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Relatos Ardientes

A noite em que explorei meu prazer mais proibido

Era quarta-feira. Eu tinha o apartamento só para mim até sexta e uma lista de coisas que eu supostamente devia fazer: roupa suja, e-mails sem resposta, a planta da sala agonizando no vaso havia semanas. Mas havia algo mais nessa lista, algo que eu vinha adiando com desculpas diferentes há muito mais do que semanas.

Eu chamava aquilo de «isso». Nunca em voz alta, nunca pelo nome. «Isso» era aquela curiosidade persistente que aparecia sempre nos piores momentos: quando eu tentava dormir e o silêncio do quarto ficava denso demais, quando o banho quente me relaxava além da conta e os pensamentos se soltavam sozinhos e iam até onde eu não os tinha convidado. Entre as pernas, primeiro. Depois mais atrás, até aquele outro buraco que eu fingia não ter.

Eu tinha lido sobre aquilo. Tinha visto vídeos que me faziam apertar as coxas diante da tela, mulheres com dois dedos enterrados no cu enquanto se esfregavam a buceta com a outra mão, gemendo coisas que eu repetia em silêncio, movendo os lábios. Fechava a aba rápido, como se alguém pudesse me ver, e ia para a cama com a buceta encharcada, sem coragem de me tocar. Toda vez que eu estava prestes a tentar, alguma coisa me detinha. Vergonha, talvez. Ou medo de descobrir que eu gostava de foder o cu mais do que teria querido admitir, até para mim mesma.

Naquela noite, eu não arrumei mais desculpas.

Tranquei a porta do meu quarto por dentro. Baixei a persiana até deixar só uma fresta por onde entrava a luz laranja da rua. Sentei na beirada da cama e fiquei quieta um momento, ouvindo o silêncio do apartamento, conferindo se ele era real. Nada. Só o ruído abafado do trânsito e minha própria respiração, um pouco mais rápida do que o normal.

— Hoje eu vou foder o cu — murmurei, como se precisasse ouvir isso para acreditar. A palavra soou estranha na minha própria voz, e eu gostei de como soou.

***

Comecei pelo banho. Não porque eu precisasse, mas porque queria chegar àquilo completamente presente, com a mente limpa e o corpo preparado. A água quente demorou alguns segundos para estabilizar, e quando saiu na temperatura perfeita, entrei e fiquei sob o jato sem fazer nada por um bom tempo, deixando o vapor encher o banheiro e o barulho da água cobrir todo o resto.

Deixei a água correr pelas costas, deslizar pela curva da lombar, chegar à fenda do cu e seguir um pouco mais abaixo. Fechei os olhos. O vapor fazia tudo parecer mais lento, mais íntimo. Ensaboei-me devagar, sem pressa, prestando atenção em partes do meu corpo às quais normalmente eu não dava atenção nenhuma. Meus mamilos endureceram sob a palma ensaboada, e quando passei a mão entre as nádegas senti o sabão fazer o dedo escorregar justamente por cima do ânus. Parei ali. Pressionei de leve. O músculo fechou de repente, e soltei uma risadinha nervosa contra o azulejo.

Enfiei um dedo ensaboado na buceta para ver como eu estava. Estava encharcada, inchada, e quando tirei o dedo, o sabão se misturava com algo mais espesso, mais meu. Lavei-me por dentro com cuidado e, depois, com a ponta escorregadia, voltei para trás e tracei um círculo lento ao redor do cu. Dessa vez o músculo tremeu, mas não fechou tanto. Eu estava começando a entender.

Quando saí, não me sequei por completo. Enrolei-me na toalha só por um instante, o suficiente para chegar à cama sem pingar no piso de madeira. A pele ainda úmida arrepiou levemente ao contato com o ar fresco do quarto, os mamilos ficaram marcados e duros sob o tecido, e esse contraste foi, de algum modo, o início de tudo.

Deitei de bruços e coloquei um travesseiro grosso sob os quadris. Outro sob a cabeça. Fiquei assim por alguns segundos, sentindo o peso do meu próprio corpo contra o colchão, a leve pressão do travesseiro elevando a parte de baixo das costas, deixando meu cu erguido numa posição que já dizia alguma coisa, que já era uma declaração que meu corpo fazia antes de a minha cabeça terminar de decidir. Com as pernas afastadas e a bunda empinada, imaginei por um segundo como eu seria vista por trás: a buceta rosada brilhando de umidade, e logo acima o ânus apertado, esperando.

