Voltei ao quarto dele pelo que não conseguia esquecer
Os dias passaram e eu não conseguia tirá-lo da cabeça. À noite era pior. Eu apagava a luz e, na escuridão, tudo voltava: eu o via sentado na beirada do colchão, com as pernas afastadas, e lembrava do peso do pau dele na minha mão, do gosto salgado da cabeça na minha língua, da respiração entrecortada que escapava enquanto eu o chupava de joelhos.
Aquilo me deixava mais excitada do que eu queria admitir.
E, sem me dar conta, eu acabava me tocando quase todas as noites. Deslizava a mão por baixo da calcinha, encontrava minha buceta já encharcada e abria os lábios com dois dedos. Fechava os olhos e já estava de novo no quarto dele. Só que, na minha imaginação, as coisas iam além: eu já não estava ajoelhada no chão chupando-o, mas sobre a cama com ele, com as pernas bem abertas, sentindo o peso dele sobre mim, as mãos apertando meus peitos, a pica grossa forçando a entrada da minha buceta. Imaginava como seria ele me comer, como aquele pau que eu já conhecia abriria caminho dentro de mim de uma só vez, até o fundo, até me fazer gritar.
Eu enfiava primeiro um dedo, depois dois, imaginando que eram os dele. Movia-os dentro de mim no mesmo ritmo em que fantasiava que ele me penetraria. Com a outra mão, esfregava o clitóris em círculos rápidos, apertando cada vez mais forte, até meus quadris se soltarem sozinhos do colchão. Eu gozava rápido, com os gemidos abafados contra o travesseiro, mordendo-o para não acordar ninguém, pensando exatamente naquilo: na gozada quente dele me enchendo por dentro, em se haveria uma próxima vez, em se ele iria querer mais, em se eu o deixaria gozar dentro de mim. Era essa possibilidade que me deixava perdida. Com o calor do orgasmo vinha depois a culpa, fria e imediata, enquanto eu tirava os dedos encharcados e os levava à boca sem querer. Mas, no dia seguinte, sem falta, eu já estava pensando nele outra vez.
***
Não fui naquela quinta-feira. Deixei a data passar. Uma semana se foi, depois outra. Continuei com a minha vida, com as aulas e a tese, mas a lembrança continuava ali, como um zumbido de fundo que não desaparecia.
Na terça-feira anterior à quinta seguinte, recebi uma mensagem. Era um número que eu não tinha salvo. Quando abri, era uma foto dele. Estava no quarto, com o roupão branco entreaberto, deixando o torso à mostra e, mais abaixo, o volume marcado sob o tecido da calça do pijama. Embaixo, havia apenas três palavras: «Senti sua falta, Mariana.»
O ar ficou preso na minha garganta. Olhei ao redor da biblioteca, mas ninguém via minha tela. Aquelas palavras me atingiram no peito. Não era uma pergunta. Era uma afirmação. Ele dizia que sentira minha falta, como se o que havia entre nós fosse algo real, algo dos dois.
Senti um calor rápido subir pelo meu rosto e outro, diferente, se instalar mais abaixo. Fiquei molhada na mesma hora; minha calcinha encharcou sob a saia ali mesmo, na biblioteca. Apertei as coxas debaixo da mesa. Apaguei a tela e permaneci imóvel, mas a imagem não ia embora. Senti sua falta. E aquele volume marcado, que eu tinha visto de relance, mas que ficara gravado na minha memória. Eu sabia perfeitamente o que havia ali embaixo. Já o tinha colocado na boca. Já o sentira crescer contra a minha língua.
***
Não consegui me concentrar em mais nada. Recolhi minhas coisas e fui para casa. Naquela tarde, fazia um calor pegajoso.
Tomei um banho morno e não vesti roupa de dormir. Apenas uma calcinha e uma camiseta velha e comprida, daquelas que ficam como um vestido e cobrem até a metade da bunda. Deitei assim, com o lençol enrolado nos pés. O ar da noite entrava quente pela janela.
No escuro, o telefone vibrou outra vez.
Eu o peguei. O brilho da tela me cegou por um segundo. Dizia: «Você já deve estar deitada. Diga o que está vestindo.»
Fiquei imóvel. Se respondesse, estaria confessando que estava na cama, quase nua, pensando na mensagem dele. Se não respondesse, talvez ele interpretasse como um não. Ou talvez tentasse de novo.
