Comecei com uma massagem e terminei pensando em você
Naquela noite cheguei em casa com o pescoço tenso, aquele tipo de dor surda que se instala entre o ombro e a nuca e não vai embora por mais que você a ignore. Eu vinha arrastando isso há dias e, sinceramente, já não aguentava mais. Preparei um chá, abaixei as luzes até deixar só o abajur da mesinha e coloquei uma daquelas playlists de música tranquila que prometem relaxamento profundo. Eu queria desligar. Só isso. Juro para você: esse era o plano.
Sentei na beira da cama, de lingerie, e comecei pelo pescoço. Movimentos lentos, circulares, com a ponta dos dedos afundando exatamente onde mais doía. O primeiro minuto foi puro alívio. Senti o músculo ceder aos poucos, a tensão que eu vinha carregando o dia inteiro começando a se desfazer. Fechei os olhos. A respiração foi ficando mais lenta, mais funda.
Levei as mãos até a base do crânio, depois desci pelos lados do pescoço até os ombros. Apertei ali, naquele nó que se forma de tanto olhar telas, e soltei um suspiro sem perceber. A dor ainda estava lá, mas já não mandava. Agora quem mandava era outra coisa: uma sensação morna que começava a se espalhar, aquela preguiça gostosa de quando o corpo finalmente se rende.
Troquei a playlist por uma um pouco mais animada. Não sei por que fiz isso. Talvez porque o silêncio relaxado começasse a me entediar, ou talvez porque alguma parte de mim já intuísse para onde tudo aquilo estava indo. A música nova tinha um ritmo mais marcado, mais quente, e eu me deixei levar por ele. Dos ombros desci para os braços, depois para as coxas.
Só um pouco mais.
Comecei a massagear as pernas com as duas mãos, do joelho para cima, pressionando a parte interna das coxas com os polegares. Ali a pele é mais fina, mais sensível, e cada passada me arrepiava um pouco a respiração. Eu subia devagar, sem pressa, aproveitando o calor das minhas próprias mãos sobre mim. E reconheço que, em algum ponto, parei de pensar na dor no pescoço por completo.
Está imaginando? Porque eu gostaria que sim. Que você fechasse os olhos por um segundo e imaginasse aquele quarto em meia-luz, a música ao fundo, uma mulher que achava que ia só relaxar e que, de repente, percebe que o próprio corpo está pedindo outra coisa.
Mudei a música de novo, agora para uma com um ritmo mais sensual, daqueles que parecem feitos para se mover devagar contra alguém. E minhas mãos, quase sozinhas, deixaram as coxas para trás e começaram a subir. Pelo ventre, devagar, sentindo a pele se contrair à medida que eu passava. Até os seios.
Primeiro contornei com as palmas, sem tocar no que eu mais queria tocar, brincando comigo mesma na espera. Quando enfim meus dedos passaram por cima dos mamilos, eles já estavam arrepiados, duros, pedindo atenção. Apertei-os de leve, massageei em círculos, e um arrepio me percorreu da nuca para baixo. Já não havia como fingir que aquilo continuava sendo uma massagem.
Confesso que fiquei excitada mais rápido do que esperava. Mas eu queria ir devagar. Queria esticar cada segundo. Há algo em se fazer esperar que multiplica o desejo, não acha? Aquela tensão deliciosa de saber o que vem e mesmo assim adiar de propósito.
Ainda não. Aguenta um pouco.
Desci uma mão pelo centro do corpo, roçando apenas, até chegar entre as pernas. Por cima da roupa primeiro, pressionando com a palma, sentindo o calor que já tinha se acumulado ali. Depois afastei o tecido e deixei a ponta dos dedos roçar o clitóris, bem devagar, quase sem tocar. O suficiente para arrancar de mim um gemido que eu nem tentei conter.
Você me faria implorar por mais? Porque era exatamente isso que o meu corpo estava fazendo: implorando. Cada carícia leve me deixava com vontade da próxima, mais firme, mais rápida. E eu me negava por mais um instante só para sentir aquela desesperança morna crescer entre as pernas.
Justo quando comecei a perder o controle, parei. Tirei a mão antes da hora, respirando ofegante, com o coração golpeando no peito. Levei os dedos à boca e os lambi, devagar, chupando-os, sentindo meu próprio gosto. Depois, bem molhados, os levei de volta para baixo.
Dessa vez eu não me contive tanto. Comecei a movê-los em círculos sobre o clitóris, lento e firme, encontrando o ritmo exato que meu corpo conhece de memória. Acelerava, diminuía, voltava a acelerar. Brincava comigo mesma, me levando até a beira e recuando. Lento, rápido, lento outra vez. Meus quadris começaram a se mover sozinhos contra a minha própria mão.