***

O lubrificante estava na gaveta da mesinha de cabeceira, onde eu o tinha guardado na semana anterior depois de comprá-lo com o coração acelerado e escondê-lo embaixo de um livro, como se alguém pudesse encontrá-lo no meu próprio apartamento. Tirei-o de lá e o segurei um momento entre as mãos. Transparente, sem cheiro, o frasco mais pequeno que havia na farmácia. Eu o tinha pego sem olhar nos olhos do caixa, e saí com o rosto ardendo, imaginando que ele sabia exatamente o que eu ia fazer com aquilo.

Pus uma quantidade generosa na palma e a aqueci entre as duas mãos antes de deixá-lo deslizar pela fenda do cu. A sensação foi imediata: fria no começo, depois morna, depois escorregadia de um jeito que não tinha comparação com nada que eu tivesse sentido antes. Desci a mão e espalhei o lubrificante por todo o ânus, pela pele ao redor, misturando-o com a umidade que já escorria da buceta até o períneo. Tudo estava escorregadio, tudo estava quente. Alguma coisa naquele momento fez com que eu prendesse a respiração, fechando os olhos instintivamente.

Isso está acontecendo de verdade. Vou foder o cu.

Com as duas mãos, separei as nádegas com cuidado, sentindo-me ridícula por exatamente meio segundo. Depois essa sensação passou. Ninguém me olhava. Ninguém me julgava. Era só meu corpo e eu, meu ânus brilhando de lubrificante sob aquela fresta de luz laranja no fundo do quarto e o silêncio que envolvia tudo.

Soprei de leve sobre o buraco. A reação foi imediata e involuntária: uma pequena contração, uma piscadela rosada, um reflexo que eu não controlava. Meu cu respondendo antes de eu tomar qualquer decisão consciente, antes de chegar qualquer dedo.

— Calma — murmurei, embora eu mesma não soubesse muito bem com quem falava, se comigo ou com aquele buraquinho virgem que eu estava prestes a estrear.

***

O primeiro contato foi só a ponta do dedo médio, apenas roçando a borda, traçando círculos que iam se aproximando sem nunca chegar de fato ao centro. Era lento de um jeito quase exasperante, mas funcionava: cada volta era um pouco menor, um pouco mais perto do ânus, e a antecipação ia se acumulando numa tensão que quase doía. Eu sentia a buceta escorrer sobre o travesseiro, as paredes vazias se contraindo sozinhas, pedindo algo que dessa vez eu não ia dar.

Quando finalmente pressionei contra o cu, foi só a ponta, apenas um milímetro dentro.

Já foi o suficiente para me arrancar um gemido abafado contra o travesseiro.

O músculo resistiu, depois cedeu, depois voltou a resistir naquele ciclo automático e involuntário que eu levei alguns minutos para aprender a controlar. Inspirar pelo nariz, expirar pela boca, relaxar conscientemente o esfíncter que normalmente eu nunca pensava em relaxar. Empurrar o dedo para dentro como se fosse cagar, em vez de apertar. Contrair. Soltar. Contrair. Soltar. Cada ciclo deixava passar mais um milímetro do dedo pelo ânus, e eu parei de contar e simplesmente deixei o corpo fazer o que tinha que fazer.

Estranho. Essa foi a primeira palavra que me veio à cabeça quando o dedo chegou à primeira falange. Não desagradável, não doloroso, simplesmente estranho. Uma sensação completamente nova, sem categoria anterior, meu próprio cu engolindo um dedo pela primeira vez, o esfíncter fechando-se quente e apertado ao redor da pele da minha mão.

Quando o dedo entrou por inteiro, até a base, fiquei quieta por alguns segundos. Só respirando. Sentindo a pressão por dentro, o calor úmido das minhas próprias entranhas, a sensação de estar preenchida pelo cu de um jeito que não se parecia com nada do que veio antes. Contraí o esfíncter de propósito ao redor do dedo e senti como ele pulsava, como me apertava, como o meu próprio cu estava me mostrando o quão estreito era.

— Bom — disse a mim mesma, e dessa vez eu realmente acreditei.

***

Movi-o devagar, curvando-o na direção do umbigo, buscando a parede frontal do reto, e então veio o estalo.