Baixei os olhos para o meu corpo. A camiseta estava subida até a cintura, as pernas nuas, e o algodão da calcinha já tinha uma mancha escura no centro. Eu podia dizer a verdade. Podia contar exatamente como estava. A ideia devolveu aquele calor, aquela pressão baixa no ventre, a pulsação pesada no clitóris.
Depois de algum tempo, respondi: «Está muito quente. Só uma camiseta comprida. E mais nada.»
Enviei. Meu coração batia forte. Eu tinha dito que não estava usando calça, que havia apenas uma camada de tecido entre o olhar dele e a minha buceta. Agora ele sabia de tudo.
***
A resposta chegou quase imediatamente. «Quero ver.»
Duas palavras. Mais uma batida forte no peito. Não era uma pergunta. Era uma ordem, suave, mas ainda assim uma ordem.
Olhei para a porta do quarto, como se alguém pudesse estar me observando. Não havia ninguém. Apenas eu, o calor da noite e a mensagem dele na tela.
Sentei-me na cama. Sem pensar demais, levantei e caminhei até o espelho do armário. De um puxão, tirei a camiseta comprida. Fiquei apenas de calcinha. O ar roçou meus mamilos, que endureceram imediatamente, tanto que doeram.
Então peguei o colar na mesinha, aquele que ele tinha me dado. Coloquei-o. O ouro caiu frio entre meus seios, bem no centro. Não cobria nada. Apenas brilhava contra a pele.
Hesitei por um segundo e então também baixei a calcinha. Deixei-a cair no chão e a afastei com o pé. Fiquei nua diante do espelho, apenas com o colar entre os peitos. Vi meu próprio reflexo: os pelos pubianos aparados, as coxas brilhantes com a umidade que escorria, os mamilos tensos apontando para a frente.
Tirei uma foto no espelho. Sem o rosto, do pescoço para baixo. Meus seios, o colar pendendo entre eles, o ventre, o púbis, tudo sob a luz fraca do abajur. Enviei sem escrever mais nada. A foto dizia tudo: eu, no meu quarto, completamente nua, usando o colar dele porque ele havia pedido.
Alguns minutos se passaram sem resposta. Os nervos começaram a me corroer por dentro. Será que foi demais? Será que ele se assustou? Sentei-me novamente na cama, abraçando as pernas. Sentia minha própria umidade pegajosa contra as coxas.
Então o telefone vibrou uma última vez. «Vejo você na quinta. Tenho algo para você.»
Foi só isso. Nenhum elogio pela foto, nenhum «que bonita». Apenas um plano e uma promessa. Tenho algo para você.
Apaguei o telefone e fiquei no escuro. O colar continuava frio entre meus seios. Sem conseguir evitar, deslizei a mão entre as pernas. Eu estava encharcada, os lábios inchados, o clitóris pulsando. Esfreguei-me devagar, pensando nele, no que teria guardado para mim, no pau dele, na boca dele. Gozei em silêncio, mordendo o lábio, com dois dedos enterrados na buceta e os olhos fechados, imaginando que eram os dele. A quinta-feira já não era um dia qualquer. Era um encontro com algo que ele tinha guardado para mim. E, pela maneira como dissera, eu sabia que não se tratava de outra joia.
***
A quinta-feira chegou. Vesti-me com cuidado. Escolhi um vestido leve e fresco, que se ajustava um pouco ao corpo. Por baixo, uma calcinha fio-dental de renda, só para senti-la, embora soubesse que ninguém a veria. Ou talvez visse. Calcei um salto baixo. Não era nada prático para andar pelos corredores, mas me fazia sentir diferente. Mais segura. Ou mais disposta, eu não saberia dizer.
Eu sabia que algo iria acontecer. Não era mais uma visita de trabalho. Ele tinha algo para mim.
Cheguei à residência mais cedo do que de costume. Cumprimentei Dora na recepção com um sorriso que esperava parecer normal. Assinei o registro. «Vim terminar algumas medições na ala oeste», disse, mostrando o caderno. Ela assentiu, distraída com uma palavra cruzada.
Percorri os corredores cumprimentando alguns residentes que já conhecia. Fingi revisar minhas anotações e medi o batente de uma porta com uma fita de que não precisava. Tudo era uma encenação para que ninguém suspeitasse de que meu destino era um só.
Por fim, cheguei diante do quarto quatorze. A porta estava fechada. Respirei fundo e alisei o vestido. Bati suavemente com os nós dos dedos.
—Quem é? —perguntou a voz dele lá de dentro.
—Sou eu —disse, quase num sussurro—. Mariana.
