O que imagino toda noite antes de dormir
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.
Apago a luz, abro o relato e deixo minha mão descer. Na minha cabeça sempre tem alguém no canto do quarto, me olhando, esperando a hora de entrar.
Colocaram a fita azul no meu pescoço, a única diferente das demais, e desci aquelas escadas sabendo que aqueles seis homens iam descobrir o que eu escondia.
Ela estava havia dois anos com Rodrigo e se dizia que era só uma taça com um colega. Quando entrou no apartamento de Lautaro, soube que não havia volta.
Voltei depois de vinte anos a uma cidade do sul. Nessa noite, num hotel da zona vermelha, duas desconhecidas decidiram que eu não ia dormir sozinho.
Eles o tratavam como um móvel, certas de que nada do que faziam o afetava. Levaram semanas para descobrir o quanto estavam enganadas.
Quando a anestesia passou e ele abriu os olhos, já estava nu, algemado a uma cadeira e cercado por quatro mulheres que esperavam por esse momento havia um mês.
Achei que tinha a situação sob controle. Achei que um velho sem forças não podia me fazer nada. Esse foi meu primeiro erro da manhã.
Cheguei às duas da manhã com a boca seca e uma única ideia na cabeça: naquela noite eu não colocaria limite nenhum, acontecesse o que acontecesse entre os pavilhões.
Nem precisei ler as cláusulas. Eu sabia o que queria: morar com ele, fazer o que me desse na telha com o corpo dele e, quando ele morresse, ficar com tudo.
Eu a observava dobrar lençóis com aquelas leggings clarinhas e rezava para que ela não percebesse o volume no meu short. Até que um dia ela virou a cabeça e perguntou por que eu a olhava assim.
Sou uma travesti de armário. Passei meses obedecendo aos seus e-mails quando ele me escreveu que viria à minha cidade, e eu soube que naquela tarde ele faria comigo tudo o que me tinha ordenado.
Ele tinha terno caro e um olhar que intimidava todos na mesa, mas não conseguia parar de olhar meus pés. E eu sabia exatamente o que faria com isso.
Toda noite acordo encharcado de suor com a mesma cena: dona Vilma trancando a porta, calçando as luvas e prometendo que dessa vez não haveria risos.
Quarenta minutos antes minhas mãos tremiam. Agora eu seguro o arnês e, pela primeira vez em dezoito anos, sou eu quem decide o que acontece neste quarto.
Mostrei-lhe o vídeo e ela desabou no chão da sala. Mas, quando voltou a se erguer, já não era a mulher que o marido humilhara por vinte anos.
Ele me ligou no fim da tarde para avisar que chegaria tarde. Naquela altura, eu já tinha começado a me preparar: a peruca, a maquiagem, o plug. Só faltava ele.
O espelho me devolvia uma noiva perfeita. Ninguém imaginava o que me obrigariam a fazer no quarto 131 antes de subir no carro dos noivos.
Eu a mantive enjaulada ao lado da mesa, de quatro, enquanto meus amigos comiam e jogavam as sobras no chão metálico. Era só o começo.
Amarrada na jaula, Renata ainda se julgava intocável, certa de que seus escravos dariam a vida por ela. Darío sorriu: mostraria quanto valia aquela lealdade.
Naquela semana eu tinha me comportado como uma insolente, e ele me advertiu: veríamos se eu continuaria tão arrogante quando o tivesse de frente, de joelhos.