Minha tia me ensinou o que meu corpo desejava
Cresci sem mãe, e isso nunca me pesou demais. Meu pai, um homem sério e devoto, prometeu a si mesmo que não voltaria a se casar por medo de que uma madrasta não cuidasse bem nem de mim nem dos meus dois irmãos mais velhos. Então cresci entre homens, numa casa em que eu era a única mulher.
Meu nome é Marina, tenho vinte e dois anos, porte mediano, seios firmes, cintura estreita e quadris arredondados que sempre escondi sob roupas largas. Dizem que as filhas únicas são as princesinhas dos pais. Pode ser, embora eu sempre tenha sido mais moleca.
Nessa primavera, meu pai quis fazer uma pequena festa de família para agradecer pela minha saúde e pelo meu futuro. Vieram tios, primos, vizinhos. Teve comida de sobra e, entre as mulheres da família, o costume de arrumar meu cabelo com óleos e misturas de ervas como símbolo de bênção.
Enquanto passavam aquela pasta espessa no meu cabelo, algo escorreu pela minha testa e entrou nos meus olhos. Eles começaram a arder tanto que eu não conseguia abri-los. Foi então que minha tia Carmen se ofereceu para me ajudar a tomar banho, e eu aceitei, agradecida.
Carmen pediu que eu tirasse a toalha. Fiquei de lingerie, uma minha, nova, comprada para a ocasião. Ela sorriu e disse que eu também tirasse aquilo, porque o pó e o óleo do cabelo iam manchá-la assim que a água os levasse.
Tirei com timidez. Nunca tinha ficado nua na frente de ninguém, exceto do meu pai quando era pequena.
Ela abriu o chuveiro e começou a enxaguar meu cabelo daquela mistura grudenta. A água morna escorria pelo meu rosto, e quando consegui abrir os olhos devagar, tive uma surpresa: minha tia, uma mulher de uns quarenta anos, estava só de sutiã de renda e calcinha de rede. Não tive coragem de perguntar por quê.
Era a primeira mulher adulta que eu via com tão pouca roupa, e senti um formigamento estranho no ventre. Afinal, eu fui criada numa casa de homens. Nunca tive perto um corpo feminino para olhar com calma.
— Marina —me chamou baixinho, e meus pensamentos pararam de repente. Ergui os olhos dos seus seios até o rosto dela.
— Diga, tia —respondi, com a voz trêmula.
— Vou me refrescar também, está um calor terrível aqui dentro —disse, e entrou debaixo do outro chuveiro do banheiro.
Nosso banheiro é grande e tem dois chuveiros separados. Eu a vi tirar o sutiã e a calcinha de costas para mim. Tinha quadris largos, bumbum redondo, uma cintura marcada como se tivesse sido desenhada. Eu a olhava de um jeito que não entendia.
Enquanto a água caía sobre mim, pensei no meu próprio corpo, menor que o dela, menos cheio. Naquele momento quis ser assim, voluptuosa como ela.
Quando ela se virou, seus seios nus balançavam a cada passo. Fiquei sem saber para onde olhar.
— Acho que tenho que me enxaguar de novo —disse, só para falar qualquer coisa.
— Eu também —respondeu, sorrindo—. Com esse calor não dá para ficar limpa.
Conhecia a tia Carmen desde criança. Ela perdeu o marido há anos e preferiu não se casar de novo. Tem um filho já grande, trabalha como professora numa escola da periferia e sempre anda impecável, penteada, perfumada. Naquela tarde, porém, eu a via pela primeira vez.
De repente me perguntei por que eu estava olhando tanto para ela. É só uma mulher, como eu, como minhas amigas. Por que eu a acho tão interessante?
A resposta era simples: nunca tinha visto uma mulher completamente nua. Nem as minhas amigas nos vestiários da universidade, porque eu sempre passava o tempo trancada estudando ou com meus irmãos. Uma vez, umas colegas insistiram para eu ver pornô e eu vi, sem que aquilo me dissesse muito. E, no entanto, aquele corpo curvilíneo tinha acelerado meu coração de um jeito que eu não sabia explicar.
Continuei olhando, e ela parecia não se importar. Soltou o cabelo negro e comprido, fechou os olhos quando a água bateu no rosto, e seus seios pesados ficaram ainda mais pesados sob o jato. Ela cantarolava uma música enquanto se movia com uma suavidade que me dava inveja.
Eu queria vê-la mais de perto. Inventei uma desculpa.
— Meu sabonete ficou no seu chuveiro, tia. Eu pego, não se mexa.
Ela assentiu com um sorriso, sem abrir os olhos. Aproximei-me devagar, fingindo procurar a barra, e fiquei um instante a mais olhando a água escorrer pelo ventre dela. Nunca pensei que o corpo de outra mulher pudesse me parecer tão irresistível.
Peguei o sabonete e voltei para o meu lado, envergonhada. É minha tia, é da minha família. Mas logo me disse que era só curiosidade, e que curiosidade não tem nada de errado. Ou foi o que eu quis acreditar.