Não foi gradual. Não teve aviso. Foi direto, como se alguém tivesse ligado alguma coisa que ficou desligada a vida inteira. Um ponto esponjoso, macio, que respondeu ao primeiro toque com uma intensidade que me fez agarrar o lençol com a mão livre e soltar o ar de uma vez. A ponta do dedo o sentia claríssimo por dentro do cu, como uma pequena saliência quente, e cada roçar mandava uma descarga direta ao clitóris.

— Porra, porra, porra — falei em voz alta, completamente sozinha no meu apartamento, às onze e quinze de uma quarta-feira de outono, com um dedo até o fundo do cu e a buceta encharcando o travesseiro.

Não me movi por um momento. Só pressionei. Apenas um pouco. Sentindo aquele ponto esponjoso do lado errado, aquele lugar cuja existência eu tecnicamente sabia que existia, mas que nunca tinha encontrado por esse lado. Cada pequeno movimento do dedo mandava alguma coisa para cima, para a base da coluna, para algum lugar sem nome exato que eu reconheci sem hesitar no instante em que cheguei lá. Esfreguei-o com a ponta, em pequenos círculos, e senti a buceta se contrair no vazio, senti escapar um fio de lubrificação que escorreu pela coxa abaixo.

Aqui. Era aqui o tempo todo. No meu caralho do cu.

***

Com a outra mão, comecei a me tocar a buceta, mas de um jeito diferente de como eu fazia normalmente. Mais devagar, mais atenta a cada coisa, coordenando o ritmo das duas mãos. Dois dedos entre os grandes lábios, escorregando sobre o clitóris inchado, enquanto o dedo de trás continuava massageando aquele ponto secreto. Quando o dedo do cu empurrava para dentro, os dedos da buceta apertavam o clitóris. Quando saía, afrouxavam. A sincronização demorou um pouco para acontecer, mas quando aconteceu foi como se todo o corpo respondesse a um único impulso.

Enfiei dois dedos na buceta de uma vez e soltei um gemido rouco contra o travesseiro. A sensação era nova: eu sentia o dedo da outra mão através da parede, sentia meus próprios dedos se roçando a partir de dois buracos diferentes, separados apenas por aquela fina faixa de carne. Nunca estive tão cheia. Nunca me senti tão minha.

Os sons que eu fazia já não eram voluntários. Gemeva sobre o travesseiro, ofegava, sussurrava palavras soltas — cu, buceta, mais, porra — que saíam sozinhas e que o apartamento vazio absorvia sem julgá-las.

A sensação foi escalando de um jeito completamente diferente de como normalmente escalava. Não era o mesmo caminho conhecido do clitóris que eu podia percorrer quase sem prestar atenção. Era algo mais lento, construído a partir de baixo, do fundo mesmo do cu, e essa diferença o tornava mais intenso, não menos. Eu tirava os dedos da buceta pingando e os levava ao ânus para misturar meu próprio fluido ao lubrificante, e voltava, e assim, para frente e para trás, me besuntando inteira.

Tirei o dedo do cu e passei mais lubrificante. Introduzi um segundo dedo, os dois apertados juntos, empurrando devagar.

O estiramento foi intenso, justo no limite entre a dor e algo que não era exatamente prazer, mas queria mais. O esfíncter cedia milímetro a milímetro, queimando um pouco, se abrindo para acomodar a espessura dupla. Respirei fundo pelo nariz e esperei, com os dois dedos pela metade, até que a tensão cedeu por completo e eu senti o cu engoli-los num puxão úmido. O que restou foi algo mais completo, mais presente, mais meu do que qualquer coisa que eu já tivesse sentido antes: dois dedos até a base dentro do meu próprio cu, e outros dois encharcados na buceta.

Movi-os com uma abertura mínima, em tesoura, sentindo todo o esfíncter se esticar com aqueles pequenos movimentos internos. Comecei a bombear, tirando-os até a ponta e enfiando-os de volta até a falange, fodendo meu cu com a minha própria mão num ritmo cada vez mais rápido. Era demais para ignorar. Era demais para não entender por que as pessoas buscavam isso, reivindicavam isso, repetiam isso, por que havia mulheres que imploravam por um pau no ânus.

