Espiei minha mulher com o pintor desde o escritório
Eu era o diretor invisível de uma peça proibida: vi minha mulher se transformar diante do pintor sabendo que eu a espionava do outro lado da câmera.
Eu era o diretor invisível de uma peça proibida: vi minha mulher se transformar diante do pintor sabendo que eu a espionava do outro lado da câmera.
A cerveja tinha nos deixado carinhosos e o terraço parecia vazio. Até eu ver o brilho de uns binóculos nos mirando do morro.
Voltei de meses na Patagônia e a encontrei sentada na cozinha à uma da manhã, com uma taça na mão e aquele olhar que prometia briga.
A loja estava vazia às três da tarde. Quando ele baixou a porta e me levou ao provador, eu soube que aquela sesta não seria como nenhuma outra.
Desci do carro só para pegar um pacote e lá estava ele, o magrelinho que me via de biquíni, agora homem e me olhando como se ainda tivesse mil perguntas.
Quando levantei os olhos entre o capim, dois faróis se apagaram a trinta metros. Dentro do carro, uma sombra imóvel não parava de nos observar.
Quando a vi entrar no trabalho com as mesmas leggings pretas do dia anterior, soube que aquela jornada não terminaria como as outras. Nem como eu imaginava.
Nunca tinha reparado em outro homem até os olhos dele se cruzarem com os meus naquele bar. Três copos depois eu estava na casa dele, sem saber o que fazer com as mãos.
Reservei o quarto três semanas antes. Quando ela mordeu o lábio no patamar do segundo andar, soube que não havia mais volta para nenhum dos dois.
Eu estava meio dormindo, com a camisola na cintura, quando vi no espelho da penteadeira a silhueta do homem debruçado na minha janela.
Quando subi à biblioteca para buscar uns legajos, não esperava sentir as mãos do meu meio-irmão segurando minha cintura como se ele tivesse esse direito.
Cheguei ao hotel do norte com a ideia de descansar antes do trabalho. Naquela mesma noite, sentada diante dele de robe, soube que não iríamos dormir até o amanhecer.
Quando me agachei para pegar uma revista na prateleira mais baixa, senti o ar frio entrar inteiro entre minhas pernas. Três pares de olhos se ergueram ao mesmo tempo. Não baixei a saia.
Cada vez que entro num provador, deixo a cortina só um pouco aberta. Quem olha do outro lado nunca imagina que eu estou esperando por ela. E quase sempre alguma entra no jogo.
Entrei nu e caminhei entre corpos sem saber o que procurava. Quando subi na rede com uma taça de vinho, um homem de quarenta anos se sentou ao lado e perguntou se me incomodava.
Pedi que ela apalpasse os músculos do meu pescoço para estudar anatomia. Não esperava que a aula terminasse com ela virando meu rosto e me beijando como se esperasse por aquilo havia anos.
Estava sentada no sofá redondo do fundo, de pernas cruzadas e com o copo meio vazio, quando vi o rapaz de cabelo cacheado largar a bebida e ir direto na minha direção.
Quando desci descalça para a cozinha às três da manhã, meu filho já estava lá sem camisa, me olhando como um homem, não como um menino, e eu soube que aquela noite eu cederia.
Ela aceitou o programa como uma fantasia única, mas nunca imaginou que aquele desconhecido a levaria a descobrir orgasmos que nem sabia que existiam no corpo.
Quando abri a porta do 412 pensando que estivesse vazio, encontrei-o nu no sofá, me olhando como se soubesse quem entraria.