—Entre.
Abri a porta e entrei. Ele estava de pé no meio do quarto. Usava apenas uma calça de pijama de algodão, nada mais. O torso nu, largo, coberto por aqueles pelos grisalhos. Tinha o ar de um homem que esperava alguma coisa. Sobre a mesinha, ao lado, havia uma garrafa de vinho e duas taças. E uma caixinha.
Fechei a porta atrás de mim. O clique da tranca soou alto demais no silêncio.
Ele não se mexeu. Apenas me observava, os olhos percorrendo o vestido e os saltos.
—Ficou bem em você —disse enfim, com aquela voz grave. Não esclareceu o quê.
Não soube o que responder. Fiquei junto à porta, com o coração na garganta.
Ele deu um passo até a mesinha e pegou a caixa. Abriu-a. Lá dentro, sobre o veludo, brilhavam um par de brincos. De ouro, como o colar, mas mais delicados, com uma pequena pérola pendurada em cada um.
—Também eram dela —disse, sem olhar para as joias, olhando para mim—. Mas não estou dando isso a você como parte de um acordo. Não é um pagamento.
Fez uma pausa. O ar do quarto pareceu ficar mais denso.
—Eu sei que você quer mais —continuou, e suas palavras eram claras, diretas—. Você quer que eu coma você. Eu sei desde que me mandou a foto nua usando meu colar. E eu também quero. Então isto é apenas porque fica bem em você. Porque quero vê-la usando-os enquanto enfio meu pau em você.
Ele se aproximou, com a caixa aberta na palma da mão. Ficou perto o bastante para que eu sentisse o calor do corpo dele e algo mais: o volume duro marcado sob o algodão fino da calça, roçando de leve em mim.
—Coloque-os —disse. Não era uma sugestão.
Peguei os brincos com os dedos ligeiramente trêmulos. O ouro estava frio. Tirei os meus, pequenos, e coloquei aqueles, um em cada orelha. Senti o peso leve das pérolas balançando contra o meu pescoço.
Ele observou sem tirar os olhos de mim. Quando terminei, assentiu devagar.
—Assim —murmurou—. Agora sim.
Depois, o olhar dele desceu dos brincos até minha boca e, dali, mais para baixo.
—E então? —perguntou, como se já soubesse a resposta—. Vai me dizer por que veio de verdade?
***
—Vim buscar aquilo com que tenho sonhado todos estes dias —disse, com a voz baixa, mas firme—. Vim para você me comer.
Ele me olhou por um segundo. Então, sem dizer nada, virou-se. Aproximou-se da cama e sentou-se na beirada, com as pernas abertas. A calça do pijama caía folgada, mas o volume continuava ali, inchado, à espera.
—E aí? —perguntou dali, olhando para mim. O tom era seco, prático—. Mostre-me. Tire a roupa. Toda.
Sem deixar de olhá-lo, levei as mãos às alças do vestido. Deslizei-o pelos ombros e deixei-o cair no chão. Fiquei diante dele apenas com a calcinha fio-dental de renda e os saltos. O colar pendia frio entre meus seios, as pérolas dos brincos balançavam contra meu pescoço, e o tecido da calcinha já estava escuro e colado à buceta no centro.
Ele não disse nada. Seus olhos percorreram meu corpo de cima a baixo, sem pressa, parando nos mamilos e, depois, muito mais, na mancha úmida da renda. Vi-o engolir em seco. Em seguida, estendeu a mão e fez um sinal para que eu me aproximasse.
Dei alguns passos até ficar entre as pernas dele.
As mãos grandes, com veias marcadas, pousaram nos meus quadris. As palmas eram ásperas e quentes. Lentamente, ele as deslizou para trás, até abranger quase toda a minha bunda. Fechou os dedos sobre a carne, apertando com firmeza, sem brutalidade, mas deixando claro que podia me manejar como quisesse. Um gemido escapou de mim. Ele me puxou para perto, e seu rosto ficou na altura dos meus peitos.
—Era assim que você sonhava —disse. Não como uma pergunta, mas como um fato.
Num único movimento, a boca dele se fechou sobre meu peito. Não foi um beijo delicado. Prendeu o mamilo através da corrente do colar, sugando com força, a língua girando ao redor, mordendo a ponta até me fazer arfar. Mudou para o outro seio, chupando-o inteiro, lambuzando-o de saliva, enquanto os dentes roçavam a pele. Um gemido rouco saiu de mim. Ao mesmo tempo, a mão que estava na minha bunda se moveu. Os dedos grossos agarraram a renda da calcinha fio-dental e puxaram-na para o lado, rasgando a costura com um som seco. O tecido cedeu e deixou minha buceta exposta.
