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Relatos Ardientes

Descobri o prazer anal e não consigo parar

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Para ser honesto, nunca pensei que acabaria escrevendo algo assim. Tenho trinta e dois anos, moro sozinho em um apartamento no centro da cidade e, até pouco tempo atrás, minha vida sexual se resumia ao convencional: encontros ocasionais, algumas namoradas e, quando eu estava sozinho, a rotina de sempre. Eu agarrava a minha rola, batia uma punheta rápida pensando em alguma gostosa que tinha cruzado comigo durante o dia, gozava na barriga e ia cuidar da vida. Me considerava um cara sem complicações, sem fetiches, sem nada que me tornasse diferente do resto. Então descobri o ponto P e tudo isso mudou de um jeito que eu não esperava.

Não foi de uma vez. Foram meses de curiosidade que eu ia empurrando para o lado toda vez que ela botava a cabeça para fora. De vídeos pornô que eu fechava antes de o cara enfiar o dedo. De perguntas que eu me fazia no banho, com a rola dura na mão, e que nunca levava a sério. O quanto poderia ser diferente? Por que tantos homens falavam disso como se fosse uma revelação?

Em uma terça-feira à noite, sem nada melhor para fazer e com o celular na mão, passei quase duas horas lendo fóruns com a rola meio dura sob a calça. Homens heterossexuais descrevendo em detalhes como tinham enfiado os dedos no cu, como tinham encontrado aquela glândula que os fazia gozar em jatos, sem tocar na pica. Não era algo que os tivesse tornado viados nem afetado a atração que sentiam por mulheres. Era, simplesmente, uma parte da anatomia que a maioria ignorava por preconceito ou por medo do que aquilo pudesse significar.

Comecei pelo mais simples. No banho, com calma, sem pressa. Ensaboei bem o cu, afastei as nádegas com uma mão e, com a água quente caindo por cima de mim, levei o dedo médio até a entrada. Na primeira vez, mal passei a junta do dedo. Senti o anel se apertar em torno dele, uma resistência tensa, quase tímida. Eu me masturbava com a outra mão enquanto tentava avançar, mas o corpo não terminava de relaxar. Gozei com um jato curto contra os azulejos e não soube muito bem o que pensar.

Na segunda vez, dois dias depois, fui mais devagar. Passei sabonete líquido nos dedos, esfreguei entre as nádegas até deixá-las bem escorregadias e empurrei o dedo inteiro para dentro. Quando cheguei até o fundo, dobrei-o em direção ao umbigo, como eu tinha lido. Toquei algo. Uma bolinha pequena, firme, diferente do resto da carne. Apertei com a polpa do dedo e escapou de mim um gemido que rebateu pelas paredes do banheiro. A rola deu um choque e começou a pingar líquido pré-seminal sem eu tocar nela. Agarrei-a, sacudi duas vezes e gozei com tanta força que precisei me apoiar no azulejo para não cair. Ficaram manchas de sêmen na parede, na altura do peito.

Na terceira vez, entendi do que todos aqueles caras nos fóruns falavam. Enfiei dois dedos, movi em pequenos círculos sobre a próstata e senti o prazer subir de dentro, denso, diferente do de uma punheta normal. Era como se eu gozasse em etapas, em ondas que não terminavam. Tem alguma coisa aí dentro que, quando você encontra pela primeira vez, faz você parar e pensar: como eu demorei tanto para chegar aqui? É uma pergunta que não tem uma boa resposta.

Mas os dedos têm limite. A curiosidade, não.

***

Passei semanas pesquisando antes de comprar qualquer coisa. Li sobre materiais, higiene, formatos e tamanhos. A variedade era esmagadora e, no começo, desorientadora: de silicone, de metal, de vidro, em forma de plug, em forma de dildo, com vibração, sem vibração. Havia opções para cada nível e cada preferência. Me perdi mais de uma vez, batendo punheta no meio, enquanto olhava fotos de plugs grossos que pareciam impossíveis de enfiar.

O que me chamou atenção no início foram os plugs de metal. Havia algo no peso, no acabamento polido, na pequena joia incrustada na base, que os fazia parecer objetos de outra categoria. Quase elegantes, de um jeito estranho. Encomendei um em uma loja online discreta, daquelas que enviam as encomendas sem indicar o conteúdo por fora. Paguei com cartão e depois me arrependi durante três dias seguidos, enquanto esperava a chegada.

Quando o pacote chegou, segurei-o nas mãos por um bom tempo antes de abrir. Era menor do que eu esperava. A caixa tinha um design minimalista. Tirei o plug, limpei-o com cuidado e o deixei sobre o criado-mudo enquanto decidia se realmente ia fazer aquilo. A rola ficou dura só de olhar para ele.

