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Relatos Ardientes

A diretora que me marcou encontro com a porta sem chave

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Aos 36 anos, mantenho duas versões de mim mesmo em paralelo com bastante eficiência. A primeira aparece no suplemento cultural: Rodrigo Casale, crítico e perfilador do jornal de maior circulação do país, conhecido por suas análises que oscilam entre a admiração e o bisturi sem aviso prévio. A segunda é privada, sem desculpas nem narrativa redentora: um homem com apetites claros que chega à academia às seis da manhã porque, se não esgota o corpo antes de amanhecer, a cabeça começa a trabalhar contra mim.

Meu habitat profissional é essa zona de atrito entre a arte e o dinheiro: vernissages em Palermo, jantares com editores no microcentro, lançamentos em que se servem vinhos caros demais e se dizem meias verdades sobre pessoas que estão na mesma sala. Nesse circuito, os boatos têm mais velocidade que qualquer agência de notícias.

E os boatos sobre Laura Cárdenas vinham se instalando havia meses nas conversas que acontecem depois da segunda taça.

Laura não é apenas a diretora executiva do Grupo Atlântico, o conglomerado de mídia mais influente do cone sul. Ela é uma presença que reorganiza os ambientes. Tem 45 anos, uma idade que algumas pessoas recebem como concessão e que nela funciona como combustível. Alta, morena, com aquele tipo de segurança que não vem da roupa, mas de saber exatamente quanto custa seu tempo. Quando fala em conferências, o silêncio ao redor dela não é cortesia: é que as pessoas esquecem que tinham algo a dizer.

Mas o que me tinha fixado uma imagem em algum canto do cérebro não era seu histórico de aquisições nem sua capacidade de desmontar redações inteiras numa reunião de quarenta minutos. Era o outro lado. O que circulava nos jantares de executivos depois da segunda taça de malbec, quando os chefes de imprensa baixam a guarda e as confidências ficam mais concretas. Dizia-se que Laura Cárdenas tinha uma vida privada que não combinava em nada com a imagem que suas fotos oficiais projetavam. Que havia deixado mais de um homem jovem saindo de suas reuniões privadas com a cara de quem acaba de entender alguma coisa para a qual não estava preparado. Que o poder, para ela, não era substituto do desejo, mas sua extensão natural. Que fodia como fodem as mulheres que já não têm nada a provar a ninguém.

Esses relatos tinham ido sedimentando em algum lugar da minha cabeça sem que eu os convidasse explicitamente. Mais de uma noite, me peguei, no silêncio do meu apartamento em Villa Crespo, com a mão no pau e a imagem dela por trás das pálpebras, enquanto fechava o laptop. Imaginando o que existia por trás daquele olhar calculado, que sons saíam daquela voz grave e precisa quando não havia ninguém gravando, como abririam as pernas dela e quão molhada estaria aquela buceta que juntava tantos boatos.

Era uma fantasia absurda de um homem que trabalha com palavras e deveria saber melhor do que ninguém quando está construindo ficções.

Eu dizia isso a mim mesmo e continuava igual.

***

Na quarta-feira em que Laura chegou à redação para almoçar com o diretor-geral, eu terminava um texto sobre a última bienal com meia hora de atraso. Ouvi antes de vê-la: os passos dela no assoalho de madeira tinham o ritmo de quem não precisa se apressar para chegar em primeiro.

Ela vestia um terno cinza de corte impecável que marcava os ombros com uma precisão quase arquitetônica. Não era roupa para agradar; era roupa de quem já toma como certo que agrada e decidiu dedicar sua atenção a outras coisas. Ao passar pela minha mesa, o ar se moveu. Seu perfume era denso, com algo de madeira escura e especiarias que me atingiu direto em algum ponto entre o peito e o estômago antes que eu pudesse me preparar.

Parou para cumprimentar o chefe de seção, a menos de três metros de mim. Pude ver detalhes que as fotos de imprensa não capturam: os tendões de suas mãos quando apertou um cumprimento, a pequena cicatriz no queixo, a maneira como seus olhos mapeavam a sala com uma velocidade que não tinha nada de casual.

Então ela me olhou.

Não foi um olhar de cortesia. Me procurou entre as mesas, me encontrou e ficou ali. Quatro ou cinco segundos que funcionaram como uma declaração de algum tipo.

