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Relatos Ardientes

Quando os alunos se atreveram com a coordenadora

Na hora do recreio das onze, o pátio do ensino médio técnico era um forno. O cimento rachado brilhava sob o sol de maio como se acumulasse toda a luz do mundo, as árvores mirradas não davam sombra suficiente, e o ar pesado carregava pó fino e cheiro de frituras quentes vindo da cantina do campus. Os ventiladores do corredor giravam sem convicção, movendo só calor de um lado para o outro.

Os estudantes enchiam o espaço com essa energia particular de quem passa metade da manhã trancado: grupos de jovens de vinte e tantos anos — muitos trabalhadores que cursavam o ensino médio técnico no turno da manhã por convênio com empresa — rindo em rodinhas, apostando em jogos de cartas sob o coberto de zinco, discutindo com os celulares erguidos para o céu em busca de sinal. Era recreio, mas parecia que o calor queria derreter todo mundo.

Magdalena atravessou o pátio com passo firme.

Como coordenadora de disciplina, ela levava oito anos naquele campus e conhecia cada rachadura do chão, cada canto onde os alunos se escondiam para fumar ou se beijar. Mas naquela manhã o calor a atingia de um jeito diferente. A blusa branca de manga curta se colava à pele a cada passo, marcando o sutiã e o início dos peitos grandes que ela trazia apertados contra o tecido. A calça preta de tecido fino desenhava a bunda redonda a cada passada, a costura afundando de leve entre as nádegas, e os saltos pretos a obrigavam a esse balanço que ela nunca tinha buscado, mas que todos, sem exceção, notavam.

Era uma mulher de trinta e oito anos que parecia feita para provocar inveja e desejo em partes iguais. Morena, de cintura pequena e quadris largos que não pediam licença, com o cabelo preso num coque apertado que deixava à mostra a curva do pescoço e as clavículas. Seu corpo não se encaixava totalmente na imagem discreta que o cargo de coordenadora exigia: sempre sobravam centímetros nos lugares errados, sempre faltava tecido onde mais importava.

Ela caminhava entre o burburinho com o olhar à frente. Ciente dos olhares. Sempre ciente.

Parou por um instante, fingindo conferir algo no telefone. Com calma deliberada, ajustou o cinto da calça: as mãos desceram pelos quadris largos, puxando o tecido até que ele ficasse bem assentado sobre a bunda, os polegares sustentando a pretina por mais um segundo antes de soltá-la. Não foi por conforto. Os alunos que a observavam de esguelha não perderam um centímetro do movimento, e mais de um ajeitou a pica dentro da calça ao vê-la.

A lembrança veio sem ser chamada, como sempre vinham as lembranças incômodas: no meio do calor, no meio do barulho.

Sua mãe, aos sábados de manhã. Voltando do «mercado» com o cabelo ainda úmido na nuca, a pele avermelhada no pescoço, os olhos com aquele brilho suave que Magdalena, quando criança, não sabia nomear, mas reconhecia como algo que não pertencia à casa. Ela cheirava diferente. Se movia diferente. Cantarolava enquanto preparava o café da manhã com uma leveza que nenhum dia comum tinha. Anos depois, Magdalena entenderia que a mãe voltava recém-fodida, com a buceta ainda morna do sêmen de outro homem, e que essa era a razão exata do cantarolar.

Seu pai nunca soube. Ou talvez não quisesse saber.

Magdalena tinha entendido isso anos depois, quando já era mulher casada e começou a reconhecer em si o mesmo vazio: o sorriso automático, o corpo pedindo pau e não conseguindo. Rogelio — vice-diretor do campus, marido dela havia onze anos — era um homem correto, organizado, pontual. Mas fazia tempo que essas virtudes não bastavam para esquentar uma cama. Fazia meses que a pica de Rogelio não subia para ela, que as noites terminavam com ele dando as costas para a parede e ela com a mão entre as coxas, esfregando o clitóris inchado em silêncio até gozar mordendo o travesseiro para que ele não ouvisse.

A alguns metros, encostados na parede do corredor entre os grupos de alunos, o diretor, seu Ernesto, e o professor de educação física a seguiam com o olhar. Seu Ernesto era um homem de quase sessenta anos, gordo, com o bigode grisalho sempre úmido de suor, a barriga transbordando o cinto. Tinha aquele jeito de olhar que não escondia nada: direto para o corpo, direto para os quadris, direto para o balanço da calça preta.