O ar fresco me atingiu ali, seguido imediatamente pelo calor da mão dele. Seus dedos percorreram meus lábios inchados, separando-os, verificando o quanto eu estava molhada.
—Você está escorrendo —murmurou contra meu peito—. É uma puta.
O dedo médio, grosso e áspero, encontrou minha entrada já encharcada e afundou de uma só vez. Ele me preencheu por completo, num alongamento intenso e preciso que eu vinha imaginando havia semanas. Gritei, mas o som se sufocou e virou um gemido ofegante. O dedo entrava e saía, produzindo um ruído úmido e obsceno que enchia o quarto. Logo ele enfiou um segundo dedo, abrindo-me mais, curvando-os dentro de mim para tocar aquele ponto que fazia minhas pernas tremerem.
—Você gosta —rosnou, confirmando o que já sabia—. Queria isso desde o primeiro dia. Queria meu pau desde que me viu.
Ele tirou os dedos brilhando com meu gozo e levou-os à boca. Chupou-os devagar, sem deixar de me olhar, saboreando-me. Depois baixou uma das mãos e puxou o pau para fora, por cima do elástico da calça. Eu o vi ali, duro, grosso, com a cabeça arroxeada e uma gota espessa brilhando na fenda. Com a outra mão, empurrou meu ombro para baixo.
—Chupe primeiro. Como naquela vez. Deixe-o bem molhado.
Ajoelhei-me entre as pernas dele sem pensar. Segurei-o com uma mão, sentindo o peso e a pulsação quente. Passei a língua por todo o comprimento, dos ovos pesados até a cabeça, recolhendo aquela gota salgada. Coloquei-o na boca. Fechei os lábios ao redor e comecei a descer até onde conseguia, sentindo-o encher minha boca até o fundo da garganta. Ele soltou um grunhido e segurou meu cabelo, não para me forçar, mas para me guiar.
—Isso, isso... até o fundo.
Eu subia e descia, chupando com força ao retirá-lo, deixando-o brilhante de saliva. A baba escorria pelo canto da minha boca. Segurei os ovos dele com a outra mão e apertei-os suavemente, girando-os. Ele arfava cada vez mais rápido, e o quadril começava a se mover contra meu rosto.
Ele me afastou de repente, antes de gozar. Um fio de saliva pendia do meu queixo até a cabeça do pau.
—Chega. Agora é a sua vez.
A boca e os dedos dele tinham me levado rapidamente à beira, mas uma parte da minha mente continuava alerta. A pressa. As suspeitas. Não podíamos demorar.
Entre gemidos que eu tentava conter, ofeguei as palavras:
—Não... não temos muito tempo. Faça. Enfie em mim. Agora.
Ele assentiu sem falar. Com as mãos fortes nos meus quadris, levantou-me do chão e me virou. Empurrou-me com suavidade, mas com firmeza, em direção à cama. Entendi. Inclinei-me, apoiando as mãos no colchão, a bunda empinada para ele, as pernas afastadas. O tecido rasgado da calcinha fio-dental pendia de um lado. Sentia o ar fresco entre as nádegas, sabia que estava mostrando tudo a ele, a buceta aberta e pingando, o cu também exposto.
Ouvi o roçar do elástico do pijama dele ao baixar. Um segundo depois, senti a pressão grossa e quente contra mim. A cabeça do pau passou primeiro por toda a rachadura, molhando-se e procurando a entrada. Ele a segurou com a mão, posicionou-a bem ali e empurrou. Entrou de uma só vez, até o fundo, até bater no colo do útero. Um grito abafado escapou de mim contra a colcha. Era demais, uma pressão e um estiramento para os quais eu não estava preparada, mas que meu corpo, encharcado, aceitou imediatamente. Senti cada centímetro, cada veia marcada dentro de mim.
Ele não esperou que eu me acostumasse. Segurou meus quadris e começou a se mover. Cada estocada era forte e direta, entrando até o fundo e saindo quase por completo antes de voltar. O som da pele dele contra a minha, dos ovos batendo no meu clitóris, enchia o quarto, misturado aos grunhidos roucos dele e aos meus gemidos entrecortados. O barulho molhado da minha buceta encharcada engolindo o pau era obsceno e ecoava no quarto.