—Seus perfis têm um defeito —disse, com uma voz controlada o suficiente para só eu ouvi-la—. Você os escreve como se precisasse convencer o leitor de que o sujeito lhe parece interessante. Dá para notar o esforço.

Levantei antes de decidir se era conveniente fazer isso.

—Talvez seja porque o sujeito ainda não me deu material suficiente —respondi.

Ela inclinou levemente a cabeça. Um sorriso que era mais desafio do que cordialidade.

—Isso tem solução —disse—. Ou não. Depende de quanto você está disposto a arriscar para conseguir isso.

Virou-se e seguiu caminhando em direção à sala de reuniões. O movimento de suas costas ao se afastar foi a única coisa que vi pelos três minutos seguintes, até o redator do lado me perguntar se eu tinha pegado no sono de olhos abertos.

Não respondi.

***

A oportunidade concreta chegou cinco dias depois, na gala de aniversário do suplemento, realizada naquele ano no Palácio Errázuriz. Era uma noite úmida e quente de novembro, daquelas em que Buenos Aires cheira a tempestade iminente e eletricidade estática.

O salão estava cheio do de sempre: críticos, galeristas, um funcionário da cultura que ninguém tinha convidado mas que sempre aparece, escritores suficientemente conhecidos para poder ignorar todo mundo impunemente. Eu circulava entre grupos com uma taça na mão, mantendo conversas pela metade e procurando sem admitir.

Vi-a chegar depois da meia-noite. Tinha trocado o terno cinza por um vestido preto de decote reto que deixava os ombros completamente à mostra. Sem joias. Sem nada para distrair. Era uma aposta calculada em sua simplicidade, e funcionava exatamente como fora destinada a funcionar.

Fui acompanhando-a com os olhos enquanto cumprimentava grupos diferentes, sempre com aquela cadência de quem administra a própria presença com a mesma precisão com que administra os contratos. Bebi mais do que devia. Falei com pessoas de quem não me importava. Às 1h15, vi-a se separar do grupo principal e seguir para um terraço lateral que dava para a avenida. Sozinha.

Me desculpei com quem quer que estivesse falando comigo e fui para lá.

O terraço era estreito, com um parapeito de ferro forjado e dois vasos enormes que bloqueavam a vista de dentro. Laura estava encostada no parapeito, taça na mão, olhando as árvores da rua iluminadas por baixo. Não se moveu quando cheguei. Também não me olhou de imediato.

—Demorou —disse.

—Não sabia que havia prazo.

—Eu te vi hesitar lá dentro —disse, agora sim virando a cabeça para mim—. Duas vezes. O que te travou na primeira?

Fiquei ao lado dela, com os braços apoiados no parapeito.

—O bom senso —disse—. Chega atrasado e não serve para muita coisa, mas mesmo assim aparece.

Ela sorriu. Dessa vez com algo diferente, algo que não estava calculado para o salão lá dentro.

—O que se diz de mim nos seus círculos? —perguntou.

Não era uma pergunta que precisasse de resposta. Era um convite para ver até onde eu iria.

—Que o poder não te alcança —disse—. Que no privado você é outro mundo. Que os homens que estiveram perto de você saem sem conseguir explicar direito o que aconteceu.

Silêncio. O ruído da cidade preencheu o espaço entre nós por vários segundos.

—E você acredita? —perguntou.

—Acredito que boatos que duram têm alguma base. E acredito que você saiu para este terraço sabendo que eu iria te seguir.

Laura pousou a taça sobre o parapeito com um movimento preciso. Virou-se totalmente para mim. A luz do interior iluminava metade do rosto dela, deixando a outra na sombra.

—Você escreve sobre pessoas —disse—. Já escreveu sobre alguém que não entendia por completo?

—Sempre. É a única maneira honesta de fazer isso.

Algo na expressão dela mudou. Não suavizou; ficou mais direta, mais quieta.

—Tenho um apartamento —disse—. Não o que consta na minha declaração de bens. O meu. Em Recoleta. —Metendo a mão na pequena bolsa que carregava, tirou um cartão em branco—. Tem algo para escrever?

Entreguei a ela a caneta do bolso interno do paletó. Ao pegá-la, os dedos dela roçaram os meus por um instante a mais do que o necessário. Escreveu algo no verso: devagar, com a letra clara e apertada de quem assina documentos que não admitem ambiguidades.

