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Relatos Ardientes

O que vi na garagem da minha tia naquela tarde

Vou contar exatamente como aconteceu, sem enfeites, porque sei que, de outro jeito, nem eu mesmo acreditaria. Isso aconteceu em julho do ano passado, em plena onda de calor, e desde então nada entre minha mãe e eu voltou a ser como antes.

Se chamava Carmen, minha mãe. Sessenta anos, morena, o cabelo sempre preso num rabo de cavalo frouxo, uma mulher que nunca me pareceu outra coisa além disso: minha mãe. A mesma que me preparava café com leite de manhã e me ralhava se eu chegasse tarde. Nunca a tinha olhado de outro jeito na vida.

Naquele dia, ela me pediu que a levasse até a casa da minha tia Lucía, que morava a uns vinte minutos de carro. Tinham combinado de passar a tarde juntas, ela me disse, e não tinha como ir. Levei-a, deixei-a na porta e disse que voltaria em algumas horas. Ela assentiu, sem dar maior importância.

Dirigi sem rumo por um tempo. Parei para tomar alguma coisa, dei uma volta pelo parque, mas o calor era insuportável e, no fim, decidi ir buscá-la antes do previsto. Não avisei. Não tinha motivo nenhum para avisar: era a casa da minha tia, eu tinha ido lá cem vezes.

Estacionei na rua, empurrei o portãozinho do jardim — sempre ficava destrancado — e contornei a casa pela lateral até chegar à garagem. Era onde minha tia guardava o carro e todo o traste que acumulava desde que se aposentou. A porta estava entreaberta e se escutava algo lá de dentro. Um golpe seco. Depois outro.

Empurrei a porta e fiquei paralisado no batente.

***

A garagem era ampla, com o carro estacionado num canto e o resto do espaço livre. Tinham colocado quatro cadeiras nos cantos, ligadas por uma corda esticada que formava algo parecido com um ringue. No chão, uma lona de plástico manchada de suor. E dentro desse ringue improvisado, duas mulheres.

Minha tia Lucía, loira, sessenta e dois anos, um metro e sessenta, estava em seu canto sentada num banquinho. Tinha o torso nu e as mãos enfaixadas com tiras de tecido branco. Os seios caídos pela idade, mas ainda cheios, os mamilos escuros e duros pela adrenalina. Um short dos anos 80, branco com faixa preta, e os pés descalços sobre a lona. Tinha a testa avermelhada e o cabelo grudado nas têmporas pelo suor.

No canto oposto, minha mãe.

Igual: de topless, as mãos enfaixadas, a calça preta com faixa branca, descalça. Os seios dela, os que eu nunca tinha me atrevido a olhar, pendiam pesados e brilhantes de suor, os mamilos castanhos eriçados, com marcas vermelhas de algum golpe encaixado. As costas apoiadas nas cordas, os braços caídos, respirando fundo. Tinha um fio de sangue seco sob o nariz.

Fiquei imóvel. Não sei quanto tempo passei assim, na porta, olhando. Foi minha mãe quem me viu primeiro.

— Vai ficar aí parado ou vai trazer água pra sua tia e pra mim? — disse, sem se alterar, como se a situação fosse a coisa mais normal do mundo.

Não soube o que responder. Entrei.

— Primeiro atende a sua tia, que estamos na casa dela — acrescentou minha mãe.

Me aproximei do canto de Lucía. Havia uma garrafa de água, um balde de plástico e uma toalha encharcada de suor. Minha tia abriu a boca sem dizer nada, e eu lhe levei a garrafa. Ela bebeu e cuspiu no balde. Tinha vários hematomas nas costelas e os seios avermelhados, com a marca clara de um soco impressa em um deles. Limpei o rosto dela com a toalha, passei a esponja fria pelo decote, entre os seios, pelo pescoço. Ela fechou os olhos e soltou um gemido baixo quando o gelo roçou um mamilo. Cobri os nós dos dedos dela com um pouco de vaselina de um pote que havia no chão, e me levantei com a rola apertando meu calção.

