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Relatos Ardientes

A mulher que entrou na sauna me encontrou assim

Ilustração do conto erótico: A mulher que entrou na sauna me encontrou assim

A casa de banho feminina da cidade velha abria aos domingos às sete, e eu sempre chegava primeiro. A essa hora a sauna estava vazia, o zelador ainda bocejava atrás do balcão e ninguém subia antes das nove. Eu sabia disso porque vinha havia meses com um único propósito que jamais confessaria a ninguém.

O ar lá dentro era denso, quase sólido. As paredes de cedro exalavam um cheiro quente de resina, e sob meus pés descalços a madeira queimava o suficiente para me lembrar que estava viva. Sentei no banco mais alto, onde o calor se acumula, e deixei o vapor me cobrir como uma segunda pele.

O suor começou a brotar de imediato. Senti-o se formar na nuca e deslizar devagar pela coluna, juntar-se na curva da cintura e seguir descendo. Cada gota deixava um rastro morno, e eu o seguia com a ponta de um dedo, sem pressa, enquanto minha respiração se tornava mais lenta e pesada.

Eu não estava completamente nua. Usava um conjunto de renda preta que tinha comprado para aquela manhã, fino, justo, com um desenho de flores que parecia inocente e não era absolutamente nada disso. O tecido grudava no meu corpo encharcado, mordendo meu quadril, pressionando exatamente onde eu mais precisava.

Ninguém sobe antes das nove, repeti para mim mesma. Tenho duas horas só para mim.

Levei a mão até o ventre, seguindo o brilho do suor, até os seios. Apertei um mamilo entre dois dedos e uma fisgada de prazer me percorreu de cima a baixo, direta para o centro das pernas. A ideia de estar num lugar público, de que a porta pudesse abrir a qualquer momento, sempre me excitara mais do que qualquer outra coisa. Naquela manhã, além disso, eu tinha decidido ir um passo mais longe.

Na bolsa, junto à porta, eu trouxera um plug pequeno e um vibrador. Antes de subir eu tinha colocado o primeiro com calma, com lubrificante frio contrastando contra a pele ardente, e agora o sentia firme dentro de mim, uma presença constante que pulsava levemente a cada movimento dos meus quadris. Toda vez que eu me remexia no banco, a base pressionava exatamente onde devia, e eu tinha de morder o lábio para não gemer alto.

Deixei a mão descer mais. A renda estava encharcada, e não só de suor. Passei dois dedos por cima do tecido, sentindo o contraste entre a delicadeza do bordado e a urgência do que havia por baixo, e soltei o ar pela boca, tremendo.

Afastei a renda para o lado. A umidade me recebeu morna, abundante, e um dedo deslizou para dentro sem nenhum esforço. Fechei os olhos. O vapor, o cheiro de cedro, a madeira quente contra as costas, o plug pulsando, tudo conspirava para me levar ao limite rápido demais.

—Devagar —disse em voz baixa, como se fosse outra pessoa me dando ordens—. Devagar.

Movi os dedos com paciência, traçando círculos lentos ao redor do clitóris, deixando a tensão crescer sem a liberar. Meus quadris se moviam sozinhos, buscando mais, e toda vez que eu empurrava contra minha própria mão o plug respondia, multiplicando a sensação até que eu mal conseguia pensar. O calor da sauna e o fogo que eu tinha dentro se misturavam numa única coisa.

Eu estava tão perdida que quase não ouvi o rangido das dobradiças.

***

A porta se abriu e uma lufada de ar fresco acariciou minha pele ardente. Minha respiração se cortou. Por um instante meu coração parou por completo, e então voltou a bater com força selvagem, golpeando minhas costelas.

No vão da porta havia uma mulher.

Ela era alta, muito mais do que eu, envolta numa toalha branca que contrastava com sua pele dourada. O cabelo castanho-claro estava preso num coque do qual escapavam algumas mechas úmidas, coladas ao pescoço e aos ombros. Tinha uma presença serena, quase insolente, de alguém acostumada a ser olhada.

Não me deu tempo de me cobrir. Seus olhos percorreram a cena inteira em um segundo: minhas pernas abertas, a renda afastada, minha mão ainda entre as coxas, o corpo brilhante de suor e tremendo por algo impossível de disfarçar. Vi quando ela entendeu exatamente o que tinha interrompido.

Esperei a vergonha, o pedido de desculpas, o bater da porta. Nada disso veio. Em seus olhos verdes, a surpresa durou apenas uma batida de coração e depois se transformou em outra coisa, uma faísca escura que eu reconheci porque era idêntica à que ardia em mim.

—Não esperava encontrar ninguém a esta hora —disse ela. A voz era grave, tranquila, e cada palavra parecia carregar um segundo significado.

Não retirei a mão. Talvez fosse o calor, talvez a certeza de que ela também não queria que eu a retirasse, mas continuei movendo os dedos, devagar, sustentando seu olhar.

—Eu também não esperava companhia —respondi, e minha voz saiu rouca, irreconhecível.

Ela deu um passo para dentro. A porta se fechou sozinha atrás dela, e o vapor voltou a se fechar ao nosso redor como uma cortina. A tensão entre nós podia ser cortada com uma faca.

—Parece que interrompi alguma coisa —disse, com um meio sorriso que não escondia nada.

—Você pode ficar —respondi—. Se quiser.

Foi tudo de que ela precisou. Levou as mãos ao nó da toalha e a deixou cair no chão de madeira. Debaixo não havia nada. O corpo dela apareceu inteiro diante de mim, firme e longo, os seios altos, os quadris largos, a pele reluzindo de suor sob a luz fraca da única lâmpada. Fiquei sem ar.