***

A outra mão acelerou sem que eu decidisse conscientemente. Já não havia coordenação nem técnica, só o instinto levando as duas mãos ao mesmo lugar ao mesmo tempo, os dedos da buceta esfregando o clitóris com uma velocidade quase violenta, os dedos do cu bombeando fundo, batendo naquele ponto outra e outra vez.

Ergui os quadris contra o travesseiro, fodendo-me pelos dois buracos, com o cu bem alto e o rosto esmagado contra o colchão para abafar os gemidos. Sentia algo se formando no ventre, algo mais denso e maior do que qualquer orgasmo que eu já tivesse tido antes.

Percebi que era diferente muito antes de chegar de verdade. Começou bem fundo, no próprio cu, naquele anel que se contraía freneticamente ao redor dos meus dedos, e subiu como um tremor que ainda não era prazer, mas já tinha toda a estrutura do que viria a ser. Subiu devagar, pelas vértebras, pelos músculos das costas, até alcançar os ombros. Meus quadris se mexeram sozinhos contra o travesseiro, esfregando o clitóris, procurando algo que já estava ali.

— Espera, espera — disse, embora não houvesse ninguém a quem pedir isso.

Não esperei.

***

Quando veio, não foi como os que eu conhecia. Não foi aquele pico rápido e luminoso do clitóris, aquela onda curta e nítida que eu sabia administrar. Foi algo que se espalhou, que durou mais, que me fez apertar com força os dedos contra um esfíncter que se contraía ao redor deles com uma força que eu não controlava. O cu pulsava, apertando e soltando os dois dedos em ondas, enquanto a buceta fazia o mesmo, vazia mas se contraindo sozinha, expulsando jatos de lubrificação quente que encharcaram o travesseiro sob meus quadris.

Os quadris se sacudiram, as pernas se tensionaram, e os sons que saíram da minha garganta eu não reconheci como meus. Gritei contra o travesseiro, mordi a fronha, e gozei por o que me pareceram minutos inteiros, com os dedos afundados nos dois buracos, sentindo o prazer subir do cu até a cabeça em ondas que não terminavam.

Não tirei nada de repente. Isso eu soube instintivamente, sem ter aprendido antes: quando terminou, ou quando pensei que tinha terminado, houve contrações residuais que duraram mais um bom minuto, e cada uma continuava enviando pequenas descargas para cima. O esfíncter apertava os dedos ritmicamente, como se não quisesse deixá-los ir. Mantive os dedos da buceta parados, sentindo as paredes ainda pulsando ao redor. Retirei os dedos do cu muito devagar, sentindo cada milímetro da saída, o pop suave e úmido quando o esfíncter cedeu por completo, e fiquei quieta de bruços com os pulmões ainda tentando encontrar o ritmo normal e o ânus aberto, pulsando no ar.

O apartamento estava em silêncio. A fresta de luz laranja continuava no mesmo lugar. Lá fora, o trânsito da rua seguia exatamente igual a antes de qualquer coisa acontecer.

Virei de lado. Acomodei-me com os joelhos puxados ao peito, tremendo um pouco, embora não estivesse frio, com o cu ainda quente e a buceta escorrendo entre as coxas.

Bom. Só isso. Só essa palavra, em silêncio, só para mim.

***

Fiquei assim por um bom tempo antes de me levantar para ir ao banheiro lavar as mãos e beber água direto da torneira. Olhei para mim no espelho da pia. Eu estava com as bochechas vermelhas, o cabelo grudado na testa por causa do suor, os lábios inchados de tanto mordê-los, e uma expressão que eu não via muitas vezes no meu rosto.

Não era vergonha. Não era arrependimento.

Era algo parecido com ter chegado a algum lugar depois de muito tempo andando sem saber exatamente para onde ia.

Voltei para a cama, evitando a mancha úmida no travesseiro. Apaguei o abajur. Ouvi o silêncio do apartamento e a rua ao fundo, e sorri na escuridão, sem ninguém me vendo sorrir, apertando o esfíncter ainda sensível só para sentir de novo.

A roupa suja podia esperar até quinta. Os e-mails também. Naquela noite eu tinha fodido o cu pela primeira vez, atravessado uma fronteira que eu vinha adiando havia meses, e do outro lado não havia nenhum dos medos que eu tinha inventado. Só aquele prazer novo, ainda sem nome, que já era inteiramente meu sempre que eu quisesse reivindicá-lo.

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