Minhas fantasias a sós quando ninguém suspeita de nada
Depois de muito tempo sem escrever, voltei a me sentar para contar algo que nunca disse a ninguém. Não é uma história de amor nem um encontro casual em um hotel. É a história do que faço quando fecho a porta e fico a sós comigo mesma, essa parte de mim que nenhuma das minhas amigas conhece e que minha família jamais suspeitaria.
Descobri o prazer por acidente, quase sem entender o que estava acontecendo. Na gaveta do fundo do armário do meu pai havia umas revistas que ele escondia bastante mal, embaixo de umas pastas velhas que nunca mexia. Encontrei-as numa tarde de tédio, e o que começou como simples curiosidade acabou se tornando outra coisa.
O que mais me chamava atenção não eram os homens. Eram elas. As mulheres daquelas páginas, com a pele depilada e macia, os seios cheios, os mamilos que pareciam quentes mesmo impressos no papel. Eu virava as páginas devagar e algo se acendia no meu ventre, uma tensão que eu não sabia nomear, mas que pedia atenção.
As páginas de que eu mais gostava eram as de duas mulheres juntas. Eu ficava olhando para elas por muito mais tempo do que o necessário, imaginando texturas, imaginando como seria tocar e ser tocada daquele jeito. Acho que foi aí que entendi, muito antes de admitir, que eu gostava dos dois.
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Com os anos, a internet chegou, e com a internet se abriu para mim um mundo inteiro. Um laptop velho, os fones de ouvido postos e a madrugada pela frente. Páginas de fotos, vídeos, relatos escritos por desconhecidos que contavam coisas que eu mal me atrevia a pensar.
Eu lia histórias de mulheres se entregando a outras mulheres, de bocas e mãos e línguas, e também de homens com picas duras que as enchiam sem pudor. Eu me imaginava no meio de tudo aquilo. Enfiava os dedos devagar, sentindo-os ficarem úmidos, e ficava quieta por um segundo só para reconhecer essa sensação de estar completamente molhada.
O que mais me excitava não era só o prazer físico. Era o contraste. Durante o dia eu era a menina calada, a prudente, a que todos descreviam como inocente, incapaz de ter um pensamento sujo. Ninguém fazia ideia de que essa mesma menina, toda noite, acariciava o clitóris no escuro mordendo os lábios para não fazer barulho.
Essa vida dupla me deixava a mil. Saber que me viam de um jeito e que a realidade era completamente outra. Às vezes, no meio do jantar em família, eu lembrava do que tinha feito na noite anterior e precisava disfarçar o sorriso.
A masturbação virou hábito para mim, quase um ritual. Em alguns momentos eu sentia certa culpa, porque cresci ouvindo que isso era errado, que era sujo, que uma mulher não devia se tocar. Demorei a me livrar dessa ideia. Hoje eu vejo diferente: conhecer meu próprio corpo foi a melhor coisa que eu pude fazer por mim.
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Jamais vou esquecer a primeira vez que tive um squirting. Eu tinha visto vídeos de mulheres jorrando depois de se tocarem com intensidade, e morria de curiosidade para saber se eu podia fazer o mesmo. Parecia algo quase mágico, fora do meu alcance.
Então, numa madrugada, decidi tentar de verdade. Pus uma toalha dobrada sobre a cama, tirei a roupa toda e segui, passo a passo, as instruções de uma página que explicava a direção e o ritmo exatos. No começo eu me sentia desajeitada, quase ridícula, testando ângulos.
E então aconteceu. Em poucos minutos, uma pressão que crescia e crescia até que eu deixei de conseguir contê-la. Soltei um jato que me surpreendeu a mim mesma, o corpo inteiro tremendo, os seios molhados, as pernas sem força. Fiquei largada na cama, respirando ofegante, sentindo-me a mulher mais perversa do mundo. E eu adorei essa sensação.
Desde aquela noite quis repetir aquilo uma e outra vez. Aprendi a ler meu corpo, a reconhecer os sinais, a ir até o limite e me deixar cair.
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Minha imaginação sempre foi meu melhor brinquedo, mas com o tempo também me animei a experimentar outras coisas. Uma vez, depois de ler um relato de umas amigas que colocavam frutas durante uma brincadeira entre elas, me deu uma curiosidade impossível de ignorar.
Fui até a cozinha, peguei algumas uvas e morangos, e voltei para o quarto. Fui colocando-as devagar, uma a uma, sentindo o frio contra meu calor. Depois eu as tirava banhadas nos meus fluidos e as comia enquanto continuava me tocando. Sei que isso parece demais, mas naquele momento me senti livre, dona absoluta do meu prazer, sem ninguém para me julgar.