—Olha ela —rosnou baixo, sem desviar os olhos—. Mulher assim devia estar em casa, não aqui nos pondo à prova. Uma bunda dessas pede pau aos gritos.

O professor de educação física engoliu em seco, incomodado.

—Diretor… ela é a esposa do vice-diretor Rogelio.

—E daí? O homem não sabe o que tem. Mulher assim precisa ser comida direito, não de papelada e reunião. Eu enfiava até o fundo e deixava ela chorando de gosto.

Magdalena não se virou. Não precisava. Conhecia aquele olhar havia anos: pesado, úmido, velho. Provocava nela o mesmo efeito que o cheiro de cigarro frio na sala de arquivos.

Aquele velho porco de novo. Nunca. Antes morrer do que deixar esse filho da puta meter a pica enrugada em mim.

Porque o que acendia Magdalena não era esse tipo de olhar. Era outro. Era o dos jovens: os de vinte anos que ficavam nervosos quando ela levantava a voz, os que gaguejavam quando ela os chamava à sua sala, os que a olhavam como se fosse algo inalcançável que, mesmo assim, desejavam com força e sem vergonha. Os que provavelmente batiam punheta pensando nela, apertando a pica dura no banheiro enquanto imaginavam abri-la sobre a mesa.

Esses, sim. Esses eram completamente outra coisa.

***

Ela ouviu por acidente, ao dobrar a esquina do corredor que dava para o estacionamento de bicicletas. Vozes de homens jovens, confiantes, sem se preocupar com quem pudesse estar por perto.

Ela colou ao muro antes que a vissem.

—Você já soube do vice-diretor? —disse uma voz que ela reconheceu de imediato: Rodrigo, do grupo do terceiro semestre. Vinte e um anos, mecânico automotivo no turno da tarde, daqueles que chegavam ao campus com o cansaço nas costas e ainda assim não perdiam um detalhe do que acontecia ao redor.

—O que tem?

—Que não sobe mais. O primo de alguém que trabalha na administração disse que a própria dona Magda comentou com uma professora. Que em casa não tem mais pau. Que Rogelio não fode há meses, que fica mole e que nem com boca conseguem levantar isso.

Risadas baixas. O tipo de riso que sai da garganta travada, de morbidez e não de deboche.

—Não é à toa que a coordenadora anda como anda. Você não vê como ela caminha? Como se a buceta dela coçasse de tanto vazio.

—Se em casa não me comem, eu também andaria assim o tempo todo. Essa velha deve ter a buceta mais apertada do campus de tanto que não a penetram.

—Quem tem uma mulher dessas e não aproveita merece. Essa aí tem que ser arrebentada por trás, pega pelas nádegas e enfiada até fazer chorar.

—Já viu os peitos dela? Tudo marca com essa blusa. Eu colocava a pica entre as tetas e gozava na cara dela.

—E a boca. Aquela boca pintada de vermelho pede chupada. Dá pra ver que ela sabe chupar.

Magdalena apertou a palma contra o muro. O concreto áspero marcou sua pele. Sentiu a buceta umedecer sob a calça, uma pontada surda entre as pernas que ela não tinha pedido e já não podia frear. A calcinha de algodão grudou nos lábios inchados, e ela notou os mamilos endurecendo contra o sutiã até marcarem por baixo da blusa branca.

Será que é isso que a minha mãe sentia? Esse ardor que sobe sem permissão, essa umidade entre as coxas, esse formigamento na ponta do clitóris? Estou me molhando. Estou me molhando ouvindo esses filhos da puta falarem de me enfiar a pica.

A voz de Rodrigo continuou, baixando ainda mais:

—Eu digo que qualquer dia desses a coordenadora quebra. O saco dela acaba e ela vai pedir pau. E quem estiver perto…

Não terminou. Não precisou terminar.

Magdalena se afastou com os saltos sem fazer barulho, o coração batendo forte no esterno e a buceta latejando no mesmo ritmo, encharcada, pesada, exigindo alguma coisa que ela ainda não ousava nomear.

***

Foi Miriam quem a levou à cantina.

Miriam era a professora de inglês: quarenta e tantos anos, baixinha, sempre com o cabelo preso num elástico velho, o rosto redondo e perpetuamente gentil de quem se acostumou a passar despercebida. Os alunos contavam tudo a ela justamente por isso: porque ninguém esperava que ela fizesse algo com o que sabia.

