A última noite com ela antes do voo
Abri sua camisa contra a parede do hall, beijei seu pescoço e soube que não ia pedir que ela ficasse, mesmo morrendo de vontade.
Abri sua camisa contra a parede do hall, beijei seu pescoço e soube que não ia pedir que ela ficasse, mesmo morrendo de vontade.
Só restava um nome na sua lista de pacientes, e quando ele chamou não imaginava quem atravessaria a porta do consultório naquela tarde.
Cada primeiro terça-feira do mês ele tocava a campainha com o galão no ombro. Eu o recebia cada vez com menos roupa, esperando que ficasse mais tempo do que devia.
A sala estava quase vazia. Meu marido se levantou para buscar as bebidas e, antes de sair, tinha erguido minha saia e meu suéter o bastante para que o amigo dele não desviasse o olhar.
Cheguei à casa dela uma hora antes da minha namorada. Minha sogra abriu a porta com camisola curta, uísque servido e um sorriso nada inocente.
Atravessei aquela porta convencida de que mulheres não eram a minha praia. Saí duas horas depois sabendo que aquela frase era a maior mentira que eu já tinha contado.
Eu me depilava por completo, usava meias e cinta-liga escondido. Nunca imaginei que um congresso da empresa acabaria comigo entregue a outro homem.
Quando três batidas soaram na porta do banheiro, achei que fosse Carla. Mas quem entrou foi ele, sem esperar resposta, descalço e de peito nu.
Quando abri a porta para respirar o ar molhado, alguém saltou o muro. Estava nu, não disse o nome, e meu marido continuava dormindo dentro de casa sem saber de nada.
Nunca tinha tirado a blusa ao ar livre. Eu estava com o coração disparado e as mãos tremendo, mas algo em mim precisava saber como era ser vista por um desconhecido.
Nessa manhã não havia ninguém em casa para me ouvir. Só o espelho, meus saltos e a voz de um homem que vivia dentro da minha cabeça.
Adoro a soneca quando estou sozinha em casa. Hoje o frio da tempestade arrepiou minha pele e, sem perceber, só conseguia pensar em como você me olharia.
Ele morava bem em frente a mim e nunca tinha me olhado duas vezes. Naquela tarde, decidi que isso ia mudar, mesmo que eu tivesse que cruzar o corredor sem sutiã.
Na fila das bebidas, ela me pediu para cheirar meu perfume. Quando se inclinou no meu pescoço, eu entendi que aquela noite terminaria em qualquer lugar menos na minha casa.
Eram dez da manhã, eu estava sozinha em casa e só conseguia pensar nas mãos dele. Hoje, enfim, estaríamos a sós e eu precisava acalmar o que ele despertava em mim.
O grande desgraçado tinha usado o próprio corpo dela como inspiração, e agora ela tremia diante da tela sem saber se o que sentia era raiva ou desejo.
Aos cinquenta e um, depois de muitas mulheres, escrevi para um desconhecido num site gay sem saber que essa mensagem me obrigaria a aceitar o que sempre neguei.
Passei o dia inteiro com a calcinha úmida só de pensar no que me esperava em casa. A caixa continuava fechada sobre a cama, e eu já não aguentava mais.
Pensou nele o dia todo. Agora, sob os lençóis e com a chuva batendo no vidro, sua mão começa a percorrer o que a imaginação já tinha prometido.
Nora sempre admirou a irmã mais velha mais do que devia. O que ela não sabia era que essa mulher por quem desejava em segredo era, na verdade, sua própria mãe.