O ritmo era rápido, urgente. Ele também sabia que o tempo era curto. Uma das mãos se enredou no meu cabelo e puxou minha cabeça para trás, arqueando ainda mais minhas costas. A outra não soltava meu quadril, marcando-o com os dedos. Ele me deu um tapa seco na bunda, fazendo-me apertar a buceta ao redor dele.
—Assim... era assim que você queria —arfou, sem parar de se mover—. Duro e rápido. Diga que queria.
—Sim... sim, assim... mais forte —consegui gemer contra a colcha.
Eu mal conseguia falar. Apenas sentia. A grossura abrindo-me por dentro, a fricção que me fazia ver branco, cada empurrão golpeando aquele ponto profundo que arrancava ondas de prazer. Minhas pernas tremiam, mas o aperto dele me mantinha no lugar, e o colar balançava descontrolado entre meus peitos pendentes, enquanto as pérolas dos brincos batiam nas minhas bochechas. Senti o primeiro orgasmo subir, contraindo-me inteira ao redor do pau dele, e gozei sufocando um grito, molhando-o ainda mais. Não havia tempo para mais, e eu o deixava fazer, sabendo que o procurara desde o começo.
De repente, ele tirou o pau, brilhando com meus fluidos, e me virou. Deitou-me de costas sobre a colcha amarrotada. Separou minhas pernas com as mãos, abrindo-as bem e dobrando-as em direção ao peito. Fiquei completamente exposta diante dele, com os brincos balançando, o colar sobre o peito, a calcinha destruída de lado e a buceta vermelha, inchada e aberta diante dos olhos dele.
—Olhe para você —murmurou, passando dois dedos pelos meus lábios abertos—. Toda minha.
—Quero ver você —disse então, mais alto—. O seu rosto. Quando eu enfiar em você.
Ele voltou a se posicionar entre minhas pernas. Segurou o pau com a mão, passou-o pelos meus lábios molhados, esfregando-o contra o clitóris até me fazer gemer, e então o apoiou na entrada. Olhou fixamente para mim enquanto empurrava, entrando novamente, centímetro por centímetro dessa vez, para que nós dois sentíssemos como ele afundava. Dessa vez, gemi sem abafá-lo, vendo o corpo dele se fundir ao meu, vendo o pau desaparecer dentro da minha buceta. Ele não tirava os olhos do meu rosto nem das pérolas, que brilhavam a cada movimento. Curvou-se e chupou um dos meus mamilos, mordendo-o, enquanto o quadril começava a se mover outra vez.
O ritmo dele ficou mais rápido, mais descontrolado. Os grunhidos, mais frequentes. Ele segurou minhas duas mãos e as prendeu contra o colchão, acima da minha cabeça, imobilizando-me por completo. Suas estocadas eram agora mais profundas e selvagens; a cama rangia sob nós, e a cabeceira batia contra a parede. Eu sabia o que aquilo significava. Sentia pela maneira como ele ficava mais duro, pela forma como os golpes perdiam o ritmo e se tornavam mais profundos.
—Vou gozar —arfou, como um aviso—. Dentro. Vou encher você inteira.
—Sim... faça... goze dentro —implorei, sem me reconhecer, envolvendo as pernas na cintura dele para não deixá-lo sair.
A mão dele apertou meu quadril com mais força, cravando os dedos. Os movimentos ficaram curtos e rápidos, empurrando até o fundo repetidas vezes. Fechei os olhos, sentindo o calor se acumular também dentro de mim, prestes a segui-lo. O segundo orgasmo explodiu então, mais forte que o primeiro, a buceta convulsionando ao redor do pau dele, apertando-o, ordenhando-o.
Com um gemido rouco e profundo saído do peito, eu senti. Um calor se derramou dentro de mim, pulsando repetidamente enquanto ele tremia sobre meu corpo. Senti cada jorro, espesso e quente, disparando contra o meu fundo, enchendo-me. O corpo dele se retesou e depois desabou um pouco, sem me soltar, o pau ainda dentro, pulsando com os últimos restos. Beijou meu pescoço e meu maxilar, sem parar de se mover suavemente, espremendo-se por inteiro dentro de mim.
Foi uma sensação estranha, quente, íntima. Senti o esperma começar a escapar ao redor do pau ainda enterrado, descendo pelas minhas nádegas até a colcha. Não era como nos meus sonhos. Era mais real, mais cru, algo que eu não podia controlar e que preenchia um espaço que, até minutos antes, era apenas meu.
