Meu dom me levou até um templo perdido na Índia
Subi no avião com o pau duro, como todos os dias desde que me entendo por gente. O que eu não imaginava era que aquela sacerdotisa mudaria minha vida numa única noite.
Subi no avião com o pau duro, como todos os dias desde que me entendo por gente. O que eu não imaginava era que aquela sacerdotisa mudaria minha vida numa única noite.
Às três da manhã, com o vento gelado batendo na barraca, eu me enfiei sob a manta dele sem pedir permissão. Mauri não se mexeu, mas eu sabia que ele não estava dormindo.
Naquele dia na empresa, vimos vídeos estranhos no computador dele. O que eu não esperava era que, meses depois, essa mesma curiosidade acabasse no sofá, debaixo do cobertor.
Nos sentamos uma de frente para a outra com um martíni cada. Uma regra: olhar, falar, cheirar. Tocar, proibido. E ela tinha um cubinho de gelo na mão.
Achei que fosse só curiosidade. Até ver a foto dele, sentir meu pulso acelerar e entender que eu vinha fugindo havia três anos do que já estava decidido.
Havíamos recusado três casais. Quando enfim encontramos o casal perfeito, eles impuseram uma condição que nem nos nossos sonhos mais estranhos esperávamos.
Quando saí do banheiro com saltos, meias e baby doll vermelho, a cara dele disse tudo: eu já não era a «filha» do seu melhor amigo, era outra coisa.
Três meses trocando mensagens com um desconhecido casado, até que naquela tarde no shopping decidimos que não dava mais para continuar só escrevendo.
Há anos nos evitávamos em cada jantar de família. Nessa noite de Réveillon, quando todos dormiram, ela largou as taças e me beijou na cozinha sem dizer nada.
Ela só veio me trazer uns papéis. Quando se sentou no sofá e cruzou as pernas, eu soube que o problema seria meu, não dela.
Ele me colocou as algemas de veludo nos pulsos e a venda nos olhos. Disse que eu confiasse, que eu ia gostar. Eu não sabia como dizer que sim.
Bruno me esperava na porta com um buquê de rosas e um sorriso que não era de irmão. O apê ainda cheirava a tinta, e nós tínhamos a tarde inteira para estreá-lo.
Até aquela noite, eu achava que já conhecia todos os meus limites. Bastou um olhar, um gesto dela, e tudo o que eu pensava saber sobre meu desejo ruiu em silêncio.
Lá fora chovia e ela me olhava como nunca ninguém da minha família havia me olhado. Eu sabia o que ela ia me pedir, e sabia que não ia conseguir negar.
A música tocava ao longe, a família brindava lá embaixo e eu ainda estava sentada na cama, sem entender em que momento os beijos dele tinham deixado de ser brincadeira.
Até aquela noite, eu tinha sido completamente hetero. Bastou um filme mal escolhido, um travesseiro improvisado e a respiração de um desconhecido na minha nuca.
Quando atravessei o corredor, ouvi ranger sob meus pés cada um dos meus tabus. Cheguei à porta dele sem roupa, só com o cabelo sobre os ombros.
Ela abriu a porta quase nua, com aquele sorriso que já não era o de uma cliente educada, e eu entendi desde o primeiro minuto que aquele chamado não terminaria na junta do ralo.
Lucía nunca quis saber de homem. Camila era uma bomba que enlouquecia os hóspedes. Eu só tinha uma pergunta que não conseguia guardar.
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.