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Relatos Ardientes

O segredo que deixei para o desconhecido da festa

A máscara pesava mais do que eu tinha imaginado.

Não pelo material. Pesava de outro jeito, em algum ponto entre o peito e a cabeça, como uma promessa que eu ainda não sei pronunciar em voz alta.

Era uma pressão estranha, quase prazerosa: a certeza de estar segura atrás do anonimato. De poder olhar, sorrir, provocar, sem que ninguém soubesse de verdade quem eu era sob aquele antifaz.

A casa respirava à noite.

Desde a entrada já se ouvia o pulso grave da música, como um coração lento batendo sob o assoalho de madeira. O ar estava carregado de perfume, de álcool e de calor humano.

Marina tinha me arrastado para essa festa com a promessa de que «eu não ia me arrepender». Revirei os olhos. Agora, cruzando o limiar, começava a dar razão a ela.

Lá dentro tudo era movimento.

Luz dourada refletindo nas taças, nas máscaras venezianas, nas peles que brilhavam de leve sob a iluminação suave. Os anfitriões tinham transformado a casa num pequeno labirinto de tentações: o salão principal para dançar, um bar improvisado sob a escada, uma varanda aberta para a madrugada e um quarto cheio de almofadas e velas onde as pessoas falavam perto demais.

E, ao fundo, um corredor com várias portas entreabertas.

Ninguém dizia para que eram.

Mas todos nós intuíamos.

Entramos rindo, Marina, Claudia e eu, ainda com o frio da rua grudado nas pernas. O contraste com o calor lá de dentro percorreu minha coluna como uma descarga curta.

Pedi uma bebida.

A primeira eu bebi rápido. A segunda, muito mais devagar.

A música foi se enfiando no meu peito e afrouxando meus ombros.

E então levantei o olhar.

***

Ele já estava ali.

Não sei há quanto tempo observava o salão, nem se tinha me visto antes de eu encontrá-lo no meio do povo. Mas quando nossos olhos se cruzaram tive a certeza imediata de que sim, de que fazia um tempo que ele me olhava.

Ele usava uma máscara preta.

Sem adornos, sem penas, sem dourados. Só preto fosco. Sob a borda se adivinhava uma boca firme, tranquila, com aquela curva mínima que não chega a ser sorriso, mas promete alguma coisa.

Não desviou o olhar.

Foi isso que me desarmou. A maioria das pessoas, quando descobertas olhando, desvia os olhos por puro reflexo. Ele não. Continuou me observando, sem agressividade e sem vulgaridade. Pior ainda: como se me olhar fosse a coisa mais natural do mundo.

Senti um formigamento lento no estômago, uma corrente que foi subindo devagar.

Virei de novo para as minhas amigas. Dançamos. Rimos. Mas, a cada poucos segundos, meus olhos voltavam a procurá-lo quase sem que eu decidisse.

E ele sempre estava ali. Em outro canto. Perto de uma coluna. Depois ao lado do bar. Depois encostado na parede do fundo.

Sempre olhando. Nunca se aproximando.

Isso tornava o jogo mais intenso, porque a distância ia se enchendo de coisas que ainda não tinham acontecido.

***

A terceira música foi mais lenta. As luzes baixaram um pouco e a pista se encheu de corpos colados.

Foi então que senti a mão dele roçando meu braço.

Um toque leve. Suficiente para arrepiar minha pele.

Virei. Era ele.

De perto, sua presença era diferente. Mais sólida, mais quente. A colônia que ele usava tinha um fundo escuro, algo amadeirado, que se misturava com o cheiro da festa.

—Quer dançar? —disse.

Sua voz era baixa, grave, quase um sussurro que eu senti mais do que ouvi.

Assenti.

A mão dele encontrou minha cintura com uma naturalidade que me surpreendeu. Não foi um gesto invasivo, mas seguro, como se ele tivesse imaginado aquele movimento muitas vezes antes de fazê-lo.

Nos movemos para uma área menos iluminada da pista.

No começo dançamos com uma pequena distância entre nós. Essa distância durou pouco. A mão dele na minha cintura ficou mais firme. Meu braço descansou sobre o ombro dele. Nossos corpos passaram a seguir um ritmo compartilhado que parecia nascer da música e de mais alguma coisa.