***

Ela caminhou até mim sem pressa, saboreando o jeito como eu a olhava, e parou aos pés do banco. Eu ainda tinha os dedos entre as pernas, incapaz de parar, e ela baixou os olhos até eles e lambeu os lábios.

—Não para por minha causa —murmurou—. Quero ver você.

Obedeci. Apoiei a cabeça na madeira quente e deixei que ela me olhasse enquanto eu me acariciava, enquanto o plug pulsava dentro de mim e o suor descia entre os seios. Me ver observada, desejada no meu estado mais exposto, me empurrou mais perto do limite do que eu sozinha conseguiria.

—Tem mais uma coisa na minha bolsa —disse com voz fraca—. Junto à porta. Traga.

Ela arqueou uma sobrancelha e foi. Ajoelhou-se ao lado da bolsa com uma lentidão deliberada, os quadris balançando, e quando seus dedos encontraram o vibrador, ela o tirou e o ergueu no alto, como um troféu.

—É isso que você quer? —perguntou, debochada, mantendo-o fora do meu alcance.

—Sim —arquejei, empurrando os quadris para a frente sem pensar—. Por favor.

Ela se ajoelhou entre minhas pernas. O zumbido grave do aparelho encheu a sauna quando ela o ligou, e só esse som já esteve a ponto de me fazer explodir. Os olhos dela não se afastaram dos meus nem por um segundo.

—Abra para mim —disse, e não era um pedido.

Afastei as coxas o máximo que pude, me oferecendo por inteira, e senti ela aproximar o vibrador sem me tocar ainda, deixando-o pairar a um milímetro da pele, me torturando com a promessa.

—Você está encharcada —murmurou, encantada—. Um delírio.

—Faz isso —implorei—. Não aguento mais esperar.

Ela baixou o vibrador até roçar meu clitóris e todo o meu corpo se sacudiu como se uma corrente me atravessasse. Gritei, nem me importei. Ela sorriu e começou a movê-lo em círculos lentos, percorrendo cada dobra, encharcando-o na minha umidade antes de voltar ao ponto onde eu mais precisava.

—Você gosta assim? —perguntou, pressionando um pouco mais.

—Sim, sim… mais forte —arquejei, agarrada com as duas mãos à borda do banco, as unhas cravadas na madeira.

Ela não hesitou. Aumentou a pressão, apoiando o vibrador exatamente onde devia, e o plug respondeu dentro de mim elevando sua intensidade, os dois estímulos se sincronizando até que eu deixei de distinguir onde um terminava e o outro começava. O prazer crescia em espiral, subindo do ventre ao peito, até a garganta.

—Você está linda assim —murmurou, inclinando-se até seu hálito bater no meu ouvido—. Completamente perdida.

As palavras dela me acenderam ainda mais. Senti as pernas tremerem, o corpo inteiro se tensionar, a onda se formando inevitável.

—Não para —implorei—. Por favor, não para.

Ela não parou. O orgasmo me atingiu como uma explosão, arqueando meu corpo contra a madeira, e eu me ouvi gritar enquanto todo o calor acumulado se libertava de uma vez. Ela manteve o vibrador firme, prolongando tudo, até que as réplicas me deixaram tremendo e sem forças, desabada sobre o banco.

***

Demorei a voltar. Quando abri os olhos, ela já estava sentada ao meu lado e me observava com uma calma satisfeita, uma mão apoiada na minha coxa ainda trêmula.

—Você é insaciável —disse em voz baixa, quase com ternura.

—A culpa não é minha —respondi, conseguindo sorrir pela primeira vez—. E você?

Em resposta, ela segurou meu pulso e guiou minha mão até ela. Encontrei-a ardente, aberta, tão molhada quanto eu estivera. Ela gemeu quando meus dedos a roçaram, e aquele som, grave e rendido, apagou de uma vez o pouco de cansaço que ainda me restava.

Me sentei. Queria retribuir cada segundo. Fiz com que ela se deitasse sobre a toalha branca que havia deixado cair e deslizei entre suas pernas, seguindo com a língua o rastro de suor que descia por seu ventre. Quando cheguei ao centro dela, ela enredou os dedos no meu cabelo e empurrou meu rosto contra si com uma urgência que me fez arder de novo.

Seu gosto era salgado e limpo, intenso, e eu não conseguia parar de bebê-lo. Trabalhei devagar no começo, desenhando com a língua, ouvindo a respiração dela se quebrar em arquejos cada vez mais agudos. Os quadris dela começaram a se mover contra minha boca, marcando o ritmo, pedindo mais.

—Assim —arquejou—. Isso, não para.

Não parei. Levei uma mão até lá e a penetrei com dois dedos enquanto continuava com a boca, e senti todo o corpo dela se tensionar sob o meu. A madeira rangia debaixo de nós, o vapor nos cobria, e os gemidos das duas se misturavam no ar denso até virarem um só.

Quando ela gozou, fez isso em silêncio, com as costas arqueadas e as coxas se fechando ao redor da minha cabeça, tremendo da cabeça aos pés. Fiquei onde estava, suavizando o ritmo, até que ela se largou relaxada sobre a toalha, ofegante.

Subi para deitar ao lado dela. As duas brilhávamos de suor, exaustas, envoltas no calor pegajoso da sauna e no cheiro do que acabáramos de fazer. Ela virou a cabeça e me olhou com um sorriso lento.

—Como você se chama? —perguntou.

—Dalia —disse—. E você?

Ela negou com a cabeça, ainda sorrindo.

—Melhor não —murmurou—. Assim, da próxima vez, continuaremos sendo duas desconhecidas.

Senti o plug pulsar outra vez, suave, como um lembrete de que o fogo nunca se apaga por completo. Fechei os olhos e deixei o vapor nos cobrir de novo, sabendo que voltaria no domingo seguinte, na mesma hora. E que esperaria a porta se abrir.

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