Outra das minhas descobertas foi, de todas as coisas possíveis, uma escova de dentes elétrica. Tenho certeza de que mais de uma mulher que está lendo isto já sabe perfeitamente do que estou falando e está sorrindo. A vibração é uma coisa maravilhosa.
A primeira vez que usei, fiz isso por cima de umas meias pretas finas, apoiando-a devagar sobre o tecido. Quando a liguei e a posicionei contra o meu clitóris, quase gozei na hora. Tive que respirar fundo e me controlar para que durasse. Fiquei um bom tempo assim, sentada com as pernas abertas, deixando aquela vibração me percorrer enquanto fantasiava, até que o orgasmo me sacudiu com tanta força que quase caí da cadeira.
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Com o passar dos anos, fiquei bastante mais fogosa. Já na universidade, várias vezes eu colocava óculos escuros só para poder olhar tranquila sem que notassem. Atrás daqueles cristais escuros eu me dava o luxo de observar o que eu quisesse.
Ficava olhando o volume de algum garoto que marcava sem querer sob a calça, ou me lambuzava com a vista de um bom decote, de umas pernas, da curva das costas de alguma colega. Eu colecionava essas imagens como quem guarda lembranças de viagem. E naquela mesma noite, na minha cama, usava todas elas. Reconstruía cada detalhe: o formato de uma boca, o jeito como uns quadris se moviam ao andar.
Esse costume de olhar e guardar nunca saiu de mim. Gosto de observar. Gosto de imaginar. Gosto de que uma pessoa desconhecida, sem saber, se torne o centro da minha fantasia durante horas.
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Uma das minhas fantasias recorrentes nasceu de tanto ler e olhar às escondidas. Eu me imaginava sozinha em casa, com todas as luzes apagadas, sabendo que do outro lado da janela alguém podia estar me observando sem que eu visse. A ideia de ser olhada, de me exibir sem saber bem para quem, deixava meu corpo em tensão de um jeito que poucas coisas conseguiam.
Uma noite decidi brincar com isso. Deixei as cortinas apenas entreabertas e fiquei nua diante do espelho, me tocando devagar, imaginando um olhar anônimo cravado na minha pele. Não sei se havia alguém lá fora ou não, e justamente essa dúvida era o que tornava tudo irresistível. Acariciei os seios, desci a mão entre as pernas e me deixei levar pensando que cada movimento meu era um pequeno espetáculo privado para um público invisível.
Quando terminei, tremendo, com a respiração entrecortada, fiquei um bom tempo me olhando no espelho. Eu gostava daquela mulher que via ali: sem medo, sem vergonha, dona do próprio desejo. Naquela noite entendi que a fantasia às vezes é mais poderosa que qualquer encontro real, porque não tem limites além dos que a própria pessoa queira impor.
Desde então aprendi a construir cenários inteiros dentro da minha cabeça. Inventava situações, personagens, lugares. Às vezes era uma desconhecida que me seduzia num banheiro; outras, duas pessoas ao mesmo tempo me reclamando com urgência. Minha mente virou um teatro privado onde eu podia dirigir cada cena exatamente como queria, e isso me dava um poder enorme sobre o meu próprio prazer.
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Muita coisa aconteceu em todos esses anos de exploração. Aprendi que há desejos que me excitam tanto que mal consigo me segurar. Admito que, às vezes, sou muito mais atrevida do que qualquer um imaginaria: já cheguei a me tocar em lugares onde não deveria, com a respiração presa e o coração prestes a explodir pelo risco de alguém perceber.
Por sorte, hoje tenho uma parceira que me entende como ninguém. Ela sabe perfeitamente o que eu gosto, conhece meu lado mais perverso e, em vez de se assustar, aproveita isso comigo. Ela sabe que eu me derreto quando me toca em público, quando uma mão desliza para baixo da mesa em um lugar cheio de gente, quando o perigo de sermos descobertas torna tudo mais intenso.
Não consigo evitar e já parei de tentar. Adoro me dar prazer pensando tanto em mulheres quanto em homens, sem rótulos, sem culpas, me deixando levar pelo que meu corpo me pede a cada momento.
Essa parte de mim, a que ninguém suspeita, é provavelmente a mais honesta. A que não atua, a que não disfarça, a que não presta contas a ninguém. E, embora o mundo continue me vendo como a menina tranquila e prudente, eu sei muito bem quem eu sou quando fecho a porta.
Enfim, este é o meu pequeno relato. Espero que tenha acendido algo aí dentro, que tenha despertado em vocês a vontade de se explorar sem vergonha. Porque no fim foi isso que aprendi em todos esses anos a sós: que o desejo, quando a gente o abraça sem medo, é o melhor presente que se pode dar a si mesma.