Senti o calor do corpo dele antes mesmo de me encostar de vez. E outra coisa também: a linha dura da sua rola, apenas perceptível sob o tecido da calça, encostando na minha coxa quando nos virávamos. Não fingi que não notei. Me aproximei um pouco mais.

—Tô te olhando faz um bom tempo —murmurou perto do meu ouvido.

O ar da voz dele roçou minha pele.

—Já tinha percebido.

—Ah, é?

—Um pouco.

A mão dele nas minhas costas se deslocou só alguns centímetros, o bastante para que eu reagisse com uma sensibilidade que eu não esperava. Desceu mais um pouco, até a curva da bunda, e ficou ali, imóvel, marcando território sem dizer nada.

Havia algo muito físico naquela proximidade. O atrito dos tecidos. O calor acumulado entre os corpos. A respiração que aos poucos ia se sincronizando. Eu já sentia a boceta formigando sob o vestido, úmida, desperta só pelo jeito como ele me segurava.

Continuamos dançando. Cada música parecia mais lenta que a anterior. Terminamos quase completamente alinhados, sentindo o subir e descer do peito dele contra o meu, e a ereção pressionada contra meu ventre.

A máscara dele roçava a minha quando nos inclinávamos perto demais. Esse contato acidental tinha algo perigosamente íntimo.

—A gente podia tirar —eu disse num momento.

Ele negou devagar.

—Ainda não.

—Por quê?

A boca dele buscou minha orelha.

—Porque agora não saber é mais excitante.

Essa frase me atravessou inteira como uma corrente. Ele não disse aquilo como provocação. Disse como uma constatação tranquila. E tinha razão: a imaginação preenchia todos os vazios.

***

Tomamos mais alguma coisa no bar. Saímos por um momento para a varanda. O ar frio me arrepiou a pele sob o vestido, e ele percebeu quando a mão dele pousou por um segundo no meu braço.

—Você tá com frio.

—Um pouco.

Mas não nos movemos. Ficamos nos olhando, com um silêncio espesso e cheio de intenção entre nós.

Quando voltamos para dentro, a festa estava num dos seus momentos mais vivos. As pessoas aplaudiam ao redor de um círculo onde os anfitriões tinham colocado uma roleta com desafios escritos em cartõezinhos.

Beijos roubados. Danças obrigatórias. Provas absurdas. Gargalhadas.

Não sei bem como acabei diante da roleta. Talvez Marina tenha me empurrado. Talvez eu mesma quisesse brincar.

Girei. A roleta deu várias voltas antes de parar, e a anfitriã leu o cartão com um sorriso maroto.

—«Escolha alguém nesta sala e desapareça com essa pessoa por dez minutos.»

As risadas explodiram.

Senti o olhar dele antes mesmo de me virar. Não precisei pensar.

Ele pegou minha mão. Os dedos dele eram quentes. Me conduziu para fora do círculo sem dizer uma palavra.

***

O corredor dos quartos estava em penumbra. A música chegava longe, amortecida pelas paredes. Havia algo naquele trajeto curto que acelerou meu pulso, a sensação de cruzar um limite invisível.

Abrimos uma porta qualquer. O quarto estava iluminado só por uma luminária de luz suave. Quando a porta se fechou atrás de nós, o silêncio caiu como uma cortina.

Nos olhamos. Duas máscaras. Dois desconhecidos.

Por um segundo ninguém se mexeu. Mas a tensão que havíamos acumulado a noite inteira era forte demais para continuar fingindo calma.

Ele se aproximou. A mão dele subiu devagar pelo meu pescoço e o polegar roçou a linha da minha mandíbula. Esse gesto mínimo despertou uma reação imediata em toda a minha pele.

E então ele me beijou.

O primeiro contato foi lento, mas carregado de uma intensidade contida, como se aquele beijo fosse o fim inevitável de tudo o que veio antes: os olhares, a dança, a proximidade.

Minhas mãos encontraram as costas dele. Senti o calor do corpo dele contra o meu quando me puxou para si. O beijo ficou mais profundo, mais urgente. A língua dele entrou entre meus lábios e eu a recebi com a minha, mordendo de leve o lábio inferior dele toda vez que se afastava. A máscara roçava a dele sempre que nos mexíamos, e esse detalhe estranho tornava tudo ainda mais excitante.