Depois fui até o canto da minha mãe.

Ela estava com as pernas abertas, os braços apoiados nas cordas de um lado ao outro, a cabeça um pouco inclinada para trás. Tinha o mesmo suor frio da minha tia, o mesmo cheiro de esforço e calor preso, um cheiro espesso, animal, que me atingiu no rosto e entrou por dentro de mim. Dei água a ela, limpei o nariz com cuidado, passei a garrafa fria pelas bochechas e pelo pescoço, e sem querer — ou querendo, já não sei — deixei o fundo gelado da garrafa deslizar entre os seios, até o umbigo. Ela não me deteve. Só abriu um pouco mais as pernas. Depois, sem pensar muito, peguei as pernas dela e apoiei nas minhas e massageei suas coxas, subindo cada vez um pouco mais, até roçar com o polegar a borda da calça, ali onde o tecido entrava na virilha úmida. Ela jogou a cabeça para trás e soltou o ar devagar.

Quantas vezes eu tinha imaginado algo assim?

Não vou negar: um dos meus fetiches, desde adolescente, era imaginar mulheres brigando. Não saberia explicar, nem vou tentar agora. É o que é. E ali estava aquilo, transformado em realidade, na garagem da minha tia, numa terça-feira de julho.

Prendi o cabelo dela em duas tranças, espalhei vaselina pelas maçãs do rosto e pela mandíbula. Justo então tocou um sino pequeno — minha tia o tinha no canto dela, um sino de mesa daqueles de hotel — e as duas se levantaram.

***

O que veio depois me deixou sem palavras.

Eu não esperava aquilo. Achei que seria uma brincadeira de gente grande, uns toques simbólicos, um pouco de teatro. Não foi assim.

As duas foram para o centro com a guarda alta, sérias, se olhando nos olhos. Minha tia Lucía lançou primeiro: três diretos seguidos no rosto da minha mãe, rápidos e bem colocados. Carmen absorveu sem recuar, firme, e respondeu com uma sequência de golpes no corpo de Lucía que a obrigaram a se curvar. Lucía reagiu com um gancho no queixo que fez minha mãe ter de se agarrar a ela para não cair.

Elas se agarraram, peito contra peito, escorregando pelo suor, se empurrando, buscando distância, os seios de uma esmagados contra os da outra. O som dos golpes era seco e real. Nada de teatro.

Minha mãe ficou contra as cordas por vários segundos, apanhando. Os golpes de Lucía eram duros, calculados, sem piedade. Mas Carmen não cedia. Absorvia, esperava, e quando encontrou o momento agarrou Lucía pelo pescoço com o antebraço e desferiu um direto de direita na mandíbula que arrancou o protetor bucal dela de uma vez. O plástico saiu voando e quicou no chão.

Lucía não caiu. Sacudiu a cabeça e voltou para cima da minha mãe com ainda mais raiva.

Os minutos seguintes foram os mais intensos que eu já vi na vida. Os golpes iam e vinham, os dois rostos avermelhados, as pernas tremendo de cansaço, o suor formando uma poça na lona. Nenhuma das duas cedia. Era algo pessoal, algo de muito tempo atrás, e eu não passava de uma testemunha acidental com a rola dura sob o short, incapaz de olhar para outro lado.

Pouco a pouco, os golpes foram perdendo força. O cansaço venceu. As duas se fundiram num aperto lento, apoiadas uma na outra, ofegantes, e então o sino tocou pela segunda vez.

Empate. Sem palavras.

***

Nenhuma das três falou no caminho de volta. Minha mãe sentou no banco do carona com o vidro abaixado e os olhos fechados. Eu dirigi. O rádio murmurava alguma coisa que nenhum de nós escutava.

Quando chegamos em casa, ela disse:

— Vou tomar banho.