Sem perceber, eu a imitei. Fechei os olhos, comecei a me ensaboar e a cantarolar uma melodia boba. Até que ouvi uns gemidos baixos e entreabri as pálpebras por entre a espuma.
Carmen segurava o chuveiro bem perto do sexo e se esfregava devagar com a outra mão. Tinha as pernas um pouco abertas, as coxas tensas. Fingi lavar o rosto, como se não visse nada, mas ela pareceu notar que eu a observava. Os sons foram diminuindo aos poucos.
Terminei o banho antes dela. Quando estava prestes a sair, deixei o sabonete perto dos pés dela de propósito, só para ter uma desculpa para me abaixar. Ao me inclinar, ela me disse, sem abrir os olhos:
— Cuidado, olha onde você supostamente deve olhar.
Ri, nervosa, e obedeci pela metade. Quando fui pegar a barra, ela a pisou sem querer, escorregou e veio sobre mim. Os seios dela bateram nos meus, senti um choque atravessar meu corpo inteiro, e uma das mãos dela roçou entre as minhas pernas enquanto buscava apoio. Foi só um segundo, mas me atravessou como uma descarga. Nunca tinha sentido nada parecido.
Ela se ergueu rápido, minimizando meus pedidos de desculpa. Aproximou-se do meu ouvido e sussurrou:
— Você está muito descuidada aí embaixo, querida. Devia arrumar isso.
Senti um arrepio. Meus lábios roçaram os dela quando me virei, e a mão dela voltou a me tocar por um instante.
— Nunca me depilei —confessei baixinho—. Só aparo.
— Posso te ajudar —disse, enquanto voltava a vestir a lingerie—. Mas só se você me pedir.
— A gente faz isso agora? —perguntei, com uma vontade que eu nem sabia de onde vinha.
— Seu pai e os convidados estão nos esperando. Faremos isso em outro momento —respondeu, e deixou aquele sorriso contagiante cravado na minha cabeça.
***
Nessa noite, quando todos já tinham ido embora, me surpreendi ao ver que Carmen ia dormir em casa. Ela já deveria ter ido embora fazia tempo. Grudei nela dizendo bobagens, sem conseguir parar de olhá-la. Meu pai, que me via passar tanto tempo com uma mulher da família, parecia satisfeito.
Era como se ela pudesse ler meus pensamentos. Quando eu quis que ela se inclinasse na minha frente para eu ver o decote, ela não só se abaixou como demorou de propósito para eu olhar bem.
Mais tarde ela trouxe o notebook e se sentou no sofá, de costas para a parede, com os pés apontados para onde eu estava. Eu a observava com um desejo que já não conseguia disfarçar. Ela usava óculos, o que a fazia parecer ainda mais professora. Foi deslizando para uma postura meio reclinada, os joelhos dobrados, o robe curto mal cobrindo as coxas.
Meu coração acelerou. Juntei coragem para olhar melhor e vi que ela tinha pegado no sono com os óculos ao lado. Aproximei-me devagar. O robe tinha subido. Ela não usava nada por baixo.
Voltei a pensar em me depilar e, quase como desculpa, fui buscar uma lâmina, creme de barbear e uma loção. Quando voltei com tudo nas mãos, o robe dela tinha escorregado ainda mais para cima, como se ela mesma o tivesse movido.
Sentei-me de joelhos aos pés dela. Levada por algo mais forte que a vergonha, aproximei as mãos e separei de leve os lábios do sexo dela para vê-lo por dentro. Senti uma vontade enorme de beijá-la ali. Reuni toda a coragem que tinha e dei um beijo suave entre as pernas dela.
Era uma sensação nova, um cheiro intenso que eu não sabia nomear. Como não queria acordá-la, decidi ir me depilar e a cobri de novo com cuidado. Mas antes dei outro beijo, incapaz de me conter.
Quando levantei a cabeça, ela se mexia. Ergui-me depressa.
— Seu robe escorregou e eu só queria cobrir você —murmurei.
— Obrigada, querida —disse, abrindo os olhos com calma—. Senti seus beijos.
Fiquei tremendo, sem coragem de olhá-la.
— Que calor, não é? —acrescentou, e eu assenti, indo para o banheiro quase correndo.
***
Passei o gel por toda a minha virilha. Estava espessa, realmente descuidada. Eu estava com a lâmina na mão quando ouvi a porta se abrir. Tinha me esquecido de trancar na pressa. Era Carmen.
— Posso entrar, querida? —perguntou.
Disse que não me importava, com o coração quase saltando pela boca. Ela se aproximou, olhou minha virilha coberta de gel e a lâmina desajeitada entre meus dedos, e sorriu.
— Você está se depilando sozinha? —disse—. Deixa que eu faço, vou fazer melhor. Fique à vontade.
— Sim, tia... por favor —respondi, e minha voz saiu mais ansiosa do que eu queria.