As mãos dele percorreram minhas costas, minha cintura, a curva dos meus quadris com uma lentidão deliberada que fazia cada toque se ampliar. Minha pele respondia a cada roçar. Calor. Calafrios. Pequenas descargas que me atravessavam inteira.

Fomos para a cama entre beijos e respirações cada vez mais descompassadas. Quando ele me deixou cair sobre os lençóis, uma mistura de vertigem e desejo me fez fechar os olhos por um instante.

As mãos dele não tinham pressa. Começaram pelas alças do vestido, deslizando por meus ombros com uma lentidão que me fazia morder o lábio sob a máscara. O tecido caiu até a cintura e meus seios ficaram expostos diante dele, com os mamilos já duros pelo frio do quarto e pelo peso do olhar fixo dele.

—Porra —murmurou.

Ele se inclinou e abocanhou um mamilo com os lábios. A língua dele desenhou círculos lentos ao redor do bico, sugou com uma pressão medida e, quando fechou os dentes de leve, uma descarga me atravessou da ponta do peito até a boceta. Passou para o outro e repetiu o jogo: sugar, morder, lamber, até que eu arqueava as costas buscando mais e enterrava os dedos no cabelo dele pedindo em silêncio que ele não parasse.

Arranquei a camisa dele. Os botões resistiram dois segundos antes de ceder. Sob o tecido apareceu um peito firme, marcado, quente. Passei as mãos por ele, sentindo a respiração forte. Abaixeii o olhar e vi o volume tenso empurrando o tecido escuro da calça.

Levei a mão dele até a braguilha.

—Tira —eu disse.

Ele riu baixo, rouco, e obedeceu. O cinto fez um estalo seco ao abrir. Quando baixou a calça e a cueca num só movimento, a rola saltou dura, grossa, com uma gota brilhante na ponta, maior do que eu tinha imaginado sob aquela proximidade na pista.

Fiquei com água na boca.

Ajoelhei na beira da cama e a agarrei com a mão. Estava quente, pulsando, com uma veia marcada correndo por baixo. Beijei primeiro a ponta, sentindo-a tremer entre meus dedos. Depois lambi de cima a baixo, saboreando o sal da pele. E então abri a boca e a coloquei inteira dentro, o máximo que consegui, até sentir batendo no fundo da garganta.

Ele soltou um gemido grave.

—Isso, porra, isso...

A mão dele se enroscou no meu cabelo, não empurrando, só acompanhando o ritmo. Comecei a chupar a rola devagar, com a língua bem colada na glande cada vez que subia, cavando as bochechas cada vez que descia. Chupei com fome, com barulho, com a saliva escorrendo pelo meu queixo. Às vezes eu a tirava da boca só para lamber os ovos, para chupar um e depois o outro, para engolir a rola de novo até o fundo enquanto o olhava de baixo.

—Você vai me fazer gozar se continuar assim —ele ofegou.

Olhei para ele de baixo, com a boca ainda cheia dele, e sorri com os olhos.

Ele me pegou pelos braços e me levantou para a cama. Me deitou de costas, tirou o vestido de vez num puxão e abriu minhas pernas com as mãos. Ficou um segundo olhando minha boceta, toda molhada, brilhando sob a luz suave da luminária.

—Você tá encharcada —disse.

—A culpa é sua.

Ele baixou a cabeça e começou a me chupar.

A primeira passagem da língua dele me arrancou um gemido longo. Ele lambeu devagar, de baixo para cima, parando no clitóris para chupá-lo com os lábios. Tornou a descer, enfiou a língua dentro de mim, tirou, subiu de novo. Repetia o circuito como se tivesse todo o tempo do mundo, e eu apertava os lençóis com os punhos e arqueava os quadris contra a boca dele pedindo mais.

Ele enfiou dois dedos.

Curvou-os lá dentro e encontrou exatamente o ponto de que eu precisava enquanto continuava sugando o clitóris. A combinação foi devastadora. O primeiro orgasmo veio de repente, me apertando inteira ao redor dos dedos dele, e soltei um grito abafado contra a própria mão.

Ele não parou. Chupou tudo o que saía, me lambeu limpa com paciência, até que o tremor das minhas coxas começou a diminuir.