Fechou a porta do banheiro. Eu me sentei no sofá da sala com as mãos entre os joelhos, tentando processar o que tinha visto. Minha cabeça estava em outro lugar. A cueca encharcada me lembrava que eu não tinha conseguido me controlar totalmente durante a luta. Não me orgulhava disso, mas era assim.

Depois de um tempo, ouvi passos.

Minha mãe apareceu no batente da sala com o cabelo molhado solto sobre os ombros. Usava uma camiseta regata cinza que grudava em alguns pontos porque não tinha secado totalmente, marcando os mamilos escuros através do tecido. Uma calcinha azul-marinho. Os pés descalços. Sem maquiagem, sem o rabo de cavalo habitual, sem a armadura cotidiana que eu conhecia.

Não soube o que dizer. Ela também não, no começo.

Sentou-se ao meu lado no sofá, mais perto do que o normal. E então deslizou a mão entre minha coxa e o tecido da calça e me olhou.

— O que você achou do que viu hoje? — perguntou, como se estivesse perguntando o que eu queria jantar.

Eu a encarei. Não desviei o olhar. Deslizei minha mão devagar entre as dela e a mantive ali.

— Você não imagina quantas vezes eu pensei em algo assim — disse —. Sempre achei que era uma fantasia impossível. Ver você assim, lutando, de verdade, na minha frente...

Ela assentiu sem surpresa, como se já soubesse. Os dedos dela subiram pela costura da minha calça até encontrar o volume que estava me apertando havia metade da tarde. Apertou-o com a palma aberta, medindo, e sorriu ao notar a umidade da cueca.

— A noite é longa — disse —. E tem coisas sobre mim que você ainda não sabe.

Ela baixou o zíper sem tirar os olhos dos meus. Tirou minha rola com uma mão firme, a mesma que poucas horas antes tinha estado enfaixada e quebrando caras. Olhou para ela por um momento, séria, como quem avalia. Depois se abaixou e a enfiou inteira na boca, até o fundo, sem aviso, e eu soltei um gemido que não reconheci como meu.

— Porra, mãe... — foi tudo o que consegui dizer.

— Cala a boca — murmurou com a rola contra os lábios. — E olha.

Ela me chupou devagar, com a língua toda, subindo e descendo, parando na ponta para lambê-la em círculos. Tirava minha rola da boca só para cuspir por cima, me masturbar com a mão cheia de saliva e voltar a engoli-la. A camiseta cinza tinha subido e os seios dela saíam por baixo, pesados, balançando com o vai-e-vem da cabeça. Agarrei o cabelo molhado dela e ela rosnou de aprovação, engolindo mais fundo, até eu sentir que ela engasgava um pouco e me olhou com os olhos marejados e um fio de baba escorrendo do queixo. Não parou. Continuou.

— Assim eu não vou durar nada — falei.

Ela se afastou, limpou a boca com o dorso da mão enfaixada ainda manchada de vermelho e se pôs de pé. Tirou a camiseta pela cabeça sem drama, e lá estavam enfim, diante de mim, os seios da minha mãe: pesados, marcados pelos golpes da tarde, com um hematoma roxo começando a surgir sob o mamilo direito. Ela baixou a calcinha azul-marinho pelas coxas e a deixou cair no chão. O cu, escuro, com pelos aparados, brilhava.

Ela subiu no sofá e montou em cima de mim, agarrou minha rola com a mão e a esfregou contra os lábios da sua buceta, para cima e para baixo, molhando a ponta com a própria umidade. Ela estava encharcada. Devia estar encharcada desde a garagem, certamente.

— Mete — disse. — Devagar. Quero sentir entrando.

Ela se deixou cair sobre mim e me engoliu inteiro de uma vez, com um longo suspiro que saiu do peito. Fechei os olhos e enfiei as mãos em suas ancas. Ela estava quente por dentro, apertada, e eu sentia cada centímetro das paredes dela se ajustando a mim. Ficou quieta por um segundo, respirando forte, e então começou a se mover: primeiro devagar, se embalando, e depois cavalgando de verdade, subindo e descendo com as coxas, deixando cair todo o peso em cada descida.