Naquela mesma noite, decidi que sim.

***

Deitei de barriga para cima na cama, com as pernas abertas e os joelhos dobrados, e coloquei um bom jato de lubrificante à base de água na palma da mão. Encharquei o plug até ele pingar e besuntei bem o cu, enfiando primeiro o dedo lambuzado para preparar a entrada. Quando tudo estava bem escorregadio, encostei a ponta de metal no buraco e empurrei.

A experiência foi intensa desde o primeiro momento. O metal, ao contrário do silicone, não cede. Não tem elasticidade nem temperatura neutra ao toque. Estava frio, duro, implacável. Entrou com uma pressão firme e definida, abrindo meu cu à força, e, quando o corpo o aceitou até a parte mais larga, gemi alto e a rola escorreu líquido pré-seminal sobre o umbigo. A sensação era uma mistura difícil de categorizar. Não exatamente dor. Não exatamente prazer. Algo entre os dois, que o cérebro demora a interpretar como o que é. Sentia o cu cheio, esticado, ocupado por algo alheio e pesado.

Agarrando a rola, comecei a bater punheta devagar e, poucos segundos depois, parei no meio do processo porque me lembrei de algo que havia lido: plugs de metal, sem uma ancoragem adequada na base, podem causar problemas reais. O corpo os puxa para dentro com mais facilidade do que os de silicone, e recuperá-los pode deixar de ser algo trivial. Tirei-o com cuidado, sentindo o ânus se abrir uma segunda vez ao passar o alargamento, limpei-o e o guardei. Voltei aos fóruns com o cu ainda dilatado e a rola meio ereta.

Naquela noite, aprendi mais sobre segurança do que gostaria. Os plugs com ancoragem em forma de T são os mais seguros. O metal sem essa ancoragem tem riscos que não valem a pena correr. Anotei e não o usei mais. Naquela madrugada, terminei me masturbando com dois dedos enfiados até as juntas, gozando em jatos sobre o peito enquanto pensava no que sentiria com algo maior.

Encomendei um conjunto de três plugs de silicone médico. Eles chegaram em uma caixa com divisórias individuais para cada tamanho. Os três juntos custaram menos do que o de metal.

***

O menor foi o primeiro. Silicone macio, ponta arredondada, base larga com a ancoragem correta. Naquela noite, apaguei as luzes, deixei acesa só a luminária do criado-mudo e me deitei de lado primeiro, com uma perna dobrada em direção ao peito para abrir o cu. Passei lubrificante nos dedos e massageei o ânus com dois deles, até ele começar a relaxar, até eu conseguir enfiar um inteiro sem esforço. Depois besuntei o plug por completo até ele brilhar.

Encostei a ponta na entrada e empurrei devagar. O silicone escorregou sem dificuldade no começo, mas, quando chegou à parte mais larga, senti o anel do esfíncter se agarrar a ele, resistindo. Empurrei um pouco mais firme, respirei fundo e, de repente, o plug entrou inteiro com um pequeno impulso. O esfíncter fechou atrás da base e o deixou alojado dentro de mim. Com isso não se pode ter pressa. Também tinha aprendido isso nos fóruns: a impaciência é o pior erro que se pode cometer.

Quando entrou por completo, fiquei parado por um momento. Respirei. Senti o peso dentro de mim, o leve puxão constante da base contra a pele do períneo. Não era como o dedo, nem parecido. Era mais constante, mais presente. Algo grosso e quente enfiado no meu cu que não ia sair. Mexi-me um pouco, contraindo o esfíncter em torno da base, e a rola endureceu sozinha, sem que eu a tocasse. Uma gota grossa de pré-seminal caiu até o umbigo. Entendi por que esse objeto existia.

Fiquei quase uma hora assim, deitado na cama com as luzes baixas. Agarrei a rola e comecei a bater punheta devagar, de forma longa, espremendo a glande com a palma a cada subida. Cada vez que eu apertava o ânus em torno do plug, sentia a próstata sendo pressionada contra ele por dentro. Era como me masturbar dos dois lados ao mesmo tempo, um por fora e outro por dentro. Eu me contorcia nos lençóis, gemia sem me reprimir porque morava sozinho e ninguém me ouviria. Falava coisas para mim mesmo em voz baixa, safadezas que eu nunca tinha dito em voz alta: assim, seu filho da puta, deixa encher, assim que você gosta. Eu tinha vergonha e, ao mesmo tempo, ficava ainda mais duro.