Ele se endireitou. A boca dele brilhava molhada por baixo da máscara.

—Agora eu vou te foder —disse.

—Sim —respondi sem fôlego—. Me fode.

Ele se colocou entre minhas pernas. Vi quando segurou a rola e a passou pelos meus lábios abertos, encharcando-a na minha própria umidade, roçando o clitóris com a ponta até me fazer suspirar. Ele estava me deixando louca de propósito.

—Enfia logo, por favor.

Ele empurrou.

Entrou de uma só vez, longa, lenta, até o fundo. Senti ele me preencher inteira, senti minha boceta se esticar ao redor da rola até acomodá-la, meu corpo inteiro se tensionando com a pressão. Ele ficou parado por um segundo dentro de mim, respirando forte, como se saboreasse a sensação.

—Porra, como você tá apertada.

E começou a se mexer.

No começo com estocadas longas, profundas, que me arrancavam um gemido a cada empurrão. Eu enlaçava as pernas na cintura dele e cravava os calcanhares na bunda para pedir mais. A cama rangia sob nós. O som úmido dos nossos corpos colidindo se misturava à música distante da festa.

—Mais forte —eu pedi.

Ele acelerou. Cada vez que o quadril dele batia contra o meu, uma chicotada de prazer subia pela minha coluna. Meus seios saltavam a cada estocada e ele se abaixou para abocanhar um mamilo sem parar de me foder, chupando com a mesma intensidade com que me penetrava.

—Assim, assim, não para...

Ele me segurou por baixo dos joelhos, abriu ainda mais minhas pernas e se afundou mais fundo. Esse ângulo me fez ver estrelas. Senti a rola tocar num ponto exato que me fazia perder a cabeça.

—Eu vou gozar —ofeguei—. Vou gozar de novo...

—Goza na minha rola.

O segundo orgasmo me sacudiu inteira. Gritei contra o ombro dele enquanto a boceta se fechava em espasmos ao redor da rola. Ele continuou empurrando, prolongando o prazer, até que eu quase não consegui aguentar.

Ele saiu de mim. Antes que eu pudesse reclamar, me virou de barriga para baixo.

—De quatro.

Ele me ergueu pelas ancas. Me deixou com a bunda para cima, o rosto contra o travesseiro, a máscara ainda no lugar. Senti a ponta da rola dele outra vez na entrada, encharcada, escorregadia. E então ele voltou a me penetrar num empurrão.

—Ai, porra...

Nessa posição ele entrava ainda mais fundo. Ele me segurou pelas ancas com as duas mãos e começou a me foder de outro jeito: brutal, primitivo, sem nenhum cuidado. O som das coxas dele batendo contra minha bunda enchia o quarto. Ele agarrou meu cabelo com uma mão e puxou de leve, o suficiente para erguer um pouco minha cabeça.

—Diz que você gosta.

—Eu adoro —gemi—. Adoro como você me fode.

Ele me deu uma palmada na bunda. A ardência me atravessou e, por alguma razão, me deixou ainda mais molhada. Bateu de novo, mais forte, e dessa vez eu gemi sem conseguir conter.

—Outra —eu pedi.

Outra palmada. E outra estocada funda.

Desceu uma mão pelo meu ventre e encontrou o clitóris. Começou a esfregá-lo enquanto continuava me engulindo por trás. A combinação era demais. Senti o terceiro orgasmo se formando bem fundo, diferente, mais longo, mais intenso.

—Eu vou gozar —avisei—. Vou... ai, meu Deus...

Me entreguei à mão dele e à rola dele ao mesmo tempo. Meu corpo inteiro convulsionou e desabou contra os lençóis. Ele aguentou mais alguns segundos, ainda dentro de mim, ainda se movendo devagar, até que a respiração dele começou a acelerar.

—Vou gozar —disse entre os dentes.

—Não dentro —murmurei, meio fora de mim.

Ele saiu. Me virou de novo de costas. Ficou de joelhos sobre meu peito e segurou a rola com a mão. Bombeou rápido, apertado, me olhando por trás da máscara preta. Eu pus a língua para fora sem pensar.

Bastaram alguns segundos. Com um rosnado rouco ele gozou sobre meus seios e meu pescoço, jorros quentes de sêmen que respingaram na minha pele. Um deles chegou até meus lábios e eu lambi sem desviar os olhos dele.

