gostando, amor?

Abri os olhos. O quarto estava quase no escuro. Só entrava um filete de luz alaranjada por baixo da porta do corredor, o suficiente para distinguir as silhuetas. Valeria estava deitada ao meu lado, nua, apoiada no cotovelo, me olhando com aquela expressão que mistura diversão com algo mais difícil de descrever. Um sorriso que não era de satisfação, mas de antecipação, como quando você sabe que o presente que comprou vai agradar e está esperando a reação de quem vai recebê-lo. Com a mão livre, ela se acariciava entre as pernas, sem disfarçar, dois dedos entrando e saindo da boceta com uma lentidão constante.

Me ergui um pouco e então o vi.

Marcos. Ajoelhado entre minhas pernas, minha rola enfiada até o fundo da boca, com a mesma calma silenciosa de sempre, como se nada do que estivesse fazendo fosse especialmente fora do comum para ele. Tinha uma mão na base do meu pau e, com a outra, se acariciava, duro, vermelho, encharcado de saliva e do pré-gozo que ele mesmo arrancava de si em puxões. Quando cruzamos o olhar, ele não soltou a rola. Pelo contrário: afundou mais, até eu sentir o nariz pressionando meu pelo pubiano e a garganta fechando ao redor da glande. Depois subiu devagar, chupando forte, e deixou a ponta entre os lábios, me encarando, como pedindo permissão para continuar.

Não disse nada. Ele também não. Só Valeria falou, com aquela voz que ela usa quando explica algo que já decidiu faz tempo e só está esperando os outros entenderem:

—Eu vinha me perguntando havia meses como era. O que tinha de diferente, o que mudava. E eu expliquei que não tinha como descrever com palavras. Que algumas coisas você precisa viver para entender. Que tem que ter uma rola na boca e se deixar comer para saber.

Houve uma breve pausa. Marcos voltou a me engolir inteiro, agora de olhos fechados, gemendo baixo com a rola presa na garganta.

—Tá tudo bem se você não quiser continuar —acrescentou Valeria, dessa vez me olhando.

—Não —eu disse, e pus uma mão na nuca de Marcos, empurrando a cabeça dele para baixo—. Tá tudo bem.

E eu falava sério. Me deitei de novo e comecei a foder a boca dele, marcando o ritmo, enquanto ele se deixava usar sem resistir, com uma docilidade que dizia tudo o que ele não tinha dito a noite inteira.

***

Valeria se moveu até ficar de joelhos sobre mim, de frente para a cabeceira da cama. Passei as mãos nos quadris dela e a conduzi até minha boca. A boceta já estava úmida, inchada, aberta, a fenda brilhando sob a luz alaranjada do corredor.

Comecei devagar, sem pressa, passando a língua plana por toda a vulva, de baixo para cima, parando no clitóris para chupá-lo de leve. Prestava atenção em cada sinalzinho: a mudança na respiração, a forma como ela tensionava as coxas quando encontrava algo de que gostava, os sons que escapavam sem que ela percebesse. A pele dela era morna e cheirava àquela mistura concreta de perfume, suor e buceta molhada que, por razões que eu não consigo explicar direito, me excita mais do que qualquer fragrância pensada para esse fim. Separei os lábios com a língua, enfiei dois dedos e os curvei procurando o ponto que eu sabia que a deixava louca, enquanto continuava chupando o clitóris. Ela dobrou os joelhos, chegando mais perto, me sentando a xoxota na cara, dizendo sem palavras que eu estava no caminho certo.

—Isso, isso, chupa assim —gemeu, agarrada à cabeceira.

Lá embaixo, entre minhas pernas, Marcos continuava no dele com uma concentração que, em outras circunstâncias, teria me deixado intrigado. Tinha minha rola de novo na boca, agora babada até os ovos, e a trabalhava com as duas mãos e a língua ao mesmo tempo, subindo do saco até a ponta com lambidas longas, engolindo depois inteira, sem engasgar, com a prática de quem tinha pensado nisso mil vezes antes de criar coragem. Mas naquela noite não. Naquela noite, só me pareceu honesto. Havia algo naquela atenção que era diferente do desejo habitual, mais parecido com a curiosidade de quem finalmente está vendo algo que queria entender havia muito tempo. Cada vez que ele gemia dentro da boceta de Valeria, a vibração lhe entrava pelas pernas e arrancava dela um espasmo.