Ela colocou o cartão na palma da minha mão e fechou meus dedos sobre ele com os seus. O contato durou exatamente o tempo suficiente para eu entender que nada daquilo era acidental.

—Minha segurança me deixa lá em vinte minutos e vai embora —disse, aproximando-se o bastante para que a voz chegasse só a mim. O hálito dela tinha algo de vinho branco e decisão tomada—. Se você chegar antes de meia hora, a porta vai estar sem chave. Mas não é uma entrevista o que estou oferecendo. Se você não tiver claro o que é, então não venha.

Afastou-se. Pegou a taça. Voltou ao salão como se a conversa tivesse sido sobre política cultural, cumprimentando alguém com um sorriso que não revelava absolutamente nada do que acabara de acontecer naquele terraço.

Fiquei sozinho, com o cartão na mão e a caneta ainda entre os dedos. Um número de apartamento. Uma rua em Recoleta. Uma caligrafia que não pedia: determinava.

***

Levei catorze minutos para sair do palácio. Outros doze para conseguir um táxi. Fiquei mais quatro minutos sentado no carro em frente ao prédio de pedra com toldos pretos, olhando a fachada iluminada por dentro, pensando em tudo o que podia se complicar: meu trabalho, meu critério como jornalista, o fato de que ela era exatamente o tipo de pessoa sobre quem um dia eu teria de escrever sem que minha mão tremesse.

Pensei também nas noites em que tinha imaginado exatamente essa situação, sabendo que era absurda, e na distância entre aquilo e a porta sem chave que me esperava no quarto andar.

Paguei o táxi. Entrei no prédio.

O elevador cheirava levemente ao perfume dela, ou talvez eu estivesse inventando isso. O espelho me devolveu a imagem de alguém que tinha tomado uma decisão e não ia fingir distração a respeito.

Quarto andar. Um corredor comprido com carpete bordô. Uma única porta ao fundo, entreaberta, com uma linha de luz amarela filtrando pelo vão.

Empurrei a porta.

A sala era o que se podia esperar de alguém que escolhe suas batalhas com cuidado: escura, arrumada, livros de verdade nas prateleiras e nada decorativo que não cumprisse alguma função. Um abajur aceso ao lado da poltrona. E Laura, de pé junto à janela que dava para a rua, sem o blazer do vestido, com os braços cruzados e uma taça na mão.

Ela me viu entrar sem se mover.

—Quatro minutos no carro —disse—. Vi pelo reflexo da janela.

—Não era indecisão —disse—. Era concentração.

Ela deixou a taça na mesinha lateral.

—E agora? Já terminou de se concentrar?

Me aproximei. Devagar. O único som era o ruído abafado da cidade entrando pelas frestas da janela e minha própria respiração, que não estava tão controlada quanto eu gostaria.

—Faz semanas que penso em você —disse, sem enfeitar a frase—. Sem pedir e sem conseguir parar. Isso não é o mesmo que saber exatamente o que fazer quando a situação é real.

—Não precisa saber o que fazer —respondeu, e a voz dela naquele espaço privado era algo completamente diferente da que usava nas coletivas de imprensa: mais grave, mais quieta, mais para dentro—. Precisa ficar.

Parei a um passo dela. O suficiente para sentir o calor que ela irradiava. Os olhos dela me percorreram sem pressa, com aquela calma de quem sabe que o tempo trabalha a seu favor.

—Os boatos —disse—. São verdadeiros?

Laura ergueu uma mão e a apoiou aberta no meu peito, sem apertar, só medindo.

—Foi isso que você veio confirmar?

—Entre outras coisas.

Um sorriso lento. Ela me pegou pela gola da camisa com dois dedos e me puxou para si com uma suavidade que era mais exigente que qualquer força.

—Então fica e forma sua própria opinião —sussurrou—. É isso que os bons jornalistas fazem, não é?

Os lábios dela roçaram os meus antes que eu pudesse responder. E depois deixaram de roçar, se abriram, e a língua dela entrou na minha boca com a mesma segurança com que entrava numa sala de diretoria. Mordiscou meu lábio inferior, puxou-o para si, soltou. Pegou minha mão direita e a levou ao peito dela, por cima do tecido do vestido. O mamilo já estava duro. Senti perfeitamente, mesmo através do tecido.