Desci um pouco mais e deslizei os dedos para dentro. Devagar no começo, sentindo o corpo me receber, e depois acompanhando o movimento com o ritmo da música. Para dentro e para fora, primeiro suave, depois com mais vontade, enquanto com o polegar eu continuava pressionando exatamente onde mais precisava. A respiração me falhou. Minhas pernas tremiam.
E eu acabei gozando. Com a mão apertada contra mim, mordendo o lábio para não fazer muito barulho, sentindo o corpo inteiro se contrair e relaxar ao mesmo tempo. Fiquei um momento imóvel, ofegante, com os dedos ainda úmidos e um pouco de umidade escorrendo pela parte interna da coxa.
Tudo isso por causa de uma dor no pescoço.
E você? Já começou a se excitar, ou ainda não? Porque agora é a minha vez de te pedir uma coisa. Quero que você feche os olhos outra vez e pense que as suas mãos são as minhas.
***
Imagine que sou eu quem está tocando você. Leve uma mão para baixo, devagar, sem pressa, igual eu fiz. Vá com calma, suba e desça ao longo do comprimento, lento, apertando só o suficiente. Não corra. Quero que você sinta cada centímetro como se fossem os meus dedos percorrendo essa pele.
Faça de novo, um pouco mais rápido agora. Sobe e desce, sobe e desce, encontrando o ritmo. Mais. Um pouco mais. E, se sentir que está chegando cedo demais, pare. Detenha-se exatamente na borda e respire. Me aquece imaginar como sua respiração acelera quando você se obriga a esperar, como você cerra os dentes por causa do desejo contido.
Agora toque só a ponta. Com a ponta do dedo, em círculos suaves, mais nada. E desça devagar, percorra tudo de cima a baixo até chegar às bolas. Acaricie-as com cuidado, aperte um pouco, brinque com elas como eu faria se estivesse aí, de joelhos na sua frente, olhando nos seus olhos.
Volte à ponta. Comece de novo de baixo, devagar, isso. Assim eu gosto. Devagar, marcando cada movimento, deixando a tensão se acumular sem soltar ainda.
Você gostaria de colocar entre os meus peitos? Porque eu estou pensando nisso justamente agora. Em como seria, em como eu os apertaria um contra o outro para te abraçar enquanto você se mexe entre eles. Isso: que sua mão se mova rápido agora, sem parar, imaginando que você está bem aí, entre o meu peito, com as minhas mãos guiando você.
Pense que está prestes a chegar. Que toda essa tensão que você aguentou está se soltando de uma vez. Não pare desta vez. Quero que você se deixe ir pensando em mim, que imagine me sujando, marcando minha pele enquanto eu te olho e sorrio. Assim, exatamente assim.
***
Fiquei um longo tempo deitada na cama, com a música ainda tocando baixinho, recuperando o fôlego. O pescoço, aliás, deixou de doer. Passei o dia todo arrastando aquilo e, no fim, o que curou não foi precisamente a massagem que eu tinha planejado.
Há algo que me fascina nessas noites sozinha. Não é só o prazer físico, embora ele exista e muito. É a liberdade. Ninguém para agradar além de mim mesma. Ninguém olhando, ninguém julgando o ritmo, os suspiros, as pausas. Você pode ser tão lenta ou tão impaciente quanto quiser. Pode se fazer esperar até implorar. Pode parar na beira quantas vezes quiser só pelo gosto de prolongar o inevitável.
E, sobretudo, você pode imaginar. É isso que mais me gosta. Que na minha cabeça não há limites. Que posso transformar uma massagem entediante para dor no pescoço no que eu quiser, com quem eu quiser. Hoje à noite eu escolhi você, pessoa desconhecida que está lendo isto. Coloquei você no meu quarto, coloquei minhas mãos, pedi coisas para você. E, se você chegou até aqui imaginando comigo, então nós dois sabemos que funcionou.
Gosto de pensar que, em algum lugar, agora mesmo, alguém fechou os olhos ao ler e se deixou levar como eu. Que a fantasia viajou da minha cabeça para a sua e virou real por um momento, mesmo que nunca nos vejamos, mesmo que nem sequer saibamos o nome um do outro. O desejo não precisa de mais nada além disso: uma imaginação disposta e um pouco de tempo a sós.
Ficou com vontade de mais?
Eu também. Sempre fico com vontade de mais. Por isso é bem provável que amanhã, quando eu voltar para casa com o pescoço tenso, acenda o abajur, abaixe as luzes e coloque aquela playlist relaxante prometendo a mim mesma que dessa vez sim, dessa vez vai ser só uma massagem. E nós dois sabemos como vai terminar.
Espero que você tenha deixado a imaginação voar. E espero que, seja quem for você, tenha gostado tanto quanto eu.