No fim, cheguei a um orgasmo que demorou para se formar. Senti-o subir do fundo da barriga, lento, denso, diferente. Quando começou a sair, foram jatos separados, quase convulsivos. O primeiro me atingiu o peito. O segundo, o umbigo. Depois vieram mais três ou quatro, espessos, enquanto o cu se contraía sem parar em torno do plug e a próstata se esvaziava sozinha. Foi diferente de qualquer coisa que eu já tivesse sentido. Mais profundo. Mais completo. Como se algo que normalmente ficava pela metade tivesse encontrado, pela primeira vez, seu fechamento.

Fiquei olhando para o teto por dez minutos, com o plug ainda cravado dentro de mim e o sêmen secando na pele, sem querer me mexer.

***

O médio demorei algumas semanas para tentar. Tinha uma bola mais pronunciada na parte mais larga, e a entrada exigia mais paciência, mais lubrificante e mais concentração. Tentei primeiro do jeito normal e quase engoli o próprio corpo do jeito errado: o esfíncter começou a apertar em vez de relaxar. Tive que parar, me acalmar e começar de novo.

A segunda vez foi diferente. Fiquei de quatro sobre a cama, com o rosto contra o travesseiro e o cu para cima, uma posição que eu nunca tinha experimentado antes e que de repente pareceu natural. Joguei lubrificante em jatos, lambuzei todo o buraquinho com dois dedos, enfiando-os e abrindo em tesoura para me alargar. Depois peguei o plug, besuntei-o até ficar encharcado e fui empurrando contra o buraco com a outra mão, enquanto mordia o lábio.

O processo era diferente: você não podia simplesmente se deixar levar. Tinha que estar presente em cada passo. Sentia o bojo alargando contra o anel, abrindo-o milímetro por milímetro. Empurrava um pouco, parava, respirava, empurrava de novo. A rola pendia dura entre as pernas, pingando sobre o lençol. Quando por fim passou a parte mais larga e o esfíncter se fechou atrás dela, gemi contra o travesseiro como se estivesse sendo fodido de verdade. Fiquei um tempo assim, de quatro, com o cu completamente cheio, sentindo o corpo se acostumar à nova medida.

Virei-me, deitei de costas com as pernas abertas e comecei a me masturbar. Mas, quando o corpo aceitava aquilo, a sensação era consideravelmente mais intensa. Mais definitiva. Você sentia que algo tinha acontecido, que o limite do que conhecia havia avançado um pouco mais. Cada vez que apertava o cu em torno do silicone, sentia a próstata sendo esmagada contra ele por dentro, e um gemido escapava de mim. Masturbava-me devagar, com a mão lambuzada de lubrificante, espremendo a glande, o freio, passando pela base dos ovos por baixo. A rola estava encharcada e dura como pedra.

Gozei sem aviso. Um jato disparou até meu rosto, manchando minha bochecha e meu pescoço. Os seguintes caíram sobre o peito, espessos, em convulsões que me sacudiam os quadris e me faziam apertar o cu contra o plug. Levei quase um minuto inteiro para parar de gozar e, quando parei, a próstata ainda pulsava dentro de mim.

Com o médio, aprendi algo que eu não tinha considerado: a retirada também faz parte da experiência. Não é simplesmente tirar. É preciso fazer isso devagar, com calma, deixando o corpo soltar aquilo que tinha acolhido. Você sentia o bojo arrastar-se para fora, o esfíncter se abrir de novo à passagem dele, e como, depois que saía, o buraco ficava dilatado por um bom tempo antes de se fechar. Essa resistência, essa lentidão deliberada, tem seu próprio tipo de prazer. Demorei a entender isso, mas, quando entendi, mudou a maneira como eu usava o objeto.

O grande ainda não testei. Ele tem três bolinhas consecutivas e o diâmetro máximo é consideravelmente mais largo que o do médio. De vez em quando, eu o olho quando abro a gaveta. Pego-o, sinto seu peso na mão, encosto-o no cu por cima da cueca só para imaginar a sensação. A rola endurece só de pensar nisso. Sei que um dia vou fazer isso, mas não tenho pressa. Isso é outra coisa que tudo isso me ensinou: a ausência de pressa como parte do prazer.

***

Os dildos vieram depois, quase por acidente. Eu estava olhando a mesma loja online, supostamente para repor o lubrificante, e acabei colocando um no carrinho. De silicone liso, sem textura, sem detalhes realistas. Só o formato alongado e levemente curvo, grosso no meio e com uma base larga que também servia como cabo.

A diferença em relação ao plug é total. O plug é presença estática. O dildo é movimento. São duas experiências diferentes, que se complementam sem se sobrepor, sem que uma torne a outra redundante.