Valeria gozou antes do que eu esperava. O tremor começou nas coxas e subiu devagar até a barriga. Enfiei a língua no buraco dela enquanto apertava o clitóris com o polegar, e ela se veio, escorrendo saliva e gozo pelo meu queixo. Não gritou, o que eu agradeci em consideração aos vizinhos. Soltou um som longo e contido, apertando minhas mãos com as dela por vários segundos, esfregando minha boca com a pelve enquanto gozava. Depois ficou quieta, recuperando o fôlego, com a boceta ainda pulsando colada no meu rosto, e então, com uma ternura que não combinava em nada com o contexto geral, se virou e perguntou a Marcos, que seguia com minha rola na boca:

—Quer continuar?

Ele assentiu sem soltar o pau. Ela riu baixinho.

—Tira um segundo, amor. Agora é a sua vez.

***

Valeria se levantou sem pressa, atravessou o quarto com a naturalidade de quem se sente completamente à vontade no próprio corpo, os peitos se movendo devagar a cada passo, e abriu a gaveta da mesa de cabeceira. Tirou um frasco de lubrificante e o deixou sobre o lençol com uma pontualidade que me confirmou algo que eu já suspeitava: aquilo não tinha sido totalmente espontâneo. Parte daquela noite tinha sido imaginada, ou pelo menos pensada, antes. Sobre o lubrificante, ela também pôs um preservativo. Jogou em meu peito.

—Quero que você faça com Marcos o mesmo que fez comigo —me disse, direta e sem baixar a voz—. Quero ver você enfiar na bunda dele. Pra nós dois termos vivido isso.

Olhei para Marcos. Ele sustentou meu olhar. Já não tinha a expressão tranquila de antes. Havia algo no rosto dele que não era exatamente vergonha, mas uma espécie de atenção intensa, como a de alguém prestes a ver confirmada ou refutada uma hipótese que vem construindo em silêncio há muito tempo. Estava com a rola duríssima, apoiada na barriga, e o peito subia e descia rápido.

—Tá tudo bem se você não quiser —disse Valeria.

—Eu quero —respondi—. Põe em quatro, Marcos.

Era verdade, e ele obedeceu na hora.

Marcos se acomodou sobre os joelhos e apoiou os antebraços no travesseiro, arqueando as costas, oferecendo a bunda com uma entrega que eu não tinha visto nele a noite inteira. Valeria se sentou de lado, com as pernas cruzadas, acendeu o abajur no modo mais baixo e se ajeitou para não perder nada. Enquanto observava, acariciava os próprios peitos.

Levei o tempo necessário. Abri as nádegas dele com as duas mãos e passei a língua pelo cu, devagar, pressionando a ponta contra o músculo fechado até ele começar a abrir. Marcos gemeu com a cara enterrada no travesseiro, um som baixo e surpreso, como se essa parte não tivesse sido prevista. Continuei chupando o anel do cu por um bom tempo, salivando bem, enfiando a língua o máximo que conseguia, até sentir ele ceder.

Depois coloquei o preservativo, apliquei o lubrificante com cuidado, sem pular etapas, sem forçar nada. Primeiro enfiei um dedo, girando devagar, procurando a próstata. Quando a toquei, escapou dele um longo ofego e a rola deu um puxão visível entre as pernas.

—Aí —murmurou Valeria, mais para ele do que para mim—. Tá vendo do que eu te falei?

Enfiei um segundo dedo. Depois um terceiro, bem devagar. Perguntei se ele estava pronto. Esperei ele dizer que sim antes de avançar.

Ele respirou fundo. Soltou o ar devagar, num fio comprido. E então disse:

—Vai. Enfia.

Encostei a ponta da rola no cu aberto dele e empurrei com calma, prestando atenção a cada detalhe. Houve um momento de tensão, um instante em que ele prendeu a respiração e eu parei, com só a glande dentro, esperando. Então senti o corpo dele relaxar, a decisão de me deixar entrar. Fui entrando aos poucos, centímetro por centímetro, até sentir as nádegas apertadas contra minha pelve e os ovos contra os dele.

—Caralho, Marcos —murmurou entre os dentes, num tom que podia ser reprovação ou admiração—. Não é à toa que você gostou disso.