O que Magdalena não conseguia ver — o que nunca viu com clareza — era que Miriam passava anos olhando Rogelio de longe, com aquele tipo de desejo calado que se alimenta das rejeições que ninguém declara. E que esse desejo, com o tempo, apodreceu até se tornar algo muito mais parecido com ressentimento do que com afeto.

—Vamos, Magda —disse, com o sorriso automático, segurando-a pelo braço—. Me acompanha um instante. Estou morrendo de calor e preciso de alguma coisa gelada.

A cantina escolar era um espaço amplo e barulhento: prateleiras cheias de doces, salgadinhos e biscoitos baratos, geladeiras velhas vibrando nos cantos, e o balcão comprido onde dona Concha, a funcionária de cinquenta anos com mãos sempre limpas, atendia os alunos sem parar e sem perder o bom humor.

No fim do recreio, o lugar enchia em questão de minutos.

Miriam escorregou para o outro lado da cantina quase de imediato, com um «já volto» pela metade, deixando Magdalena sozinha junto ao balcão.

—O que eu sirvo, professora? —perguntou dona Concha.

—Algo gelado —respondeu Magdalena, inclinando-se sobre o balcão para ver os refrigerantes na geladeira—. Com esse calor eu não consigo nem pensar.

Ela não terminou a frase.

Percebeu antes de entender: uma pressão atrás dela, corpos se aproximando mais do que o espaço justificava. Ao se inclinar, a calça preta esticou sobre a bunda, desenhando-a por inteiro, a linha da calcinha se marcando de leve sob o tecido. O burburinho do recreio ocupava tudo — vozes, risadas, moedas batendo no balcão, o tumulto de quem está com pressa e não olha para onde vai —, e naquele caos ninguém daria atenção a nada específico.

Lá vêm eles. Ou estou imaginando? Não. Não estou imaginando. Estão de pau duro, eu sinto.

Rodrigo passou primeiro ao lado dela, roçando seu braço com a intenção clara de quem avisa sem palavras. E algo mais: ao passar por trás, Magdalena sentiu a pressão inequívoca de uma pica dura empurrando sua nádega através do tecido da calça. Não foi um roçar acidental. Foi o peso, o volume, a forma exata de uma pica enrijecida apertando a bunda dela por dois segundos inteiros antes de o rapaz seguir em frente.

Um gemido baixo escapou dela. Apertou as coxas por instinto. Sentiu a buceta escorrer um fio morno dentro da calcinha.

Um momento depois, Diego — outro do grupo do terceiro semestre, calado e tenso, com os ombros encolhidos como se quisesse ocupar menos espaço do que ocupava — meteu-se entre a multidão e ficou exatamente atrás dela.

Magdalena apertou a borda do balcão com as duas mãos.

Eles não vão ousar. Eu sou a coordenadora. Isso não pode estar acontecendo. Mas estou molhada, merda, estou encharcada.

O primeiro toque veio como um acidente possível: um empurrão da confusão que fez a mão de Rodrigo cair sobre seu quadril, a palma aberta e quente contra o tecido da calça preta. Podia ter sido casual. Não foi. Os dedos ficaram um instante a mais do que o necessário, seguindo a curva com uma lentidão que não admitia confusão, descendo da cintura até a parte alta da nádega, apertando a carne firme por cima do tecido.

Magdalena ofegou. Tão baixo que só ela ouviu.

A mão de Rodrigo ganhou coragem. Desceu um pouco mais, apalpou a bunda por baixo, encaixando a palma na nádega direita, medindo-a, apertando-a com os cinco dedos abertos como se avaliasse uma fruta madura. O polegar deslizou para dentro, buscando a fenda entre as nádegas por cima da calça, e pressionou ali, bem onde a costura desenhava o caminho para a bunda.

A buceta de Magdalena se contraiu. Sentiu uma descarga elétrica subir pela coluna até a nuca.

O segundo contato foi mais direto. Diego acomodou os dedos na parte baixa do seu quadril com uma firmeza calma, quase metódica, como quem reivindica algo que já considera seu. E apertou. A mão direita do rapaz se abriu sobre a nádega esquerda, os dedos afundando na carne por cima da calça, amassando-a lentamente, e ao mesmo tempo Magdalena sentiu o volume da pica dura empurrando contra a parte alta da sua coxa, separada da bunda apenas por dois tecidos finos.