—Porra —murmurou, me olhando como se não conseguisse acreditar—. Porra.

Ele desabou ao meu lado sobre os lençóis. O quarto cheirava a sexo, a suor, a colônia misturada com algo ainda mais íntimo. Eu podia sentir a porra escorrendo devagar pelo meu pescoço até a clavícula, e isso não me importava nem um pouco.

***

Quando tudo se acalmou, ficamos ali, respirando devagar. As máscaras ainda estavam no rosto.

Isso me fez rir baixinho.

—Acho que os dez minutos já passaram.

Ele também riu. Ficamos mais um instante, sem perguntar nomes, sem quebrar o mistério. Os dois sabíamos que parte da magia daquela noite estava justamente nisso: em não saber, em não precisar saber. Só em lembrar.

Saímos do quarto com o silêncio ainda grudado na pele.

Por alguns segundos nenhum dos dois falou. A música da festa chegava abafada da sala, como um rumor distante, enquanto o corredor continuava na penumbra. O ar ali estava mais fresco e parecia ir desfazendo aos poucos o vertigem do que tínhamos compartilhado.

Fiquei encostada na porta fechada, a mesma que minutos antes tinha contido nossas respirações agitadas. Ainda estava com o pulso acelerado e a pele desperta demais. Sob o vestido eu sentia ainda as coxas úmidas, um rastro morno dele escorrendo devagar.

Ele deu alguns passos pelo corredor, como se fosse voltar direto para a festa. Mas, antes que se afastasse de vez, levantei a voz, suave.

—Espera.

Ele se virou. A luz fraca desenhava sombras sobre a máscara preta dele. Por um instante ele voltou a parecer o desconhecido da pista, e ao mesmo tempo alguém com quem eu tinha acabado de dividir algo íntimo demais para continuar sendo totalmente estranho.

Fiz um gesto com a mão.

—Vem um instante.

Sorri. Não um sorriso aberto, mas aquela curva lenta e cúmplice que aparece quando você sabe perfeitamente o efeito que pode provocar.

Ele se aproximou. Um passo. Depois outro.

Quando ficou diante de mim, me inclinei um pouco na direção dele. Minha mão roçou o peito dele enquanto eu levava os lábios até a mandíbula e, dali, até o ouvido. Pude sentir o calor da pele dele.

—Quero te dar uma coisa para você lembrar desta noite —sussurrei.

Notei a respiração dele mudar um pouco.

Então me afastei. Minhas mãos desceram devagar pelo vestido, num gesto natural, mas deliberadamente lento. No silêncio do corredor, cada movimento parecia amplificado.

Baixei os olhos por um segundo enquanto meus dedos se livravam da pequena calcinha que eu usava sob o vestido, ainda encharcada do que acabáramos de fazer. O gesto teve algo provocador e também brincalhão.

Quando me endireitei de novo, a segurei entre os dedos por um instante. O tecido estava pesado, úmido, e ele percebeu de imediato quando eu a ofereci.

Ele a pegou. Por um momento a observou na mão, surpreso, divertido, e chegou a aproximá-la do nariz por um segundo sem conseguir evitar. Sorriu ao fazer isso, como se aquele pequeno objeto acabasse de transformar a noite em algo ainda mais pessoal.

—Porra —murmurou—. Você vai me matar.

Enquanto a atenção dele permanecia fixa na peça, dei um passo para trás. Depois outro. O corredor seguia escuro e em silêncio.

Antes que ele erguesse o olhar, eu já me afastava pela esquina que levava de volta ao salão. Meus passos foram rápidos e leves, acompanhados por uma sensação nova no corpo.

Porque agora, sob o vestido preto, minha pele estava nua.

A ausência daquela pequena peça fazia cada movimento parecer diferente. O tecido roçava minhas coxas de um jeito mais direto, mais consciente, deslizando sobre a umidade que ainda me restava entre as pernas. Era uma sensação sutil, mas constante, um lembrete a cada passo.

E, acima de tudo, era um segredo. Um segredo que só uma pessoa em toda a casa conhecia.

Ele.

***

Quando voltei para o salão, a festa continuava viva: música grave, luzes quentes, taças erguidas entre máscaras venezianas e conversas animadas.