Marcos soltou uma risada, entrecortada pelo ofego. Curta, baixa, mas completamente real. Era a primeira vez na noite inteira que eu o ouvia rir de verdade, e esse som mudou alguma coisa no ambiente do quarto. Deixou tudo menos solene. Mais humano. Como se alguém tivesse aberto uma janela.

Comecei a me mover. Saídas longas, entradas firmes, marcando um ritmo que ele acompanhava empurrando a bunda para trás sempre que eu avançava. A cama rangia baixinho. Agarrei os quadris dele e aumentei a velocidade, fodendo com vontade, ouvindo cada novo gemido escapar a cada investida.

Valeria se aproximou da beirada da cama. Acariciou o cabelo de Marcos, beijou sua têmpora. Enfiou três dedos na boca dele, e ele os chupou como antes tinha chupado minha rola. Ela disse alguma coisa no ouvido dele com uma voz tão baixa que eu não consegui escutar. Ele respondeu com um som que não era de dor: ela baixou a mão, agarrou a rola de Marcos e começou a masturbá-lo no mesmo ritmo em que eu o comia. Ele gemeu mais alto, a cara virada para o travesseiro.

—Quando você for gozar —disse Marcos, com aquela calma dele que já começava a me parecer característica, agora cortada pelo ofego—, me avisa. Quero sentir você quando gozar.

Não era uma pergunta.

—Tá bom —disse eu.

E fiz isso. Enterrei a rola até o fundo, fiquei bem dentro, e soltei tudo com uma série de investidas curtas e profundas enquanto gozava dentro da camisinha, com as mãos afundadas na cintura dele. Marcos se veio um segundo depois, escorrendo sobre a mão de Valeria, apertando minha rola com o cu a cada espasmo. Ela levou os dedos à boca e os chupou sem parar de me olhar.

***

O amanhecer já se infiltrava pelas persianas quando terminamos os três, exaustos, em posições que exigiriam um diagrama para explicar a alguém que não tivesse estado ali.

Valeria tinha chegado de novo, desta vez com minha mão entre as pernas, meus dedos afundados até a articulação na boceta dela e a boca de Marcos chupando seus peitos enquanto ela puxava as rolas dos dois ao mesmo tempo, uma em cada mão, até Marcos voltar a se vir sobre a própria barriga e eu terminar com a rola dentro da boca dele, gozando contra a língua enquanto ela engolia sem me soltar. Marcos tinha conseguido o que vinha procurando havia meses sem saber exatamente como pedir. Eu fiquei sem energia, mas com aquela leveza específica que o corpo deixa quando algo sai exatamente como tinha de sair: sem forçar nada, sem que ninguém precisasse fingir querer algo diferente do que queria.

Ficamos os três em silêncio por um tempo, nus, pegajosos, com os lençóis uma bagunça. Dava para ouvir a rua lá fora: os primeiros caminhões de entrega, alguém fechando um portão de metal, um cachorro latindo em algum balcão perto dali. A cidade começando.

—Você fica para o café da manhã? —perguntou Valeria, olhando para o teto.

—Vocês têm ovos? —perguntei.

—Acho que sim.

—Então eu fico.

Marcos riu de novo. Desta vez mais tempo.

***

Meses depois daquela noite, ainda me pergunto o que exatamente mudou para Marcos. Não sei com certeza porque nunca mais o vi. O que sei é o que Valeria me contou duas semanas depois, quando me escreveu para dizer que estavam bem, que tiveram conversas longas, que havia coisas que Marcos vinha querendo reconhecer havia tempo e que aquela noite tinha funcionado para eles como uma espécie de permissão que nenhum dos dois ainda tinha se dado.

Não sei se isso é o que eu teria precisado no lugar dele. Cada pessoa chega a esse tipo de conversa do seu jeito e no seu tempo.

O que eu sei é que, naquela noite, ninguém mentiu. Ninguém fingiu querer algo diferente do que queria. Ninguém se arrependeu do que fez. Pela minha experiência, isso não é pouca coisa. É, na verdade, bastante raro.

Valeria terminou a mensagem com um emoji de sol e um «obrigada, de verdade». Esse detalhe, por alguma razão que eu ainda não consigo entender completamente, me pareceu a parte mais honesta de tudo o que ela escreveu. Mais honesta do que qualquer descrição do que aconteceu.

Guardei essa história por meses porque há coisas que precisam de tempo para encontrar a forma certa de serem contadas. Agora acho que encontrei.

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