O corpo de Magdalena respondeu antes da vontade: os quadris cederam levemente para trás, um movimento de milímetros, involuntário e perfeitamente claro. Ela se apoiou contra a pica dura de Diego. Só um segundo. Só o suficiente para ele perceber.

Estão me tocando. Estão mesmo me tocando a bunda. E eu não digo nada. E estou me esfregando. Meu Deus, estou me esfregando contra a pica desse garoto.

Diego respirou fundo atrás dela. Magdalena sentiu o bafo quente na nuca, e depois a boca do rapaz se aproximando perigosamente de sua orelha, tanto que quase roçava o lóbulo.

—Está gostosa pra caralho, professora —sussurrou tão baixo que só ela ouviu, a voz rouca de desejo—. Dá pra sentir tudo.

A mão de Diego subiu um pouco, deslizando pela cintura, e com o dedo mínimo roçou a parte baixa do lado de um seio por cima da blusa. O mamilo, já duro, respondeu mandando uma fisgada para o ventre.

A mão de Rodrigo aproveitou o movimento. Entrou pela frente, discretamente, e com os nós dos dedos roçou seu baixo ventre, bem acima do monte de Vênus. Magdalena sentiu o calor da palma através da calça, a poucos centímetros do clitóris inchado, que já pulsava como se tivesse vida própria.

Um gemido baixo escapou dela. Abafado. Dona Concha ouviu e baixou os olhos para o balcão, fingindo contar moedas com dedos trêmulos.

As palavras que ela ouvira atrás do muro voltaram de golpe, todas juntas, como uma onda: «Se em casa não me comem, eu também andaria assim». «Quem estiver perto». «Vai quebrar». «Essa aí tem que ser arrebentada por trás». E mais atrás, muito mais atrás na memória, a lembrança da mãe cantarolando baixinho numa manhã de sábado, com o pescoço ainda rosado e os olhos cheios de algo que na época Magdalena não sabia nomear, mas que agora reconhecia perfeitamente: a cara de uma mulher recém-comida.

É isso mesmo? Essa buceta molhada encharcando a calcinha, esse ardor que sobe e eu não encontro jeito de apagar, essa vontade de me virar e sacar as picas dos dois e chupar ali mesmo?

As mãos apertaram o refrigerante fechado até os nós dos dedos ficarem brancos.

Ela queria que parassem. Queria que continuassem. Queria que Rodrigo baixasse a mão um pouco mais e apertasse sua buceta por cima da calça. Queria que Diego enfiara a pica entre suas nádegas ali mesmo, sem tirar a roupa, só se esfregando. As coisas ao mesmo tempo, com a mesma intensidade, sem que nenhuma ganhasse.

Sentiu o jorro morno do sêmen imaginário na boca, a pica de Rodrigo afundando até a garganta, a de Diego arrebentando seu cu por trás, e a buceta se apertou de novo, tão forte que quase gozou em pé, na fila, contra o balcão.

Dona Concha, atrás do balcão, parou de falar no meio de uma frase. Seus olhos se abriram um pouco. Não disse nada, mas comprimiu os lábios numa linha reta que dizia tudo o que a boca não podia dizer.

***

O que a deteve não foi a consciência.

Foi a imagem do filho.

Ela o viu com uma clareza brutal: parado no corredor de algum campus, fingindo não ouvir enquanto os colegas cochicham que a mãe dele teve a bunda agarrada na cantina, que a coordenadora se deixou apalpar por dois alunos, que dona Magda gozou de pé na fila do refrigerante. O estigma grudando nele sem que ele tivesse escolhido, sem poder se livrar. O sobrenome manchado por algo que não era dele.

E depois viu o casamento. Onze anos. Uma casa que cheirava a café de manhã e a silêncio à noite.

Tudo isso se desfazendo numa cantina escolar entre prateleiras de balas de goma e picolés de limão, enquanto dona Concha olhava sem acreditar no que via, e enquanto duas picas jovens pediam passagem contra sua bunda.

A voz de Magdalena cortou o ar sem que ela decidisse usá-la.

—Já vai acabar o recreio. Apressem as compras.

Rodrigo retirou a mão primeiro. Deslizou-a lentamente pelo quadril antes de soltá-la, como quem assina um recibo pendente de cobrança. Afastou-se rápido no meio do povo, as costas tensas, a pica marcando na calça, sem olhar para trás. Diego demorou um segundo a mais, como se fosse mais difícil desgrudar a pica da professora da bunda, antes de desaparecer no meio da multidão. Ao se retirar, arrastou os dedos pela nádega esquerda uma última vez, apertando forte, deixando a marca.