Ele se afastou devagar. O pau saiu com um ruído úmido e, atrás dele, um jorro espesso da gozada misturada aos meus fluidos escorreu entre minhas pernas. Ele me olhou, os olhos ainda escuros, contemplando o rastro que deixara.
—Minha —disse enfim, em voz baixa, como se aquela palavra explicasse tudo. Passou dois dedos pela minha buceta aberta, recolhendo um pouco do que escorria, e levou-os à boca. Chupei-os sem pensar, saboreando nós dois.
Fiquei imóvel, sentindo o calor esfriar sobre minha pele, sentindo o esperma dele continuar escorrendo da minha buceta. Aquelas palavras ficaram suspensas no ar carregado do quarto. Não soube o que responder. Apenas assenti, quase sem perceber.
—Obrigado —acrescentou então, de repente. A voz estava mais suave. Não disse pelo quê, mas eu entendi. Obrigado por vir. Por não recuar. Por me deixar gozar dentro de você. Por me dar aquilo que talvez ninguém lhe desse havia muito tempo.
A urgência voltou de repente. O tempo. As suspeitas. Ele viu em meu rosto e apontou com a cabeça para o pequeno banheiro do quarto.
—Limpe-se —disse, prático outra vez.
Levantei-me com as pernas trêmulas. Senti o jorro quente escorrer pela coxa assim que fiquei de pé. Fui ao banheiro e me limpei como pude, com papel e água, limpando-me entre as pernas e retirando o que ele havia deixado dentro de mim. No espelho, vi-me: o cabelo despenteado, os brincos tortos, os olhos brilhantes demais, os mamilos ainda duros e vermelhos pelas mordidas dele, marcas de dedos nos quadris. Arrumei-me um pouco, mas não havia como disfarçar o que acabara de acontecer.
Quando saí, ele já havia vestido a parte de cima do pijama. A caixa dos brincos estava sobre a mesinha. Ele a pegou e me entregou.
—Guarde-os —disse—. Para a próxima vez.
Não perguntei quando seria a próxima. Apenas guardei a caixa na bolsa. Peguei o vestido do chão e o vesti sobre o corpo ainda pegajoso, calcei os saltos. Sem calcinha, porque eu a deixara destruída no chão do quarto. Eu já era quase outra pessoa.
—Saia pelo corredor dos fundos —indicou—. Pela porta de serviço. A esta hora não há ninguém.
Assenti. Parei por um segundo na soleira. Nós nos olhamos. Não houve beijo nem abraço. Apenas aquele silêncio carregado e o «obrigado» dele ainda suspenso no ar.
Saí. Caminhei rápido pelo corredor escuro até a porta de serviço e cheguei à rua, até o ponto de ônibus. A cada passo, sentia o líquido quente dele escorrer pela minha coxa sob o vestido.
Enquanto esperava, os pensamentos não paravam. O que eu tinha feito, na residência, com um residente. Eu havia cruzado uma linha. Podia perder a tese, a carreira inteira. Sabia que não estava certo.
Mas também pensava no resto. Em como aquilo tinha sido. As mãos dele na minha pele. O pau dele dentro da minha buceta. A gozada dele me enchendo. A voz dele ao dizer «obrigado». Aquilo não parecia errado. Parecia real.
Entrei no ônibus quase vazio e sentei-me junto à janela, apertando as coxas, sentindo que continuava encharcada dele. Já não importava se era certo ou errado. Estava feito. Eu não podia desfazer aquilo.
***
Voltei à residência mais algumas vezes antes de terminar a tese, com a desculpa de medir os últimos detalhes. Na primeira, acabei outra vez ajoelhada diante dele, com o pau até o fundo da garganta, engolindo a última gota da gozada porque não havia tempo para mais. A segunda foi na cama, com ele por cima, mais devagar, mas igualmente calado, vendo-o gozar sobre meus peitos e o colar antes de me limpar depressa. Depois de nenhuma das vezes houve despedidas: eu me arrumava e ia embora, ele ficava, e parecia bastar para nós dois.
Na última vez que fui, para deixar uma cópia da tese concluída, eu soube de antemão que não o veria. Passei diante da porta fechada dele. Não bati. Apenas parei por um instante e continuei andando.
Nunca soube se o que fizemos foi certo ou errado. Mas descobri algo sobre mim: eu também era capaz de deixar tudo de lado pelo simples prazer de sentir aquilo, um pau duro dentro de mim e uma gozada quente me enchendo. E isso, para o bem ou para o mal, agora fazia parte de mim.