Ela pediu que eu tirasse a blusa e o sutiã. Queria que eu estivesse completamente nua, e eu fiz sem perguntar. Meus mamilos endureceram na hora, expostos ao ar.
Ela me colocou sentada num banquinho e abriu bem as minhas pernas. Ajoelhou-se entre elas, bem na minha frente, e pegou mais um pouco de gel para espalhar devagar, começando pela parte de cima, roçando meu clitóris com a ponta dos dedos.
Deslizou aqueles dedos com uma habilidade que me fez tremer. Mordi os lábios para abafar os gemidos. Ela fingia que era a coisa mais natural do mundo, concentrada também na entrada do meu sexo.
Então desabotoou a blusa e deixou livres seus seios enormes, que balançaram para todos os lados. Também tirou o robe e passou um pouco de gel no próprio pelo, muito mais farto que o meu. Eu a observava em silêncio, bebendo cada centímetro da pele dela.
Ela se ajoelhou de novo e começou a me depilar de cima a baixo, devagar, com cuidado. Da minha posição eu tinha uma visão perfeita dos seios dela, que se moviam com cada gesto. Eu queria tocá-los, chupar os mamilos, mas não tive coragem com a lâmina tão perto.
Uma boa quantidade de espuma caiu sobre o peito dela, e ela a espalhou como se estivesse se limpando, sem parar de me olhar. As duas respirávamos agitadas, em silêncio, nos escutando.
Quando terminou, passou uma loção suave na região recém-depilada. Enquanto fazia isso, vi-a esfregando o próprio clitóris com os dedos escorregadios.
— Coça? —perguntei.
— Sim —ela riu—. Coça desde esta tarde, desde que te vi no banho.
Ela apertou suavemente meus lábios para o lado para depilar as laterais, e um gemido me escapou. Perguntou se estava doendo.
— Não, tia —respondi—. É que isso me dá muito prazer.
Já não consegui controlar nada. Comecei a gemer alto enquanto ela, sem pudor, esfregava meu clitóris. Enxaguou a espuma com água, e ela escorreu pelos seios dela. Não parava. Eu também não conseguia parar de gemer.
— Por favor, não para —implorei—. Por favor.
— Calma —disse, rindo—. Agora vou te fazer direito.
Esfregou mais rápido, mais forte, e senti alguma coisa se acumular dentro de mim até transbordar. Um líquido espesso, morno, escapou entre as minhas pernas. Foi meu primeiro orgasmo, e a deixei sem palavras as duas.
— O que é isso, querida? —perguntou, olhando o que pingava sobre seus seios.
— Você provocou isso, tia —respondi, com um sorriso travesso que eu nem reconhecia.
Então ela abaixou a cabeça e me tomou inteira com a boca. A língua dela se movia para cima e para baixo, em círculos sobre o clitóris, percorrendo cada centímetro como um pedido de desculpas por ter sido tão brusca antes. Foi uma sensação ainda melhor que a primeira. Eu queria gritar.
Segurei o cabelo dela e a apertei contra mim, mais ousada do que jamais tinha sido. Ela me olhou divertida, sem parar de me lamber, enquanto eu guiava a cabeça dela. Pediu que eu gemesse mais alto quando sentisse que estava chegando de novo, e eu obedeci. Tremendo, gozei direto na boca dela.
Quando ela se levantou, pôs uma perna na borda da banheira, como se também fosse se depilar. Deslizei entre as pernas dela.
— Por favor, não se depile, tia —pedi.
Ela corou e disse que ficaria melhor depilada, mas eu insisti, segurando suas mãos.
— E o que você quer que eu faça, então? —perguntou, com um sorriso malicioso.
— Quero que você fique assim. Do jeito que está.
Quis assumir o controle. Passei os dedos devagar pelo sexo dela, de cima a baixo, e ela gemeu baixinho. Deslizei o dedo médio pela fenda, rocei o clitóris, e senti o corpo dela estremecer. Ela me agarrou pela cabeça e me pressionou contra si, marcando o ritmo.
Afundei dois dedos e comecei a movê-los com toda a minha vontade, enquanto beijava o clitóris dela sem parar. Ela se agarrou à barra da cortina, gemendo cada vez mais alto, até gozar e me salpicar o rosto, mais líquida que eu, quase como água.
Depois me ergui devagar e a olhei nos olhos, tão perto que parecia que íamos nos beijar de verdade. Ela segurou meu rosto com as mãos e me puxou para perto. E justamente quando nossos lábios se roçavam, ouvimos batidas na porta.
— Marina! —era meu pai—. Anda logo, filha, que estamos atrasados.
Rimos as duas.
— Me dá cinco minutos, pai —respondi.
Carmen me deu um beijo pequeno nos lábios, mais promessa do que fim. Nos enxaguamos rápido, uma ao lado da outra, prometendo repetir tudo em breve. E repetimos mesmo, toda vez que ela arranjava uma desculpa para ficar, até o verão acabar e ela ter que voltar para a cidade dela.