Miriam, do outro lado da cantina, observou-os se afastar com um sorriso pequeno e quieto que não chegou aos olhos.

***

Magdalena saiu da cantina com passos lentos e precisos, fingindo uma compostura que não sentia por completo. Sentia o jorro quente de lubrificação escorrer pela parte interna da coxa, a calcinha colada à buceta encharcada, os mamilos se marcando descaradamente contra a blusa.

O sol do pátio a atingiu como um reproche. Ela se apoiou por um instante na parede descascada, fechou os olhos e respirou fundo. Apertou as coxas e sentiu o clitóris pulsar, duro, inchado, a um movimento de gozar.

O que sou agora? A coordenadora que todos respeitam ou a puta que acabou de deixar dois alunos apertarem suas nádegas e roçarem seus peitos na fila da cantina? Estou pingando. Estou com a calcinha encharcada de lubrificação. Se isso se souber. Se alguém viu direito. Se dona Concha contar pra alguém.

Ela não chorou. Não gritou. Ajustou a blusa com mãos que quase não tremiam, apertou as coxas uma última vez para conter a umidade que continuava brotando da buceta, e seguiu caminhando para a ala administrativa como se nada tivesse acontecido.

Mas algo tinha acontecido. Algo que ela não conseguiria ignorar por muito tempo.

***

Na sala dela — paredes cor creme, ventilador girando devagar, o cheiro de café frio misturado ao próprio perfume —, Magdalena trancou a porta pela primeira vez em anos.

Deixou-se cair na cadeira. Abriu as pernas só um pouco. Com a mão direita, sem tirar a calça, apertou a buceta por cima do tecido. A palma ficou úmida instantaneamente: a lubrificação havia atravessado a calcinha e já encharcava a costura interna. Ela fechou os olhos.

Esfregou o clitóris inchado com dois dedos, em círculos rápidos, por cima da calça. A imagem de Rodrigo e Diego atrás dela, a pica dura de Diego contra sua nádega, a mão de Rodrigo se enfiando para a barriga, o sussurro quente no ouvido — «está gostosa pra caralho, professora» —, tudo isso voltou de golpe e a fez cerrar os dentes para não gemer alto.

Ela gozou em menos de um minuto. Silenciosamente. Com os quadris se erguendo de leve do assento, a palma apertada contra a buceta pulsante, mordendo o lábio inferior até sangrar um pouco. Sentiu o orgasmo subir do clitóris até o ventre em ondas curtas e densas, e quando terminou, a calcinha estava tão molhada que grudava nos lábios inchados como uma segunda pele.

Ficou imóvel, respirando entrecortado, a mão ainda entre as coxas.

Pegou o telefone da mesa.

Uma notificação. Rogelio.

«Reunião na Supervisão. Vou chegar tarde hoje à noite. Está tudo bem?»

Ela olhou as palavras por um longo segundo.

Está tudo bem? Dois alunos apalparam minha bunda na cantina há vinte minutos. Eu não me mexi. Me esfreguei contra a pica de um deles. E acabei de gozar sozinha na minha sala pensando nas mãos dos dois em mim. Foi isso que aconteceu hoje, Rogelio. É isso que você não sabe.

Escreveu: «Sim. Muito calor. Se cuida.»

Enviou a mensagem antes de pensar duas vezes. Mecânico. Correto. A resposta de esposa modelo que ela sempre tinha sido.

O telefone ficou virado para baixo sobre a mesa. O ventilador girava. Do lado de fora, a segunda campainha marcou o fim do recreio e o pátio começou a esvaziar com o som familiar de tênis batendo no cimento.

Magdalena se recostou no encosto da cadeira, cruzou os braços sobre o peito — sentindo os mamilos ainda duros contra o tecido — e fechou os olhos.

O ardor não tinha ido embora. O orgasmo mal o tinha aliviado. Continuava ali, quieto, paciente, esperando mais. Esperando a pica que não tinha chegado. Esperando o sêmen que seu corpo pedia sem dizer.

E no fundo — atrás da vergonha, atrás do medo, atrás de todas as imagens do filho e do casamento e do nome ainda limpo — havia alguma coisa que ela não sabia chamar de erro: a certeza de que sua buceta, pela primeira vez em muito tempo, tinha respondido de verdade.

Como se lembrasse, enfim, que ainda estava viva.

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