—Sem rodeios —murmurou contra minha boca—. Não vim ao meu próprio apartamento às duas da manhã para você se fazer de tímido.

Abri o zíper do vestido com um puxão. O tecido caiu no chão num lençol negro. Ela não usava sutiã. Os seios eram mais pesados do que o vestido deixava supor, com os mamilos escuros e alerta, apontando levemente para cima. Abaixei-me e mordi um deles, sem preparação, sem cerimônia. Ela soltou um som curto, gutural, e cravou as unhas na minha nuca.

—Assim —disse—. Forte.

Chupei um mamilo enquanto apertava o outro entre o polegar e o indicador, girando-o. O quadril dela se mexeu sozinho, buscando o meu. Passei a mão pelo ventre dela, para baixo, até a borda da única peça que ainda lhe restava: uma calcinha preta minúscula que já estava encharcada. Afastei-a com dois dedos e afundei os dedos entre seus lábios. Estava ensopada. Um calor úmido e viscoso que escorreu pela minha mão até o punho em questão de segundos.

—Olha a buceta que você tem —disse, com a voz mais rouca do que reconheci como minha—. Você está encharcada desde o terraço.

—Desde quarta-feira na sua redação —respondeu ela, me olhando com uma fixidez quase cruel—. Agora se ajoelha e come.

Não pensei. Arrastei a calcinha pelas pernas dela e deixei cair. Empurrei-a até as costas baterem no vidro frio da janela. Abri-lhe as pernas com os ombros e passei a língua inteira pela buceta, de baixo para cima, fechando no clitóris ao final do percurso. Laura jogou a cabeça para trás e o vidro fez um ruído opaco contra sua nuca.

—Aí —ofegou—. Aí, não para, continua aí.

Chupei o clitóris com os lábios fechados em volta dele, primeiro de leve, depois com mais pressão, alternando com a ponta da língua desenhando círculos. Enfiei dois dedos e os curvei para cima, procurando aquele ponto áspero por dentro. Quando o encontrei, o corpo inteiro dela enrijeceu como uma corda. As coxas apertaram minha cabeça. Ela puxava meu cabelo com uma mão e com a outra apertava um seio.

—Filho da puta —murmurou, quase com admiração—. Como você mama.

Continuei. Entrava e saía com os dedos num ritmo constante enquanto trabalhava o clitóris com a língua sem descanso. A buceta dela apertava meus dedos em ondas, cada vez mais frequentes. Senti o exato momento em que ela deixou de controlar: a respiração se partiu ao meio, ela parou de segurar os sons e gozou, encharcando minha mão e meu queixo numa sequência de espasmos longos que sacudiram suas pernas.

—Levanta —ofegou, antes de terminar de descer—. Levanta agora.

Fiquei de pé. Ela segurou meu rosto com as duas mãos e lambeu a própria gozada do meu queixo e dos meus lábios com uma fome que não tinha nada de decorativa. Depois me empurrou para trás até eu cair sentado na poltrona. Ajoelhou-se entre minhas pernas e abriu meu cinto sem tirar os olhos de mim.

—Agora é a sua vez —disse.

Ela me abaixou a calça e a cueca de uma só vez até os joelhos. O pau saltou duro contra minha barriga. Ela ficou olhando para ele por dois segundos, com um sorriso que era pura avaliação, e então o pegou com a mão e passou a língua por baixo, dos ovos até a ponta, devagar, com uma calma insultante. Na ponta, parou. Chupou a gota que já surgia e me olhou de baixo enquanto fazia isso.

—Dá para ver que faz tempo que você quer enfiar isso aqui —disse.

—Semanas —admiti.

—Então primeiro você paga.

E meteu meu pau inteiro na boca, até o fundo, sem nem um engasgo. Senti a garganta dela se fechando em volta da ponta. Começou a me chupar num ritmo que não era de amadora: apertando-me com os lábios na subida, ajudando com a mão na base, chupando meus ovos entre uma e outra. Eu segurei o cabelo dela com as duas mãos, prendi num punho, e comecei a mover a cabeça dela no ritmo de que eu precisava. Ela não reclamou. Pelo contrário: me olhou com os olhos marejados pelo esforço e com uma expressão que dizia continua, mais forte, mais fundo.