Na primeira vez em que o usei, deitei de costas, levantei as pernas e enchi-me dele devagar, segurando a base com a mão direita. Fui enfiando até o fundo, sentindo como ele me preenchia por dentro, como o silicone duro abria caminho pelo canal até tocar a próstata por dentro. Então tirei um pouco e enfiava de novo. E de novo. E mais uma vez. Cada investida arrancava de mim um gemido. Era como me foder a mim mesmo, marcando o ritmo, controlando a velocidade, a profundidade e o ângulo. A curvatura do dildo me permitia acertar exatamente a glândula a cada empurrão, e a rola se sacudia na barriga sem que eu a tocasse, me lambuzando de líquido.

Comecei a dar investidas mais rápidas, agarrando a rola com a outra mão. Eu a masturbava no ritmo das estocadas, sincronizando as duas mãos. O quarto se encheu do som do lubrificante chacoalhando entre minhas pernas, do estalo da base contra minhas nádegas a cada vez que eu o enfiava até o fundo. Eu me dizia safadezas em voz baixa, arfando: isso, enfia até o fundo, não para. Era uma conversa pornográfica comigo mesmo que, em outro momento, teria me envergonhado e que agora me deixava no auge da excitação.

Com o plug, o orgasmo vem mais tarde, mas dura mais. Com o dildo, vem antes e tem mais intensidade imediata. Naquela noite, gozei em menos de quinze minutos, com um jato violento que me atingiu o pescoço enquanto eu continuava bombeando o dildo dentro de mim, espremendo a próstata por dentro durante toda a gozada. Terminei tremendo, com o dildo ainda enfiado e a mão lambuzada de sêmen.

Já consegui combiná-los, embora não seja fácil coordenar as mãos quando se quer manter o controle dos dois ao mesmo tempo. Uma noite, coloquei primeiro o plug pequeno, encaixando-o bem no fundo, e depois me enfiei com o dildo mais acima, contra a próstata, enquanto o plug bloqueava a saída. A sensação de ter o cu cheio por dois lados ao mesmo tempo, de notar o dildo entrar e sair roçando no plug fixo, me fez gozar tão forte que o primeiro jato espirrou no meu cabelo. Nesses momentos, penso que o corpo humano é mais complexo do que nos ensinaram e que a maioria dos homens ignora metade do que é capaz de sentir.

Agora já não me masturbo sem um deles. Não porque seja uma compulsão. Mas porque, quando você sabe que existe uma versão melhor de alguma coisa, a anterior parece incompleta. Uma punheta seca, só com a mão, me parece pouco. Como um jantar sem fome. Eu preciso do peso lá dentro, da próstata estimulada, daquele segundo ponto de prazer que descobri tarde demais.

***

Pensei muito se isso diz algo sobre a minha sexualidade. A resposta honesta é que não. Continuo sentindo atração por mulheres exatamente como sempre senti. Continuo ficando excitado vendo peitos, uma bunda apertada em jeans, uma boca pintada que eu imagino chupando minha pica. Não mudou a forma como me relaciono, nem minhas fantasias, nem o que procuro quando saio com alguém. A única coisa que mudou é que conheço melhor o meu próprio corpo.

Existe uma confusão muito difundida entre prazer físico e identidade sexual. O prazer anal em um homem heterossexual não implica nada sobre quem você deseja. É anatomia. O ponto P existe em todos os homens, independentemente da orientação. Ignorá-lo durante décadas por medo do que isso possa significar é um desperdício. Nada mais que isso. Na verdade, comecei a fantasiar com a ideia de que alguma gostosa se anime a enfiar um dedo ou um strap em mim enquanto me chupa. Ainda não tive coragem de pedir, mas isso vai acontecer.

Não digo isso de um lugar de superioridade. Eu mesmo levei anos para chegar até aqui. Digo como alguém que entendeu algo tarde e agora se pergunta por que demorou tanto.

***

Se você está lendo isso com a rola meio dura e um pouco de vergonha, é perfeitamente normal. Eu também senti isso. A vergonha não é prova de que há algo errado. É o resultado de anos de mensagens sobre o que um homem deve ou não deve fazer com o próprio corpo.

Comece devagar se decidir explorar isso. Enfie um dedo no cu no banho da próxima vez que se masturbar, simplesmente para ver o que acontece. Leia sobre materiais seguros antes de comprar qualquer coisa. Invista em silicone de grau médico ou em vidro borossilicato. Use lubrificante à base de água, nunca lubrificante de silicone com brinquedos de silicone. Nunca use objetos que não tenham sido projetados especificamente para isso. E nunca tenha pressa.

Se em algum momento sentir algo que não esperava sentir, pare, respire e deixe o corpo se adaptar. O corpo sabe o que está fazendo. Você só precisa dar tempo e permissão a ele.

Não sei se voltarei a escrever sobre isso. Provavelmente não. Mas queria deixar registrado em algum lugar onde alguém parecido comigo pudesse encontrar e se sentir um pouco menos sozinho com as próprias perguntas.

É isso.

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