Juntei-me a Marina e Claudia perto do bar como se nada tivesse acontecido. Mas, enquanto conversávamos e ríamos, meu corpo continuava lembrando. Cada passo. Cada giro. Cada leve roçar do tecido na pele sensível da boceta ainda inflamada.

A sensação era estranhamente excitante. Porque, entre todas aquelas pessoas, só ele sabia. Só ele conhecia esse detalhe escondido sob meu vestido, e só ele conhecia o sabor exato do tecido que agora carregava no bolso.

Meus olhos começaram a procurá-lo quase sem eu decidir. Encontrei-o perto de uma das colunas.

Quando nossos olhares se cruzaram, a expressão dele mudou apenas um pouco. Por um segundo, tudo ao redor pareceu parar.

Depois vi o gesto. A mão dele deslizou para dentro da jaqueta. Não totalmente. Só o suficiente para tocar algo no bolso interno.

Eu sabia exatamente o que ele estava tocando. A pequena peça que eu tinha lhe dado, ainda morna, ainda molhada de mim.

A forma como os dedos dele pareciam se fechar em torno do tecido revelava mais do que curiosidade. Havia naquele gesto uma evocação silenciosa, como se aquele objeto guardasse a memória imediata do que havíamos vivido no quarto: o calor, o suor, a rola afundada até o fundo, a porra quente sobre a pele.

Sorri à distância. Não um sorriso aberto. Um lento. Carregado de cumplicidade.

A noite seguiu entre danças e conversas, mas entre nós havia ficado estendido um fio invisível que nos mantinha atentos um ao outro.

De tempos em tempos nossos olhares se encontravam. Às vezes de extremos opostos da pista. Às vezes quando um de nós se aproximava do bar. Às vezes simplesmente no meio da multidão.

E quase sempre, depois desse cruzar de olhares, ele voltava a tocar o bolso da jaqueta. Esse pequeno gesto tinha algo quase instintivo, como se ele precisasse confirmar que a lembrança ainda estava ali. Como se, ao tocá-la, pudesse voltar mentalmente ao quarto que acabávamos de deixar e ver de novo minha boceta aberta para ele.

Enquanto isso eu dançava. Me movia entre as pessoas. Mas a sensação sob meu vestido não desaparecia. Pelo contrário: cada movimento me lembrava o pequeno jogo que tínhamos inventado entre nós, e cada atrito do tecido contra os lábios inchados me mantinha acesa por dentro.

***

Essa consciência secreta fez com que, aos poucos, eu começasse a me aproximar de novo. Primeiro da pista. Depois do bar. Por fim da coluna onde ele estava encostado.

Quando ficamos a poucos passos, não falei nada de início. A música nos envolvia com seu ritmo profundo. Cheguei perto o bastante para que só ele pudesse me ouvir.

—Ainda tá com ela? —murmurei.

O sorriso dele apareceu na mesma hora. Ele enfiou a mão na jaqueta e a tirou só por um segundo, o bastante para eu ver antes de ele guardar de novo.

—Claro.

Inclinei-me um pouco mais na direção dele. Meu ombro roçou o peito dele.

—Cuida bem dela —sussurrei.

—É difícil esquecer. Ainda tem seu cheiro.

Senti a tensão entre nós despertar de novo com a mesma facilidade de antes, e também senti a boceta se contrair só de ouvi-lo. A mão dele encontrou minha cintura outra vez e desceu, disfarçada pela multidão, até a curva da bunda. Ali ficou, me apertando contra ele, me deixando sentir que ele já estava duro de novo sob a calça. A proximidade reativou imediatamente a lembrança física do encontro anterior: o calor, o ritmo compartilhado, a pele ainda sensível.

Me aproximei do ouvido dele.

—Sabe o que é mais divertido?

—O quê?

—Que só você sabe.

Houve um breve silêncio. Depois a mão dele se fechou um pouco mais em torno da minha cintura.

—Isso faz eu querer voltar.

Sustentei o olhar dele. A música continuava tocando. A festa seguia ao nosso redor. Mas a tensão que nos ligava voltava a crescer devagar, carregada de promessas.

E nós dois sabíamos exatamente para onde aquilo nos levaria quando voltássemos a desaparecer por aquele mesmo corredor.

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