Eu fodi a boca dela por um bom tempo. Com fios de saliva descendo pelo queixo, com o barulho úmido e obsceno da garganta cedendo toda vez que eu a enfiava até o fundo. Quando senti que estava prestes a gozar, afastei-a.

—Não —disse—. Ainda não.

—Boa decisão —disse ela, secando a boca com o dorso da mão—. Teria sido um desperdício.

Ela se levantou. Virou-se. Apoiada no encosto da poltrona, inclinou-se para a frente e me ofereceu o cu arqueado com uma impaciência que não tentava disfarçar. Vi a buceta aberta, brilhante, e o cu apertado logo acima.

—Me mete —ordenou—. Agora.

Ajoelhei-me atrás dela na poltrona. Agarrei-lhe as coxas com as duas mãos e cravei o pau de uma só vez, até os ovos. Laura gritou. Não foi um gemido educado: foi um grito rouco, animal, que saiu do fundo do peito. Ela estava tão molhada que entrei inteiro sem resistência, e a senti me apertar assim que terminei de enfiá-lo.

—Assim —ofegou—. Assim, sem cuidado, não me trata como porcelana.

Comecei a comê-la de verdade. Com investidas longas e profundas no começo, tirando quase tudo a cada vez e voltando a enfiar de uma vez. O som dos meus quadris contra o cu dela encheu a sala, tapas de carne contra carne misturados aos gemidos que ela já não tentava controlar. Peguei o cabelo dela com uma mão, puxei para trás, e deixei as costas dela arqueadas numa curva perfeita. Com a outra mão, agarrei um seio e apertei até ela soltar um rosnado.

—Me diz o que você diz quando não há jornalistas —pedi, sem parar de metê-la.

—Que você meta mais forte —respondeu, quase sem ar—. Que você me quebre. Que faz semanas que quero esse pau dentro de mim.

Passei o polegar entre as nádegas e o apoiei no cu dela, apertando só um pouco. Ela empurrou para trás para receber. Enfiei o dedo até a primeira falange e a buceta dela se fechou em torno do meu pau como um punho.

—Puta merda —gemeu—. Assim, tudo.

Fodi-a por trás até sentir que não ia aguentar muito mais. Então tirei, virei-a, joguei-a de costas na poltrona e abri suas pernas até os ombros. Enfiei o pau de novo e me deitei sobre ela, cara com cara, para vê-la enquanto a partia. Laura cravou os calcanhares no meu cu e me puxou para si a cada investida.

—Olha para mim —disse—. Quero ver a cara da diretora executiva enquanto enfiam nela.

Ela não abaixou os olhos. Sustentou meu olhar enquanto eu a comia, com os lábios entreabertos, com a maquiagem borrada, com o cabelo colado na testa pelo suor. Em algum momento, enfiou uma mão no meu cabelo e aproximou minha boca da sua para morder meu lábio outra vez, e essa mordida terminou de quebrar o pouco controle que me restava.

—Vou gozar —avisei.

—Fora não —ofegou—. Nos peitos.

Tirei na hora certa. Subi sobre ela, com o pau na mão, e me sacudi duas, três vezes sobre seu peito antes de o gozo sair em jatos longos que caíram entre os seios, no pescoço, no queixo. Laura passou dois dedos pelo sêmen do peito e levou-os à boca, sem deixar de me olhar, enquanto eu terminava de me esvaziar sobre a pele dela.

—Agora sim —disse, depois de engolir meus dedos limpos—, já tem material.

Ficamos um tempo ali, ela deitada, eu sentado ao lado, respirando como dois animais que acabaram de correr. Depois ela me levou para o chuveiro e me chupou de novo debaixo da água quente até endurecê-lo outra vez, e me fez comê-la em pé contra os azulejos, mais devagar dessa vez, com a boca colada no meu ouvido dizendo coisas que não vou repetir em nenhuma redação. E às cinco da manhã, quando a cidade começava a insinuar a primeira luz, eu a comi pela terceira vez na cama grande do quarto, com ela por cima, movendo-se sobre mim com a mesma cadência precisa com que administrava todo o resto na vida, até gozar mordendo meu ombro e eu me acabar dentro dela porque, àquela altura, já não havia regras para discutir.

E naquela noite, a cidade continuou girando sozinha lá fora enquanto eu aprendia que as melhores histórias são as que nunca se publicam.

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