Agarrei um seio com cada mão e apertei. Ela soltou um gemido rouco e se inclinou para que eu pudesse chupar seus mamilos. Levei um deles à boca, mordi devagar, e ela cravou as unhas na minha nuca.

— Continua... assim... meu filho... — ofegou, e essa palavra dita daquele jeito, com a rola dentro, me deixou ainda mais duro.

Mudei a posição dela sem tirá-la de mim. Deitei-a de costas no sofá, abri suas pernas e me coloquei entre elas. Segurei-a por baixo dos joelhos, levantei-os até a altura do peito, e comecei a fodê-la fundo, com investidas longas que faziam os seios dela baterem contra o rosto. A lona da garagem, o suor, os golpes, tudo se misturou na minha cabeça e eu empurrei mais forte, mais rápido, até ela gritar tapando a boca com a mão enfaixada.

— Aí, aí, não para, filho, não para — gemia. — Me fode como se eu fosse aquela vadia da sua tia.

Virei-a. Coloquei-a de joelhos no sofá, com o rosto contra o encosto, e agarrei-lhe as ancas. Deixei uma palmada no cu dela e entrei por trás de uma vez só. Ela arqueou as costas e empurrou para trás, contra mim. Agarrei o rabo de cavalo — o cabelo dela tinha sido preso de novo sozinho, sem que ela pedisse — e puxei, obrigando-a a erguer a cabeça. Fodi-a assim, segurando-a pelo cabelo como um animal, vendo o hematoma na costela se marcar a cada estocada.

— Vou gozar — avisei.

— Dentro — disse ela. — Goza dentro. Quero saber que você me encheu.

Aguentei mais duas, três investidas e gozei dentro dela com um rosnado longo, sentindo o corpo inteiro se contrair. Ela gozou em seguida, apertando-me com a buceta, gemendo baixo, com a testa colada ao encosto do sofá. Fiquei parado, enterrado, a rola pulsando dentro dela, incapaz de soltá-la.

Quando a tirei, o sêmen escorreu pela coxa dela. Ela se virou, sentou-se, me olhou com o cabelo bagunçado e um sorriso cansado, o mesmo que tinha no canto do ringue algumas horas antes.

— Eu te disse que a noite era longa — falou.

***

O que aconteceu naquela noite não vou contar tudo aqui em detalhes, pelo menos não o que veio depois. Sei que quem chegou até aqui merece, mas tem coisas que ainda me custam colocar em palavras sem a mão tremer. Só digo que fodi-a mais duas vezes antes do amanhecer, uma na cama dela, outra no chuveiro, e que nenhuma das duas foi menos intensa que a primeira.

O que posso dizer é isso: minha mãe fazia aulas de boxe com minha tia havia anos. Eu não sabia. Nunca mencionou, assim como não mencionou muitas outras coisas. Era uma mulher inteira fora do papel que eu tinha atribuído a ela, e naquela tarde ela me provou isso de um jeito sem volta.

Eu a vi de verdade pela primeira vez naquela garagem. Não como mãe, não como figura de família, mas como alguém com uma história própria, com um corpo que tinha usado para bater e apanhar e continuar de pé, com um olhar que me sustentou sem piscar quando o que havia entre nós mudou de natureza.

Não vou me esconder atrás de desculpas nem fingir que não sabia o que estava fazendo. Eu sabia. Nós dois sabíamos.

A relação mudou naquela noite. Não foi acidente nem um momento de fraqueza que se dissolveu ao amanhecer. Foi uma decisão, lenta e consciente, tomada pelos dois.

Meses depois, minha namorada também faz parte de tudo isso. Essa é outra história, e eu vou contá-la se houver quem queira ler. Mas o começo foi esse: uma garagem, o calor de julho, duas mulheres com as mãos enfaixadas, e eu sem saber para onde olhar.

Agora eu sei perfeitamente para onde olhar.

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